Hell Between Us
52 Capitulo 52 - Caçado
Notas iniciais
Pov – Daryl
─Vou trazer Abby de volta nem que tenha que ir ao inferno busca-la.
─Você não precisa ir tão longe. – É a voz dela, vinda das profundezas do meu coração ou estou mesmo ouvindo Abby?
Me viro lentamente sem pressa de me decepcionar, mas então ela está lá, diante de mim, os pés fixos no chão, os olhos brilhantes e claros, sorrindo cheia de vida. Minha mulher.
Eu devia correr, mas apenas caminho, minhas pernas não respondem meus comandos, não vejo nada além dela, dos passos firmes de encontro aos meus, perfeita, viva, inteira e de volta para meus braços.
Aperto Abby em meus braços, não me importo com nada nem ninguém, não ligo se vão me achar fraco, talvez eu seja, me rendi a Abby no momento que a vi e agora eu a tenho de volta, aspiro seu pescoço sentindo seu cheiro que jamais me abandonou, sinto seus braços me envolverem entregue a mim como sempre.
Me afasto um momento para poder olhar para ela, ainda parece irreal e sinto medo de despertar no meio do fim do mundo perdido e sozinho, nunca mais quero ficar sozinho.
Seguro seu rosto com as duas mãos, é tão linda, como pode ser isso? O apocalipse não existe para ela, não afeta, não transforma, perfeita, encantada, minha rainha do apocalipse, minha princesinha republicana.
─Amo você, está aqui, linda, viva, minha!
─Desculpe a demora! – Ela brinca antes de tomar seus lábios, sinto seu gosto, é mesmo ela de volta. – Eu te amo! Tive medo, achei.... – Ela me abraça, se esconde em meu peito, chora, ali na frente de todos mais uma vez a rainha desmonta em lagrimas e dessa vez são por mim, ninguém chora por mim.
Abraço Abby, aperto seu corpo junto ao meu, fecho os olhos e faço ali minha promessa, é para sempre.
─Abby, preciso de ajuda aqui. – Nos afastamos um instante e então vejo um rapaz parado com olhos arregalados todo o grupo apontando armas para ele.
─Esse é o Noah pessoal, ele está comigo, me ajudou. ─ Avisando secando lágrimas.
As armas baixam e o menino suspira aliviado, Abby deixa meus braços, sinto sua falta, mas não posso impedi-la de envolver Sam ainda chorosa, gosto quando ela fica assim, um pouco frágil, me faz sentir forte e protetor.
─Devia arrancar suas orelhas Abby Coleman, como me deixa assim?
─Sam, que medo que tive, é bom saber que está bem.
─Estamos todos, embora não está parecendo se importar muito comigo! – Larissa tinha os braços cruzados no peito, o olhar um tanto bravo que arranca um sorriso por entre as lagrimas de Abby, ela solta Sam para envolver Larissa.
─Inteirinha como achei que estaria. – Ela acaricia o rosto da menina.
─Daryl está cuidando da gente.
─Claro que está. – Ela me olha com olhos orgulhosos e é minha vida voltando ao lugar.
Ela sorri para todos, Beth surge caminhando com Judy no colo, ela envolve as duas, nossa bravinha brinca com seus cabelos.
─Está aqui. Achei que seria caçada, mas é mesmo a rainha do apocalipse, você caçou! – Beth segura a mão de Abby, as duas sorrindo, depois ela me olha, solta a mão de Beth, volta para meus braços, o restante do grupo ganha apenas um aceno distante, ainda é Abby e ela não distribui gentilezas.
─O que aconteceu? Onde foi parar? Como chegou até aqui? – São tantas perguntas, ela se encosta em mim, beijo seus cabelos.
─Vou contar tudo.
─Melhor fazer isso dentro da igreja. – Abby concorda, nem se importa com os membros novos do grupo, passa por eles como se não existissem.
─Larissa, ajuda o Noah, vocês têm algo para ele comer? Fiquei tão louca esses dias, não pensei muito em nada, acho que o forcei demais, ele precisa de algum descanso.
