Hell Between Us
21 Capitulo 21 - Fuga
Notas iniciais
Pov – Sam
Fico feliz com as pessoas novas, isso vai mesmo ser grande, logo começo a ajudar a guardar o que trouxeram arrumar espaço para todos, as pessoas parecem tão fracas e perdidas que me dá pena.
Olho para Rick, ele ajudava as pessoas que de algum modo tinham lutado contra nós, tentando matar sua família, gosto disso nele, gosto disso em todos eles, do jeito humano que ainda conservam.
Beth ajuda uma senhora a se deitar em uma cela, eu a observo, ela me sorri e sorrio de volta, quando a mulher está deitada e confortável Beth vem em minha direção.
─Vai dar certo não é? – Ela me pergunta e afirmo, acho que acredito mesmo nisso, nas chances que temos agora que estamos todos aqui, juntos e reconstruindo.
─Vamos lutar para isso.
Aproveitamos a pequena calmaria para nos sentarmos num dos pátios, é um cantinho meio escondido que nos acostumamos a ficar e que agora era meio que como o nosso lugar especial.
─Foi um alivio todos terem voltado! – Digo a ela que concordo, passo meu braço por seu ombro e ela se recosta em mim, os cabelos escapam de seu rabo de cavalo, ela os ajeita um tanto tímida.
─Foi, tive medo na floresta, pensei que talvez nunca mais veria minha irmã, Glenn, os outros... – Ela se move para me olhar – Você! – Seus olhos me prendem, gosto de como são suaves, delicados, tomo coragem e beijo Beth, ela corresponde, não esperava, mas mesmo assim se entrega ao momento.
Ás vezes um beijo diz muito, esse é um desses beijos, parece que se encaixa de uma maneira perfeita, me faz sentir que pode dar certo entre nós.
Quando nos afastamos está um tanto corada, mesmo assim sorri, toco seu rosto, e sem resistir eu a beijo mais uma vez.
─Beth, acho que devíamos dar uma chance para o que sentimos, eu sei que o mundo acabou, mas vencemos tanto hoje.
─Quero isso Sam, mas claro que tenho um pouco de medo.
─De mim?
─De nós, de nos perdermos um do outro em algum momento dessa coisa toda e eu...
─Pode acontecer, queria dizer que não, mas não posso, acho que pode acontecer e se acontecer, quero ao menos ter coisas boas para lembrar, para me darem forças para seguir em frente, ou para... – Me calo, ela fica a espera de algo mais.
─Para? – Insiste.
─Para levar comigo quando for a hora, deixar aquele momento menos terrível.
─Você está certo, acho que penso como você, mas se pensarmos no pior, se ficarmos o tempo todo esperando que aconteça... – Ela me olha séria – Meu pai diz que não tem porque viver sem ter esperança, então acho que devemos apenas tentar seguir em frente e não pensar muito nisso.
─Juntos? – Eu pergunto e ganho um lindo sorriso em resposta, Beth sabe sorrir e gosto disso, nos beijamos mais uma vez, me comporto da melhor maneira possível, não quero ir longe demais logo no começo, quero que ela se sinta confiante.
─Acho que a gente tem que voltar e ajudar os outros, quero ver se a Judy precisa de algo.
─Beth, acha que devo falar com seu pai?
─Vamos ver, falo com ele primeiro e se achar que é preciso então... – Ela move a cabeça, me diz em gestos delicados que tudo bem.
─Vou procurar pela X, sei que não vai ser nada fácil para ela, se só vocês, já era um problema, imagina toda essa gente?
─Então vamos! – Eu a ajudo a ficar de pé, seguimos de mãos dadas até chegarmos ao bloco, nos separamos depois de um longo olhar e um sorriso cumplice, Abby vai ficar feliz de saber que finalmente estamos juntos.
Passo pelo menos meia hora caçando Abby por toda prisão, nem sinal dela, Daryl também não está e até fico um pouco esperançoso, quero muito que dê certo para ela, que consiga superar as coisas ruins que aconteceram com ela.
─Glenn você viu a Abby? – Glenn abre e fecha a boca, fica logo nervoso, parece procurar por palavras – O que foi? – Fico atento.
─Sam a Abby... Ela foi embora, assim que chegamos, pegou a mochila e se mandou.
