Hell Between Us
46 Capitulo 46 - Promessa
Notas iniciais
Pov – Daryl
Não acredito que aquele palhaço do tal Cliff achou que podia tentar a sorte com a minha mulher, minha vontade é dar um bom soco nele assim que descer do carro, ingrato estúpido, eu o trouxe conosco, dei abrigo quando bem podia tê-lo deixado no meio da rua tentando a sorte.
A prisão se anuncia e procuro controlar a raiva, se ele pensa que pode se aproximar de Abby apenas por que não andamos pendurados um no outro como aqueles adolescentes que vivem na prisão está muito enganado.
O portão se abre e Rick acena quando passo, estaciono no lugar de sempre e descemos. Abby entrega a mochila com o leite para Rick que sorri em gratidão, apertamos as mãos e ele se afasta.
Pego a mão de Abby depois de colocar a besta nas costas. Ela me olha confusa quando caminho pelo meio do pátio de mãos dadas com ela.
─O que deu em você? –Me pergunta e dou de ombros. – Sam está rindo de mim.
─Aguente, é isso ou dou um soco naquele imbecil.
─No dia que um homem me irritar a ponto de merecer um soco eu mesma providencio. – Sorrio, a mulher é mesmo um furacão, não duvido que faria isso.
─Não é por você, é por mim.
Ela gosta de ouvir, sinto pelo sorriso que me lança, fica tão mais bonita quando sorri, mesmo isso parecendo impossível.
─Se alguém te irrita ameaça as orelhas.
─De modo algum, as orelhas e a língua são para os que me importo.
─E não tem ninguém que te importe mais do que o Sam. – Soa como uma crítica, talvez seja.
─Isso é sério? – Ela diminui o passo. – Quer dizer, entendi direito? Quer comparar esses sentimentos? – Olho para Abby, ainda seguro sua mão, mas agora estamos frente a frente. – Sam é um garoto, eu cuido dele, você é meu... – Abby olha para nossas mãos, agora é questão de honra, não solto.
─Seu o que? – Insisto.
─Meu companheiro? – Isso é um bom jeito de nos descrever, aceito.
─Vem, vamos entrar. – Ela me acompanha. – Você é muito maternal.
─Não sou maternal porra nenhuma! – Me responde brava, só na cabeça de Abby ser chamada de maternal é uma ofensa. Aperto sua mão, ela acaba por sorrir, olha nossas mãos entrelaçadas.
Abby fixa o olhar no caminho a nossa frente, está absolutamente constrangida por andar de mãos dadas comigo, se eu não estivesse me sentindo tão idiota quanto ela, talvez pudesse até ficar ofendido.
No refeitório sinto um leve choque em Carol, mas ela parece disfarçar, Beth por outro lado sorri. Maggie estava por perto, mas não demonstra qualquer estranheza.
─Chegaram! – Beth abraça Abby que solta minha mão para devolver o abraço. – Que bom, fiquei preocupada, sempre fico.
─Correu tudo bem. – Abby mente apenas para tranquilizar a amiga. – Vou subir.
─Ei e a gente, não ganha abraço não? – Sam entrava seguido por Larissa.
─Menos! – Abby responde, mas não pode escapar dos braços de Sam, ele sussurra qualquer coisa em seu ouvido, ela devolve com uma careta, ganha um beijo de Larissa e sobe em direção a nossa cela.
As pessoas se dispersam, eu fico onde estou, me sirvo de uma xicara de um chá qualquer que borbulhava numa panela, Carol para ao meu lado me olhando de um modo estranho.
─Você de mãos dadas... Não sei Daryl, não acho que seja o tipo que está pronto para perder pessoas.
─Não sei onde quer chegar. – É bom colocar um ponto nisso.
─Que você é um homem muito fechado, que foi magoado.
─Para com isso Carol! – Reclamo, detesto ser o assunto.
─Vê, nem consegue tratar disso, ai se enfia numa relação, toma coragem para andar de mãos dadas, e se perder ela?
─Não vai acontecer.
─Você sabe que isso é mentira, que não pode garantir nada.
─Vou limpar minhas flechas. – Aviso para me esquivar do assunto.