Larissa se posiciona ao lado do garoto, seguimos para a igreja, ela olha todo os detalhes do lugar, do órgão aos vitrais, encara o padre por um longo momento, ele devolve o olhar incomodado.
─Só restou você? – Pergunta e percebo que aquilo afeta o homem que desvia o olhar.
As portas da igreja são fechadas, ela se senta e a imito, Rick e o resto do grupo se acomoda a nossa volta, Sam se senta no chão, a mão apoiada no joelho dela, os olhos fixos em seu rosto, lembra um cachorrinho se aninhando nos pés de seu dono, mas é mais que isso, é um irmão saudoso e dependente.
─Pensei que tinha te perdido quando Daryl chegou sozinho.
─Estava me virando bem, matando uns zumbis quando um carro de policia com policiais uniformizados parou próximo, aquilo foi surreal, achei que me ajudaria, mas não, me levaram depois de uma punhalada na cabeça.
─O que fizeram com você? – Sinto medo só de pensar.
─Acordei em Atlanta, no Grady, já devem ter ouvido falar, o lugar se mantem, não muita coisa, um andar.
─Eles têm recursos? – Maggie questiona interessada.
─Não vai durar muito, sabem que Atlanta está infestada, eles esperam por um salvamento, mas tem um gerador, alguma medicação, sim existe recursos, mas não para nós.
─Te machucaram Abby? – Não quero saber de recursos, não pretendo me mudar para o centro de Atlanta, ela busca minha mão, sinto que precisa de força, aperto mostrando que estou com ela.
─Ela machucou eles. – Noah responde se pronunciando pela primeira vez. – Parecia uma máquina!
─As mulheres eram abusadas, os pacientes eram nada além de escravos, não tinha como partir e deixar aquilo permanecer.
─O que fez?
─O que sei fazer, o que a vida ensinou. Matei, acabei com tudo e depois parti.
Quero perguntar se tocaram nela, mas não faço isso, não ali diante de todos, puxo ela para mais perto de mim como se isso pudesse protege-la do que já passou.
─Chega disso, estou aqui, encontrei vocês.
─Esteve lá? – Beth pergunta com olhos marejados, as duas se encaram.
─Sim, pensei em morrer... as grades, Deus tanta coisa passou pela minha cabeça, ainda está cheio de zumbis, mas olhei um por um dos corpos procurando por vocês.
─Você o viu? – Agora é Maggie quem questiona.
─Sinto muito. – Ela responde afirmando.
─Imagino como foi dolorido.
─Tive que ir, queria enterra-lo, mas os zumbis....
─Não pense nisso! – Abby se encosta mais em mim, passo meus braços por seu corpo envolvendo-a mais, ela fica em silencio, queria ficar sozinho com ela, dizer mais uma vez como eu a amo.
─O Governador veio com tudo, deve ter visto o tanque, perdemos muito, nos perdemos, foi assustador. – Sam conta a ela.
─Entendi quando cheguei lá, pensei... Droga, não quero pensar mais nisso, estão aqui, encontrei vocês.
Ela ainda não sabe o que passamos para chegar aqui, mas não é momento de contar, só quero ficar com ela por perto, sentir seu cheiro e ouvir sua voz, nossos olhos se encontram e os dela sorriem claros e limpos.
As pessoas começam a se dispersar um pouco, preciso de um momento com ela, me levanto puxando-a pela mão, ela me segue sem resistência, abro uma porta e a puxa para dentro, ela sorri sem acreditar quando tranco a porta logo atrás de mim.
─Daryl isso é uma sacristia. – Ela diz quando eu apenas a encosto na parede colando meu corpo ao dela, preciso sentir sua pele, confirmar com meu corpo o que meus olhos veem, Abby está aqui.
─Não. É só um lugar onde podemos não ser vistos. – Minhas mãos percorrem seu corpo, ela amolece, me faz sorrir antes de tomar seus lábios, ela me puxa mais para ela, esbarra em qualquer coisa que tento impedir de ir ao chão. – A ideia é não ser ouvido também.
