Hell Between Us

59 Capítulo 59 - Vencendo sua primeira batalha


Notas iniciais
Oieee. Mais um capitulo, espero que gostem, o próximo será o Bônus, mas vou postar separado, assim que não gosta de romance nem precisa ler né? Vocês sabem como é, Abby e Daryl se apaixonando num mundo sem zumbis, amanhã posto o link.

Pov – Abby

Descemos quando anoitecia, Bela nos meus braços, a casa está vazia e silenciosa, trocamos um olhar.

─Fomos mesmo abandonados! – Digo num longo suspiro.

─Ainda não. – Larissa surge na sala trazendo pacotes com suprimentos que recolhera provavelmente na cozinha. – Dividimos os suprimentos, acho que agora todo mundo vai ter que cozinhar. – Faço uma careta.

─Isso só pode ser brincadeira. – Reclamo sem intensão nenhuma de virar dona de casa. Larissa ri.

─Se importa Abby, quer dizer, nem falamos sobre isso, mas Beth te contou não é? Que eu quero morar na casa dos solteiros?

─Quero que fique bem Larissa, só isso, quero que se cuide e que não seja apenas para estar perto do Noah, vocês ainda têm tanto tempo.

─Não pode saber, ninguém pode. – Ela tinha razão. – Mas não é por isso, quero começar minha vida e quero que vocês dois comecem a de vocês, merecem isso. – Ela faz um gesto com a mão livre mostrando a casa. – Nenhum dos dois teve pelo que eu sei. Casa, quarto de casal, preocupação com quem vai fazer o jantar.

─A Abby é claro! – Daryl brinca para quebrar o clima triste. Olho para ele, nego com um movimento de cabeça, não nasci para isso, eu acho.

─Vê? Merecem esse tipo de briga, se eu ficar já vi que serei eu a fazer o jantar, lá será melhor para mim e para vocês, mas ainda sou eu e ainda são vocês a guiarem meus passos, não sei ainda tomar decisões sozinha.

─Ótimo! – Sorrio orgulhosa dela. – Assim está certo para mim, mantenha sempre tudo trancado e nunca saia lá fora sem mim, de resto a vida é sua.

─Perfeito! – Larissa comemora feliz. – Rick está reunindo o grupo na nova casa dele, quer falar qualquer coisa.

─Vamos. – Daryl convida, saímos em direção a casa ao lado, Bela mordendo o rabo do peixe e olhando Daryl enquanto caminhávamos lado a lado.

O grupo estava quase todo ali.

─Todos aqui? – Tara pergunta.

─Carl está na cama, levou Judy para descansar, Sasha está no portão da frente. – Rick comunica. – Bom, quero falar sobre minha reunião com Roxana.

─Como foi? – Abraham pergunta.

─Tudo razoável. Deu para compreender que se sobreviveram foi por pura sorte, ninguém tem muito controle sobre o lugar, eles têm um grupo de trabalho que se resume em oito pessoas que faz tudo, desde consertos a saídas em busca de suprimentos, o resto perambula sem afazeres pelo espaço, não mantêm nenhuma segurança especifica.

─Que merda! – Rosita comenta se apoiando na janela.

─Sim, ela aceita que façamos como acharmos melhor, mas acha que vamos encontrar resistência, pelo que Roxana diz o grupo só se mantem unido porque ninguém assumiu profundamente a liderança.

─Achei que ela fosse a líder. – Comento sentando Bela no chão, a pequena se distrai com seu brinquedo, sempre tão boazinha.

─Superficialmente é. Não toma grandes decisões, quase tudo é decidido num tipo de assembleia.

─Que não vamos nos submeter não é Rick? – Carol o pressiona.

─Por enquanto talvez, se de algum modo nossas escolhas levarem a problemas então talvez precisemos de pulso, mas não é o objetivo aqui.

─Vai ser preciso, são preguiçosos, infantis e quando se virem obrigados a trabalhar e se arriscar vão reclamar. – Carol insiste.

─Não vamos dar um passo maior que a perna, temos tempo para descobrir isso. – Glenn pede com sua costumeira prudência.

─Antes de qualquer coisa temos algo para resolver. – Rick termina com a futura discussão que ameaçava surgir com o tom provocante de Carol. – Carl me procurou a pouco, estava indeciso sobre me dizer ou não.

Troco um olhar com Daryl, meu senso de perigo se aguça no mesmo instante, sinto que o dele também.

─O que ele contou? – Mich pergunta.

