Hell Between Us

57 Capítulo 57 - Algumas certezas, muitas dúvidas


Notas iniciais
Oi gente! mais um capitulo espero que gostem. E quero avisar que essa semana começo a postar o Bônus, vou fazer como nas últimas fics e postar separado, assim só lê quem gosta de romance e pode viver sem zumbis. Eu deixo o link para vocês assim que postar.

Pov – Sam

─Papai, viu aquele é o papai. – Bela morde o brinquedo, acompanha o andar de Daryl que carrega uma caixa. – Que linda, viu é só dizer papai.

─Sam, acho que não é boa ideia. – Beth reclama, meio confusa sobre meu plano.

─Qual é Beth, nós dois sabemos que eles estão loucos pela pequena, só estou facilitando as coisas. – Agora vem Abby carregando cobertas em direção a outro cômodo. – Mamãe. Diz Bela, mamãe.

De novo ela acompanha com o olhar Abby, não é notada mais uma vez, estão todos frenéticos garantindo a segurança para que tenhamos uma noite de sono, Judith já dorme nos braços de Beth enquanto aguarda sua cama, já Bela está feliz, de pé, observando toda a movimentação e mordendo seu peixinho.

─Se ela disser vai matar os dois do coração e Abby vai mesmo arrancar sua língua.

─Estou treinando a menina todo dia para isso mesmo, ela já liga o nome a pessoa, se digo mamãe ela procura a Abby e papai o Daryl, só falta mesmo falar, mas ela sempre decide que estender os braços e chorar é o bastante.

─E funciona. – Nisso Beth tem razão, eles acabam sempre pegando a menina toda vez que ela resmunga.

─Viu a Larissa? – Ela devia estar me ajudando com Bela.

─Para de cuidar da vida dela! Está levando essa coisa de irmã mais nova muito a sério, ela tem quinze anos, já pode escolher ao menos as companhias.

─Já entendi! Vocês se unem! – Resmungo e então Bela caminha daquele jeito torto dela em direção ao corredor. – Aposto que está tentando achar o pai e a mãe.

─Como você é bobo Sam. – Beth sorri e tem sempre um sorriso tão largo, roubo um beijo antes de ir buscar a pequena, volto para perto de Beth com ela no colo esperneando para fugir de mim.

Bela se liberta, Beth entrega um enfeite qualquer da casa para ela que se senta no chão distraída.

─Pensei em falar com a Maggie e o Glenn.

─Sobre? – Ela me encara um pouco confusa, no momento estamos apenas nós dois e os bebês na sala e acho que é boa hora para falar sobre isso.

─Bom, todo mundo vai se dividir nas casas, quer dizer, seu pai não está mais aqui. Sei que o certo seria ter uma conversa com ele, então acho que o certo é eu falar com a Maggie que é sua irmã mais velha.

─Do que estamos falando Sam? – Ela arruma Judy no sofá, a pequena apenas se encolhe ressonando no sofá macio.

─Pensei que podíamos.... Você sabe Beth, dividir...

─Uma casa? – Ela não esconde o espanto no olhar, acho cedo para isso, meus olhos arregalam como os dela.

─Não! Que loucura, pensei em dividirmos uma cama.

─Ah! –Ela sorri aliviada. – Isso seria... Bom. – Ela responde apenas.

─Talvez na casa que o Daryl e a Abby forem ficar, ou com a sua irmã e o Glenn.

─Acha que essa é uma decisão da Maggie?

─Acho que seria respeitoso, que seu pai gostaria disso, acho que ela se sentiria mais tranquila se falássemos com ela e ela é bem mandona.

─Pode ser, pelo que entendi vamos ficar todos juntos uns dias até ganharmos confiança, se der certo, se acontecer de ficarmos mesmo aqui... – Ela cora um pouco, beijo seus lábios. – Mas sabe que vai ter que pedir a Abby também?

─Abby... – Pretendia dizer que ela não decidia as coisas por mim, mas a verdade é que decidia sim, nunca iria contra ela. ─Abby só quer meu bem, ela vai dizer que tudo bem.

Beth ri de mim, eu a puxo para um beijo que leva a outro e depois mais um.

─Sam! – A voz de Daryl me desperta e quando me afasto ele pegava Bela do terceiro degrau da escada. – Muito cuidadoso, sorte que fui eu e não Abby que encontrou a pequena.

─Que pequeno demônio, ela estava aqui do meu lado não faz um segundo.

─Sei. – A menina logo se encosta no ombro de Daryl, fecha os olhos.

─Acho que ela quer você.

