Hell Between Us

56 Capitulo 56 - Um novo grupo


Notas iniciais
Oieee Espero que gostem!!!!!

Pov – Daryl

O caminhão falha, eu sabia que não duraria muito, mas ganhamos uma boa distância desde que o encontramos. Sinto o motor diminuir a força e então ele para, Abby suspira ao meu lado.

Bela dormia em seus braços, quase todo grupo dormia a nossa volta, era seguro estar naquela carroceria, fechada e quente, uns minutos depois a porta se abre e a claridade invade o ambiente.

─Acabou o combustível. – Abraham avisa, uma manhã toda de descanso, até que foi bom, Abby cutuca Sam, ele se senta.

─Paramos?

─Acabou o combustível, temos que ir.

Salto primeiro que Abby, estico os braços para pegar Bela que ainda dormia, depois ela salta, aponta com o olhar Larissa e entrego a pequena para ela.

─Tadinha, estava tão cansada. – Larissa diz beijando a cabeça da pequenina.

Estamos a uma semana na estrada, uma semana cuidando de Bela sem que ninguém se pronuncie sobre assumir a pequena, eu e Abby ainda buscando a família ideal para ela. Quem sabe em DC?

Ou em algum lugar que haja mais do que zumbis e fome. Continuamos a caminhar instantaneamente, ninguém nem mesmo questiona nada, Rick leva a filha nos braços, as vezes quando carrego Bela me sinto um pouco como ele e isso é confuso.

Eu sempre pude ver o quanto ele se importava com os filhos, tudo que fazia por eles, mas quando Bela está em meus braços e sinto aquela necessidade louca de mantê-la viva de encontrar abrigo eu entendo melhor como é para ele, percebo todo peso que ele carrega desde que o apocalipse começou.

─O que acha do Noah? – Larissa pergunta a Abby juntando seus passos aos nossos.

─Parece um bom garoto, porque?

─Confia nele? – Larissa insiste e eu e Abby trocamos um olhar.

─Qual é a questão Larissa, sem rodeios. – Abby e sua pouca paciência.

─Acho ele legal, ele sempre caminha perto de mim e conversamos bastante, pensei que... Bom, acha estranho se...

─Está apaixonada por ele? – Abby pergunta e não sei muito o que pensar sobre amores adolescentes.

─Ainda não, mas pode acontecer, quero saber se seria um problema para vocês.

Abby me olha, não basta um bebê que não sabemos o que fazer com ele ainda temos que lidar com isso? Nem temos um teto.

Dou de ombros deixando claro que aquilo é demais para mim.

─Acho que devia se concentrar em ficar viva e parar de dar mole para o garoto, ainda é uma criança. – Sam surge ao meu lado, Larissa o encara furiosa.

─Eu acho que não falei com você e devia cuidar da sua vida, e acho que a Abby já devia ter arrancado suas orelhas e a língua junto.

Bela acorda com a discussão, reclama nos braços de Larissa, choraminga e seus olhinhos passeiam pelo ambiente, sinto certa vontade de correr de sua visão, porque se me vir ou vir Abby estica os bracinhos e chora até estar com um dos dois.

─Querem parar vocês dois, Sam cuida da sua vida, Larissa pode gostar do Noah se quiser, mas vamos deixar isso num nível platônico por enquanto. – Abby é dura com os dois, Sam resmunga qualquer coisa baixo porque é incapaz de desafiar Abby e vai se juntar a Beth um pouco mais a frente.

Bela enxerga Abby, logo se remexe no colo de Larissa, resmunga, estica os braços, se contorce toda e as espadas de Abby voltam para suas costas para que ela sem alternativa pegue a menina.

─Eu podia carregar, mas acho que ela já aprendeu que quando chora vocês pegam ela. – Larissa nem mesmo espera resposta, apressa o passo em direção a Noah, definitivamente Sam, Larissa e Beth não estão nem um pouco interessados em nos ajudar com Bela.

─Acha que ela faz mesmo isso? – Abby me questiona. – Quer dizer, não é pequena demais para ser tão ardilosa?

Começo a rir, Abby acaba sorrindo também, sem resistir beija os cabelos de Bela que apenas se aconchega em seus braços despreocupada.

─Esses olhos verdes não me enganam, sim, ela é mesmo bem ardilosa.

Rick ergue o braço um pouco a frente, faz todo grupo parar em silencio encarando o horizonte. Forço a visão.