─Esteve a pouco tempo atrás com os garotos da comunidade, são dois meninos e uma menina da idade dele ou perto disso. Os garotos decidiram sair pelos fundos, Segundo ele fazem sempre isso. Brincar na floresta foi o que disseram, convidaram Carl, evidente que ele tendo vivido lá fora sabe dos perigos e não foi.

─Devia falar com a Roxana! – Carol pede.

─E tornar o Carl o dedo duro do grupo? Nunca que ele vai se encaixar se fizer isso. – Michonne contra põe.

─A questão não é essa, não vou denuncia-los, a questão é a falta de controle sobre os muros, parece que uma parte dos muros dos fundos caiu há um tempo, eles fecharam com madeira e arame farpado, parece seguro ou teríamos notado, mas os garotos passam por esse espaço, seguem para floresta, tem uma pequena estrada de terra nos fundos, leva a rodovia.

─E os garotos podem e vão cedo ou tarde atrair zumbis por lá. – Completo e Daryl concorda, isso é bem claro, que bando de idiotas esses garotos.

─Exato, então pensei que não precisamos criar inimigos para o Carl, podemos apenas nos reunir amanhã, refazer os muros, todos juntos resolvemos em questão de umas horas.

─Vamos fazer isso! – Abraham diz de modo simples.

─E montas esquemas de vigilância dia e noite. – Eugene completa. – Isso impediria fugas e entradas indesejadas.

─Dar tarefas aos garotos e ao resto da comunidade também, sem fazer nada não podemos controlar todos. – Maggie comenta.

─Ótimo, mas precisamos de dois turnos de segurança lá essa noite.

─Eu e Rosita cobrimos a primeira parte da noite.

─Substituímos vocês na madrugada. – Glenn se oferece. –Eu e a Maggie.

─Assim que amanhecer começamos o conserto. – Rick concorda.

─Alguém sabe se os tais garotos já voltaram? — O lado maternal de que sempre sou acusada se revela, devo admitir que no fim sou mesmo assim, mas penso em garotos perdidos do lado de fora em risco e preocupando a família que claro devia estar atenta como nós sempre estamos.

Em resposta apenas silencio, um silencio que aos poucos é substituído por algo que nos parece gritos e pedidos de socorro que logo ficam claros.

─Zumbis! – O aviso de Rosita confirma nossa suspeita.

A reunião parece ter sido tarde demais.

─Fique com a Bela! – Peço a Larissa. – Não saia lá fora! – Exijo quando todos nós corríamos porta a fora.

O caos parecia ter se instalado no local, uma garota com partes do corpo dilaceradas corria aos gritos, uma mulher era devorada ao chão, um homem empurra dois zumbis que tentavam atacar uma idosa, um deles ataca seu braço, zumbis caminhavam em todas as direções e apenas fazemos o que sempre fizemos. Lutamos.

Vamos derrubando zumbis, impedindo ataques, matando e matando, esmagando cérebros, dilacerando corpos, derrubando um atrás do outro, nos protegendo e limpando o lugar.

Dentro de uma casa gritos fazem Maggie e Glenn correr, uma janela estraçalha quando um homem salta dela tentando escapar de zumbis. Os gritos de socorro ecoavam a nossa volta.

Um homem ergue uma pistola, Abe acerta um soco em seu rosto o derrubando ao meu lado.

─Sem disparos! – Ele diz acertando o zumbi que vinha em sua direção, as coisas começam a se acalmar.

O cenário de guerra mais uma vez se desenha diante dos meus olhos, nunca acaba, eles estão sempre perto, sempre em nosso encalço, passo minhas duas sais por mais uma cabeça, como de costume ela gira no ar e rola ao tocar o chão, abrindo e fechando a boca mesmo depois de separada do corpo agora inerte.

─Daryl, Abby! – O som me chega aos ouvidos abafados. – Socorro! – Algo dispara dentro de mim, um segundo alucinante de compreensão e reação.

É a voz de Larissa e vem de dentro da casa, corro ao lado de Daryl, alguns metros até a varanda onde dois zumbis arranhavam a porta convidados pelos gritos de socorro que vinham de dentro.

Um deles tem a cabeça esmagada pelo cabo da besta contra a porta, o outro sente o afiado de minha lamina. Meu cérebro trabalha frenético, Bela está em perigo, nada mais tem lugar em minha mente, apenas que preciso ser rápida, uma força me domina e poderia derrubar mil deles sem nem ao menos me cansar.

A porta se abre num estrondo, Daryl invade a casa antes de mim, tão alucinado quanto eu, escuto Carl convidar zumbis, sua voz vinha da escada.

