Hell Between Us

16 Capitulo 16 - Nós vamos para guerra


Notas iniciais
Olá pessoas! Esse capítulo vai ser dedicado a AURÉLIA em letras grandes porque ela gosta de estar nas notas iniciais rsrsrsrsrs É sério, a Aurélia me fez uma recomendação, "adorei suas palavras" e como o único modo que tenho de agradecer é dedicando um capitulo esse é para você, só quem escreve pode saber o quanto isso é gratificante, então MUITO OBRIGADA!!!

Pov –Daryl

─Aguentar firme é só o que tenho feito por toda vida, não foi uma escolha, isso foi algo que me foi importo e então eu... Eu sobrevivo e aguento, estou aqui, não parti como quero fazer todos os dias.

─Ainda não partiu! – Eu sinto o desespero em sua voz, sei quem ela é e como se sente por que sou como ela, também carrego o peso da droga do meu passado, mas estou aqui, fiz uma escolha, ela precisa fazer a dela e me deixar seguro sobre isso.

─Ainda é a palavra certa, não posso fazer promessas, não posso e não quero, mas até que a guerra acabe estou aqui.

─Depois da guerra talvez nenhum de nós esteja.

Abby me olha e não tem nenhum medo sobre isso, me assusta que não se importe, que não faça diferença para ela, por alguma razão eu a quero viva e aqui, devia me manter longe dela, mas não consigo, ela me atrai, tudo nela me convida a mergulhar naquela história, mas eu também tenho meus limites.

─Acho que vou te deixar em paz, não sou boa companhia.

─Sam tem tanto acesso, porque o resto fica tão afastado? – Eu pergunto, não consigo evitar.

─Sam... Ele é simples, um espirito simples, não me exige, apenas me aceita, pouca gente me aceita.

Fico mudo, não sei o que dizer, nunca dizemos tudo e isso torna as coisas sempre mais complicadas entre nós, porque nenhum dos dois quer entregar os pontos, abrir o bico, suspiro, cansado daquela discussão sem sentido, que nos leva sempre a lugar nenhum.

Abby me dá as costas, caminha de volta para sua cela e fico ali, olhando para a floresta, sentindo falta de pegar a besta e caminhar sozinho pela mata, sentindo o cheiro de terra e o barulho do vento nas folhas.

No meio da noite Glenn e Maggie me rendem e vou para minha cela, a prisão está silenciosa, me atiro na cama olhando para lugar nenhum, perdido em pensamentos que não quero ter.

Acordo com o barulho de movimentos e panelas, minha mente segue primeiro para Abby, a imagem dela se forma sem que possa evitar, uma merda isso sim, desço e Merle tomava uma xicara de café, me sento com ele.

─Ainda dá para cairmos na estrada caçula.

─Para você também de fingir que não se importa! – Respondo sem olhar para ele.

─Também? Está falando da ninja?

─Agora tudo tem que ser sobre ela?

─Que humor infernal! – Merle ri, quando algo o importa afinal?

Sam caminha em nossa direção, um espirito simples ela disse, alguém que não exige dela, talvez o garoto seja só isso mesmo, não poderia ser como ele, apenas aceitar.

─Achei mais fitas Merle, agora vai dar para ajeitar essa sua mão de faca! – Sam diz feliz.

─É garoto, com isso aqui eu já macetei muitas cabeças! ─Merle balança o braço e Sam olha impressionado.

─Podia me ensinar a dar uns socos, a X acha que tudo é faca e espada, nunca me deixa atirar, e uns socos podiam me ajudar.

Merle olha para ele com um meio sorriso, se sente um mestre, faz uns movimentos com o pulso.

─Vai levar uns bons socos no olho até aprender, está pronto?

─Claro...

─Que não! – Abby o interrompe – Não vai ficar de olho roxo só porque o Merle está entediado.

─Uou! Sua mãezinha é muito brava e protetora!

─Quer brincar Merle? Minhas duas Sai contra essa sua mão de aço.

Abby desafia Merle que ergue uma sobrancelha, tem um sorriso amarelo de quem não quer arriscar perder para uma mulher, isso com certeza iria feri-lo profundamente, prendo o riso louco para que ele aceite o desafio.

─Daryl! – Rick surge – Estou de saída! – Ele avisa com Mich e Carl a seu lado.

─Certo, vamos cuidando de tudo aqui.

─Abby! – Rick a chama quando eu caminhava até ele.

─Você late muito Merle, mas parece que é só isso.

Ela diz e então caminha a nosso encontro, troca um sorriso com Michonne, as duas tem algum código secreto de entendimento, tipo espadas telepáticas ou coisa assim, não se falam muito, mas se entendem perfeitamente.

─Abby será que pode dar uma força para o Daryl enquanto estou fora, cuidar das coisas por aqui?