O sol torna as coisas a distância um tanto embaçadas e apesar de parecer uma miragem posso ver uma horda caminhando lenta. Eles fecham a estrada, são pelo menos duzentos deles, talvez mais já que não podemos ver o fim daquilo.

Do modo como são lentos e tortos estão há pelo menos uma hora do grupo.

─E agora? – Glenn questiona, me aproximo de Rick, forço ainda mais a visão. – Não damos conta, não sem riscos.

─Estamos cansados e fracos demais para isso, não nos viram, podemos mudar nossa direção. – Rick determina.

─Vamos pela floresta, pegamos a estrada de terra que passamos uns minutos atrás, ela deve dar acesso a via expressa um pouco mais á frente. – Acho o melhor a fazer, Rick concorda.

─Certo pessoal, não precisamos enfrentar isso agora, vamos retornar até a estrada de terra, seguir por ela e ganhar a rodovia uns quilômetros mais a frente.

─Isso vai nos atrasar horas! – Sasha reclama.

─Bom não marcamos encontro com ninguém não é Sasha? Não quer mesmo arriscar vidas para matar zumbis apenas por que está com pressa.

Abby rebate e ela acaba calada, imediatamente o grupo se põe a caminhar, ninguém gosta de estradas pequenas, e cheias de curvas como a que vamos pegar, elas escondem perigos, nos tiram a visão e a chance de fugir como agora, mas não temos escolha e meia hora depois estamos diante do pequeno desvio.

─Sam, você leva a Bela, e fica perto de mim. – O rapaz não discute, pega a menina com um braço, com o outro mantem a pistola em punho, o grupo se junta mais, deixamos os mais indefesos no centro e caminhamos com Michonne e Abby na frente.

Por mais difícil que seja para mim tenho que admitir que as duas são de longe muito mais fortes que qualquer outro, suas espadas são mais rápidas e poderosas, além de ser muito mais silencioso deixar que elas peguem os mais próximos.

Apenas um zumbi cruza nosso caminho na primeira hora de estrada, a curva depois disso fica mais fechada, as árvores mais próximas e o silencio sepulcral.

Escutamos passos arrastadas um pouco a frente, sei que zumbis estão próximos e sinto a tensão quando vejo os dedos de Abby se fecharem mais firmes em torno de suas espadas.

O primeiro zumbi surge e Michonne é a primeira a avançar, paramos em posição quando um grupo deles finalmente surge, não é uma quantidade grande, talvez dez zumbis.

Abby derruba dois ao mesmo tempo, uso minhas flechas para pegar mais dois deles, Michonne corta algumas cabeças junto com Abby e Sasha com seu rifle derruba mais alguns. Uns minutos e o caminho está limpo.

Seguimos sem muita conversa, depois de mais uma longa curva o ambiente muda, vemos a estrada se ampliar, longos portões de aço surgem e por suas grades é possível ver uma grande loja, empilhadeiras e alguns caminhões estão abandonadas no estacionamento.

─Devíamos tentar entrar, parece vazio e seguro. – Michonne comunica chacoalhando um pouco as grades a espera que zumbis apareçam.

─Vamos seguir acompanhando as grades até a frente do lugar, pular isso com crianças e dar de cara com o lugar infestado não é boa ideia.

Concordo com Rick e vamos seguindo as grades que dominam o ambiente por alguns bons metros, fazemos a curva, e ainda nada de zumbis, a frente da loja está como os fundos bem trancada, nos aproximamos das grades.

─Acho melhor entrar um grupo pequeno e verificar antes, se tudo estiver bem podemos passar um tempo aqui. – Rick diz e dou um passo a frente, Abraham também assim como Glenn.

─Vamos os três e o restante fica aqui.

─Quem são vocês? – Dois homens se escondem atrás de um trator do lado de dentro dos portões. – O que querem?

─O que todo mundo quer. Abrigo. – Rick responde, eles apontam armas, mas podíamos derruba-los muito antes de se darem conta de onde vinha o tiro. Sasha se posiciona. É nossa melhor atiradora.

─Não tem nada aqui. – O homem responde com a arma na mão, no fundo não apontava para ninguém em especial, estava um tanto tremulo.

─Tem grades, é o bastante. – Rick responde, trocamos um olhar, zumbis começam a surgir interessados na voz alta. – Abby, Mich. – Rick só quer mostrar nossa força quando determina que as duas deem cabo dos recém chegados, elas não precisam de muito esforço.