─Ao menos pense nisso e fique pronto, até te ver entrando aqui de mãos dadas coisa que jamais passou pela minha cabeça eu não estava preocupada, mas agora estou. Gosto de você, sabe disso, mas esse lugar o que construímos é muito importante.
Já tinha dado uns passos para longe, mas volto até ela, que droga de assunto é esse que não estou entendendo.
─Do que está falando? Ainda com essa história que não confia em Abby?
─Ainda? Daryl o que ela fez para merecer minha confiança?
Passo a mão pelo cabelo, começo a me sentir preso, andar de um lado para outro.
─Você bloqueia Abby, não dá espaço para conhece-la, mas ela está conosco, limpou esse lugar, vem mantendo ele, não vê isso?
─Vejo, mas também vejo que um dia ela pode simplesmente lhe dar as costas e sumir, que ela é inconstante, e se isso acontecer? Ainda vamos ter você aqui? Essas pessoas precisam de você.
─Vou estar aqui para proteger essas pessoas sempre que for preciso, e Abby também vai estar.
─E se ela não estiver? – Me aproximo de Carol, olho fixo para ela, quero que entenda.
─Ela vai estar.
Depois considero a conversa encerrada e sigo para as escadas, subo com passos pesados de irritação, Abby me encara quando entro na cela, seu olhar demonstra preocupação.
─Com o que está bravo? – Me pergunta assim que entro, olho para ela confuso, ela mal me viu, como pode saber que estou bravo?
─Como sabe disso?
─O andar pesado quando subiu.
─Conhece meu andar? – Fico surpreso, reconheço o som dos passos de Abby, mas sempre achei que isso fosse algum vicio de caçador.
─Sim. Eu sempre sei quando é você.
Me sento a seu lado depois de depositar a besta no chão, ela larga as espadas e sem que espere vem para meus braços.
─Ainda pensa em deixar esse lugar? – Abby me encara com a testa franzida.
─Estranho.
─O que é estranho?
─Que justo hoje, quando finalmente consegui admitir que esse é meu grupo, que essas pessoas são importantes para mim me faça essa pergunta.
─Desculpe, mas as vezes custo um pouco a acreditar e penso que um dia pode simplesmente ir.
Não queria admitir que as palavras de Carol tinham mexido comigo, ela suspira, se encosta em mim, envolvo Abby.
─Sabe toda luta que travei, tudo que venci, não gosto que duvide de como me sinto, quero estar aqui com todas essas pessoas, ajudar a cuidar delas.
─Decidiu isso hoje? – Abby se afasta de mim, me olha um pouco magoada, me arrependo da pressão que estou fazendo. – Esquece isso.
Tento puxa-la, mas ela se mantem afastada, se esquiva de mim.
─Não. Agora vamos esclarecer isso. Decidi quando admiti para mim e depois para você que eu te amo. Não é pelo Sam ou Larissa, aqueles dois estão comigo e pronto, se um dia quisesse ir embora eu apenas os levaria comigo.
─E eles iriam.
─Sim, eles iriam, mas você não, por isso decidi dar uma chance a esse lugar e as pessoas que vivem aqui.
─Então é por mim?
─Um pouco, ou no começo, depois aprendi sobre essas pessoas, mesmo que apenas de olhar de longe elas vivendo, quero que vivam e sim, me dei conta disso por completo hoje, foi quando achei o leite de Judy, quis chorar só de ver as latas.
Sorrio, ela pode xingar o quanto quiser, mas é sim maternal, seus instintos de proteção são visíveis e ela não consegue esconder.
─Não sou maternal! – Abby reclama.
─Não disse que era. – Me defendo.
─Mas pensou. Não vou a lugar nenhum, entende? Não vou a lugar nenhum, amo você e quero ficar aqui, nessa prisão, com você e o resto do grupo.
─Acredito.
Abby volta para perto de mim, com as pontas dos dedos, mais uma vez brinca com meus traços, seus olhos que estavam escuros clareiam um pouco.
─Isso é uma promessa, não quero e não vou ficar longe de você, se algo nos separar não é por meu desejo.
─Então nada vai nos separar, se acontecer caço você, dia e noite.
