Hell Between Us
60 Capitulo 60 - Protegendo a cria
Notas iniciais
Pov- Abby
─Tive medo que não a quisesse, tive medo de estar me dizendo não. – Não consigo parar de chorar, e quando ele me envolve assim em seus braços depois de se abrir eu me sinto ainda mais frágil. – Eu quero ser a mãe dela. Ouviu que ela disse mamãe e papai?
─Ouvi! – Ele me beija os cabelos. – Vai ser estranho toda vez que ela disser, acho que não me acostumo com isso.
─E eu? Estou parecendo uma garota. – As lagrimas escorrem de um modo que não controlo. – Não sei Daryl, acho que vou virar uma princesinha republicana boba e chorona, vai acabar tendo que cuidar de mim e da Bela.
─Eu disse que ela sempre viveu aí dentro, sabe o quanto gosto dela. – Ele me envolve ainda mais, me beija e depois tenta secar minhas lagrimas, me beija mais uma vez. – Cuidar de você não seria problema, mas a Rainha do apocalipse não permite.
─Ela está indo embora, só quero ficar aqui, nos seus braços olhando minha... olhando a Bela dormir.
─Pode dizer minha filha, ela te chamou de mãe.
─Daryl como vai ser isso?
─Não tenho ideia. Aprendemos, sempre aprendemos, ela vai ensinar desse jeitinho bonitinho dela. – Meu coração se aperta só de ouvi-lo carinhoso falando dela, mais lagrimas rolam, mais beijos leves para me acalmar. – Não sei ser gentil, carinhoso, mas posso protege-la, quem sabe isso baste para ela?
─Como pode dizer isso Daryl? Está aqui me abraçando, beijando, secando minhas lagrimas. O que acha que é carinho?
─Me lembre disso as vezes, eu me esqueço. Nunca acredito.
─Tenho orgulho de você. – Digo a ele, me afasto um instante para olhar em seus olhos, mas sem sair de seus braços. – Sua história não é de fracassos como pensa, é de abandono sim, dor e sofrimento, mas é a história de alguém que mesmo com isso tudo ficou bom, justo.
Ele fica tão tímido, gosto tanto quando fica assim, sem jeito, orgulhoso, mas querendo esconder isso.
─Eu sei que esse mundo é uma grande merda, mas sua história é a história de um vencedor. Obrigada por confiar em mim e se abrir.
─Devia isso a você, tem feito isso o tempo todo comigo, me deixou entrar na sua vida, enquanto isso eu me mantinha escondido, mesmo assim nunca me exigiu nada.
─Eu te amo Daryl Dixon, não me importa quem você foi, como chegou aqui, sei quem é agora e isso me basta.
─Porque é uma princesinha republicana de bom coração. – Ele brinca depois de mais um beijo.
─Não tenho bom coração nada! – Ele ri de mim, seco minhas lagrimas, me aconchego mais uma vez em seus braços.
─Desculpe te ofender assim, foi sem pensar, nunca te chamaria de bom coração.
─Idiota. E se quer saber está parecendo um principezinho.
─Você já pega pesado! – Ele diz ofendido. – Seu humor é zero!
Prendo o riso, só mesmo Daryl Dixon e Abby Coleman para se sentirem ofendidos com elogios. Suspiro depois de um último soluço que leva de uma vez as lagrimas embora.
Olhamos para Bela, a pequena dormia tranquila, espalhada no centro da cama, é tão linda. Ela sim parece uma princesinha.
─Ainda quero matar Eugene.
─Eu sei, vai ter uns minutinhos com ele amanhã, vou fazer vista grossa. – Daryl me diz sem deixar de olhar Bela.
─Vamos viver nós três aqui. – Constato, não é ruim nem bom, apenas diferente.
─Sim. Vai ficar aqui assando tortas, e me esperando chegar do trabalho.
Me afasto dele, a imagem se forma em minha mente e parece perfeita, me assusta e ele percebe pelo meu olhar, mordo o lábio quando as lagrimas voltam, sou forte, sou a rainha do apocalipse, garotas frágeis e de bom coração morrem, deixam pessoas queridas morrerem.
─Calma Abby, não precisa fazer nada nem perto disso, nunca vou te pedir algo assim.
─Não vê que não é isso? – Volto para seus braços. – Não consigo mais achar isso tão ruim, pareço a filha do senador, me sinto de novo como ela, escrevendo em diários de capa rosa, fazendo aquela coisa de escrever seu sobrenome depois do meu e envolver em coraçõeszinhos.