─Aqui, aqui! – Ele os chamava na tentativa de afasta-los de Bela e Larissa.

Larissa passa a perna em um zumbi, ele cai enquanto ela empurra outro para longe, está próxima a cozinha, meus olhos correm pelo ambiente em busca do choro atordoado que reconheço como sendo de bela, dois zumbis se precipitavam sobre ela sentada no chão da sala.

Minhas espadas parecem ganhar vida própria, num movimento único atravessam os dois pescoços de uma só vez numa incisão perfeita que derruba as cabeças um segundo antes de atingirem seus objetivos. Enfio as espadas nas testas agora separadas dos corpos.

Me viro em busca de mais deles, Daryl ajudava Larissa a derrubar o último que a atacava, depois se vira, uma flecha atravessa a cabeça de um zumbi no primeiro degrau, o outro já estava no meio da escada em direção a Carl com Judy nos braços e uma pistola erguida.

Furioso Daryl esmaga sua cabeça de encontro ao corrimão de madeira brilhosa, o som de ossos se quebrando e sangue chegam aos meus ouvidos e me despertam para o choro constante logo abaixo de mim.

─Mamãe. – A voz suave, infantil e a palavra dita clara e perfeita me domina a mente quando baixo meu olhar incrédula. – Mamãe.

Os pequenos braços erguidos em minha direção não deixavam dúvidas de que eu era a mãe. As espadas escapam de minhas mãos de encontro ao chão, sinto um mundo de coisas me dominar, um amor sem limites.

Me ajoelho em busca de atende-la, estava claro, eu pertencia a ela, Bela me pertencia e nada podia mudar aquilo, eu a envolvo em meus braços.

─Pronto querida, acabou, acabou, estou aqui. – Ela se apoia em meu corpo, os soluços me apertam o coração.

─Mamãe. – Ela diz mais uma vez, faz cada segundo da minha vida ter valido a pena, todo esforço em sobreviver, vencer a morte de muitos modos foi apenas para ter direito aquele momento intenso.

─Shiu, estou aqui meu anjo. – Balanço Bela em meus braços em busca de acalma-la, me ergo trazendo a comigo, Daryl estava próximo a mim, os olhos assustados e confusos como os meus.

Um nó se forma em minha garganta, eu quase a perdi, quero me entregar ao alivio numa crise de choro que não vem porque bloquei sempre o desespero, aprendi com a vida a ser dura.

─Abby! – Sam e Beth invadem a casa se atropelando, empurrando a porta e fazendo um barulho alto que assusta Bela. Ela dá um pulo em meus braços, o choro que diminuía se anuncia ainda mais alto, ela se ergue, Daryl está ali e ela o percebe.

Se contorce pedindo por ele, o choro intenso agora mais alto que o de Judy nos braços do irmão que a balançava de pé no meio da sala.

─Papai! Papai. – A besta de Daryl tem o mesmo destino que minhas espadas, seus olhos encontram os dela e ele não consegue reagir, mas Bela aprendeu a não desistir de nenhum dos dois, ela ainda se contorce, ainda estica os braços em direção a ele e chora copiosamente. – Papai.

Num impulso tardio ele a pega de meus braços, sem uma palavra a abraça, meus olhos encontram os dele e se perdem nas profundezas daquele azul cheio de certezas.

─Desculpe! – Larissa diz tremendo e ganha nossa atenção. Daryl ainda apertava Bela que não chorava mais, quem a condenaria por estar segura naqueles braços, eu mesmo só me sinto segura e viva ali. – Os zumbis começaram a bater na porta da frente, estava tudo bem, mas Eugene se apavorou, correu para os fundos, fugiu, não vi que deixou a porta aberta, então eles entraram, eu não esperava, quando vi eram muitos.

─Vou matar aquele covarde desgra...

─Calma Abby. – Rick surge sujo de sangue e com o ar esgotado. – Elas estão bem, temos muitos feridos, mortos, os garotos acabaram trazendo os zumbis quando fugiam deles, os dois meninos foram devorados no muro, a menina ainda conseguiu chegar a nós, mas está morrendo nesse exato momento.

─Covarde! – Sibilo mais uma vez, mas Bela está soluçando nos braços de Daryl, não é hora para mais guerra, vou ter a chance de dar uma lição naquele maldito.

─O resto do grupo está dando uma busca pela comunidade, Abe está com alguns homens fechando a passagem.