─Acho que quer se livrar dela. – Ele se aproxima e tenta me entregar Bela, mas ela gruda em seu colete com as duas mãos, choraminga como de costume.

Daryl fica sem reação e preciso controlar a vontade de rir, ele tenta mais uma vez, de novo ela se gruda nele.

─Eu disse.

Dou de ombros para a cara amarrada dele quando desiste de me entregar Bela e se afasta levando a menina.

─E eles acham que podem se livrar dela. – Beth comenta se encostando em meu ombro.

─Pensei em falar com a Maggie agora.

─Amanhã Sam.

Aceito, não vamos mesmo ter qualquer privacidade essa noite. O grupo se reúne mais uma vez na sala, Daryl ainda com Bela no colo, agora ela dormia e me diverte ver como ele tenta ter movimentos leves para não desperta-la, e como se esforço para manter a cara de malvado.

O grupo decide se espalhar pela casa, Rick pega Judith dormindo no sofá e sobe com ela e Carl para um quarto, Daryl e Abby fazem o mesmo levando Bela.

Olho para o sofá, agora apenas eu e Beth o ocupando, ela sorri, ergue uma sobrancelha, alguns apenas se esticam em camas improvisadas no chão, puxo uma coberta na poltrona ao lado e me deito com Beth no sofá.

É bom dormir assim encolhido num pequeno sofá com ela em meus braços, é complicado também, não é nada fácil conter meu desejo, nunca teve nenhuma garota que quisesse tanto quanto Beth.

Fico sentindo o perfume suave que vem da sua pele até o sono vencer o desejo e quando abro os olhos mais uma vez é dia claro.

As pessoas estavam despertando, se reunindo para dividir comida e preocupações, me espreguiço feliz, nem sei quando foi a última vez que apenas dormi sob um teto seguro.

─Bom dia! – Beth diz se virando para mim, me beija de leve me abraçando e garotas deviam saber que não se faz isso pela manhã com um homem que quer ou precisa se controlar.

Tento me afastar, acabo sentado no chão com cara de idiota, ela rindo de mim, faço uma careta, passo as mãos pelos cabelos.

─O que foi isso?

─Segurança! – Resmungo e ela compreende, não para de rir, mas fica corada e cobre o rosto com a mão, como pode ser tão linda? Balanço a cabeça me refazendo do momento de pânico, me ponho de pé e a ajudo a fazer o mesmo.

Nos reunimos com o grupo na cozinha, tomo um pouco de café, depois divido uma maçã com Beth, uma maçã, achei que essas coisas nem existiam mais.

Bela estava sobre a mesa, de pé, parecia bem feliz mastigando a maçã que Abby raspava para ela enquanto Daryl a prendia pela blusa para a pequena não cair da mesa.

─Bom dia. – Abby me olha meio de lado, não consigo não rir do constrangimento dos dois cada vez que cuidam da menina na frente das pessoas. Alguém precisa faze-los ver que não tem nada de errado com aquilo.

─Se ela tivesse caído da escada e se machucado além das orelhas e língua teria perdido...

─Orelhas e língua está ótimo Abby. – Beth vem em meu socorro.

─Advogando em causa própria? – Abby pergunta rindo e ela dá de ombros.

─Pode se dizer que sim.

─Pessoal, temos que conversar. – Rick interrompe a manhã tranquila do grupo. – Foi uma boa noite, já vimos que é possível, mas não estou satisfeito, então acho que vamos nos dividir.

─O que pretende? – Carol pergunta depois de mais um gole de café e um olhar para Daryl com a pequena dançando ou algo assim sobre a mesa.

─Carl, Beth, Sam, Larissa, Noah, Maggie e Glenn ficam na casa com as pequenas.

─Pode ser. – Acho um bom momento para falar com Maggie.

─Abe monta um grupo com Rosita, Tara, Eugene...

─Eu fico na casa. – Eugene o interrompe.

─OK. – Rick não insiste. – Eugene fica, o resto da uma volta pelos muros, olha as casas, verifica as coisas por dentro, eu e Carol pegamos por fora, Daryl e Abby também.

─E eu? – Sasha questiona.

─Eles têm um segurança no portão, mas acho que prefiro ter um dos nossos por lá enquanto estamos separados, é nossa melhor atiradora.

─Perfeito! – Ela diz pegando seu rifle. Não espera por mais ordens, apenas deixa a casa e acho que qualquer hora vai é nos colocar em risco com essa raiva toda que está sentindo.

Uns minutos depois os grupos começam a se dispersar.

─Sam...

