Hell Between Us

64 Capítulo 64 - Em risco


Notas iniciais
Olá, perdão pelo super atraso, foi por conta do feriado e uma crise de enxaqueca no meio da semana que me atrasou tudo. Agora tudo bem. Espero que gostem.

Pov – Abby

Descemos em frente a um grande galpão com portões de ferro vazado que nos dava uma ideia do estacionamento do lado de dentro. Olho para Daryl, ele erguia a besta quando eu puxava minhas espadas.

─É esse o lugar. Foi o que achei naquele mapa. – Ele se aproxima do portão, investiga pelas frestas. – Parece limpo.

─Limpo demais. Tudo a nossa volta parece limpo demais, o problema está por vir.

─Como sempre. – Ele concorda. – Pulamos ou corto a corrente?

─Prefiro pular, se estiver limpo lá dentro evitamos os zumbis do lado de fora.

─Vou na frente! – Ele coloca seu lado macho alfa protetor em ação, nunca gasto muito tempo discutindo essas tolices de gênero e apenas aguardo enquanto ele salta, depois subo no portão aproveitando as frestas como apoio, é uma escalada de três metros, do outro lado Daryl usava a flecha para derrubar um zumbi a uns metros de nós. Desço e pego mais uma vez as espadas.

─A amostra está com você ainda? – Pergunto e ele afirma.

─Na mochila. – O estacionamento é grande, tem uma empilhadeira jogada no meio do pátio, dois ou três carros parados de modo aleatório, vamos caminhando em silencio, um zumbi sai de trás de um carro, falta grande parte da pele e a roupa está queimada. Eu enfio a espada em sua testa e sinto como se fizesse um favor.

─Quando era sozinha não os odiava tanto. – Comento quando estávamos perto das portas. Subimos uns degraus.

─Eles não podiam te tirar nada. Eu também não me importava nos primeiros dias, foi só quando me juntei com o grupo que passei a pensar mais sobre eles.

Um zumbi está sentado próximo a porta, sua barriga está cheia, parece gravido, tem fios de cabelo pendurados na boca, algo parecido com uma carcaça humana geme a seu lado.

Devorador e devorado dividindo agora a mesma fome mórbida. Os dois tentam se mover em nossa direção, nenhum deles consegue. Daryl ergue a besta, toco seu ombro pedindo que espere, ele respeita e vou até os corpos, acerto o que está sentado, depois a carcaça deitada, sem rosto, órgãos ou qualquer coisa que me contasse quem era aquele ser. Enfio a espada em sua testa acabando com os gemidos.

─De nada. – Sussurro antes de me reunir com Daryl, ele tem a mão na maçaneta. A besta na outra junto com uma lanterna.

─Pronta? – Me questiona quando deixo minhas espadas em riste ao longo do corpo, os pés firmes no chão em meu modo de ataque. Assinto concentrada e ele puxa a porta. Absolutamente nada se move, nenhum sinal de coisa nenhuma, só o velho silencio assustador.

Daryl usa a lanterna na porta de ferro para criar um som forte que se expande para dentro do lugar. Esperamos, sempre odiei esperar, nunca gostei de surpresas, mas esse mundo que temos nos obriga a coisas que não escolhemos. Me dobrar as vontades do apocalipse é algo que tive que aprender.

─Nada, melhor irmos de uma vez. – Seguimos para a escuridão, ela nos consome no primeiro minuto, depois a lanterna vai iluminando o caminho, nos acostumamos com o ambiente e tudo parece mais calmo, são prateleiras do chão ao teto, caixas e mais caixas.

─Que grande merda! – Daryl reclama. – Nesse mundo de coisas achar o que queremos é questão de sorte apenas.

─Sorte? No apocalipse? Otimista você.

Paramos quando os gemidos chegam a nossos ouvidos, imóveis e silenciosos vamos apurando a audição.

─Presos. – Daryl comunica e concordo. ─Vamos continuar.

─Vou olhando as caixas e vai cuidando da proteção. – Ele afirma.

O som vai ficando cada vez mais próximo conforme vamos nos enfiando mais naquele lugar escuro e empoeirado.

─Olha! – Daryl me chama atenção quando viramos mais um corredor. Longas grades nos separavam de uma centena deles, se espremendo desesperados por nós. A lanterna ilumina os olhos mortos, a fome é sua visão.

─Porra! – Digo parada ao lado de Daryl encarando o exército de mortos. – Deve ter uma entrada pelos fundos.

─Sim. Mas o que trouxe todos eles aqui? Já estavam quando chegamos.

Faz sentido, não é nossa carne quem os convidou, aquele mundo de mortos veio atrás de algo que chegou antes da gente. Trocamos um olhar pensativos, escuto um rosnado baixo, seguido de outro e depois outro.