Ela revira os olhos, me beija, minhas mãos seguem para suas roupas cheias de urgência.
─O que aconteceu com meu Dixon reservado?
─Ficou maluco achando que tinha te perdido. – Conto a ela antes de nos perdermos completamente, tem uma pequena cama, levo Abby para ela quando as roupas já não nos impediam.
─Vamos queimar no inferno por isso! – Ela me diz quando meu corpo cobre o dela, Deus nunca se importou comigo, não ligo a mínima para ele.
─Já estamos queimando! – Respondo invadindo seu corpo, ela geme baixinho, me faz estremecer, foram dias de terror que não podiam terminar de outro modo, vamos nos movimentando juntos, sem pensar em nada que não seja o que sentimos.
Quando tudo se acalma me sinto mergulhar num mar de tranquilidade, eu a tenho de volta e o que quer que nos aguarde lá fora não me põe medo.
─Amo você. – Ela me olha tão delicada, como pode ter aquele andar determinado e espadas nas costas?
─Machucaram você, te tocaram?
─Ninguém me toca Daryl, pertenço a você.
Beijo os lábios suaves e doces da minha princesa republicana.
─Claros como gosto de ver. – Ela pisca, suspira longamente olhando para a porta, eu sei que não podemos ficar ali, perdidos um no outro, esquecidos do apocalipse.
─Estiveram escuros e perdidos, cheios de medo.
─Agora está aqui.
─Para onde vamos?
─Não sei Abby, talvez para longe, Eugene queria ir para DC, mas não tem nada lá, nada do que ele tentou nos fazer acreditar.
─Noah tem um lugar, com muros, ele acha que pode estar de pé. Richmond, Virgínia.
─Uma viagem longa.
─Uma chance, um rumo, para quem não tem nada além dessa igreja, porque não?
─Vamos falar com Rick sobre isso. – Ela me beija mais uma vez, acaricio seu rosto.
─Senti saudade. – Abby cora, mordo seu queixo.
─E esse ar de princesinha republicana?
─Muitas vezes me culpava por ter abandonado o reformatório, por esquecer quem estava sofrendo lá dentro, você muitas vezes me disse que eu não estava sozinha, reclamava que não queria me envolver com a sua família.
─Abby...
─Espera. – Ela me corta. – Estava fugindo do hospital, mas voltei por aquelas pessoas, voltei pelas garotas solitárias do reformatório, voltei pela nossa família e para ficar orgulhoso de mim, consegui libertar aquelas mulheres, acho que acabou tudo.
─Fico furioso, mas orgulhoso também e se isso quer dizer que vai ficar toda delicada agora....
─Não vou ficar delicada nada! – Ela reclama me empurrando, rio de seu pequeno ataque, beijo Abby mais uma vez e depois a ajudo a se levantar.
─Vem, vamos nos reunir ao grupo e achar comida e água.
─E quando vai me contar como foi com vocês? – Ela me pede arrumando as espadas nas costas mais uma vez.
─Lá fora, enquanto caçamos.
─Vai na frente! – Ela me diz quando abro a porta, ergo uma sobrancelha. – O que? Todo mundo vai ficar comentando, me arrastou para a sacristia de uma igreja, agora aguenta o tranco.
Abby me empurra, saímos e evito os olhares, passo por Rick que conversava com o padre, resmungo que vamos caçar um pouco sem ao menos encara-lo, já sei que estarão todos com sorrisinhos tolos no rosto.
Pegamos a floresta, Abby caminhando ao meu lado, as espadas nas costas, ela nunca está tensa quando está assim. Não anda com suas armas em punho como todos os outros.
─Aqui fora sempre coloca a princesinha para dormir.
─Deixa de ser chato com isso Daryl, não preciso ficar com as armas em punho, tenho ouvidos e olhos, se eles chegarem estarei pronta.
─Treinava vendada como nos filmes de ninja? – Pergunto fazendo-a rir.
─Idiota! Não, apenas aprendi assim como você a ouvir e enxergar, guardo o medo e me concentro no que importa, sobreviver.
