Hell Between Us
68 Capitulo 68 - Je t'aime
Notas iniciais
Pov – Abby
─Vou ver a Beth e saber como foram as coisas. – Digo com Bela no colo enquanto Daryl terminava uma xicara de café. – Dá tchau para o papai Bela!
─Tchau papai! – Bela acena, ele sorri, larga a xicara e rouba meu bebê, beija seu pescoço e ela tem um ataque de riso, descobriram os dois hoje cedo que a barba no pescoço faz cocegas e não se largam mais.
─Tchau bonequinha, daqui a pouco vou lá na Beth te buscar.
Ele me devolve Bela, dou um beijo rápido em seus lábios resmungo um tchau e vou embora, não quero arriscar ser acusada de fazer papel ridículo ficando muito grudada nele.
Assim que chegamos a rua coloco Bela no chão e com muita paciência vou de mãos dadas com ela até a enfermaria.
Beth está sozinha, me ignora por completo quando entro e vai direto para Bela.
─Oi amorzinho! Você fica cada dia mais lindinha. – Beth beija sua bochecha rosada, aperta um pouco Bela que reclama empurrando Beth. – Eu sei, sou chata, mas a culpa é sua.
─Pelo visto está tudo bem! – Brinco e Beth coloca Bela no chão, me sorri. – Vamos sentar ali fora um pouco? Bela brinca na grama e respira enquanto conversamos.
Ficamos as duas sentadas nos degraus, Bela com seu peixinho na grama.
─Foi uma boa de uma confusão, eu sei. Que cena mais desnecessária eu fiz. Quer arrancar minhas orelhas pelo que fiz com o Sam?
─Não. Achei que exagerou, mas entendi, se ofendeu porque ele meio que duvidou de você.
─Foi isso mesmo, eu amo tanto o Sam, achei que achar que eu podia estar com outro de qualquer modo que fosse era duvidar do meu amor.
─Sou ciumenta, tenho medo de perder o Daryl, isso nunca é muito racional.
─Vê? É isso, ele sentiu ciúme e claro que não foi racional, mais uma razão para não merecer meu ataque, ninguém é mais doce que o Sam.
Beth se martiriza, no fim ganhou uma serenata, até que saiu ganhando, será que Sam usou o francês? Bem queria saber, não vou perguntar porque ele pode ter guardado para algum outro momento e não quero estragar a vida romântica de ninguém.
─No fim se entenderam e foi algo para alegrar a comunidade, uma serenata no meio da noite, foi divertido.
─E a afinação? Abby o que foi o Sam cantando? Juro que nunca mais brigo com ele. Não quero arriscar mais nenhuma serenata.
Acabo por rir. Bela acena.
─Mon poisson rouge nage. – Ela me mostra o peixinho risonha.
─Oui chérie, piscine.
─Acho lindo quando falam em francês, mas o que ela disse?
─Que o peixinho está nadando. A grama acaba de se transformar num rio. – Beth sorri. – Um rio que talvez ela nunca possa ver de perto.
Aquilo me dá a exata noção do que é ser mãe nesse novo mundo, do quanto isso é arriscado e perigoso, do mundo de coisas que quero oferecer a ela e nunca vou poder realizar, me deixa melancólica.
─Eles não podem durar para sempre Abby, um dia nos livramos da maioria ao menos.
─Não custa sonhar. Beth acha que sou muito fria? Que não pareço uma garota. Digo alguém como você, suave, delicada. Sou meio bruta eu acho.
As piadas de Daryl reverberam na minha cabeça desde ontem, não sei se ele só queria me provocar, se queria de algum jeito me dar um aviso, essa tranquilidade de teto e comida está mexendo comigo.
─O mesmo dilema de sempre. – Beth ri. – É linda Abby, e não é nada bruta, acho que é a mulher mais mulher que tem aqui.
─Acha?
─É exuberante. Se faz notar, não é a toa que conquistou o mais resistente dos homens! – Beth brinca. – E vamos admitir, ele está em suas mãos.
─Bobagem. Não é isso que quero. Quero ele ao meu lado.
Agora vem a culpa, ele assumiu Bela comigo, nunca passei por um problema sem ter seus braços me envolvendo, como posso duvidar de seus esforços?