─É minha prisão Rick, não precisa me pedir para cuidar dela.

─Você é osso duro! – Rick me olha, no momento parece sentir um pouco de pena de mim, sabe que vou ficar com o trabalho mais difícil, manter a prisão inteira com esses dois dentro dela.

Abby acena para Mich e caminha para longe, sempre lembra um tigre quando caminha, me hipnotiza e quando olho para Rick ele sorria.

─Boa sorte! – Digo meio confuso.

Rick parte, ficamos ali, vejo Merle seguir em direção a Abby que limpava suas espadas no refeitório, ele se senta diante dela, faz barulho com o aço que tem no lugar da mão de encontro a mesa do mesmo material, ela não se move, continua seu trabalho despreocupada, fico por perto, de olho nos dois, com medo de uma nova briga.

─Sabe que todo mundo aqui vai morrer X?

─Não, não sei disso, não tenho bola de cristal.

─Mas vai.

─Esse é o risco de se estar vivo, você sempre pode morrer.

─Tem ideia do que ele faria com uma garota como você? – Merle diz cruzando os braços, ela para seu trabalho e olha para ele.

─Vá em frente Merle, diga o que quer de uma vez.

─Quero que use essa coisa que tem entre você e meu irmão para convence-lo a ir embora.

Ela deposita as duas espadas na mesa, encara Merle um longo instante, ele mantêm seu olhar.

─Olho para você e definitivamente não vejo um covarde, vejo um cara que pode fazer a diferença nessa merda toda e fico me perguntando porque age como um querendo fugir?

─Gosto de viver, e não gosto de lutar guerras que não são minhas.

─Ou tem medo de parecer ridículo por ajudar pessoas que precisam? Quer mesmo que acredite que não se importa com uma criança? Acho que está apenas se enganando, só o que tem feito é lutar guerras que não são suas ou não teria acabado como capanga daquele infeliz.

─Já fiz muita coisa ruim, não ligo para essa criança, ela não vai viver até o fim do mês e isso não é problema meu.

─Alguém abra os portões Merle está de partida! ─ Ela diz em voz alta, ele não se move do lugar, nem ela – Já que vai ficar use seus talentos para ajudar e para de me provocar, não ganha nada com isso e não me assusta.

─Matou mesmo a princesinha republicana.

─Não fui eu, acredite! – Ela se arruma mais no banco – Agora me diga, o desgraçado tem um ponto fraco?

─Arrogância!

─Bom, você é útil, use isso, o que mais?

─As pessoas que ele treina, velhos, mulheres e crianças, todos vivendo ali como se fosse um pedaço do paraíso, agua encanada, bebida gelada, aquela gente não enfrenta um zumbi há meses, alguns nunca sequer enfrentaram, eles não têm a menor ideia do que estão fazendo.

─Boa notícia, isso pode ser útil, setenta soldados é uma coisa, cinquenta idiotas e vinte soldados é outra.

─Vinte homens pelo menos, isso posso garantir, esses são fortes e vão lutar, gente treinada e com armas pesadas.

─Podemos lidar com isso, é só colocar um pouco de pânico na receita não acha? Uns zumbis no cangote deles, como ele fez aqui deixando aquele caminhão com os zumbis, uma gentileza para começar a brincadeira, quem ficar pode terminar com uma bala na cabeça.

─Quem sabe, se o Rick trouxer armas talvez tenhamos uma chance.

Ela se ergue, me olha enquanto pega as espadas num movimento gracioso e devolve de volta nas costas, olho para ela.

─Vamos vencer! – Ela me diz quando passa por mim e some para o bloco de celas, fico sem resposta, espero que esteja certa, Merle tem um sorriso leve, acho que de um jeito confuso ela mexe com seu ego, ele gosta que ela dê importância ao que ele sabe.

Rick chega com um pequeno arsenal, meus olhos brilham quando abrimos o porta malas do carro e levamos tudo para dentro, aquilo será grande, mas agora já começo a achar que temos uma chance.

─Marquei um encontro com o Governador, Andrea deixou marcado quando esteve aqui, não sei se ele vai aparecer, mas acho boa ideia ir – Rick me diz quando nos afastamos um pouco.

─Ele pode armar uma emboscada! – Eu comento.

─Pode, mas pode ser que esteja disposto a conversar, negociar um modo de vivermos aqui, quero que vá comigo.

─Eu vou, claro!

─Pensei no Hershel também, ele é bem sensato, será bom tê-lo conosco.

─É bom, não acho que vá dar em nada, mas podemos tentar.

─Acha que Abby pode controlar as coisas por aqui enquanto isso? Sabe que o Glenn não vai ficar numa boa com seu irmão aqui, precisamos de alguém firme para tomar conta das coisas.

