Hell Between Us

47 Capitulo 47 - Pressentimentos


Notas iniciais
Oi gente, faz dias não é? Desculpem, ando tentando me adaptar ao trabalho dobrado lá no escritório, ando trabalhando por duas para cobrir uma amiga de férias. Mas aqui está espero que gostem.

Pov – Abby

─Gosto quando fica assim. – Daryl me diz quando trocamos mais um longo beijo. – Toda carinhosa.

─Ainda me sinto ridícula, mas não tenho conseguido evitar, e essa coisa que fez hoje me deixou meio boba.

─Só porque segurei sua mão? – Ele me pergunta depois de mais um beijo.

─Não vem com essa que não foi grande! – Rio do ar despreocupado que ele faz. – Sei muito bem que ficou se sentindo ridículo!

─Um pouco ridículo, mas vou fazer de novo.

Mordo o lábio, não sei se acho isso bom, fico me sentindo fraca e dependente, não sou isso, a namorada do cara durão, eu sou durona, preciso ser e gosto de ser, claro que também gosto de ser só uma mulher, de me render a ele como a pouco, mas isso pode ficar entre quatro paredes.

─Ninguém vai te achar fraquinha.

─Não sei não senhor Dixon, pode ser que achem, já imaginou as pessoas achando que podem sair por ai falando comigo como se eu fosse acessível?

─Nunca! –Ele exagera me arranca risos.

─Idiota! – Beijo Daryl, queria ficar ali para sempre, mas sempre é muito tempo. – Vou pegar um chá, quer?

─Não. Te espero aqui. – Beijo Daryl mais uma vez, depois deixo a cama e me visto, ele fica me olhando.

─Esse olhar não ajuda muito sabia?

─Estou só admirando a paisagem.

─Isso foi de uma canalhice! – Rimos com gosto, beijo Daryl, ele tenta me segurar, fujo dele. Há tempos não me sentia tão leve, mas espere, nunca me senti leve.

Desço as escadas tão contente que podia cantarolar, claro que não faço isso, ai sim eu perderia a credibilidade.

O refeitório está vazio, coloco um bule com água para esquentar, cruzo os braços com frio, o inverno chegou com tudo. Enchia uma xicara de chá quando Carol se aproxima.

─Se divertiu lá fora hoje?

─Bastante! – Ela ergue uma sobrancelha.

─Daryl já foi um homem mais duro, andar de mãos dadas foi um tanto estranho.

─Achou? – Uso todo meu cinismo, ela mantém o dela.

─Manter esse lugar é o ponto crucial, antes de você eu achava que ele era o homem mais forte para isso, agora já não tenho tanta certeza, talvez ele esqueça um pouco sua real função.

─Quantas tolices numa única frase. Achei que eram amigos, mas pelo visto me enganei, ele não passa de uma máquina de matar zumbis para você. Não se preocupe, ele ainda faz isso muito bem.

─Faz, mas apenas se os zumbis caminharem em sua direção.

─Está errada, quando um zumbi caminha em minha direção eu arranco sua cabeça, não espero por meu homem.

─E quando está toda arrebentada ele larga tudo para cuidar de você.

─Nunca antes de eu dar cabo de quem está no meu caminho! – Ela se espanta um pouco, mas depois sorri de modo forçado.

─Uma ameaça?

─Vai ficar no meu caminho Carol? – Me aproximo dela, ficamos frente a frente, eu nunca sei ser paciente por muito tempo, logo perco a esportiva e caminho para o ataque.

─E se ficar?

─Vai para o mesmo lugar que mandei todos os outros que tentaram. Não me conhece, não me assusta, não me incomoda. Você não existe para mim.

─Nem você existe para mim, tudo que me importa é manter a prisão em funcionamento.

─São pessoas, se lembra? Elas podem escolher. Isso é só um teto, são apenas paredes e grades.

─Que nos mantém vivos, não tenho qualquer pressa de chegar ao inferno.

─Já está nele, essas pessoas vão morrer, esse lugar vai acabar e não pode fazer nada sobre isso.

─Principalmente quando o homem mais forte do grupo, o mais centrado na sobrevivência só pensa em se comportar como um garoto apaixonado.

─Carol você é uma grande piada! – Eu não resisto a uma boa e longa gargalhada. – Não seja tola, Daryl não pode manter esse lugar, ninguém pode, as coisas não funcionam assim, além disso acabamos de chegar de uma missão lá fora, se isso não é trabalhar por esse lugar definitivamente não sei o que é.

─Não torne isso algo sem importância! – Ela faz um movimento amplo com as mãos, mostrando o lugar.