Olho para Glenn sem acreditar no que ele me diz, ela não pode ter feito isso, não pode, como pôde me deixar?
Abby estava com medo, eu devia ter pensado nisso, claro que quando se desse conta fugiria e...
─Como pôde deixar Glenn? Ela... Droga! Isso foi há horas! – Ando de um lado para outro, revoltado com ela e com eles que deixaram Abby sair.
─Sam, o Daryl ele decidiu rastrear Abby, acho que ele pode encontrá-la e convence-la a voltar.
─Não, não sei, e se ele... Porque não me disseram, eu...
Sigo para minha cela, não quero ficar aqui sem ela, não quero pensar que Abby está sozinha lá fora, ela é minha família, a única coisa que realmente me restou, fico pensando em como está angustiada agora, que Daryl pode nunca encontrá-la.
─Sam! – Beth surge na cela, se senta ao meu lado, toca meu ombro, quer me dar forças, mas agora tudo mudou, Abby disse que podia deixar acontecer e deixei, mas então ela foi embora e simplesmente preciso ir atrás dela.
─Abby parece o tipo forte, talvez ela até seja um pouco, mas na verdade ela também é frágil, Abby não sabe lidar com os sentimentos, com as pessoas, ela teve medo e foi... Eu preciso encontrá-la.
─Se tem alguém que pode achar Abby é o Daryl.
─Sei onde ela está! – Aviso e Beth me olha preocupada – Sim Beth, eu vou, tem uma cabana há umas horas daqui, Abby foi para lá, tenho certeza, preciso acha-la.
─E se ela...
─Não quiser voltar? Então vai ser assim...
─Sam! – Ela fica tensa, mas não vou deixar X sozinha, não depois de tudo que fez por mim.
─Deixaria Maggie para trás?
─Nunca! – Ela me responde olhando para o chão – Mas acontece que pelo que ouvi... Sinto muito Sam, mas acho que Rick e Glenn decidiram que não vão te deixar sair até o Daryl voltar.
─Não sou um idiota, nem um prisioneiro, muito menos um garoto tolo Beth, nenhum deles pode me prender simplesmente.
─Escuta – Ela me olhava num misto de preocupação e compreensão, pega minha mão – Sei que quer ir atrás dela, entendo isso, faria o mesmo, vou fazer isso com você.
─Não vai!
─Vou, se não é um garoto eu também não sou, posso te ajudar, dois é muito mais seguro, você disse umas horas não é? – Afirmo – Então, podemos caminhar juntos por umas horas e achar Abby, quer ela de volta?
─Claro!
─Então precisa me levar, Abby vai ficar furiosa, mas nunca vai permitir que siga com vocês, vai me trazer de volta e então temos uma chance.
─Ninguém nunca vai te deixar ir.
─Não, por isso vamos escondidos, não é tão difícil sair sem ser notado, Abby foi afinal, conseguimos, espero a madrugada chegar, cedo demais para sentirem nossa falta e próximo do dia para não corrermos tantos riscos na floresta.
─Beth.... Eu não sei.
─Vou com você, apenas não diga nada sobre saber onde ela está.
Ela me beija mais uma vez, depois se ergue, me sorri tão decidida que me dá esperança.
─Se mesmo assim ela não quiser ficar...
─Então acho que não terá que falar com meu pai! – Ela diz com a voz um tanto embargada, depois me deixa sozinho e fico ali, olhando para a parede até a noite chegar, depois desço para o refeitório, Rick vem em minha direção, toca meu ombro.
─Sinto muito Sam, mas o Daryl ainda não voltou e isso deve ser um bom sinal.
─Obrigado Rick, vou esperar por ele.
Rick se afasta e me sento nos degraus do bloco de celas, a mente vazia, Beth se senta comigo, eu a abraço, Hershel passa em direção a sua cela, nos olha um instante, não diz nada, acho mesmo que não se importou, seria bom se ainda tivesse planos, mas não tenho, não sem X aqui.
As pessoas começam a se recolher e faço o mesmo, me deito na cama desconfortável que até Abby partir era o melhor lugar do mundo, mas agora me faz sentir solidão apenas.
Penso nela naquela cabana abandonada, com aquele monte de bebida ilegal e ruim, e se ela desistiu de tudo e bebeu? Se ficou distraída e foi cercada?
