Hell Between Us
12 Capítulo 12 - Lar
Notas iniciais
Pov – Daryl
Fraco, foi isso que ela me disse, não precisava ouvir aquilo, já tem o Merle me infernizando com sua opinião sobre mim, não precisava ouvir o que quer que fosse dela.
O que queria que fizesse? Brigasse com eles por uma porcaria de teto? Me humilhasse mais do que já tinha feito? Apontasse uma arma, exigisse algo? Não sei fazer isso, não quero aprender, não imploro por merda nenhuma, e aprendi a gostar daquelas pessoas para obriga-las a o que quer que fosse, inclusive conviver comigo.
Merle caminha despreocupado, não dá a mínima para como me sinto, para o que está acontecendo com eles, não sei quem ele se tornou, não gosto de pensar no que ele fez, não gosto de pensar em como eu me pareço com ele.
Vamos seguindo pela floresta, em silencio a princípio, eu não paro de pensar nela, no modo como me olhou decepcionada, de me exigir uma posição que não podia ter, sempre acho que não mereço muito.
Nunca mais vou vê-la, decidi isso quando dei as costas a todos eles e tudo que vivemos nesses meses todos, não devia me preocupar com ela, com o que pensa de mim, não devia me preocupar com o que vai acontecer com eles, escolheram seguir sem mim, eu devia fazer o mesmo.
Não é fácil, o cara era um lunático, tenho certeza que vai buscar vingança na prisão, Hershel está lá, e Carl e a pequena Bravinha, corri feito um louco para dar uma chance a ela, eles têm que fazer o mesmo, juntar suas coisas e pegar a estrada, é mais seguro.
Não vão fazer isso, sei que vão ficar e lutar e eu devia estar lá, ajudando a terminar o que ajudei a começar, para o bem ou para o mal eu devia estar lá.
─Está bem calado caçula! – Merle me provoca, tento ignorar. – Não vai falar comigo?
─Segue em frente Merle, precisamos de comida.
─Uma hora a comida aparece, preciso mesmo é de uísque!
─Cala a boca.
─Isso pelo menos não me faltava em Woodbury, comida e mulher, e você andou rolando com alguém?
─Não quer mesmo ter esse tipo de conversa não é? – Estou querendo ficar longe dele e desse assunto.
─E aquela gostosa com as espadas, que delicia, chegou faz tempo?
Não gosto do modo como ele fala dela, não respondo de imediato, não quero pensar nela e em nada, queria apenas que calasse a porra da boca e me deixasse caçar em paz.
─Pelo visto virou mesmo uma bichinha delicada, era mais macho antes do mundo acabar.
─O que quer saber Merle? Que diferença faz? Não vamos mais ver aquela gente, cala a boca e me deixa caçar!
─Nossa! – Ele ri cínico – Que nervosinho, só quero o nome dela, só jogando conversa fora.
─Abby Coleman, chegou quando encontramos a prisão, ajudou a limpar é forte e não sei de mais nada. Feliz agora?
─Nome interessante, parece que já ouvi em algum lugar, de onde ela é?
─Acabo de perder uma porra de um coelho porque não cala a boca.
Era uma grande mentira, não queria mais continuar conversando e Merle se cala quando se dá conta que não vai tirar muito mais de mim, quero voltar, quero apenas ir para casa e ajudar a proteger aquelas pessoas.
Escurece, não temos nada, não cacei uma merda de coisa nenhuma, batemos boca pelo menos meia dúzia de vezes por todo tipo de tolices, fazemos um fogo baixo e nos sentamos.
─Bom maninho, vou dormir um pouco, se não tivesse deixado seu amiguinho xerife me dar uma coronhada na cabeça eu estaria em condições, mas já que faz tudo que seu amiguinho quer agora cuida da segurança enquanto durmo.
Merle se encosta numa arvore e realmente dorme, no meio da floresta numa porra de apocalipse, com mortos caminhando por todos os lados, nada o faz parar de ser estúpido.
Não prego os olhos, estou pensando em tantas coisas, atento a tudo que só consigo ficar de olhos abertos ouvindo a noite.
As coisas estão estranhas agora, passei uma vida seguindo Merle, fiquei triste quando ele sumiu, chegar naquele telhado e não encontra-lo me arrasou, e agora que ele está aqui, que podemos seguir juntos, não me sinto à vontade, parece que não o conheço mais, que não sei mais conviver com aquele jeito dele.
É meu irmão, o único que sabe quem eu sou e de onde eu vim, tem o sangue Dixon o que nem é grande coisa, mas é meu irmão, me deixou uma centena de vezes, mas está aqui agora e por mais que queira não sei deixa-lo.
Chuto seus pés quando começa a clarear, ele da um pulo assustado, me olha com uma careta e se põe de pé, cospe e se espreguiça.