─E vou estar a sua espera. – Acredito na força de suas palavras e mais ainda na certeza que vejo em seu olhar.
─Eu amo você Abby Coleman.
─Também amo você Daryl Dixon! – Ela me beija, tenta se afastar, mas tomo seus lábios num beijo longo e cheio de promessas.
Nada vai nos separar, Carol não tem ideia do que está dizendo, não sabe que tipo de sentimento nos guiam.
─Foi tolice minha. – Me desculpo com ela, Abby sorri, me beija mais uma vez.
─Não, foi tolice da Carol, vi o modo como ela nos olhou quando entramos de mãos dadas. Entendo, se eu achei curioso, imagine ela.
─É tão linda, tão perspicaz.
─Hum! Gostei disso. – Ela brinca um tanto meiga, Abby tem tantas faces, está sempre me surpreendendo, beijo seus lábios macios, quando me dou conta estamos deitados. – Gostei de andar de mãos dadas, me senti...
─Uma princesinha republicana. – Brinco com ela que fica corada, mordo seu lábio.
─Um pouco, é que me lembrei da adolescência no quarto rosa, dos diários com frases de amor, dos sonhos de menina, perdi tudo nos anos que vieram depois e as vezes você traz isso de volta, então é como pular todo o tempo ruim, quase como se ele nunca tivesse acontecido.
Ela se emociona, não falo muito de mim, mas ela se abre tanto, e me deixa tão a vontade para me manter em silencio, quase como se estivesse esperando que um dia eu apenas pudesse me abrir, mas ainda travo quando é sobre mim.
─Gosto da princesinha republicana, tanto quando da rainha do apocalipse.
─Ela fica sumindo toda hora, tenho medo que um dia desapareça de uma vez.
─Confio na altivez da rainha, sei que ela mora ai dentro e que quando for preciso ela vai estar aí, pronta para a ação.
─Vamos torcer. – Seus olhos verdes brilham tão intensos que fazem meu coração saltar.
─O que o Sam te disse?
─Que estávamos parecendo um casal de namorados, essas tolices dele que vive querendo me ensinar.
─A gente devia tentar aprender.
─Estamos tentando.
─Acho que fomos bem, tirando o choque, se estivesse abraçado com um zumbi as pessoas não estranhariam tanto.
Temos uma crise de riso, ela some quando nossos olhares se cruzam, então nos perdemos na paixão que nos deu força para chegarmos até aqui.
Cada vez que escuto seus gemidos e suspiros sinto que me ama, que estamos juntos e que é para sempre, mesmo que esse sempre dure mais um dia.
─Já deve ser noite. – ela me diz deitada em meu peito, minha mão segurando a dela, seus cabelos espalhados sobre mim.
─O mundo acabou, isso não importa mais.
─Não, às vezes acho que nada mais importa.
─Estarmos aqui importa.
Ela me sorri, se move para me olhar, me beija os lábios, depois se encosta de novo.
─Com fome?
─Não, só quero ficar aqui assim, é tão bom.
─É.
─O céu estava tão carregado, acha que será um bom inverno? Que a horta do Hershel vai nos manter?
─Acho que não vamos ter grandes problemas, podemos superar qualquer coisa.
─Deve nevar em breve.
─Pode ser.
─Daryl, acha que vamos suportar ficar aqui dentro dias e dias? Quer dizer, nós dois presos aqui sem as ruas e a adrenalina.
─Bom, podemos quem sabe gastar o tempo por aqui mesmo.
─Sempre achei que era um grande estrategista, começo a me animar.
─Bom saber. Quer dizer que Judy te fez ver que é parte da família?
─Sim, vamos ver se a família me aceita.
─Boba! – Beijo Abby, a envolvo mais. – Já aceitaram.
─Menos a Carol.
─Carol anda meio cega para tudo que não é esse lugar e a segurança dele.
Ela suspira, fecha os olhos em silencio, sinto que ela sente ciúme, me lembro dela me perguntar se sentia ciúme de Sam, de dizer que eu não sabia como era, mas agora eu sei, Cliff me mostrou e ainda não decidi se posso evitar o soco que ele merece.
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