─Vou tomar cuidado com a escada Abby, prometo. – Pego Bela, ela logo reclama, mas me afasto rápido e sei que daqui uns minutos ela para de reclamar.

Logo estamos apenas nós. Glenn e Maggie seguem para os fundos da casa, Beth se senta com Carl e Judy no chão, uma batida leve na porta me desperta e sigo para abrir com aquela pequena que estava sempre no colo apertando meu nariz.

─Bom dia. – Ellen sorri com Anna a seu lado, a menina trazia uma boneca nas mãos. – Vi que a maioria saiu, pretendia trazer uma torta para o café, mas trago para o almoço.

─Obrigado. – Não sei muito o que dizer.

─Oi Bela. – Anna segura a mão de Bela. – Que linda, não acha mamãe?

─Sim filha, ela é linda.

─Quer entrar? – Convido me lembrando das velhas tradições.

─Não, vou para casa, tenho algum trabalho para fazer, Roxana me pediu para dizer a Rick que ela o aguarda para o almoço.

─Aviso quando ele chegar.

─A chegada de vocês encheu o nosso grupo de esperança. – Ela brinca com Bela, a pequena sorri, mas está mesmo interessada na boneca. – Sam aquela é minha casa. – Ela me aponta a casa da frente. – Anna tem um quarto cheio de brinquedos. Porque não deixa eu levar a Bela um pouquinho, trago no almoço e Anna brinca com ela.

─Levar a Bela?

─Deixa. Por favor! – Anna me puxa pela blusa. – Não tenho nunca ninguém para brincar, vai ser divertido.

─Sam, estão seguros aqui, e ela vai brincar com a minha filha, não precisa ter medo, tenho uma filha, nunca faria mal a uma criança, ainda mais um anjinho desses. – Ela acaricia Bela, sorri e acho que seria bom para a pequena, entrego ela nos braços de Ellen.

─Uma hora, depois vou lá busca-la está bem Anna? – A menina sorri e concorda, elas atravessam a rua e entram na casa, fico um longo minuto ali olhando, não tem mesmo nada demais.

Eu e Beth nos juntamos a Glenn e Maggie na cozinha, troco um olhar com Beth, ela afirma e sinto que é o melhor momento para falar com o casal.

─Maggie. Acha que ficamos aqui? Quer dizer confia nesse lugar?

─Estou achando bem provável Sam. Porque?

─Eu e a Beth andamos pensando... Sabe que amo sua irmã, seu pai me permitiu namora-la e pensei que se agora vamos ter um tento.

─Querem ficar juntos. Morar juntos eu digo. – Ela completa sorrindo.

─Maggie isso não é um pedido, quero sua opinião sim, mas me sinto capaz de decidir minha vida.

Beth diz em tom firme, Maggie ergue uma sobrancelha, se diverte com a postura da irmã mais nova.

─Acho que estão certos, não estamos aqui apenas para continuar respirando e caminhando, precisamos viver.

─É o que quero, é o que nós queremos. – Beth diz a irmã.

─Se vocês tem certeza disso, eu sei que o papai confiava muito em você Beth, então acho que ele só poderia mesmo te dar um abraço.

As irmãs se abraçam longamente, eu e Glenn nos encaramos um pouco constrangidos com aquela cena, depois acabamos por sorrir.

─Mas eu tinha esperança que ficássemos juntas. – Maggie diz quando finalmente elas se afastam.

─Podemos, não é Sam? Podemos ficar com a Maggie.

─Acho boa ideia, eu sei que a Abby não vai se importar.

─Ótimo, então se der certo, como acho que vai dar, dividimos uma casa, os dois casais. Papai iria querer isso.

Mais um longo abraço de irmãs, depois elas se afastam e Maggie e Glenn vão para a varanda dar uma olhada na varanda. Realmente acho tudo tão seguro e tranquilo, sei que tem muito a ser feito, mas não desconfio das pessoas, acho que são só sobreviventes tentando uma chance.

Pov – Abby

A comunidade é cercada quase que por toda sua extensão pela floresta, apenas a parte da entrada tem a pequena estrada que nos trouxe até aqui. Eu e Daryl pegamos a direita, Rick vai com Carol pela esquerda.

─Podemos deixar umas armadilhas prontas, algumas estacas como na prisão. Fios de arame farpado por entre as arvores, não conteria uma horda, mas nos ajudaria muito no caso de uma.

Daryl diz enquanto caminhamos apenas os dois pela floresta acompanhando os muros.

─Acho que é um bom plano, além é claro de fortificar os muros e o portão. – Daryl para um instante para analisar o terreno, adoro vê-lo em ação, aprendi um pouco com ele e o ajudo a observar o terreno.