─Vamos continuar!
Eu o sigo, ergo a besta, preciso mesmo achar comida, já vi que ele não vai fazer muito. O calor úmido da Geórgia é de matar, não é fácil para ninguém, te deixa cansado, e penso na prisão, em quanto aquele lugar parecia um bom pressagio, como se finalmente fossemos ter uma vida.
Umas horas depois, sem nada para comer começamos uma discussão, mais uma, quero procurar em algumas casas que deixamos para trás, pescar, fazer qualquer coisa que não seja andar perdido pela floresta.
─Acho que quer é me levar de volta para a estrada, para aquela prisão.
─Não seria má ideia, eles têm abrigo, comida, uma latrina, é melhor do que essa porra.
─Para você talvez, mas não para mim, não tem lugar para mim lá.
─Se acostumam.
─Já estão todos mortos, não faz diferença.
─Como pode ter tanta certeza?
─Ele já deve estar preparando uma bela festa, para comemorar o fim dos seus amigos. Vamos pescar.
Ele não tem nada ali dentro? Como posso seguir em frente, não sei como lidar com aquilo, Merle precisa voltar comigo, vão se enfrentar, ficar furiosos, mas eu posso controlar ele um pouco e depois de um tempo quem sabe ele consegue ficar bem? Convivíamos todos na pedreira, não era o paraíso, mas foi possível, pode ser de novo.
Começamos mais uma discussão, agora sobre que direção seguimos, Merle quer apostar, tudo para ele é um jogo, então escuto o choro de um bebê, logo penso na pequenina, podia ser ela, se um dia ela precisar de ajuda, se homens passarem direto e deixarem a pequena a própria sorte, não posso fazer isso.
Deixo Merle falando sozinho e corro para ajudar um grupo que lutava com zumbis numa ponte.
Os caras eram mexicanos ou qualquer coisa do tipo, não me entendiam e nem eu a eles, não viveriam muito tempo já que mal podiam se defender, a mulher estava no carro, carregava um bebê que chorava assustado convidando os zumbis, começo a derrubar um por um, eles tentam me ajudar, mas o homem e o rapaz são meio inúteis, Merle assiste a tudo se divertindo.
Amasso a cabeça de um zumbi que tentava entrar pelo porta-malas aberto, depois acerto mais alguns, no fim Merle derruba um único zumbi, ajudo o homem com o último, chuto o infeliz pela ponte e quando me viro lá está meu irmão.
Pilhando o carro, o bebê ainda chorava, a mulher implorava, mas ele não se importa, não se importa com nada que não seja ele mesmo, sinto vergonha, foi por ele que abandonei minha família, que os deixei fracos para lutar contra um inimigo forte, por alguém que ignora bebês.
Merle me deixa sempre fraco e confuso, mas não desta vez, aponto minha besta para ele, exijo que deixe o carro e ele obedece, não acredita quando a família parte enquanto aponto minha besta em seu rosto, nos olhamos e não sei onde está meu irmão, seguimos rumos opostos, nunca estivemos mais longe um do outro que agora.
Dou as costas a Merle e volto para floresta, recolho minhas flechas no caminho, cheio de raiva, vergonha e humilhação, toda uma vida disso, paro o inferno a merda do sangue Dixon.
─O que deu em você para me apontar essa merda?
─Eles estavam com medo.
─Foram ingratos, salvou a vida deles.
─Estavam com um bebê! – Paro diante dele, que porra que preciso dizer para que Merle entenda que eu mudei.
─Se não tivessem um bebê deixa eles para os mordedores? Foi isso que aprendeu com o seu xerife?
─Eu voltei por você, não estava mais lá, não cortei sua mão, você fez isso, pediu por isso! – Enfrento Merle, ele se irrita.
─Engraçado não é? Está íntimo do xerife agora, amiguinhos inseparáveis, mas se me lembro bem iriamos roubar aquele acampamento.
─Não aconteceu.
─Porque eu não estava lá para te ajudar! – Ele grita, o idiota nunca esteve por perto quando precisei, sou mesmo um idiota, nunca devia ter seguido Merle feito um cego.
─Como quando eu era criança? Quem abandonou quem?
─Foi por isso que perdi minha mão? –Merle me acusa, não vou carregar essa porcaria de culpa, não mais, ele procurou pelo que teve.
─Perdeu a mão porque é um imbecil! – Grito dando as costas a ele, Merle me puxa, não aceita que lhe de as costas, me vê ainda como o garoto tolo que o segue obediente, não quero mais ser esse menino, não tenho mais idade para isso.
─O que disse? – A fúria dele ao me puxar me leva ao chão, rasga minha blusa, Merle se cala, enquanto tento erguer a blusa rasgada, esconder as marcas de quem eu sou, da porcaria de vida eu tive quando ele foi embora e me deixo para traz nas mãos daquele maldito bêbado – Eu não sabia, eu não sabia que ele...
