Hell Between Us

55 Capitulo 55 - Canção de ninar


Notas iniciais
Oi gente!! Mais um capitulo, espero que gostem.

Pov – Abby

As pessoas começam a se arrumar para dormir, Carl se enrola com a irmã ao lado, Beth segue para longe com Sam, é estranho vê-lo deitado com Beth em seus braços, ainda os acho meninos demais para isso. Larissa se deita ao lado deles.

Sam realmente a trata como uma irmã mais nova, Noah vai para perto deles, são o futuro, se sobreviverem é isso que são, o recomeço.

Bela está com a cabeça em meu ombro, mas está inquieta e acho que deve ser sono, olho para Daryl ao meu lado, os dois sem saber bem como lidar com ela.

─Temos que dormir Abby.

─E ela?

─Também precisa. – Ele ri, faço careta, não é divertido, ela se ergue e me olha, suas duas mãos vêm para meu rosto, uma delas para minha boca, ela parece curiosa sobre mim, sobre Daryl, os olhinhos vermelhos pelo sono, ela resmunga qualquer coisa inteligível, aperta meu nariz.

─Quer dormir Bela? – Ela baba, diz mais palavras sem sentido, talvez sinta falta da mãe porque olha em volta, meu coração se aperta, o que se passa naquela cabecinha, como explicar a ela que não restou mais nada?

─Vem, essa noite ela está conosco, então vamos dormir de uma vez.

Daryl se põe de pé, caminha para a pequena sala ao lado, me ergo com a pequena no colo, vou até a mochila, pego uma fralda e um vidro de papinha, depois sigo ao encontre de Daryl, ele tinha forrado o chão com uma coberta grossa.

Alimento a menina, ela não tem problemas de comer, mastiga rápido sujando a boca e a blusa, sempre faminta, sinto falta de Hershel, suspiro, ele saberia o que dizer, me ensinaria coisas diria palavras tranquilizadoras, raspo o fundo do pote e dou a última colherada a ela.

─No que está pensando? – Daryl me pergunta, olho para aquele lindo rostinho de anjo.

─Que queria Hershel aqui. – Ele me encara. Sorri.

─Também pensei nele hoje.

Sento a menina na cama improvisada, ela engatinha para Daryl, vai direto para seus botões, ele fica tenso.

─Hora de trocar a fralda e fazer essa gracinha dormir.

Não é fácil trocar a fralda, toda hora Bela tenta fugir, minha experiência com aquilo é zero e acabamos rindo eu e Daryl.

─Segura ela Daryl, cadê aquelas algemas do velho xerife Rick Grimes? – Ele ri mais ainda.

─Espera um pouco bonequinha! – Ele diz tentando mantê-la deitada, ela resmunga com os bracinhos sendo mantidos por Daryl. Ele disse bonequinha? Eu olho para ele, quero rir, ele dá de ombros. – O que? Ela parece uma boneca, é bonitinha.

─Não disse nada! – Me defendo achando aquilo muito encantador e meio romântico, balanço a cabeça afastando a ideia, amanhã alguém vai ter que assumir nosso lugar.

Rosita parece ser bem carinhosa, tem o Abraham, mas ele é meio grosseiro, se for estúpido com a pequena arranco aquela cabeça ruiva. Tem o padre, ele é um religioso, deve ser caridoso e cuidar das almas em apuros.

Penso nas histórias que andei ouvindo, o infeliz deixou seu rebanho do lado de fora da igreja, não ele não é boa ideia.

Desisto de achar alguém, amanhã penso nisso. Finalmente o trabalho termino o trabalho árduo.

─Pronto! – Suspiro. – Matar uma horda teria sido mais rápido. Vamos deitar.

Eu a coloco deitada entre nós. Ela remexe de um para o outro, senta e deita meia dúzia de vezes. Esfrega os olhos, resmunga, fica de bruços, de lado, de pé.

─Meu Deus o que a gente faz? – Daryl me pergunta. – Acha que ela sente falta dos pais?

─Claro que sim. – Já sinto que posso chorar a qualquer momento.

– Ela se acostuma. – Acho que Daryl nota minha angustia e quer apenas me acalmar, suspiro concordando.