─Não passa nada por aqui há dias, isso é bom.

─Acho que o terreno acidentado ajuda. Aqui é alto também. – Ele afirma. Depois seguimos nosso caminho. Vez por outra paramos.

─Acha que podemos confiar naquelas pessoas? – Daryl tem talento para ler pessoas, eu sempre penso o pior, mas ele não, conhece pelo olhar aguçado de caçador, sabe o que esperar.

─Não conhecemos todos, nem perto disso, acho que são fracos, mas acho que só querem sobreviver.

─Mesmo Bill e a esposa Ellen? – Não gostei muito de ver o interesse do casal em Bela, pode ser loucura, mas sinto que eles a querem.

─Não gostou deles não é?

─Eu... – Dou de ombros, não sei mesmo responder a isso, pode ser apenas preocupação com Bela, ciúme seria a melhor palavra, mas não gosto de pensar nisso. – Eles ficaram encantados com a Bela, mas nem ligaram para a Judy.

─A bravinha tem família. – Aquilo é ruim de ouvir e acho que de dizer também, sinto pelo tom de sua voz que engasga um pouco quando ele diz.

─E a Bela não, acha que eles querem ficar com ela? – Um zumbi surge, é apenas um e faço sinal para Daryl, ele que erguia a besta abaixa faz um movimento com a mão, é como um, vá em frente. Passo a espada pelo crânio podre do zumbi e retiro sem muita paciência, apenas seguimos em frente.

─Pode ser que sim, eles acreditam no lugar, ter filhos não é muito boa ideia no mundo de hoje, é um jeito de aumentar a família.

Faço uma careta, coisa irritante. Não gosto nada daquilo, nem passa pela minha cabeça entregar a menina para qualquer um, se impus restrições até em Rosita e Abraham que conheço e sei que são boas pessoas. Porque aceitaria desconhecidos?

─Não sei o nome da mãe dela. – Aquilo vem me atormentando tem uns dias. – Um dia ela vai querer saber.

─Ela vai saber que teve uma mãe que tentou salva-la, mas acho que o nome da mãe dela, o nome que vai mesmo importar é a mãe que a criar.

Olho para ele, não sei como dizer, não sei o que ele pensa sobre isso, não quero entrega-la a ninguém, não quero abrir mão dela, ao mesmo tempo tenho medo, muitos e diferentes medos.

De amar demais e perde-la, de não ser capaz de dar a ela o que uma menininha linda e solitária precisa e o maior de todos os medos, Daryl. Eu o amo, não foi fácil construir nossa história, confiar e ganhar sua confiança, não sei o que ele pensa disso, se me mandaria para o inferno, eu e a pequena.

Sei que ele me ama, não duvido disso, mas também sei de todos os seus medos, não são diferentes dos meus, mas sei o quanto são profundos, sei o quanto ele é reticente sobre família. Não teve uma, não sabe como é, talvez não queira descobrir.

─Quanto silencio. – Olho para ele. – Não vamos deixar a menina com qualquer pessoa, não pense nisso.

─Ela dormiu bem direitinho.

Sorrio com a lembrança dela deitada na cama entre eu e Daryl, do modo como apenas confiou, ficou calma e dormiu, já estava dormindo nos braços de Daryl, quando ele a colocou na cama ela abriu os olhos, nos viu e isso foi o bastante para mantê-la tranquila.

─O que me lembra que antes estava subindo as escadas, escalando melhor dizendo. Acho o Sam muito irresponsável. – Daryl comenta e automaticamente apressamos o passo. – Eu digo, ela vai ser bem durona quando crescer, gosta de aventuras.

Damos de cara com Rick e Carol, não falamos com Carol, sei quem ela é e do que é capaz, nunca gostei muito dela e não seria agora que nos entenderíamos, simplesmente ignoro sua presença.

─Parece seguro. – Rick comenta quando juntos caminhamos os quatro de volta para a comunidade. – Vou ter uma conversa com Roxana, dar nossa visão do lugar, impor nossas condições.

─Se ela disser não? – Pergunto por curiosidade, não acho que ela diria nada, está desesperada por uma liderança.

─Tomamos o lugar, chega de perder. – Carol diz com tanta frieza que me assusta, não me permito olhar para ela, mas me lembro que um dia já fui um pouco assim, ou muito, Sam começou a mudar minha vida, depois foi a vez de Daryl e agora... penso um momento. Acho que posso admitir ao menos para mim que Isabelle está me mudando mais uma vez.