─É ele fez! ─ Não quero ouvir, falar, quero só ir embora de uma vez, pego a mochila a besta e me ergo. – Fez o mesmo com você e por isso foi embora primeiro.
─Tive que ir, eu o teria matado se não fosse – Aquilo era uma mentira, ele fugiu e me deixou, fez isso porque era um covarde – Onde vai? – Sinto sua urgência, seu desespero, Merle se dá conta que eu estou indo embora e não suporta a ideia, se apavora como nunca vi antes.
─Vou voltar para o meu lugar.
Sim, era isso mesmo, eu pertenço aquele grupo, venho lutando com eles dia e noite e não vou deixá-los agora, Abby tem razão, é meu lugar e vou mostrar que não sou um fraco.
─Não posso voltar, quase matei a negra, espanquei o chinês.
─Ele é coreano! – E já me salvou uma dezena de vezes, mais do que a droga do meu irmão fez por mim.
─Tanto faz. – Olho para Merle e toda sua angustia, é hora de ele fazer uma escolha, não posso mais segui-lo, é a vez dele me seguir – Não posso ir com você.
─Eu posso estar indo embora, mas é você que está fugindo, de novo.
Não espero por ele, não paro de caminhar, sei que ele precisa de um segundo, não é fácil para Merle aceitar isso, que dessa vez ele vai precisar me seguir, me respeitar, que não sou mais seu fantoche.
Vou para casa, só rezo para chegar a tempo ou nunca vou me perdoar, logo sinto Merle me seguindo, não deixo que veja o quanto estou feliz, eles vão se acostumar, não vou dar escolha a eles, mereço meu espaço, lutei por ele e Merle vai aprender a respeita-los, um pouco de paciência e tudo se ajeita, se está vindo comigo é porque está disposto, não tem mais para onde ir.
Precisam de mim, e precisam do Merle.
─Não vai ser fácil – Ele me diz me alcançando.
─Você é forte! – ele dá de ombros.
─Não vou me dobrar ao seu amiguinho xerife.
─Claro, prefere se dobrar ao seu amiguinho Governador!
Ele se cala, tem o rabo preso, tem mais é que calar a porra da boca, caminho apressado, umas horas de caminhada, não vai demorar.
─Pelo menos tem a gostosa lá, vai tornar as coisas mais divertidas – Me sobressalto, não digo nada, mas fico em alerta – Ela tem alguém? Quer dizer o xerife tem a magrela, o chinês tem a outra gostosa...
─Lori morreu, tenta respeitar um pouco isso, ela teve um bebê.
─Que porra, tá de brincadeira que tem um bebê lá com vocês, por isso todo esse seu lado sensível? Mas é do xerife ou do Shane? Vamos lá, ela andava rolando com ele.
─Merle isso não é assunto seu! – Digo tão firme que ele aceita calado.
─Não me respondeu, a gostosa está sozinha?
Não, eu queria dizer, não quero Merle com ela, não quero contar sobre o beijo, porque ele não pode ficar longe dela e de problemas? Mas Abby não é fácil, não vai cair na do Merle e posso dar um empurrãozinho.
─Certo mano, quer a garota? Vou te ajudar, primeiro, chama ela de X.
─X, ah! As espadas?
─Isso, ela adora que a chamem assim, já vai ganhar uns pontos, e nada de gentilezas, ela é o tipo durona, não vai inventar de ser gentil com ela! – Abby vai acabar com ele em um minuto e ele bem que merece.
─Gosto disso! Mulher assim, que sabe o que quer e posso logo chegar junto, já esteve lá?
─Faz o que estou falando e vai ver como as coisas são.
─Quando precisar de ajuda pode contar com seu irmãozinho aqui! – Ele ri.
─Já estou contando Merle, pode ter certeza!
Relaxo um pouco quando sinto que estamos perto, finalmente a prisão, ver todos, cama, comida e Abby, preciso pensar sobre isso, não sei o quanto quero que ela fique longe, o quanto quero tomar mais uma vez aqueles lábios.
Pov – Sam
─Sério? Vamos ficar aqui?
─Sim Sam, vamos, não podemos deixá-los agora, mas preciso que se concentre em lutar, me obedecer e...
─Ficar vivo, eu sei, posso contar a Beth?
─Vai, mas quero que fique por perto e armado, não some.
─Obrigado X, Abby, Abby, anda merecendo que te chame assim, sei que está triste por ter perdido o Daryl...
─Sam se disser isso mais uma vez arranco essa sua língua comprida.
