Hell Between Us
32 Capitulo 32 - Sempre tentando
Notas iniciais
Pov – Abby
─Beth, pode me emprestar as coisas para eu refazer esse curativo? – Beth sorri quando entro na cela meio atrapalhada ainda depois do beijo.
─Claro, senta ai – Ela me aponta o beliche, eu me sento e ela me entrega uma caixa – Quer que faça isso?
─Não precisa, consigo sozinha, só vou limpar e trocar as ataduras.
─Tudo bem! – Beth ria animada.
─O que foi? – Pergunto quando ela se senta ao meu lado.
─Eu vi o beijão ali no corredor, achei romântico.
─Ah! Isso, eu... Beth não sei conversar sobre essas coisas, vá procurar uma garota para isso.
─Você é uma garota, e não é toda fria como gostaria de ser, além disso são feitos um para o outro.
─Ok Beth, agora me deixa fazer esse curativo em paz – Não fico a vontade falando sobre isso, tenho medo de falar demais e ela acabar descobrindo que me apaixonei por Daryl.
─Será que pode ficar um pouco com a Bravinha enquanto resolvo uma coisa importante, meia hora.
─Eu? Ela não tem um irmão, um pai?
─Judy não vai incomodar, ela está bem, se chorar é só distraí-la um momento ou chamar o Carl.
─Não se sente presa?
─Por assumir Judy? – Beth pergunta sorrindo para a pequena que brincava com as mãos distraída – Não, as pessoas estão todas fechadas em si mesmas, só olhando para a própria dor, só tentando sobreviver, manter os outros vivos, mas ela é parte do grupo, cuidar dela é um trabalho digno, e importante, não me sinto menor por isso, me entrego a ela mesmo sabendo que um dia posso perde-la, pouca gente está disposta a isso.
─Sim, acho que está certa, apenas achei que podia querer mais.
─Eu quero, quero me defender, quero estar pronta para lutar se for preciso, mas também quero cuidar da Judy, sabe Abby, gosto de ser uma garota, você também gosta, podemos ser duronas e ainda sermos garotas.
Ela está certa, vivo tentando ser assim, me magoa quando me tratam diferente, quando Daryl me trata diferente disso, sorrimos uma para outra.
─Não demora! – Ela me sorri e deixa a cela, suspiro, ignoro Judith, é um bom jeito de não me envolver demais, não sei lidar com bebês, são lindos e delicados demais para mim.
Retiro o antigo curativo, passo iodo, os dois ferimentos começam a fechar, ficará marca, mas não me importo, não será a primeira nem a última, preparo novos curativos e então quando já ia começar a fechar, Judy se faz notar, começa com um resmungo e em um minuto já é um choro alto e forte.
Pego a pequena no colo, balanço, ela se acalma um pouco, devolvo na cama e o choro volta.
─Ei pequena, não chora! – Mas ela não para, saio pelo corredor, ninguém a vista – Onde diabos se enfiaram todos? – Volto para a cela, balanço mais Judy, quando ando ela se acalma um pouco, vou de cela em cela em busca de alguém para olhar a pequena.
Encaro a escada, talvez Sam esteja ainda na cama, ou Maggie, andar mancando é irritante, principalmente para alguém como eu que usa o vigor físico como defesa.
─Vamos aproveitar que aquele Dixon não está aqui e subir para ver se achamos alguém?
Começo a subir, sinto uma fisgada na perna a cada degrau, mas não posso ficar sendo carregada o tempo todo, quando chego no andar de cima sinto um liquido quente escorrer pela perna.
─Acho que fiz merda Judy, sim a culpa é sua, porque não está chorando agora? – Olho para a perna, um dos pequenos buracos que a maldita bala fez sangrava um pouco, mas que grande droga, Judy está adorando o passeio, caminho de cela em cela, nada. – Vamos descer e fechar isso antes que me vejam sangrando, dois pontos abertos, olha o que conseguimos com esse tour.
Quando desço, mesmo evitando os movimentos sinto o fluxo de sangue aumentar um pouco, devia ter fechado primeiro, estaria mais protegido e não teria aberto mais uma vez.
Deito o bebê de novo na cama, ela volta a chorar, entre fechar a perna que lateja e sangra e acalmar Judy, escolho o bebê e a ergo nos braços mais uma vez, então Carl se aproxima.