Mas o que estou pensando? Abby Coleman nunca fica distraída, ela está bem, vai ameaçar minhas orelhas quando nos encontrarmos e depois sem alternativa, sabendo que não pode me deixar para trás vamos voltar para casa.
No meio da madrugada Beth surge na porta da minha cela com uma mochila nas costas e um molho de chaves nas mãos, me levanto em silencio, deixamos o bloco e depois a prisão, ela toma o cuidado de trancar e deixar a chave pelo lado de dentro.
Passamos pelas grades e pegamos a floresta com os primeiros raios da manhã, um meio termo entre a noite e o dia, parece um pouco como vivemos agora, um pequeno colapso.
─Como conseguiu as chaves?
─Roubei do Rick, ele estava dormindo, não foi difícil, se me visse em sua cela não seria problema, eu podia dizer que ouvi Judy chorar e fui vê-la.
─Esperta!
Ela carregava além da mochila uma faca na cintura e um machado grande, vamos caminhando pelo leito do rio, não estou cem por cento certo de que posso encontrar a cabana.
Quando chegamos lá eu ainda estava meio fraco e quando saímos dela dois dias depois eu ainda estava meio bêbado, acho que fiquei meio bêbado uns três dias, e depois tive a pior e mais longa ressaca do universo, com Abby se divertindo as minhas custas.
─Acha que ela ainda vai estar lá?
─Acho, é o lugar mais próximo porque passamos, ela andaria até lá, ficaria um tempo sozinha pensando na vida e decidindo o que fazer, passaria a noite ao menos.
─Melhor nos apressarmos então! – Ela diz arrumando a mochila nas costas.
─O que leva ai? Quer que carregue?
─Água, ataduras, nada demais, não está pesado.
─Obrigado Beth! – Digo a ela uns minutos depois, ela sorri, pula um tronco de árvore.
─Gostei de fazer isso, não sou nenhum bebê, quero viver minha vida também, ao menos tentar.
─Seu pai vai ficar bravo.
─Maggie só faz o que quer, sempre foi assim, ela o enfrenta e ele não deixa de ama-la por isso, acho que posso confiar no seu amor, mas se a gente encontrar o Daryl pelo caminho ele vai ficar furioso comigo, mas ele fica furioso com tudo então não é grande coisa.
─Espero que estejam juntos! – Digo esperançoso, e meio perdido para ser honesto, definitivamente eu não sei mais se estamos no caminho certo.
─Acha que se gostam? – Ela me pergunta e então paramos um instante para tomar uns goles de água.
─A Abby passou por coisas bem ruins, ele teria que gostar muito mesmo dela para conseguir dobra-la, acho que ele fez algo que a magoou, e não sei bem se ele está disposto a lutar por ela.
─Acho que está, vejo como procura ela com o olhar, e fica confuso perto dela, espero que sim, que fiquem juntos, ele não conta nada, mas dá para ver que sofre.
─Vem, melhor seguirmos em frente! – Eu a puxo pela mão e ela apenas segue andando ao meu lado.
─Estamos meio perdidos não é? – Beth me pergunta uma hora depois e sim, nós estávamos, não tão perdidos, o rio seguia seu curso uns dez metros a nossa direita e era segui-lo e estaríamos de volta a prisão, mas quanto a cabana eu não tinha mais nenhuma certeza.
─Sim, achei que quando estivesse perto eu reconheceria alguma coisa, mas não, eu acho que tudo aqui é absolutamente igual.
─E? – Ela pergunta parando de andar e estava certa, o que eu estava esperando? Que a cabana surgisse diante de mim como um milagre? – Vamos continuar andando apenas?
─Acho que... Não sei Beth! – Digo passando as mãos pelos cabelos, estamos cansados, famintos, e perdidos, Beth não devia ter vindo e eu tenho mesmo é que leva-la de volta e depois tentar mais uma vez – Vou levar...
─Não vai mesmo! – Ela me enfrenta – Não vai me levar de volta, se fizer isso perde Abby para sempre, vamos achar outra maneira!
Beth é o tipo companheira, acho isso bonito, sorrio, dou um passo em sua direção e o sorriso se desfaz quando três zumbis surgem logo atrás de Beth, ela sente a mudança no meu olhar e se vira bem a tempo de juntos acertarmos dois deles.
