Hell Between Us

69 Capitulo 69 - Fechamos o inferno entre nós


Notas iniciais
Oi gente, então, nunca é fácil por um ponto final, sempre parece que faltou uma fala, uma ação, mas acho que contei essa história, a mulher sombria e corajosa venceu seus medos e construiu uma nova vida. Prolongar poderia apenas tirar a beleza desse encontro, por isso chegamos ao fim. amei escrever sobre eles, vou sentir saudades de todos. Adorei dividir com vocês. Agradeço todo mundo que leu, favotirou, comentou e recomendou a fic, gosto de escrever, faria mesmo que ninguém acompanhasse, mas poder dividir com vocês é um luxo que nunca mais posso abrir mão. OBRIGADA!!!!!!!!!!!!!! Sempre que uma história sai de cena eu logo começo outra, então em breve falamos sobre isso, por enquanto seguimos com o Bônus, vamos contar um pouco mais desses dois num mundo sem zumbis. Espero que o final agrade.

Pov – Sam

─X! Me espera. – Corro a seu encontro, ela segurava a mão de Bela, ainda anda com as espadas em x nas costas, mesmo que nada tenha acontecido nos últimos seis meses ainda é a mesma guerreira de sempre. – Funcionou, a energia, está finalmente completa, cem por cento de energia dia e noite.

Sorrio muito orgulhoso do meu feito, ela sorri de volta sem muito interesse, Bela solta sua mão, estamos no meio da pracinha e não tem nada mais paradoxal do que aquela mulher que segura a mão de uma menininha com um balde de plástico colorido enquanto carrega espadas como se fosse uma ninja de filme japonês.

─Mamãe, je vais jouer ici. ─ E fala francês.

─Oui chérie. – Bela se senta no chão com seu balde de plástico para brincar no pequeno banco de areia, eu e Abby nos sentamos no banco de ferro antigo pintado de azul.

Ficamos um momento em silencio olhando a pequena se sujar na areia feliz e protegida.

─Obrigado X. – Seguro sua mão, ela me sorri, foi difícil fazer Abby sorrir no começo, mas agora é fácil para ela. – Não porque salvou minha vida, essa física eu digo, naquele tempo as coisas estavam tão ruins que morrer era quase melhor.

─Às vezes eu pensava isso, os mortos, mesmo os que caminhavam eram mais felizes que nós, pelo menos eles pareciam ter um descanso.

─Enquanto a gente só corria e corria. Correr ao seu lado foi uma honra.

─Foi o mesmo comigo. – Ela aperta minha mão presa a dela. Sorrimos para Bela quando depois de encher seu baldinho de areia apenas o deixa virar e derramar tudo, só para em seguida começar tudo de novo.

─Eu era como esse baldinho antes de você, enchia minha vida de pessoas e então estava tudo vazio e perdido e eu tinha que recomeçar. Aí me encontrou num desses momentos em que estava tudo vazio e eu pensei que era passageiro e ficou, salvou minha pele e fez mais que isso.

─Fez o mesmo por mim Sam, até você eu não tinha nada, nada mesmo e não tinha nada que ver com o apocalipse.

─Eu sei. Cada vez que abria os olhos e me procurava para saber se ainda estava com você eu tinha vontade de viver, só para não te deixar sozinha, só para te ensinar a ser feliz um pouquinho.

─Tinha medo de você ser um sonho, de acordar uma manhã e não ter nada como sempre foi. É fácil amar você Sam, nunca pediu muito, sempre me aceitou e aos poucos fui confiando em você e vivendo só para te manter vivo e então quando me dei conta estava acostumada a viver e não era mais por pura teimosia.

─Eu amo a Beth mais que qualquer coisa e sei que ama o Daryl e a Bela mais que tudo nessa vida, que temos uma família grande e cheia de gente que queremos manter por perto, mas tem um lugarzinho nessa história toda que só tem nós dois. Feito um fio invisível que une a gente.

Beijo seus dedos entrelaçados aos meus.

─Irmãos. Em alguns casos esse fio é genética, sangue, mas no nosso é amor e compreensão.

─Me fez forte. Me ensinou a ser corajoso e vencer.

─Me ensinou a namorar e pedir desculpas. –Rimos, meio saudosos. – Ensinou meu bebê a me chamar de mamãe, foi seu maior presente. Nunca teria tido coragem para isso.

─É uma mãe incrível. Bela deu muita sorte.