Claro que em se tratando de Abby e Mich elas não perderiam a chance de uma pequena demonstração de talentos e usam sua graça e habilidades para deixar os zumbis em pedaços.

Podemos ver o espanto no rosto dos homens.

─Podemos ajudar, quanto mais gente melhor. – Rick avisa.

Uma mulher sai de traz do trator, um dos homens tenta segurar seu braço, ela se desvencilha impaciente.

─Pelo amor de Deus! Eles tem crianças! – Ela se aproxima do portão, com um molho de chaves abre o cadeado, olha firme para Rick, deve ter por volta de cinquenta anos, mas sua postura é firme. – Venham.

Passamos todos para dentro, ela fecha logo atrás de si, os homens saem de traz do trator, ninguém se rende, todas as armas continuam apontadas uns para os outros.

─Demos um voto de confiança, merecemos um retorno. – A mulher diz e Rick faz sinal para que abaixemos as armas. Aceito mesmo odiando aquilo, Sasha precisa de mais que um sinal, Maggie, toca o cano da arma abaixando e ela revira os olhos irritada. – Não vivemos aqui. Viemos buscar material, apenas isso. Podem ficar se quiserem.

─Então o lugar está limpo? – Rick questiona olhando em volta.

─Completamente. Levamos seis semanas para limpar esse lugar, deixa-lo seguro e fechado, mas agora está limpo.

─Porque limparam o lugar, se não vivem aqui porque tanto trabalho? – Maggie pergunta.

─O material de construção, é daqui que tiramos o que é preciso, perdemos cinco homens no processo, não foi fácil.

─O que estão construindo? – Abby questiona.

─Sou Roxana, estes são Bill e Steve, de onde vocês vêm?

─Geórgia. Em busca de um lugar, perdemos muitos assim como vocês, perdemos nossa casa também. – Rick conta, acho que se não formos honestos as coisas não vão funcionar e está claro que eles têm um lugar.

─Uma longa viagem de fato. São fortes, tem um bom número de pessoas.

─Escutem, se vocês têm um lugar, podemos ajudar, está certa sobre isso Roxana, somos fortes, mas não queremos começar uma guerra.

─A comunidade está começando. Vai ser grande, um dia, sabemos a importância das pessoas, estávamos decididos a receber pessoas quando tudo ficasse pronto, mas...

─Então nos deixe ajudar a ficar pronto. Quantos são? Onde é esse lugar?

Ela silencia, pensa um longo momento, encara Bela e Judy, Carl muda a irmã de posição quando ela resmunga, depois seus olhos correm por todos nós, imagino que seja um grande dilema.

─Serão bem vindos, todos vocês, vão ter casa e uma oportunidade, mas o trabalho será pesado, temos um grupo pequeno, perdemos muitos até podermos chegar ao que chegamos hoje e não vamos pensar duas vezes....

─Não vão precisar. – Rick a corta. – Mas é bom que saibam que se for uma armadilha, nós também não vamos pensar duas vezes.

─Temos apenas que recolher mais algumas placas, estamos reforçando os muros, Bill é engenheiro, ele foi uma grande aquisição, chegou com a família há um mês. – Ela aponta o homem que usava luvas de trabalho e tinha um olhar um tanto vago.

─Recolher algumas placas? Certo, vamos pessoas, quanto mais mãos, mais rápido.

Ajudamos os dois homens e a mulher, é certo que se não são fortes são ao menos determinados, são placas pesadas e é um trabalho perigoso para apenas três pessoas.

Depois de acomodarmos tudo na carroceria de um caminhão subimos todos, os três seguem na cabine. Ficamos atentos no caminho, seguindo pela pequena estrada de terra lodo depois de uma pequena ladeira podemos ver os muros do que parece ser nosso destino.

Portões de correr são abertos e eu e Abby nos olhamos, depois imediatamente procuramos a pequena. Ela estava dormindo no colo de Sam.

Um pequeno grupo de pessoas se reúne diante do caminhão enquanto o portão se fechava. Descemos todos.

Fica claro que Roxana é a líder daquelas pessoas quando o grupo a encara em busca de respostas.

─Combinamos que receberíamos pessoas. Aqui estão, eles vão ficar conosco, assumir tarefas, e juntos vamos fazer esse lugar funcionar.