─Não torne isso maior do que as pessoas, alguém pode acabar mal, talvez você mesma.

Decido que chega, já dei meu recado, ela que se vire com o que está sentindo. Pego minha xicara e começo a me afastar.

─Você tem ciúme de mim. – Paro de andar e me viro para olhar para Carol, me demoro estudando seu rosto, sua expressão fria e fechada, ela e Daryl nunca ficariam juntos, ele é um homem tão cheio de sentimentos.

─Eu tive. No começo, quando não sabia quem ele era, quando não sabia quem você era. Agora sei que não existe a menor possibilidade de me sentir em perigo, primeiro porque ele me ama, segundo porque vocês são absolutamente diferentes.

─Acha?

─Vejo. Tenho que ir Carol, acho que resolvemos nossas questões, não somos nada uma para outra, você não está no meu caminho nem eu no seu. Qualquer outro problema que surgir está apenas em sua cabeça e eu realmente não me importo.

Não espero por nenhuma resposta dela, subo dando uns goles no chá que esfriou e perdeu totalmente o sabor. Daryl me observa entrar, deposito a xicara em um canto e me sento na cama.

─Brava? – É estranho como nos conhecemos tão bem.

─Carol. – Suspiro e me deito apoiando a cabeça em seu peito. – Tivemos um desentendimento ou sei lá como se chama aquilo, acho que acertamos as coisas, não nos gostamos e isso é tudo. Cada uma segue seu caminho.

─Melhor assim. – Sinto seus dedos subindo e descendo nas minhas costas, adoro o carinho.

─Ela é irritante, essa obsessão com essas paredes, sabe que Carol faria qualquer coisa para manter esse lugar?

─Sim, penso em falar com o Rick sobre isso, ela anda como um comandante de plantão dia e noite, pressiona tanto as pessoas que me preocupa.

─Isso não é problema meu, só sei que gelou meu chá.

Daryl ri, me estico para beija-lo, depois volto para seus braços.

─Estava achando que tinha encontrado o Cliff por aí, já estava decido a descer.

─Não vai me matar de vergonha fazendo o namorado protetor vai?

─Eu não engoli aquele imbecil, tenho todo direito de resolver isso.

─Resolvo meus problemas.

─E eu os meus, ele é meu problema, vou resolver como quiser.

─Boa noite Daryl! – Ele me irrita, me viro para a parede a espera da piada, ele adora me irritar com isso.

─Criando laços com a parede? – Escuto seu riso nas minhas costas. – Aguentava a perna doendo só para não virar para a parede e agora está toda amiguinha dela?

─Já te mandei para o inferno hoje?

─Hoje não. – Me viro, deito a cabeça em seu peito, ele volta a me envolver.

─Então vá para o inferno Daryl Dixon! – Só não me deixe para trás. Completo mentalmente.

─Boa noite princesinha republicana.

Acabo rindo, devia ser mais dura com ele, mas não ando me dando bem nesse quesito, então apenas ignoro fechando os olhos, o sono chega imediatamente.

Daryl desce primeiro que eu, sai apressado para se reunir ao grupo de trabalho, me demoro um pouco trançando o cabelo, depois passo uns minutos com Beth e Judy, a garotinha não tinha como ficar mais bonita.

Quando chego ao pátio uma rajada de vento gelado me causa um tremor, cruzo os braços me protegendo.

Olho em volta e vejo Daryl envolvido com o trabalho. Ele me vê e sorri, decido ir até ele e oferecer ajuda.

─Boa dia Abby! – Cliff surge do nada ao meu lado. – Bom te ver.

─Bom dia. – Continuo a caminhar, mas ele me acompanha.

─Está bem bonita com os cabelos presos. – Olho para ele sem acreditar. – Claro que nunca te vi menos do que bonita, mas...

Quando me dou conta o homem caia com um soco bem no meio do rosto, Daryl está furioso, nem sei o que fazer e por um segundo fico imóvel. Rick e Glenn correm, Tyreese vem logo depois.

Cliff massageava o rosto um tanto atônito, não sai do chão e isso impede Daryl de continuar a acerta-lo, os homens apenas param ao lado dele.

─Pela última vez. Fica longe da minha mulher.

─Daryl... – Eu realmente queria dizer alguma coisa, mas as palavras morrem na minha boca. Não sei o que dizer, aquilo é ridículo, ao mesmo tempo mexe com meus sentimentos, um pouco porque ele disse que eu era sua mulher, um pouco porque eu nunca vi alguém tento uma atitude como aquela por mim.