─isso ele está, e te ama, e você precisa esquecer o passado, venceu Abby.
─Venci! – Ao menos não carrego mais todo peso do passado.
─Você vive com medo de parecer fraca, mas que droga, tudo bem ser fraca, olhe em volta, o mundo acabou, tem zumbis arranhando as paredes do outro lado do muro, perdemos tudo e perdemos tudo mais de uma vez.
─Sempre tem razão. – Beth é irritantemente madura, ela e Sam estão sempre me ensinando sobre amor, sobre dividir a vida, como pode ser isso? Eu sempre me atrapalho toda, faço bobagem, sofro e um dos dois me socorre e dá conselhos.
─Então seja fraca o quanto quiser. Chore e coloque o Daryl para fora se quiser, ele que se dobre e faça uma serenata se a quiser de volta.
─Ele vai preferir perder um braço e nunca mais usar a besta, pode apostar.
─Pode ser, melhor não contar a ele sobre esse meu conselho. – Beth brinca.
─Uma vez Sam me disse que eu estava mudando por dentro, para melhor. Acho que ele estava certo.
─Muito melhor, não precisa se esconder, pode ser uma garota e ainda matar zumbis, mas eles estão lá fora, não precisa ficar o tempo todo em alerta.
─Eu fico mesmo na defensiva.
─Do que tem medo?
─De ficar diferente e o Daryl deixar de me amar. Não sei muito bem quem eu sou no momento.
Pronto, é isso, entendi tudo agora, é exatamente isso, não sei se ele pode me amar se não for o tempo todo forte, acho as vezes que ele se apaixonou pela mulher das espadas que mata zumbis e não teme nada.
─É uma mulher linda, que tem uma filha e um homem que te ama e que vai te amar sempre e que adora quando você fica toda sensível.
─Ferrada você quer dizer.
─Não, digo sensível mesmo. Ele gosta. Como te chama?
─Princesinha republicana. Achava que ninguém sabia. – Fico momentaneamente tímida, mesmo sendo Beth ali, não gosto muito de expor como me sinto, a não ser Sam e Daryl, eles tiram muito de mim e nunca nem me dou conta.
─Vivo com o Sam, tudo que ele sabe eu sei.
─Linguarudo! – Rimos. Depois encaramos Bela, ela fica de pé.
─Papai! – Daryl atravessava a rua e ela dá passinhos lentos em direção a ele, eu vejo seu rosto se abrir num sorriso claro, tudo para ela. Daryl Dixon ama loucamente a pequena filha que o apocalipse deu a ele e não consegue esconder isso.
─Oi! – Ele a ergue em seus braços. Com ela no colo caminha até onde estamos.
─Ela fica toda feliz quando te vê! – Beth diz feliz.
─É uma bonequinha. – Nos olhamos. – Vim saber se quer ir para casa agora.
─Prometi ajudar a Beth um pouquinho, vai na frente.
─Certo. Vamos comigo Bela? Brincar lá em casa? – Ela se distrai com seu botão.
─Casa papai. Boneca. – Ele beija sua testa.
─Vamos lá. Tchau, ela vai comigo, te vejo lá.
─Tchau. – Ele nos dá as costas com Bela nos braços e Beth me olha rindo.
─Agora entendi. Estão brigados?
─Não. Ele só está desde ontem me deixando bem claro o quanto acha declarações de amor e romantismo uma idiotice.
─Sei, por isso essa conversa?
─Vai Beth, me dá algo para fazer, não quero voltar agora.
─Ok. Mas ainda acho que está sendo uma boba, quer romance? Providencie.
─Você pode parando. Quero a velha Beth de volta, aquela açucarada que irrita de tão delicadinha.
─O mundo roubou um pouco disso, mas ainda sobra quando estou sozinha com o Sam.
─Não quero saber, não quero imaginar, ele é meu irmão!
─E eu que sou delicadinha? – Ela me provoca.
Entramos e ela me distrai com conversa e trabalho. Só no meio da tarde é que decido ir para casa. Quero ver como aqueles dois se viraram, aposto que nem sentiram minha falta.
Tenho plena consciência que estou sendo uma tola, mas não estou conseguindo evitar, eu quero sim um pouquinho de romance, algo que me surpreenda, nem sabia que queria até ele começar a desdenhar.