Me lembro da canção de ninar que minha babá Dominique cantava quando eu era pequena, não me lembro muito da infância, o reformatório e os dias ruins apagaram quase por completo os bons momentos, mas Dominique foi o mais perto que cheguei de ter uma mãe, era a única babá que chegou a me dar carinho e essa canção ficou em minha mente.

É uma canção típica, talvez Bela conheça, quem sabe não era com ela que sua mãe a colocava na cama.

“ Frère Jacques, Frère Jacques,

Dormez-voz? Dormez-voz?

Sonnez les matines! Sonnez les matines!

Din, dan, don, din, dan, don.”

Fico repetindo baixinho a canção enquanto acaricio seus cabelos e seus olhinhos vão se fechando, ela relaxa e uns minutos depois dormia tranquila com uma mão segurando a camisa de Daryl, aqueles botões eram pura magia para ela.

Só quando tenho certeza que adormeceu eu me calo, olho para Daryl, ele tinha um olhar intenso. Parecia... Não sei o que eles querem dizer.

─Amo você Abby Coleman. – Ele se move cuidadoso, me beija, era para seu um beijo rápido, mas não resisto a matar as saudades num longo beijo, quando ele passa por cima de mim e se deita ao meu lado, Bela suspira no cantinho, olhamos para ela com medo, mas ela apenas continua a dormir e sorrimos. – Ufa! Achei que seriamos interrompidos.

─Ela dorme como um anjinho.

Aviso puxando Daryl para mais um longo beijo, depois apenas ficamos ali abraçados, ele apoia a mão na cabeça e assim pode olhar para nós duas.

─Daryl, acha que algum dia ela vai se lembrar?

─Do que?

─Dá própria mãe com uma arma apontada para ela, daquele momento assustador. Isso pode enche-la de traumas.

─Aquilo foi uma prova de amor Abby.

─Mesmo assim não quero que ela saiba, não quero que cresça com isso, minha mãe também morreu muito cedo e mesmo sem nenhuma lembrança as conversar que ouvi aqui e ali me fizeram crescer achando que ela nunca me amou.

─Se é importante para você então ela não precisa saber disso, só eu e você sabemos e não tocamos mais nesse assunto.

─Obrigada! – Sorrio e ele me beija.

─Cantando aquela canção de ninar ficou uma perfeita princesinha republicana, sabe que ela me deixa meio maluco não é?

Fico completamente tímida, aquilo é ridículo. Ele me beija, toca meu rosto.

─Acho melhor dormimos princesa, estou prestes a perder o controle.

Me aconchego em seus braços, a palavra princesa se repetindo em minha cabeça, me fazendo sentir feliz e ridícula ao mesmo tempo, não posso negar que amo quando ele fica assim, carinhoso, quando diz coisas românticas.

Dou uma última olhada na pequena que dormia espalhada ao meu lado, não quero pensar no caminho tortuoso que temos pela frente, nos perigos que ainda vamos enfrentar, nas inúmeras tragédias que a vida nos reserva.

Sinto pequenos chutes no abdômen, mesmo de olhos fechados sei que são os pezinhos de Bela, abro os olhos e ela está agora entre eu e Daryl, atravessada, a cabeça no peito dele, a mãozinha brincando com o botão enquanto os pezinhos me chutam distraídos.

Daryl está acordado, mas os olhos estão tão perdidos em Bela que nem me vê acordada, ele toca os cabelos finos da pequena, estão bagunçados, ela sorri para ele, se move para tocar seu rosto e ao sentir a mão pequena e delica ele fecha os olhos aceitando aquele tipo de carinho que nenhum dos dois está muito acostumado.

Temos Judy e vez por outra um de nós enche a pequena de beijos e cócegas, mas é diferente, sempre foi, nunca teve responsabilidade alguma, nunca passou de rápidos momentos de ternura.

Não me anuncio, aquele momento dos dois toca meu coração de um modo que só quero assistir de modo distante.

Ela se arrasta mais para ele, ainda parece um pouco assonada, se deita sobre ele, resmunga mais palavras desconhecidas do seu idioma particular. A mão de Daryl vai para suas costas e ele faz um carinho nela.