─A prisão é dela não é? – Brinco com Rick, ele ri – Ela pode manter todos vivos até voltarmos e no caso de o infeliz armar um ataque enquanto estamos fora eles podem lutar.

─Então faremos isso, fala com ela?

Afirmo e ele vai ver a filha, Carl passa por mim contente, para ao meu lado, me mostra um porta-retratos.

─Consegui para a Judy, ela vai saber como era minha mãe.

─Bom! ─ Digo olhando a foto da pequena família feliz antes do apocalipse.

─Michonne me ajudou, acho que ela é confiável, gosto dela.

─Se está dizendo eu acredito.

─Mulheres de espada são... Ainda não sei bem, mas gosto disso! – Ele me faz sorrir, ando achando que também gosto.

Abby está na cela dela e sei bem que não é boa ideia ficar sozinho com ela ali, mas também sei que não vou resistir então decido não lutar contra isso, paro na sua porta, me encosto na grade, ela está de pé, retirando as espadas das costas, de costas para mim e não posso negar que tem o corpo perfeito e que cada parte dele me atrai.

─Não se engane, Merle não liga mesmo para a Bravinha, ele não mentiu sobre isso! – Ela se vira e me encara.

─Eu sei disso, mas ele se importa com você, enquanto você fica, ele fica.

Entro na cela, ela não parece se importar, ficamos de frente um para o outro, a distância não é muito segura, não quero mesmo que seja.

─As armas vão fazer diferença no caso de uma guerra.

─No caso? – ela ergue uma sobrancelha, aquele perfume que vem dela é um inferno, tenho que usar o dobro da concentração necessária para um diálogo civilizado.

─Rick e o Governador vão se encontrar amanhã, vou com ele e com o Hershel, ele quer tentar um acordo.

─Besteira! – Ela diz firme – Não vai acontecer, mas é uma boa chance de enfiar uma bala naquela cabeça.

─Não é nosso plano, estamos indo apenas para ouvir o que o cara tem a dizer, deixar as coisas nos nossos termos.

─Se quer acreditar nisso.

─Não sou idiota, sei que não vai dar em nada, mas o Rick quer fazer isso e vou com ele, antes que diga que sou seu capanga acho que precisa saber que somos amigos e que confio nele.

─Que bom para vocês, eu não, talvez um dia.

─Foram os instintos dele que nos trouxeram aqui, ele não se esconde e eu...

─Você o admira e entendo isso, não tenho nada contra o Rick ou seus métodos, não mesmo, ele é bom para vocês, mas não quero seguir ninguém, pelo menos não ainda.

─Sei! – A velha desculpa de quem está apenas morrendo de medo de se ver presa a nós, fazendo parte do grupo, medo de perder mais uma vez, eu sei porque já fiz isso. – A questão é. Pode cuidar das coisas por aqui?

─Posso.

─Simples assim? Não vai dizer que quer participar da conversa? Que a prisão é sua ou sei lá, sempre tem alguma questão envolvida em nossas decisões.

─Daryl não quero complicar nada, não acredito nessa conversa, então não quero fazer parte dela, sobre cuidar das coisas aqui eu posso fazer, não me importo, estou aqui lutando com vocês, não contra, nosso inimigo é o governador, não pretendo tornar nada difícil.

─Sempre me surpreende.

─Sempre? – Ela dá um passo para mim, não devia, fico imóvel, ela da mais um passo, os olhos presos aos meus, sinto a boca seca e perco a capacidade de articular, minha mão segue desobediente para sua cintura, eu a puxo e então seu corpo está colado ao meu.

Quando está assim, em meus braços, não lembra a mulher decidida e corajosa que não gosta de abrir espaço, ali ela parece apenas uma garota e isso é o que me deixa perdido.

A mão livre toca os cabelos longos que escorrem por seu ombro, meus olhos descem em direção a seu colo, a pele é lisa, parece seda, os dedos soltam os fios de cabelo e tocam sua pele, sinto seu peito subir e descer agora de forma tensa, a respiração acelerada assim como a minha.

Abby não oferece qualquer resistência, se estivéssemos em outro lugar eu não sei se poderia resistir a ela e o que provoca em mim, mas ali com tanta gente indo e vindo.

Meus olhos alcançam os seus mais uma vez, tão escuros pelo desejo que quase perdem a cor, a boca semiaberta num pedido mudo e talvez inconsciente, não poderia resistir a beija-la mesmo que quisesse e eu não quero.

É sempre aquele abandono, me deixa sem chão, seus lábios são suaves, me lembro de seu pedido por gentileza, e é assim que me comporto, ao menos tento, suas mãos, que estavam soltas ao longo do corpo, vem de encontro a mim quando a aperto mais elas mergulham em meus cabelos, percorrem minhas costas, e aquilo só me faz querer mais ainda dela.