─Vem! – Daryl me puxa pela mão, me deixo ser arrastada por ele que só para quando chegamos a nossa cela.

─O que foi isso?

─Meu jeito de afasta-lo, pelo visto mãos dadas não foram o bastante.

─Foram o bastante para mim.

Ele pretendia dizer qualquer coisa, caminhava de um lado para o outro, o velho tigre enjaulado, mas minhas palavras o fazem parar.

─Não é sobre você, não acho que deu espaço para ele ou qualquer coisa do gênero. Acontece que não gosto de pensar nele perto de você.

─Ele não estava perto de mim, eu estava indo até você e do nada você surgiu todo maluco, fiquei sem reação, agora quero ver você encarando as pessoas.

─Dane-se as pessoas. – Ele diz ainda furioso.

Dou uns passos em sua direção, passo meus braços por seus ombros, ele se acalma no mesmo instante. Acaricio seu rosto.

─Eu não vou deixar ninguém se aproximar de mim, não quero, não precisa fazer isso.

─Eu acredito.

─Amo você Daryl, quero construir uma história com você, nada vai me afastar de você, pode acreditar nisso?

─Posso.

Nos beijamos, fico com Daryl até que se acalme, depois de um tempo Rick surge na porta da cela.

─Tudo bem. – Daryl avisa assim que vê Rick. – Aquilo foi um aviso.

─Ele entendeu. – Rick comunica.

─Melhor assim.

A neve começa a cair na manhã seguinte. Três longas semanas sem sair da prisão, matando o tempo com longas horas na cama, com tardes inteiras treinando com os garotos.

Larissa era sempre quem mais se destacava, a pequena era como o pai, forte e cheia de talentos. Beth ainda era um tanto desajeitada, mas a cada dia se virava melhor. Sam estava pronto para a vida.

Me sinto confiante. Acho que no fundo todos eles estão prontos para a vida.

─X a neve foi embora. – Sam surge ao meu lado no refeitório. – Achou que eu devia fazer como Daryl fez aquele dia. – Ele solta se sentando ao meu lado.

─Beth está apaixonada por você Sam, ela não quer o Zack.

─Mas ele não deixa de dar umas olhadas quando ela passa, todo cheio de sorrisos.

─Devia pensar nela, não nele.

─Eu penso, penso no medo que eu tenho de perder a Beth. Acha que devia pedir ela em casamento?

─Casamento? Que coisa mais desmedida.

─Porque? Ela é séria, o pai dela nunca vai nos deixar dividir uma cela.

─Já transaram? – A cara de Sam me arranca risos.

─Não. – Ele diz desviando os olhos.

─Quer dizer que andaram aprontando?

─Muita neve, ficamos sem nada para fazer e... Mas cala a boca X, se ela sabe que contei.

─Foi bom?

─Foi perfeito, mas nunca mais aconteceu, mal conseguimos uns minutos sozinhos.

─Já falou com ela sobre dividirem uma cela?

─Não, acho que tenho que falar com o Hershel antes.

─Então faça isso.

─Vou fazer. – Abraço Sam, me encosto em seu ombro.

─Aprenderam não é? Finalmente aprenderam, olho para vocês e os vejo trocando carinhos, beijinhos fofos. – Ele ri, eu o belisco. – Para louca. Nem se dão conta disso, aposto!

─Ganhou a aposta. Nunca ficaria me agarrando com ele no meio das pessoas.

─Vai sair amanhã?

─Vamos, será a primeira missão desde que a neve começou a cair, não vejo a hora.

─Cadê seu marido.

─Deixa de ser idiota garoto! Daryl está arrumando qualquer coisa lá dentro com o Ty.

─Vamos para dentro.

─Saudade! – Ele brinca e aperto sua orelha.

─Duas orelhas e uma língua, acho que podemos igualar as coisas.

Andamos para dentro mais uma vez, eu estava mesmo com saudade. Depois nos separamos e sigo em busca de Daryl, ele já estava reunido com o grupo.

Sasha tinha escolhido o lugar, iriamos num grupo razoável, não tínhamos mais suprimentos suficiente para além de uma semana e não podíamos desperdiçar a chance de uma saída.

─Não acha muito perto de Atlanta? – Daryl questiona olhando o mapa. – E se encontrarmos uma horda no caminho?

─Desviamos, seguimos para o plano B. – Dessa vez é Glenn quem fala e então tudo fica decidido.

─O que acha Abby? – Me sento ao lado de Daryl, observo o mapa e então concordo.