Bela esfrega o nariz em sua camisa, fecha os olhos mais uma vez e ele faz o mesmo, aproveito para sorrir, escuto passos e movimentos a nossa volta, o grupo começa a despertar e logo teremos que partir.

Mas me deixo ficar ali, assistindo encantada aquela muralha que sempre foi Daryl Dixon entregue a uma garotinha sonolenta que nesse exato segundo tem todo controle da situação.

─Daryl. – Eu o chamo, ele me olha sem fazer grandes movimentos. – Já está na hora de irmos.

─É melhor mesmo, logo o sol vai estar muito forte. O que eu faço com ela? – Ele aponta o peito onde a menina dormia. Eu me sento, pego a pequena que com o movimento desperta mais uma vez.

─Bom dia Bela! – Acho que seu humor não é dos melhores pela manhã, ela não parece nada feliz de ser tirada de Daryl, mas ele já está de pé, recolhendo coisas e louco para fugir dela, já eu me vejo de novo naquela função feminina de trocar fraldas e alimenta-la, se for honesta eu bem que gosto.

Deixo ela brincando no chão e me organizo, arrumo minhas espadas, recolho tudo que posso levar em uma mochila e encaro a pequena.

─Hora de ir garotinha. – Ela compreende minhas palavras, solta o brinquedo e com alguma dificuldade se põe de pé, me estende a mão, a surpresa me faz piscar confusa, acabo aceitando a mão e seguindo para a varanda onde o grupo já estava reunido acertando que caminho seguir.

─Então é isso, vamos a pé a primeira parte, se conseguirmos um traler ou qualquer coisa que caiba todos nós pegamos, se não vamos parando na estrada.

Rick anuncia e todos concordamos, Judith está presa nas costas do irmão, é assim que passa quase toda viagem, mas como vai ser com Bela?

Ergo a pequena nos braços, preciso das mãos livres para lutar, não posso carregar um bebê pela estrada.

─Daryl o que a gente faz? – Aponto ela com o olhar, ele passa a mão pelos cabelos pensando a respeito.

─Ela pode ir nas costas como a Bravinha.

─Eu carrego espadas nas costas, não posso leva-la assim.

─Eu carrego a besta! – O esperto logo se defende. – Ela vai ter que ir no colo. Além disso é maior que a Judy, não vai poder ir numa mochila nas costas.

─Preciso das mãos Daryl, você também.

Ele olha em volta, sorri quando uma ideia passa por sua cabeça.

─Sam! – Ele chama e logo Sam e Larissa se aproximam. – Ele não é o tio Sam? Então tio Sam... – Daryl pega a pequena do meu colo e entrega a ele. – Você e Larissa carregam a pequena e nós cuidamos da proteção.

─Eu? – Sam aceita a menina confuso. – Mas eu sou agora um dos homens do grupo, tenho que ajudar na proteção.

─Exato tio Sam, protege a menina e nós protegemos você.

─X isso não é nada divertido.

─Perder as orelhas também não. – Respondo quando ele me da as costas com Bela em seus braços.

─Palavras, apenas palavras. – Ele resmunga caminhando na frente. – Está rindo do que Larissa? Vai ajudar também.

─Eu sei, quem está reclamando além de você?

─Então carrega.

─O Daryl mandou você carregar. – Larissa resmunga sem sair do lado de Sam.

─O Daryl não manda em mim. – Sam olha para trás, eu e Daryl íamos caminhando logo atrás deles. – Talvez ele mande um pouco.

Sam admite se voltando para a frente. A viagem para Washington começa, peço em silencio que todos fiquem bem.

Larissa, Sam, vão dividindo o trabalho de carregar Bela, Carl e Beth fazem o mesmo com Judy, o restante de nós apenas caminha, parte na frente deles, parte atrás.

Andamos sem nenhuma pausa por quase toda a manhã, vez por outra um zumbi surge, alguém o derruba ou apenas seguimos em frente, decidimos que não vamos nos desgastar lutando quando não for necessário.

Sasha é a única que parece não ter entendido isso, parece que sua única intenção é se vingar de cada zumbi que surge, não tem qualquer controle e mal um deles aparece ela atira.

Entendo sua fúria, mas nossa munição não pode ser usada dessa forma desenfreada só porque ela está com raiva. Se ninguém diz nada eu digo.