─Sem você eu teria partido, dado as costas a Daryl, e ao amor e a minha filha, teria sobrevivido mais uns meses e um dia eu teria ficado bem cansada e teria me deixado vencer.

─Sem você eu teria ficado cada vez mais fraco, teria congelado numa casa qualquer num inverno sombrio e estaria preso num corpo morto, assombrando a mim mesmo pela eternidade.

─Perdemos no caminho Sam. Alguns pedacinhos importantes de nós.

─Larissa. Eu sei, mas isso também nos faz quem somos, sem as perdas seriamos arrogantes e não estaríamos aqui, contemplando sua menininha brincar com areia, sabendo o quanto isso é precioso e raro.

─Os valores finalmente ganharam sua verdadeira medida. Devia ter sido assim antes, tivemos que perder tudo para saber o que afinal importa.

─As pessoas. – Ela seca uma lágrima com a mão livre. Beijo de novo os dedos de Abby entrelaçados aos meus. ─Se um dia essa fortaleza cair, se um dia nos virmos de novo na estrada lutando contra os mortos, a sede e o frio, então vamos saber que tudo bem, que temos o que importa, as pessoas que amamos.

─A gente se salvou no passado. – Ela se encosta em mim. – Agora a gente pode só sonhar com o futuro. Eu não tinha sonhos Sam, eu só respirava e isso era estranhamente sufocante.

─Quando vejo você e o Daryl juntos, quando sem perceber andam de mãos dadas, e ficam olhando a Bela brincar distraídos eu penso que essa você sempre existiu, mas estava tão encoberta pela casca que era antes que sem o Daryl nunca teria aparecido.

─O coitado teve um trabalhão para remover toda aquela casca.

─Mas ele nunca desistiu.

─Nunca. E eu o amo ainda mais por isso.

─Maggie está gravida. – Conto a ela, Abby sorri despreocupada, não é mesmo um problema hoje em dia como foi com Lori, me arrepio só de lembrar daquele momento que vivi. – Se for um menino vai se chamar Hershel.

─Aquele velho cheio de sabedoria que se achava o mago da verdade! – Eu rio de Abby, me lembro dela enfrentando Hershel quando ele me proibiu de namorar Beth, parece que foi numa outra vida e foi praticamente ontem, mas éramos outras pessoas naquela época. Todos nós. – Ele sabia tudo de todo mundo.

─E não é porque era velho, era porque era sábio mesmo. Você é velha e não é nada sabia. – Brinco e ela ri. – Lembra do Daryl achando que a gente tinha um lance? – Ela afirma. – Que nojo!

─Idiota! – Abby me dá um empurrão no ombro.

─Agora é a mulher dele, casada com Daryl Dixon em? Quem diria!

─Sou. Sempre fui, mas foi bonito ele tentando falar francês. Ficou péssimo! – Ela ri com gosto. – Não conta para ele, só entendi porque fui eu que ensinei e meio que adivinhei o que ele estava tentando dizer.

─E ficou toda derretida! – Eu brinco e ela concorda.

─A gente mal sabia falar Sam, quando começamos nem podíamos expressar o que sentíamos, para me convencer a ficar com ele Daryl sequestrou minha mochila.

─E você morando naquele banco do pátio da prisão. Achei que ficaria ali para sempre.

─Deu tudo certo no final.

─Não Abby, deu tudo certo no começo, entende, é o começo, não o final, olha a Bela aí para provar isso.

─Verdade. – Ela suspira profundamente, depois volta sua atenção para Bela.

─Tio Sam, olha a areia. Cadê meu brinquedo rosa?

─Perdeu o brinquedo de novo? Agora tenho que enfiar minha mão nessa coisa. – Procuro o brinquedo e devolvo a ela. – Não vai colocar na boca em pequena Dixon, só seu pai que acha engraçadinho essas suas nojeiras. Você já tem dois anos, seja uma moça!

Fico de pé, limpo a areia do corpo.

─Agora que é o inventor engenheiro da comunidade o senhor anda todo elegante.

─Eu trouxe a luz a comunidade, agua quente dia e noite, e futuramente linhas de telefone entre as casas o que acho que não serve para nada, mas o Eugene está decidido. Um moinho, um forno industrial, quer dizer. Sou o recomeço.

─Quanta modéstia Sam. Que orgulho! – Abby vem até mim, me abraça e beijo seu rosto.