─Encontramos um lugar. Terminus, achamos que podia estar lá, que podia ser seguro.
─E não era? – Ela questiona puxando sua espada, um zumbi surge por trás da árvore a seu lado, mal se move em sua direção e sua espada crava sua cabeça.
Conto a ela sobre tudo que passamos.
─Canibais? – Seus olhos não escondem o espanto.
─Tenebroso, se não fosse Carol...
─Detesto ter que ser grata a ela, não pense que vou dizer obrigada.
─Não seja, mas ela me salvou e salvou Judith com a ajuda do Ty.
─Você adora me irritar, já notou isso, ela não te salvou droga nenhuma teria dado um jeito. – Ficamos em silencio enquanto caminhamos mais um tempo. – Como agradeceu?
─Como agradeci o que?
─Sabe bem o que estou falando, como agradeceu a Carol por ter salvo sua vida!
─Eu? O que acha?
Adoro ver que ela não é possessiva apenas com as coisas materiais.
─Parece que deu um grande abraço na sua velha amiga. Onde foram parar os zumbis dessa merda de apocalipse? – Prendo o riso, acho que agora ela está bem brava.
─Só agradeci, nada além, foi um aceno de cabeça Abby.
─Ótimo! – puxo ela para meus braços, ela evita meu olhar. – Um zumbi pode aparecer melhor me soltar.
─Melhor parar de fazer bico e me encarar, vamos acabar devorados por uma birra de princesinha ciumenta.
─Ciumenta é a...
Silencio Abby com um beijo, ela acaba correspondendo, sabe que pertenço a ela, se não sabia antes espero que esse beijo mostre isso a ela.
Gruídos nos separam e acabamos por ter que lutar e voltar para a igreja sem nada, mas Rick tinha tido mais sorte, trazia muita comida e água, além de vinho que o padre guardava de suas missas.
Depois de muito tempo temos um jantar descente, Noah fala sobre Richmond, seus muros e proteção, decidimos que pode ser boa ideia, ao menos é um foco, todos concordamos de partir pela manhã.
Bob sai para um passeio no meio da noite, Abby se senta com Beth e Judith e me aproximo de Rick, ele me olha sério.
─O que acha?
─Abby quer ir, somos um grupo grande, Abraham e Rosita são uma boa adição, podemos conseguir.
─Agora que descobrimos que DC é uma grande mentira.
─Não sei como Abraham não matou o idiota, eu teria feito.
Vi que houve uma confusão em algum momento depois de sairmos de Terminus, mas minha cabeça só tinha Abby e não dei importância, agora sei que aquele infeliz só queria ficar vivo, Glenn não acha errado, já eu não consigo aceitar tamanha covardia.
Um assobio nos desperta, vem do lado de fora e em um segundo o grupo está de pé, todos em alerta, Beth com sua faca se posiciona na frente de Judy, Rick sai primeiro e quando saímos a imagem é devastadora.
─Bob! – Sasha corre para ele com Maggie, zumbis surgem e temos que pega-los enquanto assistimos Bob com metade de sua perna faltando gemer de dor. Uma parte do grupo o carrega para dentro, damos cabo dos zumbis do lado de fora.
─Gareth! – Ele contava quando entramos. – Ele fez isso, eu os vi comerem minha perna. – Bob chorava, a testa suada todos nós paralisados.
O infeliz nos encontrou, mais de uma vez achei que estávamos sendo seguidos, não encontrei nada, minha cabeça só tinha Abby, agora ele está aqui e temos que pegá-los.
─Quantos Bob?
Enquanto é tratado ele nos conta o que passou, quantos são e o que disseram, nós apenas ouvimos, todos divididos entre cuidar de Bob e proteger o lugar.
─Tenho uma ideia! – Rick me encara, sabe que estou com ele para o que for preciso, assinto sem nem mesmo saber qual é, não vamos fugir no meio da noite com um ferido e um bebê, temos que pegar Gareth seu bando e impedir que outras pessoas acabem como Bob.
─Vamos fazer o que for preciso. – Abby diz se posicionando ao meu lado.
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