Hell Between Us
28 Capitulo 28 - Ela nunca se rende
Notas iniciais
Pov – Daryl
Sinto os dedos de Abby fazendo pequenos círculos em meu peito, é um jeito diferente de acordar, diferente de um jeito bom, fico ali, calado e de olhos fechados, o que parece estranho para mim.
A primeira coisa que quero todas as manhãs quando abro os olhos é sumir daquela pequena e claustrofóbica cela, saio em busca de ar e sol e hoje simplesmente não tenho nenhum desejo de deixar esse pequeno espaço que divido com ela.
Abro os olhos, ela ainda está em meus braços na mesma posição em que pegamos no sono, sente que acordei e para o que está fazendo, me olha e os olhos ainda estão claros e brilhantes.
─Desculpe! Te acordei?
─Não, acho que dormi mais do que de costume! – Isso foi mesmo, mas também fomos dormir mais tarde que de costume, o que nem de longe foi ruim, ela não se move, continua em meus braços, imóvel e silenciosa, minha mão descansa em suas costas, sinto a pele delicada de Abby e gosto de como o apocalipse não consegue vencer sua beleza.
─Acha que o Hershel ficaria bravo se ensinasse a Beth a usar minhas Sai? – Ela pergunta e gosto do tom suave da sua voz quando está calma.
─Acho que não, mas achei que nunca deixaria alguém usar suas espadas.
─Não sou possessiva! – Ela diz afastando os cabelos um pouco do rosto, depois a mão volta a repousar em meu peito.
─Não?
─Com objetos eu quero dizer, não com... – Ela se cala e se pudesse ver que estou sorrindo ficaria brava, mas ela não me olha.
─Entendi.
─Quem é a Carol para você? – Pergunta estranha, eu penso, meio sem sentido, franzo a testa pensando um segundo, acho que demoro para responder porque ela me olha em busca de uma resposta.
─Do que estamos falando? – Pergunto só para ter certeza.
Ela volta a se deitar em meu peito, essa coisa de relacionamento tinha que ser mais fácil.
─De eu não ser possessiva só com objetos – Ela está com ciúme da Carol? Que coisa mais maluca, mas é bom, vasculho dentro de mim e parece uma boa sensação, ela volta a me encarar e como seu olhar escureceu um pouco é melhor responder de uma vez e ser convincente.
─Carol é parte da família, uma amiga, não é nada mais, nunca foi, ela é sim uma das pessoas mais próximas, uma das primeiras com quem me dei bem, mas só isso.
─Entendo. Às vezes acho que é mais do que isso para ela.
─Nunca percebi, e não... isso é um problema?
─Um pouco.
─Mas ela não está aqui, você está, nunca sequestrei a mochila dela para traze-la para perto de mim.
─Eu sei, talvez seja só impressão minha, mas é que ela o conhece bem, tem essa coisa de serem uma família e talvez ela pudesse contar com a torcida do seu grupo e... Esquece, sei lá o que anda acontecendo comigo, vamos sair dessa cama que temos mesmo muito o que fazer.
─Espera! – Eu a seguro quando ela tenta se levantar, ela me olha, quando me encara assim me revira por dentro, me desperta emoções que não conheço e não sei lidar, mas fico desesperadamente tentando aprender – Não está em risco, nunca esteve, sei o que eu quero.
Ela volta para meus braços e como as palavras sempre travam um pouco eu a beijo, é bom poder beija-la assim, só um beijo, nem sempre tem que terminar em sexo e isso é algo que temos que aprender, depois olho para ela e tudo parece de novo tranquilo.
─Vamos, combinamos de andar por aí e quanto antes melhor.
Ela fica pronta primeiro, acho mesmo que está louca para fugir de mim, Abby está se abrindo e isso a confunde.
─Te espero lá em baixo! – Ela caminha para o corredor e penso que devia fazer o mesmo, ela não sabe nada sobre mim, não conhece meu passado, deve achar que sou apenas um ogro idiota, nem imagina que carrego meus traumas também, mas falar de mim é algo que não aprendi, nem com o Merle eu conseguia.
─Merle não é exemplo! – Digo em voz alta saindo logo depois dela, escuto o choro de Judith, observo Abby parar na porta em dúvida e logo depois entrar, diminuo o passo, quero ver o que vai fazer com Judith, paro na frente da cela, ela não me vê.