─Eu a ouvi chorando.
─Beth me deixou com ela, mas a pequena quis exercitar os pulmões.
─Sua perna está sangrando – Carl diz pegando a irmã no colo.
─Sim, vou fechar de novo o ferimento.
Limpo e fecho o curativo com Carl me olhando atento, Judith feliz e despreocupada em seu colo.
─Já tomei um tiro uma vez, me lembro muito bem da dor.
─Eu soube, quase morreu não é? Hershel te salvou.
─Foi, sua sorte é que a bala não se alojou, doeu muito para tirar, quer ajuda?
─Não, já acabei, Carl você pode ficar com a sua irmã até a Beth voltar? – Ele afirma e então deixo a cela, subo as escadas de volta para a cama, com raiva e cansada.
O ferimento deve ter sangrado de novo, tem uma pequena mancha vermelha surgindo, me sento no beliche, apoio as costas na parede e fico olhando para o mofo da parede de frente.
Essa droga é só mesmo um buraco sujo, um grande mausoléu isso sim, estamos todos mortos, até aquele pequeno e indefeso bebê, como fui cair nessa de me envolver com essas pessoas?
Como fui me apaixonar por ele? Isso até que não é tão difícil de entender, Daryl é diferente dos outros caras, tem seu lado forte e impetuoso, não tem medo de arriscar a vida pelos outros, faz o que precisa fazer sem questionar se vale ou não a pena.
Mas também tem aquele outro lado confuso, tímido, tão perdido e deslocado quanto eu, atrapalhado e inexperiente, ficamos os dois lutando para dar certo e nem sabemos muito onde estamos indo, se vale o esforço, a qualquer momento um de nós pode cair.
Me arrepio só de pensar, não sei se suportaria, sinto falta dele mesmo ele estando por perto, imagine... Balanço a cabeça para afastar o pensamento, o que ele diria se contasse a ele como me sinto?
Acho que correria quilômetros até ter certeza que estou longe o bastante, Daryl Dixon não está à procura de amor, definitivamente não está, mas então porque ele está tentando fazer dar certo?
A perna lateja um pouco e olho para os comprimidos, não quero mais tomar aquela porcaria, deixe que doa, uma hora passa, dor física é algo que conheço e sei que sempre passa, mesmo quando você quer que doa para sempre, no fim ela passa.
Odeio me sentir assim dependente e fraca, odeio não ser dona das minhas escolhas, e odeio mais que tudo que cuidem de mim, que façam parecer que se importam, isso me enfraquece, pensar que não estou sozinha, que se um dia der errado alguém vai segurar minha mão e sei que não vai acontecer.
Queria ser como as irmãs Greene, rir, brincar, andar de mãos dados com Daryl como elas fazem, chorar sem medo, queria não ter que encarar Selena e o ódio que sinto por ela, queria uma vida.
Quando estou com Daryl parece que posso, ele me acalma, me tira desse mundo morto, me faz bem, não sei devolver a ele tudo que me oferece, não posso me abrir de mais, se não vou acabar como uma garota tola e grudenta, podia passar o dia nos braços dele, ouvindo sua voz grave, sentindo sua pele, suas mãos, isso é definitivamente a típica postura de uma garota apaixonada, nunca sonhei em me sentir assim, nunca pensei que no meio dessa droga toda meu coração seria a coisa que mais tomaria meu tempo.
─Subiu sozinha? – Daryl surge na cela, penso em dizer que fiz isso duas vezes e que me ferrei por isso, mas com o susto de sua presença eu só afirmo.
─Sim.
─Está sangrando? – Ele pergunta ao olhar o curativo, se senta ao meu lado e não esconde a preocupação – Custava me esperar?
─Estou bem, não é nada, já melhorou, eu limpei e estou bem.
─Eu já estava vindo Abby, ou podia pedir a alguém que me chamasse.
─Daryl pode parar com isso, me deixa... Não gosto que se preocupe tanto, que cuide tanto de mim.
─Não? – Posso ver seu claro desapontamento, me sinto confusa, não sei lidar com o que sinto por ele.
─Tenho medo de me acostumar e um dia você me deixar depois de um beijo na torre.