─Que sobrenomes ficava envolvendo em corações? – Não acredito que ele está preocupado com isso.
─Sei lá Daryl é modo de dizer.
─Modo de dizer ou amava algum riquinho idiota?
─Você é bem ridículo sabia? Muito mesmo! Eu nunca amei ninguém além de você, nunca vou amar.
─Não vai mesmo. – Daryl toma meus lábios, não de modo suave e gentil como quando estava me consolando, é dominador, exigente e faz meu coração sair do ritmo, correspondo, me entrego, adoro todos os lados desse homem, quando é gentil e carinhoso, quando me domina não deixando espaço para recusa, como que querendo provar que pertenço a ele.
Ele vai me empurrando de encontro ao colchão, minhas mãos passam por seus ombros e deixo escapar um gemido, mas então penso em Bela deitada ali, dormindo tranquila.
─Não Daryl! – Espalmo minha mão em seu peito tentando empurra-lo, ele me olha espantado, nunca aconteceu de eu conseguir dizer não a ele. – Aqui não, a Bela.
Gosto do modo divertido com que ele me olha, não sei o que passa por sua cabeça, não me concentro o bastante para perguntar porque meu corpo queima por ele.
─Vem. – Ele me puxa e então estamos no chão, Daryl cobre meu corpo com o seu. – No chão, como na primeira vez.
A lembrança só acende ainda mais meu desejo e tudo que me importa são as mãos experiente de Daryl passeando por meu corpo enquanto me despe, tirar as roupas é algo que nos especializamos, nunca sei muito como ela saem, onde vão parar, nunca me importo.
Só quero que nos deixem de uma vez, que sua pele se misture e minha e que sinta então seu calor.
─Senti sua falta. – Ele sussurra em meu ouvido, me faz derreter. Simplesmente adoro ouvir, mas perdi a fala em algum lugar do meu desejo e não consigo responder.
Gemidos escapam a cada toque, fecho meus olhos, completamente rendida e me deixo levar mais uma vez, é uma nova primeira vez, agora somos diferentes, mudamos ao longo do caminho que percorremos juntos.
Não somos mais as pessoas que éramos naquele dia na cabana, não me sinto mais perdida e sozinha, não tenho mais aqueles medos, nem ele tem, são novos e diferentes medos, mas temos um ao outro e podemos vencer qualquer coisa no caminho.
─Não me sentia assim desde...
─A última vez. – Ele completa e rimos, é sempre perfeito, não importa muito o lugar a hora ou as cicunstâncias, é sempre a mesma entrega, me movo para deitar em seu peito. – Até que gosto do chão. – Ele brinca, beijo seu peito. – Temos que arrumar um berço para colocar aqui.
─Veja que tipo de preocupação temos agora. – Ele afirma. – Agora está me dando frio.
─Vamos nos vestir e ir para cama.
─Vestir? Isso é mesmo estranho Daryl, mas você pensa em tudo.
Caçamos roupas pelo chão a nossa volta, entre sussurros e escuridão para não acordar Bela, depois olhamos para ela no centro da cama.
─Nada feito essa garotinha no meio toda noite. – Balanço a cabeça em negação.
─Do seu lado ela pode cair da cama dormindo.
─Pode, por isso você vai empurrar a cama para parede até encontrar um berço. Papai.
─Certo, cuido disso amanhã. – Ele tenta ir para cama, mas me mantenho de pé, imóvel, de braços cruzados, Daryl me olha, suspira. – Ou hoje.
Ele dá a volta, retira um móvel ao lado da parede, se esforça para evitar barulho.
─Será que a rainha do apocalipse pode me ajudar a empurrar a cama?
─Ela saiu, não sei onde se enfiou, só o que tem é a princesinha republicana.
─Muito engraçado, esse seu humor é mesmo refinado. – Daryl empurra a cama, Bela está num sono tão profundo que tenta abrir os olhos, mas desiste e apenas se vira de lado. – Podemos dormir agora? Ou quer mexer um pouco mais na decoração madame. Estou bem cansado.
─Bem que se te convidasse para o chão ia correndo. – Resmungo erguendo Bela e a colocando mais para o lado, arrumo seu travesseiro, cubro com cuidado e sem resistir beijo sua testa.
Daryl se deita e me aconchego em seus braços, a cabeça em seu peito como todas as noites. Mas acontece que não quero dar as costas a bela, queria ficar olhando para ela até dormir.