Cães, meu cérebro reconhece e me alerta, com movimentos lentos eu me viro, uma matilha de cães nos encarava. Sujos, famintos e nervosos. Cinco deles, de raças variadas.

─Abby. – A voz de Daryl está grave, me assusta. – Não estão realmente trancados, no canto, a última grade é um portão e está aberto, quando se derem conta...

─Prefiro os zumbis aos cães, não mato cães Daryl, é contra meus princípios. Eles não vão nos deixar passar.

─Estamos falando de cem zumbis, no mínimo. – Ele me diz com os olhos nas grades enquanto eu mantinha meus olhos nos cães.

─E eu de cinco animais indefesos prestes a entrar em extinção, não vou feri-los.

─Dentes afiados Abby, não são indefesos.

─Você fica com os cães, eu com os zumbis e nos vemos lá fora.

Os cães dão um passo à frente marcando território, o rosnado atiça mais os zumbis. Merda de impasse maldito.

─Se seguimos na outra direção os zumbis descobrem a fresta e não podemos vencê-los.

─Não quero vence-los, só passar correndo e sair daqui.

─Os cães vão atacar no momento que corrermos.

─Não tem nada de comida na sua mochila?

─Nada. – Ele Diz com a Besta armada, não vai de jeito nenhum ferir os cães, não consigo aceitar aquilo. Um rosnado vindo do outro lado me faz mover a cabeça, um novo cão vinha pelo outro corredor, alguns zumbis se movem hipnotizados por sua presença, desejosos de sua carne seguem para o outro lado. – Vão descobrir a passagem.

─Achei. – Enfio a espada numa caixa, os cães latem com meu movimento, isopor cai como uma cascata branca. Guardo uma das espadas com a mão livre pego meia dúzia de caixas, bem lentamente enfio na mochila de Daryl.

─Nunca pensei que diria isso, mas você está me irritando Abby.

─Não seja tolo, eu sempre te irritei.

─Merda! Merda! – Daryl pendura a besta nas costas e puxa o rifle. ─Estão saindo.

─Só para constar eu odeio o Eugene! – Comunico. Daryl dá o primeiro tiro derrubando um zumbi, o cão que os convidou corre por entre as fileiras desaparecendo, os cães começam a latir alucinados, os zumbis ficam frenéticos e forçam as grades enquanto alguns já saiam pelo espaço e seguiam em nossa direção.

Meu coração alucina. Tudo fica urgente e confuso, minha mente trabalha em busca de uma solução.

─Bela. – Daryl me lembra. – Você tem que voltar para ela. Derrube umas caixas e corra, vou atrasa-los o quando puder.

─Vá para o inferno Daryl Dixon, não vou sem você!

Encaro a pequena matilha de cães diante de mim, escuto mais um disparo de Daryl e puxo mais uma vez as duas espadas. Outro disparo de Daryl.

─Saia daqui! – Ele grita agora com as costas encostada as minhas. Um dos cães sai da formação, penso que vai nos atacar, mas passa por nós feito um raio e salta entre os zumbis, escutamos seu grito de dor quando recebe a primeira mordida, ele luta, mas é vencido, os outros cães retrocedem, correm em outra direção e apenas fazemos o mesmo.

Vamos correndo pelos corredores, desviando de cães, zumbis e caixas pelo chão, no meio de uma escuridão sombria e aterrorizante.

─Se nos perdermos saia daqui e vá para casa! – Daryl me grita correndo atrás de mim, empurro um zumbi que surge a minha frente, minha espada o degola e só continuo a correr, não vou a merda de lugar nenhum sem ele.

Vamos nos aproximando da porta, sinto pela luz que começa a surgir, escuto os zumbis vindo de todos os lados. Alguns zumbis começavam a entrar quando finalmente enxergo a porta.

─Me ajuda Daryl! – Grito empurrando a prateleira, ele compreende e me ajuda, usamos toda força que nos resta e empurramos, num efeito dominó as prateleiras vão caindo umas por cima das outras, caixas voando para todos os lados.

Elas vão pegar os zumbis que estão aqui dentro e matamos os que estão entrando, podemos fazer e começamos. Minhas espadas vão girando em sua dança própria, escuto os sons dos ossos se quebrando, do sangue voando, ao mesmo tempo que os disparos de Daryl vão derrubando os mais distantes.

A passagem fica limpa e saímos para a luz, zumbis caminhavam vindos de várias direções, mas apenas fixo meus olhos no portão, corremos os dois, lado a lado, corto uma cabeça próxima e guardo as espadas quando chego aos portões.

─Salta Abby! – Odeio aquele tom imperativo, sempre reajo a isso e adoraria cruzar os braços e não saltar só de irritação, mas não há tempo para birra e pulo para o outro lado, chuto um zumbi, de cima do muro Daryl dispara e derruba outro que vinha pelas minhas costas puxo a espada, mas agora não havia nada mais nos ameaçando, não próximo o bastante, ele monta na moto e faço o mesmo.