Pronto, falei, não adianta, aquilo martela minha alma, me consome, tenho medo de perde-lo, tenho um medo maluco de um dia ele me deixar, se cansar, nunca tive nada nem perto do que temos ou tentamos ter, e foi um longo caminho até trancar tudo e não ter mais nada a perder, e então ele reabriu tudo e bagunçou e tirou as coisas do lugar e não sei se quero arrumar tudo de novo ou se posso mandar tudo para o inferno e me entregar.
─Não confia em mim. – Eu estrago tudo, sempre faço isso, deve ser algum carma, magoo as pessoas, estava tudo bem e tinha que abrir minha boca.
─Acho que... acho que sou eu, não você, porque não sou como as outras garotas e isso vai acabar estragando tudo.
Ele ri, um riso amargo, olha para o chão, os cotovelos sobre os joelhos numa atitude cansada, me olha meio de lado, depois volta a encarar o chão.
─Não sou como os outros caras, sou bem intratável na maior parte das vezes e sabe disso, então talvez você desista primeiro e mesmo correndo esse risco eu tentei.
─Está usando o passado – Pronto Abby, estragou tudo, era o que queria, não adiante ficar arrasada agora, você provocou isso, não ele.
─Não queria mulher nenhuma na minha vida, estava todo dia esperando a morte, me arriscando por todos porque não tinha nada a perder, e isso parecia ser bom, era um bom jeito de não temer, mas então você apareceu e não planejei, não quer cuidados, não quer excessos e não sei como me adaptar, eu tenho coisas em mim também Abby, um passado, não é fácil para mim.
─Nunca fala.
─Porque ao contrário de você, eu quero esquecer.
Desvio meu olhar, devia buscar o mesmo, mas com aquela mulher aqui não consigo, ela esfrega o passado na minha cara dia e noite.
─Eu estava tentando cuidar da Judy para a Beth, então minha perna sangrou, me senti incapaz até de cuidar de uma criança, me senti sozinha também, minha mente começou a criar monstros, ou apenas liberta-los, sim eu tenho medo de desistir de mim, e fico pintando esse quadro na minha cabeça e me movo para longe quando devia me mover para perto.
─Até ir atrás de você na cabana eu não sabia o que estava acontecendo comigo, todas as coisas que fiz até ali era apenas reflexo da minha luta interna, tentando não sentir.
─Quando chegou eu sabia que voltaria com você.
─Sei disso, enfrentei meus fantasmas para ir até lá, para sequestrar sua mochila, tomei uma decisão que ia contra quem eu achava que era, fez o mesmo quando ficou, mas está sempre a um passo de partir.
─Não estou – Sou firme, me movo para perto dele, Daryl me olha – Não estou, esse é o ponto, não posso, não tem a menor chance de partir de mim e por isso tenho medo, a garota que você se sentiu atraído, a mulher forte e arrogante está me deixando, quanto mais perto de você mais longe dela, e quando ela sumir talvez você se canse.
─Essa mulher não me interessa, não vê isso? Eu te vi despedaçada, sem máscara, lá na cabana, e tem você de verdade quando estamos... Você sabe o que quero dizer, é essa que me atrai, que eu... que eu quero.
─O tiro...
─Não é o tiro que está te deixando assim, nem a Selena, é você querendo voltar a vida, só isso, a mulher forte e arrogante é quem você precisa ser para sobreviver aqui e tudo bem, todos nós nos tornamos um pouco assim, mas se usar isso entre nós então não temos nada, só uma mentira, mais uma entre tantas que nos cercam.
─E se eu ficar uma garota grudenta e dependente?
─Vai me fazer rir, e tripudiar um pouco, mas eu não estou muito longe de me tornar um cara assim, ando aceitando conselhos de adolescentes.
─A Beth e o Sam deviam cuidar da vida deles, mas eu também ando aceitando conselhos de adolescentes.
Eu me aproximo mais, não quero ficar sem ele, não quero deixar Daryl com medo ou limitado, tomo a iniciativa de beija-lo, mesmo com medo de ser chamada de louca, ele me envolve a cintura, é cuidadoso ao me puxar para seus braços e quando vejo estou em seu colo e estamos trocando um longo e envolvente beijo.
