Hell Between Us

63 Capítulo 63


Notas iniciais
Oi Gente! Desculpe se demorei demais, tive uns contra-tempos, mas aqui está, espero que gostem.

Pov – Daryl

─Ficou decepcionada comigo por escolher a enfermaria? – Beth pergunta a Abby quando nos reunimos de volta em casa.

─Claro que não. Fiquei orgulhosa, provou sua força há muito tempo Beth.

─E eu? – Sam questiona ávido por aprovação, Abby ainda é o centro de tudo para ela, mas eu o entendo é o centro de tudo para mim também.

─Se Eugene te colocar em risco eu juro que termino o que comecei, mas no fim estou feliz que de algum modo estão seguros do lado de dentro.

Bela está a cada dia mais acostumada conosco, com a casa e agora caminha pela sala em busca de algo para brincar, encontra mais uma vez minha besta encostada ao meu lado, por conta dela nunca mais a besta ficou armada, nunca se sabe quando vamos nos distrair.

─Aquela mulher me dá calafrios. – Beth comenta olhando para Bela enquanto afasto a besta e a ergo no colo, normalmente meus botões já a deixam distraída o bastante na tentativa incansável de abrir a camisa. – Não foi à toa que quis ficar com as crianças.

─Achei que o Rick e a Roxana erraram ao permitir. – Sam reclama se juntando a mim, faz sinal convidando Bela para seus braços, ela nega com um movimento de cabeça. – Pequena traidora, me deve esse pai e essa mãe, devia ser mais grata.

De certo modo ele tem razão, ouvir papai e mamãe nos moveu em sua direção com a rapidez de um foguete.

─Bela não vai ficar lá, de jeito nenhum.

─E como vai fazer Abby? – Sam questiona.

─Vamos cuidar dela, nos revezar, temos a Larissa que não tem um trabalho, nós dois e vocês. – Ela aponta Sam e Beth. – A princípio isso é algo que eu quero fazer, mas quando não puder sei que posso contar com vocês.

─Acho bom. Aquela maluca tem cara de psicopata. – Beth diz balançando a cabeça e nem quero pensar que pensamentos a dominaram.

─Psicopatas parecem ser meu carma, como se os mortos nos cercando não fosse o bastante. – Abby diz um tanto cansada. Beth fica de pé, Sam abandona suas inúteis tentativas de pegar Bela e a acompanha em direção a porta.

─Ah Abby alguém precisa falar com a Larissa, ela anda com cara de quem está namorando com o Noah. – Sam comunica de cara amarrada.

─E você anda com cara de fofoqueiro Sam! – Beth o puxa pela camisa.

─Eu não queria irmã mais nova nenhuma, estava bem feliz sendo o caçula, a Abby que me meteu nessa, agora ela que se vire.

Os dois deixam a casa, Sam arrastado por uma Beth brava, Abby me olha e acabamos por sorrir.

─E o dia nem começou. Acha que tenho que me intrometer nessa coisa da Larissa?

─Não tenho nada contra o Noah, mas as vezes garotos novinhos assim podem se descuidar quando estão apaixonados.

─A gente se descuidou muitas vezes e nem somos novinhos. – Ela diz vindo a meu encontro. – Se agarrando em carros no meio de lugar nenhum, no meio de buscas.

─Bom! Mas isso é completamente culpa sua. – Ela sorri, me beija e perco bela que logo aproveita a proximidade para me trocar por ela. – Vou dar uma volta por ai, ver como estão esses muros, ter certeza da segurança.

─Fico aqui brincando de casinha com essa bonequinha. Sentiu o olhar da Ellen?

─Senti, mais um motivo para dar uma volta por aí e ver como vão as coisas. Se encontrar Larissa mando que venha falar com você.

─Faça isso Sam! – Ela me provoca, mas no fundo concordo com o garoto. Ganho mais um beijo de Abby, então Bela me puxa pelo colarinho, beija meu rosto ou só espalha um pouco de baba nele, mas sinto que sua intenção era um beijo. – Dando um beijo de tchau no papai?