─Estamos aqui para fazer funcionar, não queremos problemas, como podem ver temos crianças, só queremos um lugar para elas. – Rick tenta parecer calmo e confiante e espero que isso ajude as pessoas a ficarem tranquilas.

─Isso é incrível. – Abby me diz impressionada com a paisagem a nossa volta. – Energia solar. – Ela aponta as placas no chão.

─Cisternas com água encanada, energia, estava tudo aqui quando chegamos, um condomínio completamente sustentável, bem aos moldes do que as pessoas esperavam antes do fim, valia uma fortuna. – Ela aponta as casas. – Cinquenta casas, todas destinadas a um grupo seleto de pessoas.

─Estão aqui desde o começo?

─Alguns de nós sim, outros chegaram com o tempo, vindos de todos os lugares, para fortalecer os muros perdemos muitos, ficamos boa parte do tempo presos nas casas para não chamar atenção, houve um ataque há dois meses, derrubaram uma parte do portão, foi quando perdemos quase todo grupo, mas também foi o que nos obrigou a nos movermos para melhorar o lugar.

─Vocês tem sorte, estamos aqui agora. – Rick mostra ao grupo que está disposto a colaborar, mas também deixa claro que não somos tolos e muito menos fracos.

─Temos seis famílias no momento, vinte e cinco pessoas, duas crianças e alguns idosos, o trabalho pesado é feito por apenas oito pessoas, então eu sei que será bom ter vocês aqui.

─Venham vou mostrar as casas e podem se dividir como quiserem, espaço não falta, temos alguns animais e uma horta, além disso de vez em quando saímos em pequenas buscas por suprimentos, vou separar alguma coisa para hoje e amanhã organizamos melhor. – Uma mulher diz sorrindo, com ela uma garotinha de uns nove anos. ─Me acompanha amor.

Bill se junta a ela para nos acompanhar.

─Ellen é minha esposa, quando chegamos aqui não acreditei que um lugar como esse existia.

Abby guarda as espadas, Sam entrega Bela em seus braços na mesma hora.

─Sua filha? – Ellen questiona acariciando os cabelos de Bela.

─Ela foi encontrada. – Carol responde primeiro, Abby envolve mais Bela, tem aquele jeito protetor que não quer admitir, mas vem sempre antes de tudo.

─Que mundo! – Ellen comenta com pesar. – Tão pequena, eu e Bill estávamos decididos a ter mais um filho quando o apocalipse chegou, ficamos então apenas com Anna, mas ainda não desisti, tem muitas crianças precisando de amor.

Ela faz mais um carinho na pequena, troca um olhar com o marido, sinto que é como um pedido. Não gosto daquilo, não ligo a mínima se eles tem casa e segurança, se são experientes e podem cuidar dela, não conhecemos essas pessoas e não vamos arriscar.

─Vamos ficar todos aqui. – Rick me desperta e só então me dou conta que estamos diante de uma casa.

Ellen e o marido sorriem.

─Olha é sério, são cinquenta casas, meia dúzia de ruas, vocês não precisam ficar todos no mesmo lugar.

─Por enquanto é assim que vai ser.

─Bom, então como quiserem, a rua é toda de vocês, vou trazer comida, roupas, produtos de higiene.

─Obrigada Ellen e agradeça o resto do grupo. – Rick avisa.

Entramos, Abby segue logo atrás de mim, nos dividimos em uma pequena varredura, depois nos acomodamos pela sala, um vigia na janela da frente, outro nos fundos.

Talvez aquilo seja mesmo ridículo, mas depois de tudo que vivemos não é de se esperar que confiássemos em qualquer um só porque parecem bons.

Nem meia hora depois Bill retorna dessa vez com Roxana, trazem duas caixas com todo tipo de coisas, separo das caixas uma pequena sacola que Bill leva direto para Abby.

─Ellen pediu para entregar para a pequenina, são umas roupinhas e uma boneca, a boneca era de Anna, ela gostou tanto da menina que quis dar um presente, queria vir junto, mas acho que querem descansar.

Abby pega a sacola, depois a dupla deixa a casa e o grupo se dispersa entre descansar, comer ou apenas se atirar ao chão e dormir.

─Acho que devia dar um banho nela Abby, é inacreditável mas tem mesmo água quente! – Beth avisa com um largo sorriso e uma Judith limpa e caindo de sono em seus braços.