─Te largaram ai pequena! – Ela se dobra no berço, fico de pé meio distante olhando a cena – Pronto, não chora, a Beth deve estar vindo, vou buscar ela para você – Abby tenta se afastar, a Bravinha, que não é tola, volta a chorar e ela se aproxima mais uma vez – Pronto, que coisa em, como posso chamar alguém se não para de chorar? Quer ir junto? – Para minha surpresa ela pega o bebê, nina em seus braços, aquilo tem poder sobre mim, me deixa perdido por ela, torna Abby feminina, de um modo que me paralisa.
Judith para de chorar, Abby fica olhando para seu rosto enquanto a balança nos braços.
─Não é boa ideia sair por ai com você sabe, as pessoas podem pensar...
─Que você se importa? – Eu digo e ela ergue o olhar, me vê e fica ali, ninando Judith e me olhando, me faz querer o fim do apocalipse mais do que tudo.
─Minha mãe se chamava Judith – Ela me conta e caminho até a cela, me encosto no batente da porta, brinco com a tira que prende minha besta em minhas costas – Assim como ela, eu não conheci minha mãe, tinha meses quando ela morreu, não sei se ela gostava de mim, se algum dia me pegou no colo, não sei quase nada sobre ela, sobre nós.
─Ela te faz pensar na sua mãe?
─Não. Ela me faz pensar em mim.
─Oi! – Beth surge na cela, nos olha um tanto confusa segurando uma mamadeira – Quer dar a ela? –Oferece a Abby a mamadeira, mas Abby nega rapidamente, oferece o bebê a ela que pega a pequena apressada – Ela chorou?
─Sim, eu estava passando e... Eu... Eu só estava tentando...
─Obrigada! – Beth a socorre quando sente sua pequena confusão.
─Vamos? – Convido com um movimento de cabeça e deixamos Beth alimentando Judy.
─Tchau! Cuidado lá fora! – Beth diz e apenas afirmamos.
Rick está trabalhando na horta, Hershel está com ele, o velho insiste que Rick deve largar tudo e virar um fazendeiro, acho que Rick merece um descanso, mas não sei se quer isso, ele anda relutante, eu sei que para mim não dá, detesto esperar.
─Rick! – Ele se ergue e caminha em nossa direção sorrindo, não sei qual a graça e não vou perguntar – Eu e a Abby vamos dar umas voltas lá fora, fazer uma ronda.
─Tudo bem, fico de olho por aqui, ainda a preocupação com o tal grupo que atacou os Samuels?
─Sim, e as meninas, estão bem? – Pergunto e ele afirma.
─Carol está ajudando as duas a se entenderem com todos, está cuidando de todos na verdade, é bom ter ela por aqui, cuidando da integração, do funcionamento das coisas aqui dentro, afinal não é só matar zumbis e comer.
─Quanto menos perigos mais problemas! – Eu comento, já vi um ou dois desentendimentos entre os novos moradores.
─Sim, e acho que ela é ideal para cuidar disso.
─Deve ser, eu é que não sou! – Aviso depois dou um tapa leve em seu ombro e toco Abby nas costas de leve, começamos a andar em direção as grades.
─Acho que não dá para rastrear onde ela foi, mas podemos ter uma ideia, vamos pelo lado que ela voltou.
─Ela não é corajosa, Selena é o tipo que anda com capangas e agride os mais fracos, ela tem instinto de auto preservação muito forte.
─Acha que ela pode estar em busca de aliados?
─Eu fico pensando se ela já não os tem, quem sabe.
─Se for isso cedo ou tarde descobrimos.
─Esse é o problema, e se for tarde?
Ficamos em silencio, gosto de ficar em silencio perto dela, não é um incomodo, é pelo contrário muito agradável, seguimos próximos, vez por outra, meu braço toca o dela, escuto sua respiração, nos olhamos, as vezes, mas na maior parte do tempo prestamos atenção na floresta e em seus pequenos recados, levo minha besta em punho, ela mantem as espadas nas costas.
Sempre auto confiante, sempre achando que vai dar tempo de saca-las antes do perigo a alcançar.
─Sempre vai dar uma olhada na cela do Sam quando acorda.
Não é uma pergunta, não soa como uma e não sei que porcaria deu na minha cabeça para falar disso assim do nada.
─Ainda estamos no tema, não sou possessiva só com objetos? – Ela me pergunta sem me olhar. Respondo com um movimento de cabeça e um resmungo – Vou aceitar esse rosnado como um sim.