─Uma horda pode estar em qualquer lugar. E riscos existem todas as vezes que saímos.

Decido o caminho seguimos para a nossa rotina, na manhã seguinte acordo um tanto tensa, Larissa e Sam me esperavam na porta para uma despedida.

─Se cuida lá fora, volta logo. – Larissa me abraça.

─Você se lembra de tudo que te ensinei não é?

─Para Abby, não vai acontecer nada.

─Lembra?

─Lembro. – Ela diz depois de um suspiro. – Você é que tem que ficar atenta. Estamos seguros aqui.

─Mesmo assim. – Ela sorri, é tão linda e jovem. – Não se desarme, não fique perdida por ai.

─Cuido dela. – Sam se oferece. – E da Beth até chegarem, mas o que pode dar errado?

─Tudo Sam, sempre pode dar errado.

─Está estranha hoje, que foi?

─Vamos demorar muito, então me preocupo apenas.

Deixamos a prisão, meu coração se aperta, me lembro do dia que entrei no reformatório, do mundo todo se fechando num inferno que parecia nunca mais acabar, Daryl estava sentado ao meu lado, meus olhos marejam um pouco.

─Que foi?

─Não sei, apenas uma sensação ruim.

─Ficamos muitos dias em casa, por isso está assim, vai ficar tudo bem.

─Vai. – Ele me beija, mesmo depois de todos esses dias juntos sem dar muita importância para os outros ainda me choca ser beijada dentro do carro, respiro fundo juntando força.

─Nunca te vi tendo pressentimentos.

─Nunca tive, apenas me sinto agoniada hoje, não sei explicar. Fica perto de mim? – Não acredito que pedi isso, não acredito que me tornei assim tão dependente.

Daryl sorri. Fica feliz com meu pedido, aperta minha mão de leve, depois volta a atenção a estrada.

─Põe uma música, assim relaxa.

Olho para o painel, começo a caçar um CD, ele mexe no som.

“Santuário para todos, comunidade para todos, quem chegar sobrevive”

Daryl me olha confuso com a mensagem que o rádio capta, tenta sintonizar, o rádio começa a chiar.

Então sentimos um baque, quando olhamos para frente um mar de zumbis invadia a estrada. Ele paralisa um segundo, atropela um zumbi.

O carro para, decidimos dar ré, o carro atola sobre corpos de zumbis, sangue e pedaços de tecidos se espalham. Os zumbis da estrada cada vez mais perto.

─Temos que sair daqui! – Daryl grita. – Entrem pela floresta.

Ele me olha, os olhos azuis brilham num azul profundo, só um segundo, um longo segundo que trocamos um longo olhar cheio de promessas.

─Agora! – Daryl determina, salto puxando minhas espadas, abrindo caminho entre os corpos, me afastando enquanto tento no meio da confusão encontrar Daryl, me afastando mais dele quando zumbis chegavam de todos os lados.

─Abby! – Escuto sua voz distante de mim, preciso correr para longe, uma fúria me domina, eu sabia que algo ia mal.

─Te encontro em casa! – Grito.

─Não! – Então o vejo, longe, cada vez mais distante esfaqueando, acertando zumbis com a besta. – Não! – Tyreese o puxando cada vez para mais longe. – Me larga. Abby.

─Vai, vou para a prisão! – Grito dando finalmente as costas para ele e correndo em meio as arvores, rezando para Daryl ter feito o mesmo, corro até não ter mais ar, até que mais nenhum zumbi pudesse me alcançar.

Paro buscando ar, preciso pensar, tenho que achar um carro, voltar para prisão antes que Daryl fique maluco. Corro para a estrada, a horda seguia o caminho oposto e me sinto segura.

No meio da estrada um pequeno acidente, três carros parados, um deles tem que funcionar. Com o coração aos pulos me aproximo. Os gemidos chegam aos meus ouvidos antes que pudesse vê-los, então um grupo deles saia da floresta. Não vou correr, quero os carros, quero voltar para casa, quero encontrar Daryl.

Puxo mais uma vez as espadas, corto cabeças, dilacero braços e pernas, a cada segundo mais esgotada, tomando cuidado para não ficar cercada, então uma viatura surge, soldados descem, tiros são disparados, não estou em condições de recusar ajuda.

Eles se aproximam, minha espada crava o crânio de um zumbi que avançava, eu o chuto para longe enquanto puxo a espada de volta, então sinto um baque na cabeça tudo escurece.

Notas finais
Então, agora por uns capitulos eles vão ficar separados, vivendo aventuras diferentes. Mas depois prometo fofuras. Beijos