─Mas vai deixar as orelhas não é? Quer dizer, sempre quer arrancar as orelhas – Ela revira os olhos, mas por dentro sei que não se importa, de qualquer modo é melhor sair enquanto ainda estou inteiro.
Beth estava com Judy nos braços, ninando a pequena que adormecia, paro na porta da cela e ela ergue o olhar, os olhos estavam marejados.
─Já vai? – Pisca e uma lagrima escorre, até o momento só somos amigos, mas sua tristeza me enche de esperanças.
─Abby decidiu ficar, não vamos mais embora.
Ela sorri, um lindo sorriso, suava como manhãs de primavera, devolvo o sorriso, me sento a seu lado, o bebê adormece, Beth a arruma no berço improvisado.
─Abby é forte, decidida, é bom tê-la conosco.
─Ela sabe se virar, aprendemos muito lá fora, vocês também – Digo a Beth quando começamos a caminhar para o pátio.
─No momento estamos meio perdidos e dispersos, todos confusos, Glenn cheio de fúria, estou com medo.
─As coisas lá devem ter sido muito difíceis, estão mesmo fora de si, todos eles, Daryl não voltou, Glenn com esse ódio todo, Maggie encolhida e a Abby nossa chegou cuspindo fogo.
─Agora parece melhor.
─Beth ela sabe encontrar seu equilíbrio, nunca perde o rumo.
─Você a admira! – Ela me olha, tem um sorriso tão lindo, os cabelos dourados presos num rabo de cavalo que a deixa ainda mais bonita com os traços delicados todos em evidencia.
─Somos irmãos, pelo menos é assim que me sinto, embora ela me trate como um filho pequeno e teimoso.
Rimos, Abby dava algumas direções, todos começamos a preparar um pouco a prisão, colocando placas na passarela, arrumando as poucas armas que tínhamos, depois saímos para finalmente olhar o dia.
Hershel conversava com Rick pelas grades, não sei muito o que está acontecendo com ele, mas parece que anda vendo fantasmas, o que é irônico já que parece que todos nós estamos, tem muitos deles, andando lá fora, Beth me olha.
─No que está pensando?
─Na caminhada dos mortos, nos fantasmas que Rick enfrenta, no quanto são diferentes e ao mesmo tempo iguais.
─Aquilo foi mesmo estranho, o modo como ele expulsou o grupo, ele parecia estar vendo algo, fiquei arrepiada.
Ela passa as mãos pelos braços como se estivesse com frio, queria que tivéssemos um tempo sem tanto estresse, queria poder dizer a ela, quem sabe abraça-la, falar sobre nós, ficamos nos olhando, por um instante me esqueço o que estamos vivendo.
Carl se junta a nós, Carol conversa com Axel, tudo parece tranquilo e então escutamos um disparo e Axel está no chão, nos abaixamos, tiros vem de todos os lados.
Vamos tentando nos proteger antes de qualquer coisa, vejo um carro na frente da prisão, atiradores vindos de pontos estratégicos, Rick está do lado de fora, Glenn saiu de carro, corremos tentando nos proteger.
Abby surge armada, ela e Maggie dão cobertura para Carol que se junta a elas pegando uma arma, quem disse que não é um mundo para mulheres? Elas atiram em pontos opostos, eu, Carl e Beth tentamos ajudar, mas as armas pesadas estão com elas.
─Maggie a torre, pega ele, tento manter seu pai seguro! – Abby grita, as duas atiravam, finalmente Maggie derruba o homem, um a menos.
Quando estávamos trocando tiros sem muita sorte por conta da distância, um furgão atravessa nossos portões, a traseira se abre e zumbis são soltos. Que tipo de gente faz isso?
Hershel e Michonne estão lá, Abby dispara tentando protege-lo já que ele não podia correr por conta das muletas, felizmente o carro de Glenn surge, ele ajuda Michonne e Hershel abrimos rápido o portão já que o tal governador fugiu de carro feliz pelo estrago que fez.
Olhamos para o lado de fora, procuro por Rick e então eu vejo que ele não está sozinho, ainda luta com zumbis, mas Daryl está lá com ele, e um outro homem com apenas uma mão, os três limpam os zumbis a sua volta e olham em nossa direção, estamos todos contabilizando os estragos, Axel está morto, o pátio está de novo cheio de zumbis.
Não importa quantas vezes a gente os limpe, alguém sempre dá um jeito de trazer mais, suspiro, procuro a mão de Beth ao meu lado, entrelaçamos os dedos, trocamos um olhar, ela me dá esperança,
Procuro por Abby, minha irmã e protetora, ela está de pé, a metralhadora nas mãos, os olhos fixos para além das grades, ele está de volta, ela nunca vai admitir, mas está aliviada e eu também. Agora sinto que esse é nosso lar, mesmo assim, no meio de uma guerra essa é nossa casa e podemos fazer dar certo.
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