Daryl dispara com a moto deixando a cidade e pegando a estrada, meia hora depois ele para.

─Combustível? – Pergunto saltando, ele faz o mesmo, caminho de um lado para outro mais uma vez feito tigre enjaulado, seus olhos hora me encaram, hora encaram o horizonte. Aquilo é mais uma de suas crises? Fazia tempo que não assistia a uma. – O que foi?

─Você! Você! Eu mandei sair. Disse que...

─Mandou? Mandou? Quem pensa que é? Quando foi que obedeci a ordens?

─Nunca! Você nunca obedece, mas as coisas não são como antes! – Encaro Daryl de modo confuso, não entendo sua crise. Ele quis que eu viesse, sempre confiou em mim, estamos vivos e voltando, o que afinal deu nele?

─Como são agora? – Pergunto tentando manter a paciência que nunca dura muito.

─Bela, se lembra? A garotinha que te chama de mãe? A filha que te escolheu? Não pode esquecer.

─Não esqueci. – Aviso para o caso de ele ter dúvidas. – Nunca esqueço, de onde tirou isso?

─Se corremos riscos então você precisa viver, e voltar para ela, essa deve ser a prioridade.

─E quem decidiu isso? Você? Sozinho? Não me lembro de ter entregado minha capacidade de escolha a você, não aceito esse seu acordo estúpido.

─Ela precisa de você! – Ele grita, um zumbi sai da floresta, que coisa irritante, nem ter uma boa briga podemos mais. Puxo minhas espadas, passo as duas em X na sua cabeça, só aliviando a irritação, volto para perto de Daryl. ─Vê. Ela precisa de você, pode proteger Bela, salvar nosso bebê.

Salvar nosso bebê é apelar demais, meu coração palpita, nosso bebê, sorrio e ele continua ali, andando de um lado para outro, ainda irritado.

─Ela te chama de papai, ela brinca com seus botões, ela te escolheu também. Não quero morrer, claro que não, mas se estamos juntos, estamos juntos, não vou te dar as costas e isso é tudo.

─Ela precisa de você.

─Bela precisa de nós dois, não aceito que vire um suicida só porque agora é um pai e não sabe lidar com isso, sempre teve sangue frio e não vai mudar isso agora.

Daryl para de caminhar, me encara pensativo, dou uns passos para ele, como pode querer que siga sem ele?

─Amo você Abby, amo você e agora amo aquela garotinha e está certa, não sei lidar com isso, só penso que ela precisa de você, que são uma boa dupla, não falo francês.

─Eu te ensino. – Ele sorri, não é mesmo apenas sobre palavras ditas em outra língua, é sobre amar alguém mais do que a si mesmo. ─Se lembra quem eu era? Se lembra que fugi, que estava sempre de partida?

─Sim, eu me lembro.

─Não comece com isso você, superamos essa fase, vamos fazer isso juntos, se te deixar para trás, se um dia tiver que fazer isso não vou poder voltar para ela, nunca mais vou conseguir olhar nos olhos da nossa garotinha, ela nunca vai me perdoar se fizer isso.

─Desculpe. – Ele me puxa para seus braços, esconde o rosto entre meus cabelos, puxa o ar como se aspirasse meu perfume, ficamos um longo momento ali. Apenas nos acalmando. – Não é um sentimento que esteja acostumado, quando pensei que não tinha saída só quis que voltasse para ela. Estamos sempre prestes a perder e...

─E vencemos. Bela é tudo agora, eu sei, mas só funciona se estivermos juntos, somos um trio, eu, você e aquela criança, vamos fazer sim qualquer coisa por ela, mas vamos fazer isso juntos.

─Está certa! – Ele me beija. – Mais uma vez, desculpe.

─Adorei que disse nosso bebê. – Sorrio, ele beija a ponta do meu nariz e sorri.

─Porque é uma princesinha republicana, toda delicadinha. Nem adianta ficar brava, é sim delicada, e adoro quando a princesinha surge, mas amo que tem a rainha do apocalipse ai dentro, derrubar as estantes foi uma grande ideia.

─Eu sou incrível. Agora me leva para casa. Quero ver nosso bebê.

─Sim senhora. – Ele me beija mais uma vez e depois subimos na moto, no fim tudo deu certo. Agora é só chegar em casa e torcer para estar tudo bem.

Pov – Ellen

Não foi por acaso, Bela foi um presente que Deus me mandou quando perdi tudo, está claro que foi um plano dele, a mesma idade que tinha meu bebê quando aqueles monstros me roubaram sua vida. Tudo planejado para que não tivesse que perder nada.