─Fica aí com sua filha, vou ver minha mulher que felizmente não faz nada nunca naquele posto de saúde.

─Mas ela e Rosita estão super bem nesse processo de tentar produzir remédios.

─Eu e o Eugene ajudamos.

─Eu sei, agora nós da segurança somos os menos importantes. – Abby brinca.

─Quem disse? Ainda são tudo, ainda nos mantem vivos.

─Vai ver sua mulher vai garoto. Te amo.

─Também te amo. – Beijo os cabelos de Bela e as deixo em busca de Beth.

A comunidade cresceu muito desde que chegamos, aos poucos as coisas foram se encaixando, todo mundo achando seu espaço, temos uma escola e crianças, as pessoas criam cães, gatos. Beth tem um gatinho que morre de ciúme de mim porque é claro que minha vida não podia ser perfeita.

E é justo a imperfeição que mais amo em tudo isso, ainda se tem pequenas brigas, tem sempre algo a construir, a reformar, tem sempre uma coisa qualquer no caminho e é bom transpor, é bom lutar, nos deixa vivos. Gosto de me sentir vivo.

Beth e Rosita liam umas bulas, tinham medidores, os remédios estavam vencidos e tínhamos que estar prontos para emergências. Já podíamos produzir soro, e alguns analgésicos, tudo liquido é claro, mas era o mundo e a evolução nos recebendo.

─Oi meninas. – Elas me sorriem.

Beijo Beth que larga seus afazeres e me abraça. Eu a amo e sempre vou amar e depois da única briga que tivemos na vida tudo ficou ainda melhor entre a gente.

─Vamos? – Eu convido, estamos terminando nossa casa, agora que Maggie vai ter um bebê, vamos morar sozinhos, temos tido cuidado em organizar nosso cantinho, arrumamos as paredes e o telhado, depois consegui tinta e pintamos os dois, agora estamos arrumando os móveis, está ficando aconchegante como sonhamos. – Acho que a gente termina hoje se não estiver muito cansada.

─Estou ótima! – Ela diz acenando para Rosita. – Tchau Rosita, até amanhã.

─Boa reforma. ─ Rosita brinca quando saímos.

─Acho que a gente pode se mudar até o fim da semana. – Beth diz quando caminhamos de mãos dadas, o dia chegando ao fim. Um solzinho de fim de tarde nos aquecendo enquanto caminhamos, os cabelos dourados de Beth Greene brilhando junto com os olhos azuis.

─É tão linda, as vezes acho que parece um anjo, então me lembro de quando me colocou para fora de casa e fico pensando que sei lá, também pode ser um tipo de fada, dessas que jogam feitiços, é linda e doce e as vezes dura e sei lá, agora por exemplo parece um anjo.

─Não sou um anjo, definitivamente, lutei muito para isso, não quero ser.

─Então ficamos com a fada que joga feitiços.

─Feito, mas você é um príncipe Sam, sinto muito, não tem um lado negro, é só um príncipe mesmo, bem perfeito.

─Fico tentando ser para você. – Paramos na porta da nossa futura casa. De mãos dadas olhamos para a construção diante de nós. – Nossa casa Beth, onde vamos começar a contar uma história só nossa.

─Isso que me importa sabe. Que será uma história nossa, de mais ninguém, não tem mais nada nem ninguém para nos guiar, nem Abby, nem Maggie, Rick, sei lá, somos nós dois tentando.

─Vamos deixar uma janela sempre aberta, se um dia me colocar para fora entro pela janela.

─Traumatizei você! – Ela ri, me abraça, me beija e entramos para continuar nosso trabalho de recomeçar.

─Te amo.

─Eu também te amo.

Pov – Daryl

─Os cavalos estão cada dia mais tranquilos. – Comento quando caminhávamos eu e Rick fazendo a ronda. – Eles se acostumaram afinal.

─Tinham se tornado selvagens, mas com o combustível tão difícil, encontra-los foi muita sorte.

─Quatro éguas jovens, logo vamos ter um bom número.

─O trigo crescendo a olhos vistos no campo. – Ele diz sem esconder o orgulho do nosso trabalho. Não é o fazendeiro que tentou ser na prisão, mas não está mais naquele lugar escuro que passou um longo tempo, quase perto da insanidade.

─Carl tem se dado muito bem aprendendo a produzir munição, ele tem talento para esses trabalhos manuais, e agora está bem mais feliz. – Rick sorri concordando.