O machado é pesado e ela apenas consegue deixar a cabeça do zumbi pendurada, eu acerto um, a faca crava seu cérebro e quando volta o outro avançava sobre Beth, ela o empurra, ergue o machado mais uma vez, mas eu o acerto antes.
─Vamos! – Eu puxo Beth e começamos a correr saindo daquele lugar, o zumbi com a cabeça pendurada fica para trás, mas uns metros depois ficamos mais uma vez cercados, agora são mais do que três, não sei de onde estão vindo, mas sei que sozinhos não damos conta deles.
Acerto o primeiro zumbi mais perto de mim, Beth tem mais sorte dessa vez e derruba outro, um deles toca meu braço, passo a faca e o braço cai decepado, eu o chuto.
─Vai Beth! – Grito quando começamos a ficar separados, tem uma brecha, ela pode correr e fugir – Anda, foge!
─Não! – Beth acerto um zumbi, o machado racha sua cabeça, mas fica preso ali, ela fica tentando sorta-lo, um zumbi caminhava em sua direção.
─Sai daí! – agora quatro me cercavam, fico repassando as aulas de Abby.
─Sam! – Beth grita deixando o machado preso a cabeça do zumbi e se afastando do outro que caminhava para ela enquanto ela caçava a faca no cinto, acerto o primeiro que avança sobre mim, empurro o corpo sobre o outro e já são mais dois no chão – Sam! – Beth grita mais uma vez, agora dois zumbis próximos, ela aperta a faca na mão, vai derrubar um, mas então o outro vai pega-la, não consigo me livras deles e chegar a tempo.
─Beth! – Grito acertando mais um, eu a trouxe, não devia, mas fiz isso, eu coloquei Beth ali, cercada pela morte sem chance de vencer, um segundo antes de ser mordida uma flecha atravessa a cabeça do zumbi e no segundo seguinte Daryl e Abby surgem na clareira, as espadas de X saem cortando cabeças, dilacerando corpos naquele ballet elegante que não fosse o sangue e os pedaços de zumbi voando a sua volta seria bonito.
Daryl arma sua besta apenas mais uma vez, acerto o último zumbi ainda meio confuso com a força das espadas de X, corro para Beth, eu a abraço, ela está apenas parada olhando os corpos a sua volta.
─O que faz aqui? – Daryl corre para Beth – O que aconteceu com a prisão? – Ele está desesperado.
─Não aconteceu nada com a prisão, estão todos bem! – Beth avisa, Abby se aproxima com os olhos fixos em mim – Eu vim com o Sam atrás da X, quer dizer da Abby! – Ela diz rápido olhando para Abby que continua nos olhando silenciosa, mas Daryl parece se irritar ainda mais.
─Fugiu? – Ele grita – Ficou maluca? Devem estar todos atrás de você!
─Eu... Eu... – Beth fica sem fala e sem coragem, acho que é minha obrigação defende-la.
─A culpa foi minha Daryl, eu não devia ter trazido Beth.
─A culpa e dela e acho muito bom que ela tenha vindo, vamos embora Beth, deixe que os dois machistas fiquem ai discutindo sobre uma pobre e indefesa mulher! – Abby diz brava, passa na frente de todos e puxa Beth com ela, eu e Daryl apenas trocamos um olhar e sem muita alternativa as seguimos um tanto resignados.
─Foi assustador – Beth diz caminhando ao lado de Abby, o machado de volta a sua mão, a faca no cinto.
─Sempre é, então apenas faça o que tem que fazer! – Abby diz a ela, depois para um instante – Esse machado é gigante para você, pesado demais, exige muita força física, depois do primeiro não vai conseguir acertar o segundo.
─Achei que quanto maior... – Beth não termina a frase, X tira o machado de sua mão e o atira para mim.
─Aqui! – estende a ela sua faca – Essa é minha melhor faca, longa e leve, é sua agora.
Beth pega a faca desajeitada enquanto eu e Daryl assistimos as duas.
─Obrigada! – Sorri orgulhosa.
─Segure assim! – X a ensina – Vê como fica mais firme, quando o infeliz se aproximar não pense, apenas acerte sua maldita cabeça.
Beth concorda, aperta a faca na mão, olha para Daryl de queixo erguido, muito orgulhosa de si mesma, X faz o mesmo, ele demonstra todo seu desprezo num olhar frio que elas não se importam.