Isso, os planos de Deus, ele trouxe aquelas pessoas para esse lugar, vieram apenas para me entregar minha filha, nem mesmo a queriam, ela não era de ninguém quando chegou, agora aqueles dois querem me tirar minha filha.

É minha, eu sinto, eu amo, sei o que preciso fazer, Bill não entende, Anna não entende, mas é minha joia, minha filinha linda e preciso dela e ela de mim.

Ando pela casa escura sem conseguir dormir, não querem que chegue perto, quem são eles para acharem que podem separar mãe e filha? Não podem, ninguém pode.

Olho o amanhecer pela fresta da janela, minha Bela na casa em frente, sem mim, devia estar em meus braços, protegida pelo meu amor. Eu não pude defende-la da primeira vez, ela me foi arrancada dos meus braços, mas Deus se arrependeu, se comoveu com minha dor e me deu uma nova chance.

A porta da casa se abre, me encolho prestando atenção, o casal sai armado, aquelas espadas me dão arrepios, aquela mulher não é mesmo uma mulher, é uma guerreira, nem aquele homem é mesmo um homem, é um guerreiro.

Não sabem e não podem amar um bebê, não tem leveza e suavidade para isso. Eu sim. Eu amo e protejo. Eles acenam para a garota, é minha chance, deixaram bela com uma adolescente, não terei outra oportunidade.

Pego a pistola guardada no pote, dentro de um armário atrás de tudo. Sabia que um dia eu precisaria dela, tenho minha faca, arrumo uma mochila com coisas que preciso, vou pegar meu bebê e sair daqui.

Bill vai me perdoar, minha filha também, Bela me chama, precisa de mim, não corremos riscos, Deus se arrependeu e vai proteger meu caminho, afastar os mortos até que encontre um lugar para recomeçar, quando todos esquecerem Bela então podemos voltar e buscar Bill e a sua irmã.

Saio em silencio, atravesso a rua, tudo tranquilo, silencioso, aperto a pistola na mão, não quero usar, não é meu plano matar ninguém, mas se aquela garota ficar no meu caminho então eu não vou me importar.

Giro a maçaneta, apenas encostada, nenhuma tranca, zumbis não abrem portas e as pessoas não se preocupam mais com nada além disso. Entro silenciosa, escuto barulho de panelas.

Coloco a pistola na cintura, pego um vaso de madeira pesado, só preciso apagar Larissa por um tempo, a menina não tem culpa.

Caminho bem lentamente, Larissa enchia uma mamadeira com leite quando chego a cozinha, distraída demais para me perceber ela apenas me ajuda. Ergo o vaso e quando ela pretendia se virar sentindo minha presença eu a acerto com toda força, a garota cai apagada.

O barulho de sua quede desperta Bela no andar de cima, escuto seu choro. Ela chama mamãe, sorrio.

─Estou indo querida. – Apresso o passo escada acima.

─Mamãe, papai! Je veux descendre. Mamãe. – Não entendo sua língua, mas não importa, logo tudo isso será esquecido.

─Aqui querida, vem com a mamãe! – Pego Bela no colo, ela ainda chora, me empurra com as mãozinhas nervosa. ─Calma querida, já vamos sair.

Desço as escadas com ela no colo, quando me viro em direção a porta uma mão me segura pelos ombros, me passa uma rasteira sem se preocupar com Bela em meus braços, caio com a menina no colo, ela chora ainda mais.

Larissa avança sobre mim e Bela engatinha chorando para longe.

─Me solta!

─Deixa a Bela em paz. – Empurro Larissa, ela ainda está atordoada pela pancada na cabeça. – Socorro! – Grita e puxo a pistola.

─Shiu! Não quero fazer isso! – Aviso com a arma apontada para ela, o choro de Bela alto e forte, seus gritos por papai e mamãe, Larissa me encarando firme, tudo me atordoa. – Se afasta! – Ordeno, mas a menina nega, estúpida e corajosa faz um movimento com a perna, algum treinamento penso quando sua perna gira me acertando rosto e então a arma dispara.

Toco o rosto sentindo o sangue na boca, olho para o chão e Larissa está lá, sangra e sei que a acertei, não sei onde, não importa agora, a arma tem silenciador, mas o choro, o grito por socorro, logo alguém vai estar aqui, tenho que ir.

Ergo Bela nos braços, sinto o sangue escorrer quente por meu rosto, abro a porta, a rua ainda está calma e me apresso em direção ao portão.

─Vamos recomeçar meu anjo, ninguém vai nos impedir. Não chora, não chora.

Ergo a pistola quando alcançava o portão, qualquer um que tente me impedir vai morrer, Bela é minha menininha e vamos ficar juntas.

Notas finais
Tenso! O próximo sai na terça. Beijos!!!!!!!! Espero os comentários.