Um dia ainda tomo coragem e conto a ele que o amo, por hora basta que eu saiba disso, ele tem uma mão espalmada em minhas costas, a outra repousa sobre meu quadril, o beijo se intensifica, me colo mais a ele que me aperta, a mão desce em direção a coxa, sinto um arrepio pelo corpo quando sua mão toca a pele nua, meu coração dispara.
─O que é isso? – Ele me afasta e a mão está suja de sangue, olhamos os dois para minha perna.
─Droga, nem sei fechar direito uma porcaria de ferimento, dois pontos se abriram da primeira vez que subi as escadas.
─Da primeira vez? – Daryl pergunta bravo, estava tudo perfeito demais, era obvio que meu carma se manifestaria para estragar tudo.
─Eu estava com a Judith, ela estava chorando, fiquei atrapalhada, não sabia o que fazer, tinha sumido todo mundo.
Algo passa por seu olhar, ele sabia onde estava todo mundo, isso posso notar, ainda estou em seu colo e ele apenas se ergue me levando com ele.
─Onde está indo?
─Levar sua perna para o Hershel.
─Não quero ir.
─Adoraria levar só ela, mas como ela ainda está grudada em você terá que ir junto, mas não se preocupe, se continuar assim logo vamos ter que arranca-la fora.
Me calo, eles são esse tipo de gente, Hershel e Merle que o digam e não quero perder nenhuma parte de mim.
Hershel refaz os pontos, resmunga que tenho que ter mais cuidado que mais uma vez e vou ficar com uma boa cicatriz, dou de ombros, não ligo a mínima para o tamanho da marca, depois ele me libera, deixo a cela sozinha, Daryl sumiu e sigo para o pátio.
─Ei X, finalmente saiu daquela cela! – Sam surge ao meu lado, passa um braço por minha cintura, me apoio um pouco nele e nos sentamos no banco – Essa merda não vai sarar nunca mais?
─Pelo visto não, abri dois pontos.
─Já arrumou?
─Hershel fez isso – Daryl está nas cercas acertando uns zumbis e conversando com o Rick. – E você Sam, como vão as coisas?
─Indo, tudo bem eu acho, e você, se entendendo com o namorado que não posso chamar de namorado se não fica brava?
─Daryl é um cara sensível, as coisas estão indo bem, se ajeitando.
Sam toca minha testa, depois sorri, eu olho para ele sem entender.
─Acho que o processo começou, seu cérebro está começando a se danificar e logo será um zumbi. Daryl é sensível?
─Mais que você. – Eu digo rindo ─ Está tudo bem Sam, mais do que esteve em qualquer outro momento entre a gente, eu acho.
─Sabe o quanto sou grato não é? Por tudo que fez e faz por mim?
─Não vai começar com isso vai? Eu até entendendo essa conversa surgir quando estamos prestes a morrer, mas agora estamos seguros, então não começa Sam.
─Eu sei, a gente já achou que era o fim algumas vezes e nos saímos bem, mesmo assim quero que saiba que amo você Abby.
Ele passa seu braço pelo meu e entrelaçamos os dedos.
─Também te amo garoto, já te disse isso mais de uma vez.
─Eu sou forte, atiro muito bem, ainda não sou bom o bastante com facas e no corpo a corpo, mas sou bom o suficiente para me virar.
─É muito forte e odeio essa conversa, não estou num bom momento para cenas dramáticas, então vamos parar com isso.
─Está certo X, me diz, quando vai contar a ele que o ama?
─Um dia.
─Acaba de confessar – Ele me dá um empurrão no ombro.
─Não foi sem querer, eu quis te contar seu bobo, mas vê se fica de bico calado.
Ele não reclama, depois começamos uma conversa sobre seu namoro com Beth, o trabalho preferido dele na prisão e coisas bobas do dia a dia, memórias de momentos engraçados que passamos juntos.
É bom passar o resto do dia com Sam, Daryl passa por nós algumas vezes, sempre para e pergunta se estou bem, se estou sentindo dor, a cada parada Sam faz caras e bocas, cada vez que ficamos sozinhos de novo ameaço suas orelhas, só arranco risos dele.