Sasha nos abre o portão, Rick segue com Carol direto para casa de Roxana, eu preciso dominar meu corpo para não sair correndo em busca daquele olharzinho pidão que Bela nos lança a cada vez que nos aproximamos.

“Você não é esse tipo de mulher Abby Coleman, crianças não estão em seus planos”.

Tento me convencer disso enquanto caminho com Daryl ao meu lado. Uma parte do grupo estava na varanda, conversando distraídos, quase despreocupados e aquilo é bom de ver.

Sam está lá e Larissa também, subo os degraus e meus olhos seguem pelo ambiente, nada de Bela e quando encontro os olhos de Sam sei que ele aprontou alguma.

─Ela está brincando com a Anna. – Ele diz completamente tenso. – Na casa dela. A Ellen...

─Onde? – O tom preocupado de Daryl me deixa tensa. Sam aponta a casa da frente. Nos viramos no mesmo instante, meu coração bate acelerado, não acredito que ele simplesmente entregou a pequena assim, e se algo deu errado?

Nenhum dos dois pensa em bater, apenas abrimos a porta e minha vontade era mesmo sacar a espada. Invadimos a sala para dar de cara com uma simples cena infantil e familiar.

Anna estava sentada no chão, Bela a seu lado com uma boneca na mão e uma escova de cabelo, Ellen fica de pé um susto quando nos assiste invadir sua casa como dois loucos a espera de encontrar alguma cena aterrorizante de maus tratos infantil.

Paralisamos sem reação, Anna nos encara confusa, menos assustada que a mãe, mesmo assim, achando a invasão um exagero. Mas então Bela nos vê, abre um lindo sorriso de pequenos dentinhos, ergue os braços sem pestanejar, sinto como se as coisas se encaixassem.

Como não nos movemos ainda confusos e ela nunca desiste de nenhum dos dois, Bela se põe de pé com toda aquela dificuldade de quem está aprendendo, andando pouco melhor que um zumbi vem a nosso encontro.

Troco um rápido olhar com Daryl antes de ergue-la nos braços e envolver seu corpo, quero mandar aquela mulher ficar longe, quero dizer que a pequena não está sozinha, que ela não pode simplesmente toma-la de meus braços só porque quer aumentar a família.

─Oi. – A voz de Ellen sai meio falha, ela ainda parece assustada com a nossa entrada. – Passei mais cedo para saber de vocês, o rapaz, Sam, me deixou trazer a Isabelle para brincar um pouco.

─Bela. – Eu a corrijo, ela não vai decidir como chamamos nossa... Ela não tem que decidir nada.

─As duas estavam se divertindo. – Ela decide ignorar minha correção. Bela no momento brinca com meus cabelos pouco preocupada com Anna ou Ellen. – Se quiserem deixa-la aqui mais um pouco mais tarde levo ela.

─Não. – Daryl responde antes de mim. – Sam não devia ter permitido, Anna pode brincar lá da próxima vez. – Ele diz decidido.

─Claro. – A mulher está começando a se assustar e eu começando a me sentir ridícula.

─Temos que ir. – Eu digo querendo sair logo dali, ela acena.

─Tchau Bela! – Anna acena sorrindo, Bela se vira para olhar para ela, não se importa muito, eu devia dizer mais alguma coisa, mas apenas dou as costas a mulher e sua filha e deixamos a casa.

Beth e Sam estavam na frente da casa a nossa espera.

─Desculpe Abby, não achei que tinha problema. – Sam é rápido em se desculpar e a verdade é que não aconteceu nada.

─Está tudo bem Sam, mas por favor, se peço para cuidar dela é para fazer isso você, não a entregue nunca mais a ninguém.

Ele afirma, caminhamos os quatro para casa, nem sei se posso chamar aquele lugar assim. As pessoas nos olham em silencio, criamos um clima meio estranho, um exagero de preocupação desnecessária, ao menos à primeira vista.

─Nunca se sabe Abby. – Daryl me diz quando sente meu arrependimento.

─Está certo, nunca se sabe, depois de tudo que passamos.

Me sento no sofá com Bela no colo, ela passa para os braços de Daryl decidida a brincar com os botões de sua camisa.

─Daryl pode ficar um pouco com a Bela? Queria falar um instante com a Abby.

Beth pede de pé na sala, olho para Daryl, ele afirma.

─Ela já está comigo mesmo. Vou lá no quarto um pouco. – Daryl se ergue levando Bela com ele.

─Que tal os degraus da porta dos fundos? – Beth pergunta sorrindo e apenas a sigo.

Notas finais
Obrigada!!! Beijos! Deixem um comentário, quero saber o que estão achando.