Não nego embora ela espere um instante para ter certeza sobre isso.
─Sam é um menino e admito, me apeguei muito a ele, mais do que pretendia, ele é importante para mim, desde que ficamos juntos eu faço isso, ele sempre dormia do meu lado, a primeira coisa que fazia quando acordava era olhar para ter certeza que eu ainda o tinha, agora vou na cela dele e olho, não dei sorte de ter um grupo grande e constante, eu sempre acabava sozinha.
─Só conferindo! – Respondo e ela aceita porque se cala, volto a observação do ambiente e noto pegadas, paro um pouco, me abaixo para afastar umas folhas, tem mais de um dia pelo tanto de folhas que as encobrem. – Acho que pode ser um rastro interessante, um grupo passou por aqui, homens eu acho, pegadas profundas, gente pesada, mais um grupo grande.
─Os caras que atacaram o acampamento?
─Pode ser, mas segue até o rio! – Eu aponto e vamos até a margem, se perde um pouco na altura do rio, se mistura com os rastros de zumbis, tem alguns corpos de zumbis pelo chão.
─Lutaram aqui e pode ser que tenham se dispersado um pouco, seguido separados, se perdido?
─Pode ser que sim, foi um bom grupo de zumbis, eles podiam ter desviado, mas ficaram e mataram.
─O que significa? – Ela me pergunta.
─Um monte de coisas, que são fortes, seguros, que gostam de confusão, todas as respostas nos levam a um perigo eminente.
─Acha que devemos caça-los seriamente?
─Não sei, de qualquer modo estamos falando de um grupo grande e se formos fazer isso não seremos apenas nós dois, precisamos de mais gente.
─Está certo, não é muito inteligente irmos apenas nós dois.
─Vem, melhor começarmos a voltar.
Eu a toco nas costas mais uma vez indicando o caminho, ela volta a caminhar, acho que Abby está certa, tem muita coisa escondida nessa história, não podemos deixar passar, não quero outro governador batendo em nossa porta.
Uns metros depois eu paro, um cervo adulto pastava a beira do rio, dividido entre beber água e mordiscar folhas, eu paro, faço um movimento pedindo silencio a Abby, aviso que vou dar a volta pelas arvores para encurralar o bicho, ela afirma em silencio, só com um leve mover de cabeça.
Com cuidado e em silencio eu sumo por entre as árvores, o cervo vai sentir Abby, mas virá em minha direção porque não tem escolha o rio o impediria de ir em qualquer outra direção.
Armo a besta o mais silencioso que posso, é um belo animal e vai alimentar nosso grupo, gosto de ser o cara que faz isso, que leva comida, é meu jeito de confortar aquelas pessoas, não sei dizer palavras bonitas, nem demonstrar carinho, mas sei caçar e sei matar e isso é o que faço.
─Olha, olha! Mas que belo exemplar! – Escuta a voz masculina e me viro lentamente, um homem apontava uma arma para Abby, estava a um metro dela, me preparo para pega-lo, umas folhas me atrapalham a visão, me movo olhando em volta para ver se está sozinho – Que tal se virar e me entregar as espadas?
Abby se vira lentamente e fica de frente para ele, o cara parece estar sozinho, aponta a pistola, ela o encara firme.
─Cacete mulher, como você é gostosa! – Ele diz impressionado – Sozinha e gostosa desse jeito é muita sorte, vamos lá, me entrega as espadas bem devagar e podemos nos conhecer melhor.
─Não quero conhecer você, cai fora!
─Escuta gostosa eu não dei a sorte de dar de cara com uma deusa para sair sem me divertir um pouco, então me entrega essa porra logo! – Péssima ideia eu penso quando acho uma boa posição para pega-lo.
Mas então as coisas são rápidas e absolutas, apenas três movimentos, é só isso que ela precisa, puxa as duas espadas ao mesmo tempo, uma segue para a mão que lhe apontava a arma, a outra para o peito, a espada corta a mão que se desprende num jato de sangue e um disparo, a outra crava o peito do homem num movimento preciso e então ele cai diante de Abby.
─Merda! – Grito correndo em sua direção quando vejo a perna de Abby sangrando – Eu o tinha na minha mira, porque não esperou? – Grito irritado quando a vejo tocar o sangue que escorre em grande quantidade.
─Desgraçado! – Ela usa a perna ferida para chutar o corpo caído.