Essa é o tipo de frase que jamais imaginei saindo da boca de Abby e se referindo a mim, é estranhamente bom.

─Se cuida, eu não demoro.

Deixo as duas em casa e vou em busca dos muros, dou uma longa volta por todo lugar, as pessoas sempre entretidas em seus trabalhos, é estranho pensar em construir algo aqui.

Eu tinha me acostumado rápido com a prisão, depois de um inverno infernal achar aquelas grades tinha sido como um presente, e com as grades e a segurança veio Abby e nossa luta para nos entendermos e um mundo de coisas a nossa volta e quando vi eramos uma família e tudo estava bem, ou parecia estar.

Agora não é mais todo mundo junto num espaço especifico, agora temos casas e aquela sensação de normalidade, com pessoas desconhecidas que não dependem de nós como os moradores da prisão, esse lugar beira a auto suficiência.

Parece que nosso trabalho é nos adaptar, e aprender a viver como antes, talvez seja fácil para os outros, a vida deles não era diferente do que parece ser aqui.

Mas eu não vivia assim, Abby também não, para nós uma casa com mobília quartos, filhos e o que vamos jantar é algo novo, leva tempo até ficarmos prontos, talvez nem fiquemos.

Nesse caso Bela é mesmo um presente, sem ela acho que nós dois já teríamos deixado tudo isso para trás com medo da normalidade. Mas agora que temos um bebê não podemos fazer isso.

Um bebê, como foi que aconteceu? Como simplesmente nos deixamos levar por aquele rostinho de anjo? Ela nos enganou direitinho, chegou sorrateira e foi ganhando terreno, quando nos demos conta já não tinha nada a ser feito.

─Daryl. – Eugene surge do nada. Ainda tem algumas marcas do ataque de Abby e não consigo sentir pena.

─Está ocupado?

─Do que precisa?

─Disso. – Ele me mostra uma placa de ferro. – Isso fica dentro desse aparelho. – Ele me mostra um tipo de aparelho como os que ficavam ligados a tvs a cabo.

─Certo, e para que?

─Energia, telefonia, um mundo de coisas que posso conseguir com alguns deles.

─Certo, onde encontro isso?

─Roxana disse que tem em algum lugar na cidade, parece que tem uma distribuidora, uma hora daqui.

─Está certo Eugene, vou organizar um grupo.

─Obrigado. Acha que posso aparecer na sua casa e me desculpar formalmente com a Abby um dia desses ou vou sair de lá um zumbi?

─Acho que pode ir se entender com ela quando quiser, ela já descontou a raiva.

─Certo, vou esperar você estar por perto. Se bem que da última vez não pude contar com seu apoio.

─Achei a conversa tão interessante que não quis atrapalhar.

─Entendo. Fica com isso para saber o que procura. – Ele me entrega o aparelho, aceito e caminho de volta para casa, vamos ver o que Abby prefere, duvido que me deixe ir sem ela.

As duas estavam na cozinha e aquilo era de tirar o folego, Abby Coleman cozinhava enquanto cantava, Bela acompanhava a canção sentada em uma cadeirinha de bebê, batendo sei peixinho de encontro a cadeira. Não tem possibilidade de eu achar isso natural.

─Oi. – As duas se viram para me olhar.

─Macarrão, não sei fazer muito mais que isso. – Ela me avisa e dou de ombros, nunca achei nem que seria capaz de fazer aquilo.

─Para mim está perfeito.

─Macarrão papai, eu quero. – Bela não colabora comigo, não quero ficar todo derretido com ela, mas ela está sempre nos chamando a atenção, e quando vejo estou sorrindo.

─Mamãe vai te dar. – Abby franze a testa.

─Isso é muito estranho Daryl.

─Muito. – Encosto a besta na parede, sigo até ela, beijo seus lábios, depois os cabelos de Bela e me sento quando ela servia. – Você servindo é ainda mais estranho.

─A gente se acostuma, o ser humano se acostuma com tudo.