Quando anoitece e as pessoas se reúnem no refeitório eu me sento ao lado de Daryl, Sam decide que chega de mim e vai ficar com a namorada, sinto um clima meio confuso entre as pessoas, com trocas de olhares que não compreendo, não sei se isso é apenas a minha mente criando mais monstros ou se tem algo que não sei acontecendo.
─A gente pode subir se quiser, deve estar cansada.
─O tédio cansa mesmo, não tem ideia, sinto falta de fazer exercícios.
─Vem, quando sarar você volta para a academia.
Ele tenta me pegar e eu o afasto.
─Quando chegar na escada! – Anuncio e ele aceita, o homem trabalhou o dia todo, não quero ser carregada por ele além do necessário, que na verdade é hora nenhuma, era só subir devagar, mas isso eu sei que ele não vai aceitar.
Quando me deito encostada em seu peito ele me envolve, daqui a pouco começa a brigar comigo que estou sobre a perna e que resmungo de dor e me obriga a virar, mas por enquanto me aceita em seus braços.
─Tem algo que preciso contar – Seu tom é grave e me assusta, olho para ele preocupada – Passei o dia pensando se devia ou não dizer, mas mentir não é um bom jeito de começar nada e não quero que fique cega sobre o que está acontecendo.
Primeiro acho que é sobre nós, que Daryl vai me confessar uma traição, depois me sinto ridícula e logo vejo que o que quer que seja o está deixando aflito, deixando todo grupo aflito.
─Certo, deu para ver que tem algo acontecendo, o que é?
Daryl me fala sobre Mike, Beth, um grupo lá fora prestes a nos atacar e o plano de resolver tudo numa emboscada.
─E eu fico aqui? – Não estou acreditando nisso – Você, o Sam e a Beth lá fora, todas as pessoas que mais me importo e eu aqui? ─ Ele não pode achar que vou aceitar isso.
─Sim, eu sinto muito, mas se for vai nos enfraquecer, sabe disso.
─Me deixa ir até lá, eu e Selena frente a frente, tiro tudo dela.
─Não, vamos seguir com o plano, é nossa melhor chance.
─Isso é culpa minha, eu vou. Atiro bem e tenho minhas espadas, vou e pronto.
─Você fica e pronto, não pode correr e lá fora sempre termina em correria.
Abraço Daryl, um turbilhão de coisas em minha cabeça, um medo sem fim por eles, um ódio alucinante por aquela mulher, tudo misturado e fervendo dentro de mim.
─Beth e Sam...
─Beth é peça importante, e Sam é namorado dela, quer estar perto nesse momento e foi treinado por você, então não podemos abrir mão de um homem forte lá fora.
Daryl me envolve, mal consigo controlar a tensão, o medo, e a vontade de sair daquela cama e acertar um golpe fatal em Selena.
─Não consigo ficar aqui enquanto se arriscam, não pode me pedir isso. ─Tento me levantar e ele me segura firme.
─Se você não existisse Selena ainda estaria fazendo o mesmo, não é sobre você e ela, claro que ela tem algo guardado para você, mas não vai, vai ficar aqui, se tudo der errado eles virão e ...
─E vão tomar a prisão e eu estar aqui não vai mudar isso.
─Eu sei, mas podemos vencer e então tudo fica bem, você se recupera e seguimos em frente com nossas vidas a espera do próximo inimigo.
─Daryl não quero que vá! – Sei que é tolice, que ele nunca ficaria, mas eu tento.
─Desculpe, não posso atender a isso.
Me calo, não tenho nada mais a dizer, só fico ali, encolhida e culpada, cada passo que damos nos leva a algo maior, se não tivesse sido imprudente talvez agora estivesse pronta para seguir com o grupo.
─Vamos sair ao amanhecer, então só vamos aproveitar esse tempo que temos.
Ele me pede e concordo, não tenho escolha a droga desse mundo nunca me dá escolhas, Daryl me beija, me esqueço da perna, da dor e me entrego a seus carinhos, quero gravar cada segundo de como é estar em seus braços.
─Abby sua perna – ele tenta se afastar, eu impeço.
─Não se afasta, não agora, podemos ser cuidadosos, estou bem.
Vejo o desejo arder em seus olhos quando ele apenas afirma tomando meus lábios, não pode ser a última vez, não seria justo, mas esse mundo não conhece justiça e isso só me faz sentir mais entregue a ele.
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