Afirmamos, olho para Daryl, ele se balançava mudo com Bela em seus braços, meus olhos correm para Sam, ele sorria, seu olhar deixa claro que tem algo a ver com Bela e seu mamãe e papai, ela é linda e esperta, mas claro que foi ensinada.

─Vamos leva-la Daryl, quero tirar esse sangue dela, tentar acalma-la e tira-la do meio desse monte de corpos.

Ele apenas afirma, Rick pegava a filha dos braços de Carl que parecia ainda pálido.

─Foi corajosa Larissa, você e o Carl, obrigado! – Daryl toca o ombro da menina quando passamos por ela. – Foi bem treinada afinal.

─Pela melhor! – Ela confirma a eu a abraço, Larissa lutou, não deixou Bela para trás, não fugiu como Eugene, lutou e quase morre por isso.

─Obrigada! – Nunca será o bastante eu penso quando me afasto dela para recolher minhas sais e a besta de Daryl, depois deixamos a casa de Rick, se é que ele ainda vai considerar aquele lugar uma casa.

Pov — Daryl

Papai, o som da voz inocente fica reverberando em minha mente enquanto escuto ao longe e sem compreender muito as razões para zumbis terem atacado a casa.

As coisas estão confusas demais para pensar sobre isso ou qualquer coisa que não seja Bela que agora se acalma em meus braços e por alguma razão que não compreendo sente a segurança dos meus cuidados.

Agradeço Larissa antes de deixar a casa, a garota foi bem treinada, mas o ponto crucial foi sua coragem e nada além disso.

A rua que antes parecia limpa e tranquila agora é apenas reflexo do que sempre foi lá fora, sangue e restos, lagrimas e perdas. Em qualquer outro momento eu estaria ali, carregando corpos, limpando a bagunça que a morte deixa quando passa por nós.

Um arrepio de medo passa por meu corpo, aperto Bela, Abby carrega minha besta nas costas e suas espadas em punho, estranhamente confio nela para isso, talvez mais duas ou três pessoas tenham de mim tanta confiança.

Ela abre a porta, pego minha faca em uma das mãos e a outra mantem o corpo de Bela em meus braços, vez por outra ela soluça em meu colo. Fecho a porta atrás de mim e acompanho Abby numa busca pela casa, tudo limpo e vazio como devia ser.

Chegamos ao quarto que ocupamos, nossas poucas coisas estão num canto ao lado da cama, Abby abre a porta do banheiro, limpo e seguro, ela tampa a banheira e liga a agua.

Só então para diante de mim, os olhos estão marejados e ela quer chorar, mas ainda não está pronta para isso, ergue os braços me pedindo Bela.

A pequena resiste um instante quando tento afasta-la de mim.

─Sou eu querida. – A voz de Abby chega a seus ouvidos e ela se deixa pegar. – Vou dar um banho nela, arruma algo para ela comer e depois descansar?

─Certo, vou proteger as portas e janelas por essa noite, ainda não estou confiante.

Ela afirma e eu as deixo. Fecho a porta quando passo, tranco portas e empurro moveis na frente de janelas depois de ter certeza que estão fechadas, depois sigo para cozinha a mesa tem algumas latas de comida e frutas secas, pego leite em pó e agua, faço uma xicara bem forte para Bela, abro uma maçã e levo junto uma colher.

Papai, ela disse papai, pediu por mim, se acalmou em meus braços, me escolheu. Escolheu Abby, nos quer independente de qualquer coisa, confiou na nossa capacidade.

Ela quer tanto e não sei se posso oferecer a ela, não sei se tenho tudo isso, não tive, não aprendi com exemplos como Rick, ou qualquer um dos outros, minha vida foi só rejeição e abandono.

O que posso oferecer a ela? E Abby, está pronta? É o que quer? A hora da verdade chegou, é preciso contar a ela quem eu sou, de onde eu venho e todo o resto.

Não posso entregar a pequena a ninguém, não confio em ninguém que não seja eu e Abby, paro na porta do quarto e toco a maçaneta, os olhinhos verdes feitos os de Abby me invadem a mente mais uma vez e sei que a amo.

─Boneca mamãe! – Bela mostrava para Abby a boneca que estava em seus braços enquanto Abby penteava seus cabelos úmidos com cuidado.

─Linda boneca! – Abby responde com os olhos ainda marejados, as lagrimas virão e estou pronto para acolhe-la, somos eu e ela e sempre seremos.

─Papai. – Ela me aponta e só então Abby me vê de pé ao lado da cama. Será que toda vez que ela disser eu vou ficar assim? Sem reação, encarando aqueles olhos verdes cheios de esperança?