Bela não tem um pingo de piedade e comer é uma arte que ela ainda não domina, espalha comida para todos os lados, em toda ela, se diverte, canta, fala sozinha, derruba a colher cinquenta vezes, nos abaixamos para devolver todas as vezes e lavar antes porque não sabemos se ela não pode pegar uma doença qualquer.

─Vou ter que ir em busca de umas coisas para o Eugene.

─Onde?

─Na cidade, se for comigo vamos apenas nós dois, somos bons juntos e fico mais seguro sem ter que me preocupar em salvar a vida de outra pessoa.

─Sabe o quanto isso é importante para mim? – Ela me pergunta. – Ter a sua confiança?

─Sabe quantos zumbis você derruba com essas suas espadas? Adoro isso, além do mais é cautelosa, não brinca com o perigo, analisa os riscos.

─Então vamos apenas nós dois, prefiro.

─Amanhã cedo, pensei em pedir a Larissa para dormir aqui. Assim saímos quando o dia amanhecer, Ellen nem precisa saber que não estamos, Larissa fica aqui dentro com ela até voltarmos.

─Ótimo plano, eu gosto da ideia. Mas vamos pedir ao Sam e a Beth para ficarem de olho.

─Isso. Acha que ainda podemos ter uma moto? – Ela sorri olhando para Bela.

─Acho que ela ainda cabe entre nós, mas não por muito tempo.

─Vamos conseguir uma então.

Ela sabe como gosto de motos, sabe que faz diferença para mim. É um resto de liberdade que ainda não estou pronto para abrir mão.

─Agora senhor Dixon, vamos tentar limpar essa sujeira. Não sei realmente quando se aprender a comer, mas ela ainda come como um neandertal.

─O que esperava sendo nossa filha? – Brinco e ela ri.

─Quero que ela não tenha tanto peso para carregar, que seja mais leve.

─Vai ser.

Abby sabe como lidar com ela melhor que eu, as duas tem uma ligação bonita de ver, é como se fosse mesmo um presente dos céus, quantos bebês tem por ai falando francês, quantas mães postiças ela poderia encontrar que entendesse suas palavras.

Bela sabe que só com ela pode usar suas palavras em francês, não se arrisca comigo, seu vocabulário francês é bem maior e isso prova que a mãe devia estar educando a menina em sua língua natal.

Gosto de ficar por perto, olhando as duas juntas, olhando nossa família criar laços. Limpo minhas flechas. Preparo a besta para a manhã seguinte. Larissa chega no começo da noite, é apaixonada por Abby e faria qualquer coisa por ela.

─Prometo cuidar direitinho dela.

─Sabemos que pode Larissa. Por isso estamos pedindo a você, mas se tiver medo, problemas, qualquer coisa, prometa que vai gritar por socorro.

─Pode apostar.

─Ela fica com a gente agora, quando estivermos saindo de manhã te acordamos e vai dormir com ela lá no nosso quarto.

Larissa aceita. Sorri, abraça Abby e depois segue para a cama. Eu subo com Bela no colo, Abby arruma seu berço, a pequena está sonolenta.

─Sommeil mamãe.

─Êtes-vous endormi? – Abby beija seus cabelos. – Primeiro da boa noite para o papai.

─Noite! – Ela diz me olhando, é muito bonitinha. Tiro ela nos braços de Abby, sempre me deixo levar por ela. Beijo seus cabelos, podia morde-la de tão linda.

─Noite pequena. Durma bem. – Penso que não vamos vê-la acordar amanhã, beijo mais uma vez seu rosto, a aperto e depois devolvo para Abby que faz o mesmo, então a coloca no berço.

A pequena se arruma entre os travesseiros e brinquedos, fecha os olhos e acho aquilo fantástico, a confiança a completa despreocupação, é apenas fechar os olhos tranquila e dormir, nenhum medo, nada.

─Ela dorme rápido né?

─Muito. Acho que confia em nós dois. – Abby comenta quando caminhamos para nossa cama. Me deito e logo ela está em meus braços, sorrio. – Que foi?