─Ele tem ainda aquele jeito de adolescente problemático, ainda quer impor sua vontade, mas é o Carl é sua natureza.

─Vocês se entenderam Rick, isso é o que importa.

─Finalmente e tudo aqui cresce, penso que outros lugares devem assim como nós estar reconstruindo, talvez algum dia a gente tenha de novo um mundo.

─Se não para nós pelo menos para as crianças. – Rick concorda sorrindo, ele também saiu da escuridão, todos nós saímos. E a custa de muita luta.

─Dá para acreditar que Daryl Dixon e Abby Coleman tem um bebê? – Rick brinca. – Acho que ninguém evoluiu mais do que vocês, estranhamente o apocalipse te fez bem.

Acenamos para um casal passeando tranquilos, a professora e o padeiro. É como no começo do mundo, me sinto numa pequena vila do século dezoito.

─Acho que pesando tudo fez mesmo.

─Passamos por muito no tempo em que andamos por aí, desde a pedreira, quando um estava na pior o outro estava de pé. Às vezes lembro que já te apontei uma arma. – Rick se lembra.

─Duas vezes! – Eu rio. – Aquele cara que eu era... Intolerante, revoltado, no fim até que foram pacientes comigo.

─Está louco Daryl? Pacientes? Não teríamos saído nem da pedreira vivos sem você. Tudo que fez pelo grupo, aquele tempo antes da prisão, aquele inverno... A Lori gravida, Hershel, Carl pequeno, Beth uma menininha.

─Nós dois, fomos nós dois. E Glenn, Maggie, T-dog...

─Hoje não teríamos perdido ninguém, mas naquele tempo, ainda penso em Sophia.

─Eu também, mas agora de um outro modo, acho que a gente fez o que podia, fomos além, pensei no Dale outro dia, no que ele queria de nós, no que o Hershel queria de nós. Acho que hoje chegamos naquele ponto.

─E que caminho escuro. Sombrio. Me salvou algumas vezes Daryl.

─Fez o mesmo por mim.

Ele sorri, chegamos ao final do percurso, de volta na frente da comunidade, os grandes portões guardados por três homens com armas pesadas.

─E então damos de cara com esse portão protegido e lembramos que ainda não acabou, que as pessoas ainda morrem e se levantam.

─Penso que talvez nem todos, quem sabe Bela, Judith, quem sabe o bebê da Maggie e os que vem depois, pode ser que estejam limpos disso tudo.

─Rick, nós dois nunca vamos saber e acho bom, assim continuamos a lutar.

─Não sei mais ser diferente de qualquer modo. Daryl eu só sei viver assim, com os pés firmes no chão, só assim os outros podem sonhar.

─Sabia que era um líder antes do mundo acabar? Por que nasceu para isso.

─Não. Comecei você sabe, pelo meu filho, pela Lori e o bebê, depois tinha vocês, meus irmãos, minha família e então uma pequena sociedade. Quando vi podia liderar uma multidão.

─E fez isso. – Então ela vem vindo, de mãos dadas com minha pequena, donas de mim, lado a lado, mãe e filha, minha família. Começou com uma implicância, terminou com um amor intenso.

─Não se envergonha mais, ainda acho estranho! – Rick brinca com a mão no meu ombro.

─Faz tempo, acho que quando perdi Abby e fomos parar em Terminus e então ela chegou dona do mundo vinda do Grady, o tempo sem ela me fez dar o lugar certo para todas as coisas.

─E ganhou sua garotinha, já viu como ela e Judy se dão bem? Pensa nelas adultas?

─Rick aquelas duas garotinhas vão dominar o mundo! – Ele sorri, meneia a cabeça, concorda e toco seu braço. – Até amanhã xerife Grimes. Vou para casa, jantar em família e lavar os pratos depois, afinal ela é ainda a rainha do apocalipse!

Sigo ao encontro delas, as duas param para me esperar, sorrindo, Bela ansiosa, tentando se soltar de Abby para me encontrar.

─Papai, vem logo! – Ele me estica a mãozinha de dedos fofos, os cabelos soltos e o rosto corado. Quando estou perto Abby solta sua mão, eu a ergo em meus braços, está toda suja de areia.

─Estava na pracinha?

─É papai, lá, quero mais.

─Nem pensar. – Abby diz definitiva, Bela se encosta em mim meio sonolenta.