Sinto alguma tristeza no olhar de Abby quando apenas assente pegando a sacola e subindo as escadas, troco um olhar com Sam que percebe o mesmo, ele dá de ombros.

─Se não for eu vou. – Ele diz preocupado.

─Eu vou. – Encontro Abby em um dos quartos, Bela deitada em uma casa de casal bem forrada num quarto limpo e claro, escuto o som de agua correndo, estico o pescoço para ver a banheira enchendo com água quente, podia notar pela fumaça subindo. – Tudo bem?

─Claro que nem mesmo podia pensar sozinha em dar um banho na menina, a primeira coisa que a Beth fez.

─E por isso está triste?

─Quem está triste? Achamos um lugar, com muito trabalho será logo uma cidade, eles são tolos e fracos, mas nós podemos e vamos fazer.

─Eu sei. ─Me sento na beira da cama, agora Bela estava nua mordendo o peixinho que não desgrudava. – Quer que eu peça para a Larissa vir te ajudar?

─Eu posso dar um banho na menina, não sirvo só para matar zumbis.

Garotas são mesmo um problema, no momento não tenho a menor ideia do que se passa na cabeça de Abby, não sei se fui eu ou outra pessoa que a deixou brava, triste ou o que quer que a esteja deixando assim.

─Não vou entregar a menina a qualquer estranho que a ache bonitinha, devo isso a mãe dela.

─Abby, isso nem me passou pela cabeça. – Me levanto e caminho até o banheiro fechando a torneira antes que a água vazasse. Quando me viro ela surgia com a pequena nos braços.

Toca a água para ter certeza que a temperatura está boa, depois coloca a pequena sentada, nenhum dos dois estava pronto para tamanha alegria. Bela bate os braços, ri, comemora.

─Agua, agua! – Ela resmunga feliz quando gotinhas da agua que ela agita batem em seu rosto.

─Tem umas palavras que ela fala bem direitinho, já notou isso? – A raiva ou tristeza de Abby parecem ter desaparecido.

─Já. – Abby, lava seus cabelos, corpo, o tempo todo a pequena brinca. – Acho que podemos deixar ela brincar aqui quando ela estiver chorando, ela gostou mesmo.

─Mas a água está esfriando, fica aqui que vou pegar a toalha. Segura ela. – Abby me deixa sozinho com a garotinha.

─Feliz bonequinha? – Sussurro enquanto Abby não se aproximava. – Obrigada por fazer ela sorrir de novo.

Bela baixa a cabeça, assopra a água, faz bolhas e quando se ergue está meio sem fôlego aquilo é divertido, ela também acha porque repete e quando se ergue mais uma vez quase sem folego Abby surgia de volta com uma toalha nas mãos.

─Daryl! – Ela parece meio brava, mas no fundo queria rir. É só aquela coisa que mulheres tem de fingir que são serias quando se trata de bebês. – A menina vai se afogar.

─Ela gosta, estou achando ela bem radical, pode ver, ela gosta de umas aventuras meio loucas.

─Ok! Agora me dá o bebê radical aqui. – Ela abre a toalha e olha para ela, depois para a menina. – Vai Daryl, é só tirar ela da água e me entregar.

─Mas ela está gostando tanto, me dá a toalha, e você tira ela.

Abby revira os olhos, quando percebe que não vou abrir mão disso me entrega a toalha.

─Qual a diferença? – Ela me pergunta tirando Bela da água.

─A diferença é que foi você que tirou ela da água, não eu. Ela vai ficar brava com você. – Enrolo a menina e entrego para ela.

─Esperto!

Voltamos para o quarto, a pequena para a cama, então é a mesma guerra de sempre, ela foge da fralda e das roupas, acabo sempre tendo que segura-la.

Matamos hordas de zumbis, enfrentamos canibais, policiais malucos, tanques de guerra, mas é preciso dois de nós para vestir uma menininha. Definitivamente temos muito que aprender.

Aprender? É isso que eu quero? É isso que nós queremos? Ainda não sei, até uns minutos atrás eu achava que nosso plano era achar adultos capazes para ela, mas não tenho mais certeza se é isso que Abby quer, se é isso que eu quero.

Notas finais
Essa foi apenas uma introdução da nova fase, agora eles tem um lugar para construir, pessoas novas para lidar e Bela que ainda não sabem o que fazer com ela. Beijos Comentem.