─Ainda ocupamos o mesmo espaço que ocupávamos quando dividíamos aquela caminha mínima na prisão.

─Adorava nosso cantinho. Sinto falta até hoje. Melhor que esse casarão.

─Eu me lembro que preferia na cela. – Rio e ganho uma careta.

─Sempre te faço rir, já reparou isso? Adora me provocar.

─Adoro seu mau humor. Nada me diverte mais. É muito impaciente. Deliciosamente impaciente.

─Deliciosamente? – Ela me pergunta se movendo mais em minha direção, seu corpo cola ao meu.

─Muito, até quando dorme virada para a parede sem falar comigo.

─Você é bem bobo.

─Eugene quer te pedir desculpas.

─Eugene? É sério que lembrou disso bem agora?

─Foi o último assunto antes de nada mais importar. – Me movo e estou sobre ela, Abby sorri.

─Essa é a melhor hora, quando nada mais importa.

Sim, e isso é algo que foi bem fácil acostumar, Abby em meus braços todas as noites, sempre perdidos um no outro, esquecidos do apocalipse, do medo e da morte, só nós dois, entregues a paixão.

Ela me acorda com um beijo no pescoço, o dia nem tinha clareado, nos vestimos em silencio, depois paramos na frente do berço. Trocamos um olhar e encaramos Bela dormindo como um anjinho.

─Me dá um aperto. Acho que nunca mais será o mesmo sair lá fora.

─Pode ficar Abby, sabe que não precisa ir, posso chamar Rick e Mich, sei lá outros.

─Não posso Daryl, se ficar, se não me arriscar lá fora como sei fazer vou definhar e nem meu amor por ela pode me salvar.

─Então vamos.

Beijamos os cabelinhos de nossa pequenina, ela se move, mas não acorda, Abby entra no quarto ao lado enquanto desço em busca de pegar nossas coisas, Larissa desce com ela.

─Vou fazer uma mamadeira para ela e depois me deito lá na cama de vocês até ela acordar.

─Obrigada Larissa. Leva sua pistola para o quarto.

─Pode deixar, tomem cuidado lá fora. – Ela olha pela janela, estava amanhecendo.

─Tome cuidado aqui dentro.

Deixamos a casa com ela nos acenando, tudo estava silencioso, o dia ainda não havia começado na comunidade.

George nos abre o portão, era um homem grandalhão e simpático.

─Cedo assim nas ruas?

─Não queremos acordar os zumbis. – Brinco quando passamos. – Voltamos em uma hora.

Abby ainda é a mesma e não se dá ao trabalho de trocar qualquer palavra com o homem.

Vamos caminhando em direção a estrada, preciso de uma moto, quando encontrar uma seguimos para nosso objetivo.

A estrada está tranquila, escutamos um gemido ou outro, sabemos que de algum jeito os mortos começam a nos seguir, mas isso não é problema para nenhum dos dois.

De carro seria uma hora até a cidade, a pé o tempo é um pouco mais longo. Mas passamos por um vilarejo, vejo uma moto caída um zumbi sob ela com a perna presa.

Abby acerta sua cabeça com a sai e ergo a moto. Parece em bom estado, não está ai a muito tempo.

Ligo o motor e ele ronca, zumbis começam a surgir vindos das profundezas do inferno como de costume.

─Vamos? – Convido. – Quem sabe tem combustível o bastante para chegarmos ao nosso objetivo.

─O jeito é tentar.

Ela se senta atrás de mim, passa seus braços em volta de mim e deixamos o lugar quando os mortos estavam bem próximos. Agora já era manhã, a comunidade devia estar de pé, Bela também, sorrio imaginando se perguntaria por nós.

Gostar é algo que ainda acho estranho. Amar como amo Abby e Bela é surpreendente para mim. Nunca me acostumo, todos os dias é novo, como se fosse sempre uma nova descoberta.

Notas finais
Essa é a introdução para algo que está a caminho. Por isso um pouco menor que de costume, apenas para não quebrar os acontecimentos. Espero que tenham gostado. Beijos