A culpa é toda de Daryl Dixon. Respiro fundo quando me aproximo de casa, nos amamos, temos um bebê e não preciso de nada disso. Somos muito felizes.
Pov – Daryl
─Mamãe está brava não é bonequinha? – Beijo Bela quando caminhamos para casa.
─Brava! – Ela adora repetir palavras, treinar sua sonoridade e mesmo não compreendendo está sempre atenta a nossas conversas.
─Muito brava, acho que o papai passou um pouco do ponto, mas vamos ser honestos, é bom quando ela fica com aquele jeitinho de princesinha mimada não é?
─Princesinha papai.
─Muito princesinha. Está com fome?
─Papa!
─Papa, não vai ser grande coisa, mas vamos tentar, qualquer coisa podemos caçar uns esquilos.
─Quero esquilo papai, lá fora! – Ela aponta em direção aos muros.
─Sempre querendo se aventurar, toda corajosa, quero só ver o tanto que vai me deixar muito doido. Mamãe vai cortar muitas orelhas. A começar pelas suas.
Ela toca a orelha. Eu bem podia morde-la, ela precisa parar de me fazer ficar idiota, a mãe dela já faz isso o tempo todo.
Entramos, sigo com ela para cozinha, preparo seu mingau, temos leite e aveia, depois me sento com ela no colo.
─Quer comer sozinha? Tudo bem, mas vai fazer meleca. Você sabe.
É exatamente isso que ela faz. Se lambuza contente, conversa comigo, algumas eu entendo, outras invento e vamos levando a conversa até que ela acabe.
─Acho que eu vou ter que te dar um banho, tem que ficar bem bonitinha para a mamãe não matar o papai. Ela bem que está querendo.
─Cadê a mamãe?
─Já vem, está fugindo da gente para não cortar o pescoço do papai.
Arrumo a roupa na cama enquanto a agua cai na banheira.
─Quero dar banho no peixinho.
─É bom, ele vive que é só baba.
Ela adora banho, não me ajuda muito, faz uma grande bagunça, já tem a bagunça na cozinha, agora água para todo lado e vou ganhar mesmo é uma porta na cara.
Não vai ter eu te amo em francês que me salve se não pararmos de fazer bagunça.
─Ajuda Bela, tem que ficar parada enquanto eu visto sua roupa. Enfio um braço você tira o outro. Sua mãe vai chegar aí e vamos estar nessa luta.
Depois chegamos a um acordo, ela está limpa e linda. Agora o cabelo, não precisava ter cabelo, mas tem e vamos lá, passo a escova, ela empurra, tento de novo.
─Aí! Dói! – Ela reclama. Então paro, não vou machucar meu bebê.
─Vamos esperar a mamãe na sala e chega de bagunça, depois eu dou um jeito nisso.
Ficamos no chão, ela com a boneca, penteia e enrola a língua, manda e desmanda na pobre e começam cedo, mandar é mesmo um talento.
─Ainda bem que eu te trouxe. Assim tenho certeza que sua mãe volta, nem que seja para te buscar. Ainda tenho que arrumar força para falar francês e é bom que funcione.
Se ela rir de mim eu sei lá.
─Será que a mamãe vai rir do papai?
─Cadê a mamãe? – Ela pergunta olhando para porta.
─Também queria saber. Agora que tal treinar francês? Je t’aime Vous voulez étre ma femme?
─Je t’aime. Vous voulez étre ma femme. – Porque ela fala tão certinho?
─Como é Bela, de novo bonequinha, eu estou meio encrencado, preciso de ajuda. Vamos de novo? Je t’aime. Vous voulez étre ma femme.
Vamos falando juntos e tento imitar o jeito dela pronunciar as palavras, uns minutos depois escuto a porta.
─Shiu, vamos mudar de assunto, não vai me entregar bonequinha!
─Mamãe! Mamãe! – Ela não vai me entregar, ela nem se lembra mais que eu existo, está apressada indo de encontro a mãe.
─Oi meu amor! – Abby a ergue no colo. Beija seu rosto, aspira seu perfume. Depois me olha, parece mais triste que brava, que burro mesmo. – Vou tomar um banho. Já venho.