─Tudo em ordem? – Eu pergunto parando diante dela.

─Sim. Tudo perfeito. E você? Terminou a ronda?

─Finalmente, vamos para casa?

─Vamos. – Ela me olha com os grandes olhos verdes limpos e vivos.

Caminho com a besta nas costas e Bela nos braços, Abby ao meu lado. Somos uma família. Em casa dividimos tarefas, banho, jantar, louça e então Bela em seu próprio quarto, foi um longo mês para nos adaptarmos, mas Abby está decidida a torna-la forte desde sempre.

─Bonequinha hora de dormir. – Beijos Bela, ela coça os olhinhos. – Vai dar boa noite para a mamãe.

Passo Bela para os braços de Abby, ela beija a pequena, a coloca na cama, eu a cubro e fico ali, de pé, assistindo Abby cantarolar em francês até que Bela adormece abraçada a sua boneca com nome francês.

─Ela passou a manhã com a Judith, as duas brincaram tanto e depois fiz um monte de coisas e ela não dormiu um minuto durante o dia. Por isso está toda cansadinha.

─Vem, vamos para cama. – Puxo Abby pela mão e ela me acompanha.

─Sabe da Maggie? – Ela pergunta quando se aconchega em meus braços como de costume. – Que ela vai ter um bebê?

─Me contaram isso algumas vezes hoje. – Brinco.

─Me fez ficar pensativa, a gente venceu, foi essa a sensação que eu tive.

─Senti o mesmo, eu e o Rick ficamos até meio melancólicos, relembrando o passado.

─Acho que fiz um pouco isso também com o Sam. Depois eu fiquei sozinha, quer dizer, com a nossa pequenina, pensei sobre nós dois.

─O que?

─O inferno que nos separava, que separava tudo, que me deixava à margem, sempre a beira do abismo, ele se fechou, antes eu só sentia isso aqui, na cama, mas agora o tempo todo, não tem nada a ver com a paz a nossa volta, tem a ver com a paz aqui dentro. – Ela aponta o peito, acaricio os longos cabelos castanhos.

─Eu sei como é, acontece o mesmo comigo, fomos aprendendo, um com o outro, com o que o apocalipse foi nos dando, no fim conseguimos e por isso temos a Bela.

─As vezes olho para ela e não acredito que é minha. Me lembro de mim no reformatório encolhida na cama de olhos arregalados sem qualquer perspectiva de algo bom. Então veio o fim do mundo e dei de cara com você.

─Toda arrogante dizendo que a prisão era sua. – Rimos.

─Você me apontando aquela besta sem flechas. – Faço careta.

─Baixei a guarda logo de cara, me ganhou no primeiro segundo, então vi você dançando com suas espadas, tratando os zumbis como se fossem nada. Zumbis ainda eram muito para nós, mas você...

─Eu não tinha nada para perder então o que viesse estava bom para mim.

Um tristeza passa por seu olhar.

─Mas então fomos buscar leite para Judith eu inventei de beijar você e ficou louca por mim. Caidinha de amor.

─Fiquei nada! – Ela ri. – Até te acusei de não ser gentil!

─Uma princesinha republicana, toda cheia de delicadeza. Senhora Abby Coleman Dixon. – Brinco e ela ri com gosto.

─Que fofo! Quer meu diário rosa para escrever nossos nomes? – Brinca e me movo para ficar sobre ela, prendo seus braços. – Agora quer dar uma de durão, mas quem diria, vai contornar nossos nomes com um coraçãozinho?

─Engraçadinha! Cadê aquela mulher mau humorada e impaciente?

─Está aqui, em algum lugar dentro de mim, e sei bem que adora provoca-la.

─Não resisto a princesinha mimada. – Beijo Abby. – Se não se comportar vai ter que dormir olhando para a parede.

─Você se vangloria disso! – Ela resmunga.

─O que posso fazer se briga até com seu bebezinho por meus braços?

─Seus braços? – Abby me provoca, passa as mãos agora liberta por eles, os dedos finos e delicados me causando arrepios. – Não são seus, são meus, eles e todo o resto.

─Todo o resto? Muito possessiva.

─Por que se preocupa, tem mais alguém querendo alguma parte dele, alguma Carol por aí?

─Lá vem o ciúme! – Ela faz careta.

─Não sou ciumenta coisa nenhuma! E me deu sono, vou dormir.

