Heaven In Your Eyes
51 Will we come back someday?
Notas iniciais
– Ele já acordou, Mandy — Los disse saindo do quarto onde James repousava — Ainda está um pouco sonolento, mas já conseguimos conversar.
– Hm, entendi — Murmurei questionando a mim mesma se gostaria de vê-lo e mordi minha boca por dentro tensionando meu queixo de nervoso
– Acho que deveria ir lá. — Mehmet se pronunciou atrás de mim e delicadamente enlaçou o braço ao redor dos meus ombros. Pude perceber a expressão de Carlos ao nos ver assim e ele simplesmente mudou o olhar de direção.
– Não sei se me sentiria confortável nessa situação.
– Mas vocês precisam conversar, não só sobre isso como também sobre o término do namoro.
Fiz bico como uma criança e encarei Mehmet que me olhava como um pai que ordena ao filho.
– Não quero — Resmunguei me sentindo infantil o bastante
– Mas precisa. — Ele tocou meu lábio com o indicador — Deixe de agir como Emmett
Não pude evitar rir com a comparação e concordei em vê-lo, mesmo sabendo que essa poderia ser uma decisão equivocada. Enfiei as mãos no bolso da minha saia longa escondendo minha própria timidez conforme caminhava até o quarto. Dei dois toques na porta ouvindo antes um "entre" da voz masculina que tanto conheço. Jay havia tomado sete bolsas de soro e só então conseguiu ser reanimado, eu não sei se gostaria de me deparar com uma visão dele dessa maneira, mas acho que seria pior encarar os olhares inquisidores do meu ex e do meu amigo que certamente deveriam estar hostilizando um ao outro nesse instante. Girei a maçaneta e lá estava ele ainda repousando sobre a mesma poltrona azul na qual o deixei horas atrás.
– Oi — Sua voz fora fraca, mas não acredito que isso tenha sido devido ao fato de estar hospitalizado e sim por vergonha.
– Oi — Respondi gelidamente
– Me desculpe por todo o trabalho que dei para você e seu namorado — Apesar do pedido ser sincero, ele havia ironizado
– Mehmet te ajudou com o maior prazer, ele é um cavalheiro — Ignorei o sarcasmo que recebi
– Não duvido. — Ele respondeu e eu não soube identificar se havia mais uma dose de ironia
O silênciou pairou entre nós e, apesar de estar errado, James ainda me encarava com curiosidade e sem nenhum tipo de constrangimento. Que diabos?
– Você é idiota ou o que? — Deixei as palavras que estavam presas em mim se esvairem
– Acredito que idiota seja a ofensa com maior eufemismo que encontrou. — Disse parecendo ainda grogue e estúpido o bastante
– Sério, o que se passou pela sua cabeça? Vou beber que nem um bêbado imundo porque acredito que minha namorada me traiu?
– Ex namorada — Corrigiu
– Você está agindo de maneira infantil, parece uma criança mimada querendo atrair a atenção dos pais.
– Olha, eu não estou morto, tá legal? Eu estou vivo, eu sobrevivi e estou com dor de cabeça e um puta enjôo, pode gritar comigo depois? — James fechou os olhos e voltou a recostar-se
– Não, eu não vou discutir depois — Fui até ele determinada — Você não teve hora para beber, não teve hora para me da trabalho em plena madrugada e não vou ter hora para dizer na sua cara o quanto você está agindo como um babaca assim como fizera anos atrás.
Seus olhos se abriram, ainda um pouco avermelhados e semi cerrados. Jay passou a mão pelo rosto um pouco transtornado e uniu as sobrancelhas como se estivesse prestando atenção em mim. Logo uma expressão de deboche apareceu em seu rosto e ele gargalhou.
– Não me importa se está pensando que voltei a ser o mesmo.
– E o que ainda te importa? Jogar a saúde fora e não ver seu filho crescer? — Coloquei uma mão na cintura
– Então agora ele é meu filho? Achei que você tinha deixado bem claro que eu não fazia parte dessa família.
– Foi você quem terminou comigo, eu nunca te expulsei de nada.