─Para com isso sua louca, está chutando um cadáver! – O sangue sai em jatos fortes com o movimento, ela para enquanto tento apoia-la.
─Esse maldito atirou em mim! – Abby se defende, tiro o lenço do bolso, amarro no local, aperto o máximo que posso – A bala atravessou minha coxa, que merda!
─Fica quieta! – Eu exijo, preciso ter certeza que parou de sangrar, a pressão diminui o sangramento – Vamos, esse disparo e todo esse sangue fresco vai convidar uma horda deles.
Pego a arma do homem ainda presa a mão decepada, outra que ele carrega no ombro e apoio Abby pela cintura.
─Eu posso andar sozinha! – Ela avisa recusando ajuda – Cuida da segurança! – Mas um passo muito em falso depois a faz parar pálida de dor – Ok, eu não consigo sair do lugar sozinha.
Apoio mais uma vez sua cintura, ela passa o braço por meu ombro, vamos a passos lentos de volta para a prisão, andamos pelo menos uma hora, vamos levar no mínimo o dobro do tempo se continuarmos assim, a cada passo olho o ferimento, felizmente não pegou nenhuma artéria, ela morde o lábio e imagino a dor que está sentindo, um zumbi surge por entre as árvores, me solto dela para acerta-lo com a faca, depois continuamos.
─Muita dor? – Pergunta para uma Abby completamente pálida e abatida, ela nega com a cabeça, sem força para falar, paramos meia hora depois, não cobrimos nem metade do caminho, ela bebe uns goles de água, aperto mais o nó já que mais sangue começa a escorrer.
─Devia voltar lá e fatiar aquele infeliz! – Me diz sentada no chão apoiada em uma arvore, eu a encaro.
─Olha para mim! – Exijo, ela está pálida demais e fugindo do meu olhar, algumas gotas de suor molham sua testa demonstrando seu esforço – Como está se sentindo?
─Eu estou bem! – Mente de modo claro – Vamos, quero chegar logo.
Eu a coloco de pé, poderia carrega-la, mas então ficaríamos sem proteção, puxo a pistola porque é o jeito mais rápido de derrubar zumbis sem me afastar dela, continuamos a caminhar.
O cara estava muito confiante, devia ser alguém do grupo que descobrimos caminhando por aquelas bandas e torço para não dar de cara com eles agora, paramos mais uma vez, agora ela simplesmente não diz nada, só descansa um pouco, o lenço encharcado de sangue e algumas gotas escorrendo mais uma vez por sua perna.
Tiro meu sinto e prendo por cima do lenço, não temos tempo a perder, ela fica cada vez mais pálida e eu mais assustado, não falta muito agora, se não achasse que ela vai apagar correria até a prisão em busca de ajuda, mas não posso deixa-la sozinha no momento.
Avisto a construção por entre as árvores sinto um alivio percorrer meu corpo, Hershel vai dar um jeito nisso, ela vai ficar bem, só precisa deitar um pouco e fazer um curativo, não tenho nada a temer, estamos chegando.
─Daryl... – Eu olho para ela, Abby segura meu colete, os olhos querendo se fechar, a palidez fantasmagórica me desespera – O Sam, se não der tempo...
─Para com isso! – Que ideia estúpida, se não der tempo? Eu nunca poderia.... Nem consigo pensar nisso.
─Cuida dele, eu...
─Fica comigo abby, não fecha os olhos! – Me desespero quando ela começa a desfalecer em meus braços, eu a ergo em meu colo, apresso o passo, ela fica indo e voltando, perdeu muito sangue.
─Estou cansada, minha visão está embaralhando.
─Calma, não dorme, não dorme! – Ela se encosta em mim.
─Que bom que está aqui! – Diz com a voz enrolada.
Os zumbis que cercavam as grades nos veem, é o almoço perfeito e eles se afastam das grades caminhando para nós.
─Rick! – Grito e então tiros vindos da prisão vão limpando nosso caminho, vejo Rick e Tyresse correndo para nos receber, Glenn, Maggie e Sasha vão atirando nos zumbis sem deixar que se aproximem e então entramos – Um tiro, ela levou um tiro, Hershel! Hershel! – Corro para dentro com ela abrindo e fechando os olhos assustada e confusa.
─Abby! – Sam surge correndo quando entro em nosso bloco – Aí meu Deus, alguém! – Ele grita e Hershel surge apoiado em suas muletas.