─Queria dormir olhando para ela, assim parece que jogamos a pobrezinha num canto. – Daryl me olha, a mão que me fazia carinho nas costas para.
─Abby, é só você virar para ela.
─Não quero, vive se intrometendo no meu jeito de dormir.
─Agora a Bela é a nova parede? – Daryl tem um prazer indiscutível em me perturbar.
─Vá para o inferno! – Me viro me afastando dele, escuto sua risada, palhaço.
Daryl se move, me abraça, enrola suas pernas as minhas, beija minhas costas. Já me derreto mais uma vez. Gosto de senti-lo perto de mim quando durmo, é a única maneira de dormir tranquila, segura.
─Pronto? Está bom assim? Pertinho de mim?
─Você é muito convencido Daryl Dixon.
Ele volta a rir, mas depois acabamos pegando no sono, acordo com o sol iluminando o quarto, pisco me lembrando da noite e de onde estamos, ainda estranho não acordar em nossa cela.
─Então diz, leite. – Me movo e lá está Bela, entre nós, balançando as perninhas muito contente enquanto brinca com seu peixe e conversa com Daryl.
─Leite.
─Isso, falou bem bonitinha. – Daryl me nota e dá um meio sorriso. – Acordei com ela entre a gente. – Se explica, me estico um pouco para beija-lo.
─Mamãe.
─Você sabe que foi o Sam, não é? – Comento antes de beijar os cabelos de Bela, ele afirma. – Bom dia anjinho. Quer leite?
─Leite.
─Ótimo, vamos descer.
Depois de um pequeno reboliço que é nos prepararmos para descer, alimentar Bela e vesti-la, deixamos a casa, seguimos para casa de Rick, precisamos saber como vão as coisas.
Fico com Bela nos braços, não pretendo entrega-la a ninguém no momento, não depois do que passamos.
─Estão todos no enterro. – Rick diz quando chegamos a sua varanda. – Fiquei para não ter que levar a Judy, também não achei boa ideia deixa-la sozinha com o Carl hoje.
─Está certo. – Daryl comenta. – E os muros?
─Os homens fizeram uma pequena força tarefa, arrumaram um pouco para a noite e vamos reconstruir depois dos funerais.
─Melhor assim. – Eu digo pensando em como vou deixar Bela para trabalhar junto com o grupo.
─Ellen foi procurá-los? – Rick questiona e negamos. – Ela veio ontem a noite, quando todos se recolheram, assustadíssima com o ocorrido e muito preocupada com Bela. Ela... Bom, ela manifestou o desejo de ficar com ela.
─Não! – Digo firme, ninguém vai tirar minha filha. Daryl pega Bela dos meus braços, acho que sente o mesmo.
─Eu disse a ela e o marido que Bela é parte da nossa família e que por tanto nós cuidamos dela.
─Exato.
─Fez bem. – Daryl completa. – Decidimos ficar com ela.
─Ela decidiu isso! – Rick brinca. – Soube que foram chamados de mamãe e papai.
─Mamãe, papai. – Bela repete distraída e rimos.
─Ela repete tudo que dizemos.
As pessoas começam a caminhar de volta. Ellen nos vê na varanda, apressa o passo de olhos arregalados, parece uma lunática, isso sim, sobe os degraus de dois em dois.
─Oh! Meu Deus, está bem querida. – Sem aviso ela retira Bela dos braços de Daryl, envolve a menina e a aperta, me espanta assim como a todos os outros. – Nem dormi essa noite meu anjinho, minha menina. Está tudo bem, estou aqui.
Quem aquela mulher pensa que é para usar todos esses pronomes possessivos com minha filha? E porque acha que pode aperta-la assim nos braços? Bela se esquiva dela, Daryl ainda não consegue esboçar reação alguma depois de ter Bela arrancada de seus braços sem aviso.
─Vem Bela. – Eu a tiro dos braços de Ellen. – O que pensa que está fazendo?
─Está tudo bem Abby, vou ficar com ela, Bill concorda, Roxana também, eu sei que todos vocês se sentem responsáveis por ela, mas ela precisa de uma mãe.
─Ela tem uma mãe. – Sibilo, aquilo é muito mais grave que gritos, minha voz sai entre os dentes, carregada de raiva, Ellen sente, estremece de medo. – Eu sou a mãe dela, não quero que chegue mais perto da minha filha.
─Abby, você não precisa...
A mulher começa, meu sangue ferve.