Ela coloca bela no chão, me dá as costas e isso me machuca, ela é tudo que me importa e não aceito que me dê as costas.
─Je t’aime. Vous voulez étre ma femme? – Digo devagar enquanto ela vai se virando lentamente com o rosto cheio de incredulidade a boca meio aberta, os olhos confusos. Surpresa, exatamente como eu queria. – Nunca foi para o Sam, sempre fui eu. Je t’aime. Vous voules étre ma femme?
Repito vagarosamente, quero que ela perceba cada silaba e veja que é para ela e que possivelmente eu nunca mais vou repetir.
─Je t’aime aussi. Je suis sa femme depuis détoumé mon sac à dos.
Ela seca uma lagrima, Abby está chorando, mas como não entendi uma palavra do que disse eu não sei bem se ainda me ama, se ainda me quer aqui, se disse sim ou não.
Ela é linda, ali de pé, com aquele ar de rainha e olhar de princesa, dona de tudo em mim. Não se move, Bela olha de um para outro, curiosa seus instintos garantem que presencia algo importante então ela apenas assiste, dou um passo em direção a Abby, sinto um pouco de medo dela recuar.
─Amo você Abby, toda você, quero que seja minha mulher.
─Eu já disse, também amo você e sou sua mulher desde que sequestrou minha mochila.
─Foi isso que disse? – Pergunto passando meu braço por sua cintura, eu a puxo para mim. – Amo você, quero que seja minha, não casar como as pessoas fazem, não é isso, é sobre pertencermos um ao outro. Nessa vida e em todas que vierem depois.
─Foi assim que me entreguei a você Daryl, desde sempre. – Mais lagrimas rolam acho que ela fica ainda mais linda. Adoro minha princesinha republicana com seus diários cor de rosa e sonhos de juntar nomes.
─Abby Coleman Dixon combina.
─Vou treinar no meu diário. – Ela diz chorando e rindo. ─ Talvez até faça uns coraçõezinhos em volta.
─Não tem nada de diário, vai treinar na vida. E eu merecia um beijo, estou repetindo essa frase na cabeça sem parar desde ontem, obriguei a Bela a ficar treinando comigo um tempão.
─Isso foi... Estou parecendo uma boba! – Eu seco suas lagrimas com uma mão, a outra a envolve ainda, não quero solta-la, não quero solta-la nunca mais.
─É linda e é minha, disse sim, isso tudo foi um sim, não é?
─Foi. Oui! – Beijo Abby, chega de francês para mim. Talvez um me perdoa, ou me desculpe para quando eu estragar tudo.
─Como é que se diz, me desculpe, volta para mim.
─Bobo! – Ela me dá um tapa no ombro, me abraça, ainda chorando, não pretendia fazer Abby chorar. Eu a beijo mais uma vez.
Devíamos terminar essa conversa na cama, acho que ela pensa o mesmo, porque os dois olhamos para Bela de pé nos assistindo. Fazemos tudo ao contrario mesmo, eu devia ter feito isso antes de Bela chegar. Uns meses atrás.
─Está com sono bonequinha?
─Boneca! – Ela me mostra a boneca, suspiro, eu tentei.
─Não acha que ela está com saudade do Sam? – Pergunto beijando Abby.
─Não está nada! – Ela diz suspirando e depois faz aquela carinha linda de princesa que eu amo e me fez treinar francês. Melhor que serenata em público. – Ela dorme cedo e a noite toda.
─Tudo bem. Mas vou fazer ela correr em volta do quarteirão umas duas vezes. Só para garantir.
─Daryl! – Ela me dá um novo tapinha no ombro.
─O que? Eu falei francês, se lembra?
─Acho que não vai me deixar esquecer.
─Não mesmo. Agora sobre a casa... Eu e a Bela...
─Nem vem Daryl! Não é porque sou sua mulher que vou ficar limpando sua sujeira. Você sujou, você limpa.
─Você sujou, você limpa? É isso que escreve em seu diário? Aceitou ser minha mulher. Eu falei francês.
─Vá para o inferno Daryl Dixon! – Aí está a mulher que amo, com tudo que tem, ás vezes um furacão, as vezes uma brisa leve.
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