─Põe ela na cela! – Ele pede e obedeço, Sam segura sua mão chorando, ela sorri para ele.
─Foi um tiro na coxa, atravessou, mas foi a duas horas ou mais, ela perdeu muito sangue! – Hershel vai soltando as amarras que fiz, ela olha de mim para Sam.
─Estou... só quero... dormir.
─Não morre Abby, não morre, Hershel salva ela.
─Calma Sam, ela não está morrendo! – Hershel responde tranquilo, só está fraca, já vai ficar bem. – Está com muita dor? – Ela nega, nunca admitiria, depois fecha os olhos, se deixa levar pelo sono e me aproximo assustado, Sam a chacoalha, eu a chamo assustado.
─Abby, Abby, não dorme! – Hershel terminava de limpar o ferimento.
─Deixem a mulher dormir pelo amor de Deus, foi um tiro na coxa, um pouco de sangue e nada mais, nem atravessou de um lado a outro, foi transversal, uns dias de molho e ela vai estar ótima!
Aceitamos de má vontade, Hershel termina o curativo sem que ela acorde, eu e Sam em volta dele, depois ele se ergue e me olha com aquela cara de sabe tudo.
─Ela vai acordar com dor e vai precisar de ajudo uns dois dias, mas depois vai ficar bem, mande que tome bastante liquido, me chame se tiver febre ou qualquer coisa.
─Obrigado! – Eu o agradeço e ele nos deixa, Sam se senta no chão ao lado da cama, segura a mão de Abby o tempo todo e eu bem que gostaria de estar ali, mas o garoto está todo choroso e decido não expulsa-lo.
─O que aconteceu? – Rick pergunta baixo e só então eu o vejo na porta.
─Me afastei um instante dela, um cara surgiu, achou que ela estava sozinha, apontou a arma e queria suas espadas, obvio que ela não se rendeu, matou o cara, mas acabou com um tiro.
─Ela nunca se rende! – Sam resmunga.
─Depois falamos! – Rick toca meu ombro e ficamos de novo ali, eu e Sam, eu de pé encostado na parede, ele sentado ao lado dela, segurando sua mão e tentando parar de chorar.
─Se ela não te agradecer direito não fique bravo, ela está aprendendo a fazer isso.
─Pode deixar – ele parece decidido a nos manter juntos a todo custo.
─E se ela não quiser sua ajuda, você ignora e ajuda assim mesmo, ela também não sabe como pedir.
─Acho que já a conheço bem Sam.
─Esse negócio de você ser o primeiro, eu ando achando que vai ser o único então precisa ser paciente.
Outro que tente atravessar meu caminho e vai conhecer minha fúria, mas ignoro o comentário do menino embora adorasse saber porque ele chegou a essa conclusão.
Ficamos calados, ele passa a hora seguinte no mesmo lugar, segurando a mão dela, eu de pé, olhando seu rosto pálido, Beth surge pelo menos duas vezes na cela, nos olha, sorri e deixa a cela, Maggie também aparece para saber dela, depois ficamos de novo os dois assistindo Abby dormir, até que ela se move e ficamos alerta.
Quando abre os olhos meu coração se aquece e fico sem fala, não esperava me sentir daquele modo, e menos ainda que ela grudasse os olhos em mim daquele modo vivo, profundo, e Sam acha que ela não sabe agradecer?
─Caramba Abby, achei que ia virar a bela adormecida! – Ela desvia os olhos de mim, sorri para ele que ainda segurava sua mão – Você fica por ai sem mim e olha o que dá?
─Cala a boca Sam!
─Está com dor? Quer alguma coisa?
─Que vá caçar o que fazer e pare de apertar minha mão.
─Eu devia cortar suas orelhas X e sua língua! – Ele diz ficando de pé.
─Sam eu feri a perna, minhas espadas continuam as mesmas, não brinca com o perigo.
─Posso correr mais que você agora e sonhava em dizer isso, eu vou indo, te vejo mais tarde! – Ele beija Abby no rosto, ela faz um carinho nos cabelos do garoto e ele deixa a cela, finalmente posso me aproximar, sento a seu lado enquanto ela me olha suave.
─Deve estar cansado – Ela diz com uma careta enquanto se encolhe mais para o canto, isso é o mais perto que vou chegar de um convite para me deitar com ela, é melhor que nada e me deito ao seu lado – Obrigada.
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