─Rick! – Eu exijo que faça algo ou não responderia por mim.
─Ellen, a Abby e o Daryl vão criar Isabelle, ela já os chama de pai e mãe, são uma família agora, assim como você tem a sua.
─Eu posso fazer isso, já tenho experiência, Abby não está pronta, vocês acabaram de chegar... Eu posso...
─Ellen, vamos para casa. – Bill a envolve pelos ombros, olha para todos se desculpando, aperto mais Bela junto a mim, essa mulher deve ser louca. – Vamos querida, Anna está a nossa espera.
─Você concordou Bill, disse que tudo bem. – Ela vai dizendo enquanto o casal atravessa a rua e entra na própria casa.
─Mantenham essa mulher longe da Bela. – Eu peço, é bom que cuidem disso ou não respondo por mim.
─Arrasou Abby, foi bem legal você dizendo que Bela é sua filha. – Sam sorria ao meu lado. – Vem com o tio Sam. – Ela vai para seu colo. – Cadê a mamãe? – Bela me olha. – E o papai? — Ela procura Daryl.
─Foi assim que a treinou? – Daryl pergunta agora calmo.
─Foi. Ela aprendeu rápido. Estão bravos? – Abro e fecho a boca, eu não estou mesmo brava. Nem poderia, amo Bela, nem sei que momento comecei a me sentir assim, mas agora ela é a coisa que mais me importa. – Eu sabia, são muito durões, se eu não fizesse nada era capaz da Bela acabar nas mãos da maluca. – Ele aponta em direção a casa de Ellen.
─Nunca! – Meus olhos varrem a rua e então dão de cara com Eugene de pé, na calçada em frente a casa de Rick, nos encarando com a cara mais deslavada do mundo, o grande covarde, uma fúria explode dentro de mim.
Desço as escadas como um raio, ele não reage quando me vê avançar sobre ele, apenas arregala os olhos, acerto um soco, um burburinho começa na varanda, mas ninguém vem defende-lo, acho muito bom.
─Seu covarde! – Ele está com a mão no queixo um pouco atordoado pelo soco, seguro sua gola, passo a perna direita por trás de sua canela e o derrubo num golpe básico, então estou sobre ele. – Você é um imbecil!
─Daryl, faz alguma coisa! – Rick pede.
─Eles estão bem, só estão conversando. – Daryl responde, Eugene tremia feito o covarde que é.
─Tem ideia do que fez seu covarde? – Puxo minha faca, encosto em sua garganta. – Colocou minha filha em risco, fugiu feito um imbecil e a deixou em risco.
─Daryl!
─Já vou Rick, Eugene está bem.
─Tecnicamente ela não era sua filha ainda, foi só hoje que a assumiu. – Ele diz com a voz rouca e tremula.
─Cala a boca! – Aperto mais a faca em seu pescoço. – Use esse seu cérebro para mais do que proteger o próprio rabo seu covarde, ou eu passo a faca em sua garganta e te atiro do lado de lá dos portões. Entendeu?
Estou sentada sobre ele, uma mão segurando seu colarinho, a outra a faca em seu pescoço, ele treme em baixo de mim, sua feito um porco de olhos arregalados.
─Eu me arrependi, foi um reflexo, foi estúpido e nunca faço coisas estúpidas, a casa era mais segura, mas me apavorei.
─As pessoas têm muita paciência com você seu verme inútil, mas eu não, nunca mais coloque minha filha em risco, nunca mais a deixe para trás ou vou fazê-lo implorar por zumbis.
─Abby está parecendo uma leoa protegendo a cria. – Agora é a voz risonha de Sam. – Acho que posso sentir ciúme talvez.
─Daryl tira ela de lá! – A voz de Rick soa preocupada.
─Não precisa, não vou me sujar mais rolando com esse traste, já foi avisado.
Me afasto de Eugene, ele se ergue limpando as roupas, Tara e Rosita o ajudam.
─Pediu por isso. – Tara diz a ele quando caminhavam para casa dos solteiros logo ao lado.
Meus olhos encontram os de Daryl, ele tinha um sorriso claro no rosto, não um meio sorriso ou o esboço de um como de costume, sorria mesmo, por inteiro, divertido e orgulhoso.
Sua expressão me acalma, subo de volta os degraus, pego Bela no colo de Sam, beijo Daryl de modo suave, ignoro todos os outros, não quero nem saber o que estão pensando.
─Vamos lá dentro brincar com a Judy querida?
─Judy!
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