─Vai? – Meus lábios descem por seu pescoço, ela geme. – Tem certeza? Posso falar francês.

─Ou pode só calar a boca e me beijar e continuar de onde paramos.

─Pensei que precisasse de palavras.

Meus lábios fazem um caminho que meus dedos seguem, a pele macia e arrepiada, descem por seu colo, alcançam o abdômen delicado.

─Elas não são mais necessárias. – Ela me diz arfante. Me puxa para ela, nos beijamos.

─Justo agora que posso simplesmente dizer?

─É por isso que não preciso mais delas, mas gosto de ouvir.

─Eu te amo.

─Je t’aime. – Ela sussurra em meu ouvido e o resto de resistência que tinha vai para o espaço, meu corpo reage junto com meu coração, nos beijamos, as mãos se libertam, o corpo se entrega a loucura que é amar a rainha do apocalipse e a princesinha republicana ao mesmo tempo.

Abby Coleman pode cortar cabeças, e logo depois se ajoelhar rendida por amor a um bebê. Ela é um universo. Meu universo. E quando estou dentro dela e seus olhos verdes e grandes ficam claros e vivos nada mais existe e não precisa.

Acordo com os mesmos olhos limpos me sorrindo. Sorrio para ela.

─Dia de ronda lá fora. Está pronto caçador? – Ela sorri.

─Sempre caçando problemas! – Brinco beijando Abby. – Sempre a postos. Vamos.

Bela estava como de costume armando uma fuga do berço quando chegamos, ela não tem medo, é aventureira e está sempre meio de um lado meio do outro quando chegamos, por isso envolta do berço tem uma pilha de almofadas para aparar sua futura queda.

─Sabia! Bem a tempo pequena ninja.

Depois do café pego minha pequena no colo, agora ela vai ficar com as outras crianças na pequena escolinha, só até voltarmos, Abby pega suas espadas, gira com sua costumeira elegância, depois as coloca nas costas em forma de x.

─Tem ideia do quanto isso é sexy? – Pergunto e ela me sorri.

─E você? Tem ideia do quanto fica sexy com a minha menininha no colo?

─Certo vou lembrar disso quando começar a me mandar lavar louça.

─Nem tente usar isso contra mim.

Bela fica bem com as outras crianças, Judy está lá e logo elas se distraem uma com a outra, são boas juntas, falam uma língua particular que normalmente ninguém entende.

Deixamos a comunidade e assim que passamos pelos portões me ponho em alerta, Abby como sempre age como se passeasse num parque. Anda ao meu lado despreocupada, as espadas nas costas o andar elegante.

Vamos circundando os muros. Não tem muitos zumbis nos cercando, normalmente eles não conseguem chegar perto da comunidade. Temos todo tipo de proteção, fios, valas, estacas, tudo que a experiência nesse mundo nos criou.

Depois de meia hora o primeiro zumbi surge, vem com o andar torto, a pele do rosto quase todo sem pele, rasgado, uma mão faltando, mandíbulas protuberantes e fome, uma eterna fome.

Abby puxa suas espadas, usa apenas uma em seu cérebro, o corpo cai, o apocalipse cai, os mortos nunca são um problema para ela, é a rainha do apocalipse.

─Tudo limpo! – Ela sorri guardando as espadas quando nos aproximamos do portão na volta. – Isso é bom, já estou cheia de saudade do meu bebê.

Puxo Abby pelo braço, ela sorri quando acaba colada em mim.

─E de mim? Não tem saudade?

─O tempo todo, até quando está aqui.

─Então acho que devíamos deixar a Bela interagindo um pouco mais com as crianças, quem sabe não falamos um pouco sobre isso em casa?

─Só nós dois? – Ela sorri, em meus braços é só minha garota, delicada e suave. – Posso gostar disso.

─Vai descobrir que posso ser bem gentil quando quero, e com você eu sempre quero.

Ela me envolve o pescoço e nos beijamos, temos torres e dentro delas guardas, eles que façam nossa segurança, porque agora só me interessa beijar Abby. Aqui e sempre, não importa quanto tempo nos reste, é com ela que quero estar. Fechamos o inferno entre nós.

Notas finais
Deixem um comentário, mesmo quem não tem costume, só para eu poder agradecer pessoalmente o carinho, são e sempre foram incriveis comigo e quero muito agradecer. Beijosssssssssssssssssssssssssssssssssssss Já estou com saudade deles. Dá uma dorzinha no coração.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!