Me afasto apenas o suficiente para respirar, sinto seu hálito junto a mim, meus lábios tomam de novo os seus e aquela tortura parece não ter fim, quando está longe eu a quero comigo, quando está em meus braços quero ainda mais e não sei como lidar com aquilo.

─O que fazemos com isso? – Digo sem me afastar dela, enquanto meus lábios buscam o sabor de sua pele descendo por seu pescoço.

─Não sei! – Ela responde com a voz rouca, as mãos buscam por mim, me provocam e ela me puxa para mais um beijo, longo e cheio de significado.

Nos afastamos ofegantes, passo a mão pelo cabelo, aquilo é a coisa mais difícil de lidar porque já passei, minha garganta trava em palavras que não sei pronunciar, porque sempre achei que não tinham significado algum.

─O que isso quer dizer?

─Pergunta difícil! – Ela responde – Apenas não... só deixa...

─Acontecer? – Ela me encara, não acho que qualquer um dos dois possa evitar, ela confirma muda.

─Tome cuidado amanhã, pode ser uma emboscada.

Ela diz e afirmo, estamos onde sempre estivemos, em porcaria de lugar nenhum, aquilo é uma grande merda, olho para o chão, depois para ela, seus olhos são perigosos.

─Você também.

Olho para a porta, sei que é o que tenho que fazer, ela me olha e afirma, nenhum dos dois leva jeito para diálogos, caminho para longe sem olhar mais para ela ou não poderia mais deixa-la.

Temos sempre longas conversas pelo olhar, mas as palavras sempre travando, sempre dizendo o oposto, me vejo agindo feito um idiota, mas sentimentos não são boa ideia para mim, eu costumo aprisiona-los bem, mantê-los seguros em lugares desconhecidos e ela não pode querer liberta-los e depois um dia decidir que chega e partir, não confio nela, Abby pode fugir a qualquer momento e nem posso condena-la, se não fosse minha família aqui, eu talvez já tivesse feito isso.

Não sei nada sobre romances, não sabia antes do mundo acabar e não quero aprender agora, tem muita coisa em jogo, minha sanidade entre elas, cubro o rosto com o braço e tento dormir.

Deixo a prisão na moto de Merle, ele fica bem insatisfeito com o fato de que vai ficar, mas Merle é nitroglicerina, se for estamos ferrados, dirijo todo tempo pensando em Abby.

Estaciono e procuro afasta-la da mente, agora é uma questão de ficar vivo, vasculhamos o lugar enquanto Hershel fica no carro, um zumbi caído, alguém o pegou, o lugar parece vazio, mas ao menos sobre zumbis está limpo.

Rick entra e fico com Hershel do lado de fora, um carro se aproxima, os capangas do governador, Andrea com eles, ela devia mandar o traste para o inferno e voltar para casa que é seu lugar.

Ela sempre com aquele jeito de mulher independente entra para o encontro, está brava porque o tal Phillip não a avisou que vinha na frente, está na cara que é um fantoche em suas mãos, sai uns minutos depois, expulsa da reunião que ela mesma articulou, nem isso parece ser o bastante para lhe abrir os olhos e desisto dela.

Fico trocando acusações com o mordomo e o capacho do Governador, Hershel me mantem sob controle, no fim eu sei que foi isso que veio fazer, manter minha flecha na besta, Rick me conhece.

Zumbis surgem, vamos em direção a eles, eu e o novo tenente do caolho, o cara é um babaca, ficamos disputando quem mata mais zumbis, uma coisa infantil e no fim quando me dou conta estamos fumando um cigarro juntos.

O cara tem lá sua história, seu passado como todo mundo, mas quando a guerra começar isso não vai ter nenhuma importância, assim, fumando juntos e conversando parecemos iguais, talvez seja, mas eu sei porque estou com Rick, o que nos aproxima e porque luto essa guerra, e ele? Porque faz aquilo? Porque precisa de alguém que lhe diga o que é certo e errado? Nunca vou saber, a reunião chega ao fim e retornamos para casa.

O grupo se reúne para ouvir o que Rick tem a dizer, todos atentos a suas palavras, Merle irritado como de costume, acho que as coisas não foram muito fáceis por aqui.

─Ele quer a prisão. Quer que a gente suma, nos quer mortos pelo que fizemos a Woodbury. Nós vamos para a guerra!

O anuncio é contundente e deixa todos calados, é uma convocação e sei que ninguém vai fugir, mas isso não diminui o peso de suas palavras, procuro por Abby, ela me encara encostada na parede, não encontro mais aquele olhar de tédio, agora tem fogo ali, são olhos calorosos, essa mulher não se dobra diante do inimigo e é muito bom saber disso.

Seu queixo está erguido, o peito estufado, uma guerreira é o que vejo, me da força para fazer o mesmo, se é guerra que o caolho quer, então é o que vai ter.

Notas finais
Comentem! Beijos!!!