─É a revolução feminista? – Daryl resmunga ao meu lado.
─Está décadas atrasado, isso foi em 1968 e elas queimavam sutiãs, não matavam zumbis! – Abby responde sem olhar para trás, mas vejo que pisca para Beth e elas trocam um sorriso discreto.
Daryl não responde e apenas continuamos a caminhar para a prisão, acho que eles devem saber onde estão indo, já que eu e Beth não temos a menor ideia, senão os tivéssemos encontrado estaríamos mortos agora.
Mas gostei de me arriscar, Beth também, Abby devia estar voltando já que ninguém fala em despedida ou coisa do gênero, ela ainda não ameaçou minhas orelhas e decido não tocar no assunto por em quanto, vamos chegar em casa vivos primeiro.
Fico pensando se os dois se entenderam, ele carrega a mochila de Abby e acho que nunca a vi deixar alguém fazer isso, quero uns minutos com ela para entender o que afinal aconteceu.
Durante o percurso encontramos mais um zumbi, Abby o derruba, depois só vemos mais quando chegávamos na prisão, meia dúzia deles, tentando a sorte nas cercas.
Tem algumas pessoas no pátio e Maggie corre quando nos vê, Daryl acerta o cabo da besta em dois zumbis para nos dar passagem, Abby, enfia uma de suas espadas na testa de mais um e então as irmãs estavam abraçadas.
Seguimos para o bloco, Abby se senta num banco do lado de fora, eu e Daryl temos a mesma reação, paramos diante dela que nos olha irritada.
─Não sou criança, voltei não foi? Me deixem, quero ficar um pouco aqui.
Entramos os dois, sigo para minha cela apenas para guardar o machado e trocar de camisa, vejo Beth abraçando o pai, Daryl vai até a porta de sua cela e deixa a mochila de Abby lá dentro, nem me atrevo a perguntar se errou de cela, desço e Hershel me esperava na ponta da escada, seu olhar é duro, o que acho confuso, ele sempre pareceu tão gentil.
─Fique longe da minha filha, você não é bom para ela, não o quero mais por perto de Beth.
Não respondo, eu talvez devesse, mas Beth está sentada numa das camas com Maggie abraçada a ela, acho que a consolando e não quero criar problemas para ela, então apenas sigo ao encontro de Abby.
─Que bom que estão todos de volta! – Rick me diz quando passo por ele, afirmo e continuo meu caminho, sento ao lado de Abby que está silenciosa.
─Desculpe! – Ela me diz depois de um tempo em silencio.
─Tudo bem, estou feliz que está aqui, como foi com ele?
─Foi! – Ela não me olha, afirmo em silencio.
─Gostou?
─Foi intenso e confuso! – Ela me diz e então arrisco um olhar, sorrimos cumplices.
─O cara achou o que de ser seu primeiro...
─Ele não tinha como saber e não disse, nem vou dizer.
─Obvio, não quer que ele saiba o quanto foi grande para você, mas acho que foi para ele também, vão dividir uma cela agora.
Abby me olha com as sobrancelhas juntas, rio da sua cara de espanto.
─Você é meio demente.
─O cavalheiro que carregou sua mochila o caminho todo levou tudo para a cela dele.
─Ele fez isso? – Ela pergunta confusa – Nem mesmo me dei conta que ele carregava minhas coisas, estava tão...
─Assustada? – ela não responde, tem medo de admitir suas fraquezas – Apenas não me deixe mais para trás.
─Achei que agora que tem a Beth ficaria bem.
─Não importa, me leve se decidir que não pode ficar, agora não faz mais diferença, não tenho mais a Beth.
─A perdeu nos últimos cinco minutos?
─Exato, o pai dela disse que me quer longe da filha, disse que não sou bom para ela.
Não escondo minha tristeza, mas é só olhar para os olhos faiscantes de X que compreendo que falei demais.
─O que? Aquele... – Abby se ergue, está furiosa quando marcha para dentro com seus passos firmes.
─Abby, não precisa...
─Cala a boca antes que corte finalmente essa sua língua!
Daryl saia, mas ao vê-la passar por ele sem ao menos enxerga-lo, faz o mesmo que eu, segue Abby em direção ao nosso refeitório.
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