Ela ergue a arma fazendo mira quando um zumbi surge uns metros de nós vindo da floresta, um resto qualquer, que mal pode se manter de pé, mesmo assim ela ignora todos os nossos planos e dispara derrubando o infeliz com a cabeça aberta.

─Quer parar com isso? – Me ponho em sua frente, ela arregala os olhos confusa. – Eu sei que está furiosa, eu sei que perdeu mais que qualquer um, que quer mandar esses infelizes todos de volta para o inferno, sei como é isso, já estive assim.

─Se já esteve assim então me deixa em paz. – Ela me encara, os olhos perdidos, sei que estão diante de Bob e Ty, assistindo mais uma vez seus enterros, mas isso não pode colocar em risco o resto do grupo.

─Sasha não pode dispor da munição dessa maneira, temos crianças aqui, quer descontar sua raiva, vá em frente. – Aponto um zumbi que surgia a quilômetros de nós. – Mas use a maldita faca! – Meu tom é ríspido e Rick e Daryl se aproximam. – Se perdermos alguém nessa maldita viagem por falta de munição então a culpa será sua.

─Eu sei. – Ela engole a raiva, me encara firme.

─Ótimo, economiza a porra da munição e não ponha em risco as crianças. Elas não têm culpa de nossas perdas.

Me afasto dela, Mich dá um tapinha amistoso no ombro de Sasha e as duas se põe a caminhar, Daryl me acompanha mais uma vez para trás do grupo, onde podemos manter Bela e os garotos sob nossos olhos atentos.

Quando passo por ela a pequena me estende os braços, quase se atira e Sam precisa segurar suas costas. Ele me lança um olhar suplicante, a pequena se dobra toda e sem alternativa eu a retiro dos braços de Sam.

─X você é encantadora, ela sente isso. – Garoto provocador, desvio meus olhos dos dele para encontrar os de Daryl, de novo ele tem aquele olhar profundo que não compreendo.

─Ela... Ela quis vir comigo... É... É só um pouco, estamos seguros. – Eu me explico, não sei bem se ele está bravo, confuso, com medo ou feliz, não entendo o que se passa com ele no momento, não entendo o que se passa comigo, só sei que ela me quer e não consigo dizer não como queria.

─Eu vi. – Ele toca minha cintura. –Está tudo bem.

Vamos caminhando um pouco mais atrás, Bela está tranquila, brinca com um peixinho de borracha que Carl deu a ela, Judy tem alguns brinquedos que encontramos pelo caminho.

─Acha que vamos encontrar alguém para ela? – Preciso entender o que se passa na cabeça de Daryl, talvez ele esteja com medo de que eu queira ficar com Isabelle, será que ele me deixaria se eu quisesse?

─Andei pensando nisso, olho para todos e... Não sei. – Ele arruma a besta nas costas. – Rosita está sempre rindo para Judy, mas Abraham não sei se aceitaria, acho que ele não superou suas perdas e não o vejo interessado em formar uma nova família.

─Além de ser muito grosseiro. – Eu comento decidida a não deixar a pequena com alguém que um dia pode se sentir no direito de gritar com ela.

─Sasha está cheia de raiva, não enxerga nada, Beth, Larissa, Sam e Noah são crianças ao meu ver, é muita responsabilidade. – Ele continua.

─O padre é um covarde. – Eu o lembro. Ele afirma, olha para ela que se encosta em mim parecendo cansada.

─Ela fica calma quando está no seu colo. – Ele diz olhando para frente, o sol está forte, ela deve estar mesmo esgotada de tanto tempo no colo, sem poder esticar o corpo um pouco. – Rick já tem o Carl e Judy para se preocupar, Eugene e Tara nem pensar, não estão prontos para algo assim.

─De jeito nenhum.

─Glenn e Maggie... Glenn e Maggie... – Daryl não continua, eu também me calo, não encontro nada de errado com eles, são um casal unido, amorosos, corajosos e muito fortes, seriam totalmente capazes de cuidar de uma criança. – Carol também não é boa ideia, ela se mantêm bem afastada até mesmo da Judy.

Não entramos em detalhes sobre Glenn e Maggie, mas o fato é que os dois não se aproximaram muito dela, talvez não queiram uma criança, ninguém quer.