─Leite! – Mostro a xicara e Abby a recebe. Oferece a Bela a ajuda e Bela toma tudo de uma só vez, depois come algumas colheradas da maçã raspada, lutava contra o sono e o cansaço dividida entre a fome e a vontade de dormir.

Olho pela janela, a noite tinha caído ainda no meio da batalha, suspiro esgotado. Me sento na cama, Bela desiste de comer, sozinha se deita, os olhos vão se fechando e uns minutos depois dormia. Ficamos em silencio olhando para ela.

─Meu pai era um lixo. – Digo olhando para Bela dormindo tranquila no centro da cama. Abby me olha, faço um esforço sobre humano para enfrentar seu olhar, ela precisa que eu seja honesto. – Um bêbado que agredia minha mãe e todos nós. Cresci no meio de muitas surras e humilhações. Você é esperta o bastante para reconhecer o que são minhas cicatrizes.

Abby afirma em silencio, não se move, não pergunta, me dá espaço, perfeita como sempre.

─Ele nunca fez um movimento em minha direção que se quer parecesse com afeto, era nojento, agressivo e doentio, atirava nos objetos dentro de casa só pelo prazer de nos ver em pânico. Tinha um riso sujo. – Sinto nojo só de me lembrar. – Minha mãe era uma bêbada, as vezes acho que ela queria ser uma mãe, mas não sabia como, nunca ficava sóbria o bastante para isso, morreu queimada na própria cama, chegou bêbada, o cigarro caiu no colchão, quando cheguei ela era só um monte se cinzas. Eu era um menino, mas não me lembro de chorar por isso.

Abby seca uma lagrima de compreensão e carinho, tento sorrir em gratidão, não consigo.

─Merle... Era o Merle, você o conheceu, foi o mais perto de afeto que consegui, seus xingamentos preconceituosos e estúpidos, sua revolta e rancor com o mundo e cada ser vivo, como se todos fossem como meu pai ou mãe, mas ele tentou uma vez ou outra ser meu irmão, não conseguiu. Cresci no meio dessa sujeira, me virando sozinho, caçando para comer, odiando qualquer um que tivesse mais do que eu e acredite Abby, qualquer infeliz tinha mais do que eu.

─Sei como é.

─Sim, você sabe. – Ela conhece o ódio de fora para dentro e o ódio de dentro para fora, se livrou dos dois. – Maltratei, agredi, roubei. Assisti o tempo passar, senti vergonha de mim uma vida toda. Inferior, um erro, um desperdício, ainda me sinto assim as vezes.

Ela nega com um movimento de cabeça, me diz sem palavras que não sou nada disso. O sorriso que ensaiava sai fraco, ela corresponde.

─Veio o apocalipse e fiquei importante, não por acaso o mundo dos mortos era mais apropriado para mim, sabe do que eu estou falando, sempre vivemos nesse mundo. As pessoas se escondiam atrás da minha proteção, eu alimentava, lutava e protegia desconhecidos e eles precisavam tanto de mim e eu me senti útil, vivo.

─Salvou todos eles. – Ela me diz e afirmo.

─Salvei e fui salvo, achei que estava só passando o tempo e então eu tinha uma família e gostava mesmo deles e você chegou e bagunçou tudo e depois éramos uma coisa só e eu te amava, amo! – Ela sorri com a correção.

─Também amo você Daryl.

─Não sei ser pai, não sei como se faz isso, não tive um como exemplo, não conheci esse tipo de amor.

Ela olha para Bela dormindo, morde o lábio, os olhos imediatamente se inundam de lagrimas que vinha guardando, torce os dedos e vejo seu medo, sua angustia.

─Eu não estou dizendo não. Estou dizendo sim, estou dizendo que não quero e não consigo voltar atrás, mas não sei fazer isso. Estou dizendo que preciso ficar com ela mesmo que diga que não pode ou não quer.

Abby vem para meus braços, as lagrimas livres molham minha camisa que ainda guardava as lagrimas de Bela, eu a abraço.

─Vamos aprender Daryl, juntos, como temos aprendido todo esse tempo, não consigo me afastar dela.

─Não precisa, não precisamos.

Olho para Bela dormindo tranquila, ela não sabe, mas venceu sua primeira batalha.

Notas finais
Obrigada!!! Esqueci de dizer, vou continuar postando aqui junto com o bônus, mas ai será mais devagar. Não sei ainda o tamanho do bônus, depende se vao gostar e acompanhar ou não. Beijos!!!