– Eu terminei porque você não consegue decidir o que quer. É isso que tanto me irrita, é isso que me faz sair do sério. Emmett é meu filho e eu devia estar perto dele. Meu pai não ficava comigo e olha o que eu virei, olha o tipo de homem que fui por anos e mais anos! Me tornei um galinha que era incapaz de assumir uma paternidade, um bêbado, um viciado em sexo sem vergonha que te usou. Eu não quero que Emmett tenha o mesmo destino. Você pode achar que eu estou fora de mim o bastante pra dizer tudo isso e é bom que eu esteja porque não sei se seria capaz de repetir tudo quando sóbrio. Eu quero cuidar de você, quero cuidar do meu filho, essa é a minha obrigação e eu preciso que deixe eu fazer a minha parte! — James sentou-se na cama e seus olhos as vezes tão profundos se tornaram sutis, doces e indefesos. Era cruel e inacreditável a maneira como apesar de tudo eu permanecia tola, atingível e controlada por ele. Quero dizer, não era para continuar me abalando com os rumos que tomamos separadamente.
– Cuidar? Claro! E como é que você vai cuidar da gente? — Ironizei como forma de defesa
– Não precisa falar assim, não me menospreze.
– É só uma pergunta, não to menosprezando você.
– Eu vou arranjar um jeito, sei que sempre fui capaz de te fazer uma mulher feliz. Quer uma casa? Te dou uma casa. Quer sumir daqui? A gente some. Eu arranjo uma caminhonete, a gente cai na estrada e se você gostar do lugar a gente fica, se mudar de ideia a gente vai embora na hora. — Ele parecia animado com a ideia
– E o Mehmet?
– Ele fica, pode arrumar uma mulher e um filho. Esse é o direito de todo homem.
– Parece um sonho bom. — Admiti
– Mas para você é apenas um sonho, não é mesmo? Eu estive disposto a ser teu por inteiro e você não estava pronta, agora sou eu quem tenho medo.
– Eu estava, James, você que interpretou tudo errado.
– Não sei Amanda, não sei de mais nada — Ele respirou fundo e acredito que havia ficado enjoado mais uma vez — Pretende contar ao Emm, você sabe, sobre hoje?
– Ele não precisa saber que o pai está se transformando em um vagabundo de novo. Você não é assim, James.
– Não? — Ele ergueu uma sobrancelha
– Não, você mudou ou pelo menos foi o que me fez acreditar.
– Eu não sei, talvez essa parte de mim sempre esteve presente adormecida esperando que você abrisse a minha caixa de Pandora.
– Não me culpe pelas suas decisões erradas.
– Então não me julgue por te afastar da minha vida — Ele rebateu
– Em quantos idiomas posso dizer: “Eu estou tão decepcionada com você”?
– Não fique, você sempre foi a armadilha perfeita para me levar ao abismo.
– É isso que eu sou? É apenas isso? Quer saber, eu não sei mesmo porque estou aqui. Quer sair? Saia. Quer foder uma desconhecida? Fode. Quer encher a cara? Faça bom proveito! No final do dia quem vai estar ao meu lado me desejando boa noite antes de dormir não será você e isso só prova que eu fiz bem em escolher a pessoa certa. — Caminhei até a porta sabendo que se eu a abrisse não teriamos a oportunidade de discutir sobre isso novamente.
– O libanês é a escolha certa? Isso quer dizer que você já escolheu?
– Qualquer um seria!
Respondi sem pensar duas vezes e sai do quarto batendo a porta. Os dois pares de olhos no corredor me inspecionaram com surpresa assim que apareci deslizando meu indicador sob um dos meus olhos enxugando uma lágrima.
– Está tudo bem? — Mehmet se aproximou, mas minhas mãos tremiam o bastante
– Amanda, o que aconteceu? — Carlos também chegou mais perto, mas seus olhos castanhos não deixavam de estar fixos em Met que agora segurava com ternura meus dedos entrelaçados aos seus
– Só me leve embora daqui, por favor. — Pedi ao meu ex
– O que James te disse? — Los insistiu
– Depois conversamos, tudo bem? — Me direcionei a ele e percebi meu amigo exitar
– Você é quem sabe. — Respondeu secamente e eu apenas queria fugir para minha casa e me esconder em um monte de mentiras reconfortantes sobre os dias em que fomos felizes.
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