─Vamos parar um pouco. –Rick comunica quando encontramos dois carros parados na beira da estrada.

Os carros são revistados, apenas algumas mudas de roupas, restos de comida e sangue no banco do motorista de um deles.

─Entra um pouco no carro com ela, deita ela, eu cuido da segurança. – Não gosto disso, de parecer frágil, dependente. Continuo de pé, olhando para ele com Bela em meus braços, dividida entre cuidar dela e não perder a identidade de guerreira.

─Vou pedir para a Larissa ficar aqui com ela.

Daryl apenas aceita, coloco a pequena no banco de trás, aproveito para trocar sua fralda, ela já não reclama nem tenta fugir, quando termino ela me estende os bracinhos.

─Não Bela, você precisa descansar um pouquinho. – Toco seus cabelos, recomeço a cantiga de ninar, mesmo assim ela se recusa a ficar deitada. – Larissa. – Chamo e logo ela vem sorridente. Larissa me enche de orgulho, é sempre forte e otimista. – Fica aqui com ela um pouco, ela precisa descansar.

─Oba! – Larissa se senta ao meu lado, entrego a pequena a ela.

─Qualquer coisa me chama, vou olhar por ai.

Desço sem olhar para Bela, não posso e não quero deixar que me convença a ficar ali. Procuro por Daryl ele observava a estrada e sigo até ele enquanto parte do grupo se sentava para descansar.

─Larissa está com ela. – Ele afirma.

─Sem combustível, os dois carros. Não sei se podemos fazer mesmo essa viagem, nem me imagino entrando na capital com ela... Elas... Bela e Judy.

─Atlanta estava enfestado deles. Quando saí de lá com Noah... A pé teria sido uma aventura para poucos.

─DC não pode estar melhor, imagine quantos não tentaram chegar lá.

Ele passa um braço sobre meu ombro, me puxa para ele, me encosto em seu peito, tínhamos superado tantas coisas, estávamos decididos a ficar bem, enfrentar as pessoas e mostrar como nos sentíamos.

Andar de mãos dadas pela prisão, beijos em público, então num dia qualquer tudo ruiu e agora nada faz sentido.

─Estávamos indo bem, sinto falta de nós dois.

─Também sinto.

─Se acharmos um lugar no caminho, se for seguro... Daryl eu não quero perder mais ninguém.

─Não estamos tão longe assim, já percorremos boa parte do caminho.

─Estamos na Virginia e acho que podemos achar um lugar aqui mesmo. Eu...

─Queria tanto tentar, porque está desistindo Abby?

─Não estou. Acontece que... – Um choro infantil nos chama atenção, nos viramos os dois ao mesmo tempo, Judy estava no colo de Beth, parecia bem tranquila e só podia ser Bela.

─Larissa estava tentando fazê-la dormir.

Daryl aperta o passo em direção a pequena, no fundo queria que fosse porque não pode vê-la chorando, mas sei que é apenas porque não quer chamar zumbis.

Ela se estica para ele assim que o vê, ele a recebe com mais jeito do que eu esperava. Em seus braços ela se acalma instantaneamente, ele se vira para me olhar.

─Ela só está mais acostumada com a gente, logo ela vai ficar bem com qualquer um. – Ele me diz, mas sei que está tentando se convencer disso. Eu concordo.

─Claro que é isso, nós a salvamos e ela meio que sabe disso.

─Fica com ela um pouco Abby, acho que ela precisa daquela sua canção de ninar, não vai ser menos forte por isso. Ainda será a rainha do apocalipse, mas nesse momento...

─Eu sei, ela precisa... Ela precisa... – Queria dizer que ela precisava de mim, que precisava dele, mas isso tornava as coisas mais definitivas do que eu queria admitir. – Dormir, ela precisa dormir um pouco.

Ele me entrega Bela, ela não reclama. Antes de me afastar ele me beija os lábios, me faz um carinho, nos olhamos longamente, ainda vamos ter que falar sobre isso, mas não estou pronta, nem ele está.

No momento só o que posso oferecer a essa pequena em meus braços é uma velha canção de ninar.

Notas finais
Os dois estão mesmo com medo, mas ela já andou aprendendo como convence-los. Comentem. BEIJOSSSS