Heaven In Your Eyes

52 If something is bothering you, just let off steam.


Notas iniciais
Meus lindos e lindas, sei que odeiam o capítulo assim tooodo descritivo, mas ... Vamos fazer a alegria da autora que hoje quer ser um pouco mais sentimental? Vamos! kkk Aliás, vocês quase me matam heim! :O Só porque o James faz uma merda, vocês praticamente me arrancam a cabeça, jogam a raiva em mim e até me chamam pelo nome HSUHUAHUSUAHUSHUA Cara, eu morri de rir. Me senti aqueles artistas que apanham na rua, sabe? KKKKKKKKKKKK Quase fui linchada :P Bem, ainda responderei os milhares de comentários (haja dedo, mas vocês são pacientes né? *-*) e desculpem a demora, mas estava enrolada com meu aniversário.

Capítulo dedicado à pessoa que de alguma maneira é o James na vida real, que me inspira, que me fez trazer a tona os sentimentos da Amanda tão claramente e que se magoou ao ver partes do que era a nossa vida expostos em uma história. Se estiver lendo: eu sinto muito, muito mesmo.

"James", eu definitivamente gostaria de parar de pensar nesse nome desde a última vez que nos falamos, mas por mais que todos os esforços fossem feitos eu não conseguia deixar de escutá-lo em todo lugar como se houvesse um complô para que estivesse atado a mim. Ele sempre fora assim: tirava conclusões precipitadas sobre todas as coisas, acreditava no que era mais fácil crer e estava tão preocupado em buscar erros que, com toda certeza, acreditaria na pior parte de mim se fosse preciso — ou mais cômodo. Acho que nunca vou entender tudo que aconteceu entre nós durante todo esse tempo ou o porque de eu estar sempre seguindo a diante e ainda assim manter um espaço dentro de mim que o aprisiona em uma nostalgia melancólica. Talvez lá no fundo, bem no fundo, eu sempre soubesse que por mais que fingisse para mim mesma que havia me libertado e o esquecido nesses longos anos sem nenhum contato, bastaria uma única palavra para que eu caísse novamente aos seus pés.

Desde que voltei para Nova York tentei ao máximo evitar uma maior aproximação. Eu sabia que não poderia encarar mais uma vez todo o passado que tínhamos sem ao menos sentir um pingo de sofrimento. É claro que eu sofreria, sofreria principalmente por saber que tudo que construímos foi destruído, por saber que teríamos que nos tratar como dois estranhos, por ter que ouvir sua voz e lembrar de todas as vezes em que aqueles lábios pronunciaram meu nome de uma maneira que jamais voltaria a fazer, por ter que olhar seus olhos profundos, ver a maneira com que sorria para mim sempre deixando os lábios um pouco entreabertos, como mexia no cabelo quando está incomodado ou como sempre se inclinava para frente quando prestava atenção em algo. Eu não queria me prender aos detalhes que minha memória traidora recordava sem nenhuma falha, não queria que essa mesma memória lembrasse outras emoções e sentimentos que algumas vezes me fizeram tão bem e em outras tão mal. O evitei não apenas por medo da dor, mas também porque sabia que eu não seria capaz de estar tão perto e ao mesmo tempo tão distante. Eu não saberia ser uma conhecida quando na verdade vivenciamos algo muito maior e apesar do meu coração pedir por uma única imagem, um alerta em minha cabeça dizia que apenas o fato de ver seu rosto faria meus olhos produzirem lágrimas o suficiente para encharcar os Estados Unidos por inteiro. Fui uma estúpida mentindo deliberadamente para mim, me convencendo com argumentos fajutos que toda a raiva sentida por aquela traição e desapontamento era o suficiente para enterrá-lo no mais profundo lugar da minha dor, o que menos esperava era que as coisas tivessem cicatrizado e que eu estivesse pronta para sabe-se-lá-deus-como enfrentá-lo e me deixar enfrentar também. Eu fugi de James como uma presa foge do seu predador, mas fui tão tola que não o procurei em lugar algum e esqueci que ele estava o tempo todo onde menos deveria estar: dentro de mim.

E então ele apareceu na casa de Carlos, apareceu implorando por uma chance de se aproximar e, céus, como eu poderia confessar a mim mesma que essa proximidade me induziria a muito mais que só isso? Eu sabia no que isso ia dar, sabia e mesmo assim permiti que um passo a frente fosse dado por ambos. Jay queria que eu o notasse, queria minha atenção e naquele maldito dia chamou-me desesperadamente a ponto de eu sentir que aqueles gritos vinham de um lugar muito mais fundo que sua garganta, um lugar no qual eu mesma desejei estar — pena que nunca estive ou achei que não.

Agora, de acordo com todos os últimos acontecimentos, se hoje alguém me perguntasse o por quê de ter lhe dito que escolhi Mehmet, provavelmente eu não saberia explicar com clareza, se é que de fato houve uma escolha, se é que realmente não passaram de palavras que minha boca pronunciou em uma tentativa desesperada de me proteger ao ver que ele havia errado mais uma vez. Acho que desde meu regresso mantive um pé atrás em relação a James, não estive pronta para me entregar por inteiro mais uma vez porque acreditei plenamente que não demoraria muito para me magoar e a verdade é que continuo acreditando que serei ferida mais cedo ou mais tarde, assim como ele já o fizera. Ao contrario, Mehmet possui a suavidade e calmaria que estabilizou minha vida. Com ele, eu conseguia ser eu mesma sem "pertencer" — em um sentido de posse — a alguém, não havia a necessidade de ser o objeto de James, de ser a mulher que ele usou e trocou com uma facilidade absurda. Met era simples como respirar, tímido e educado sem perder sua essência que tanto me encantou e eu podia pôr a cabeça no travesseiro de noite sem me preocupar se o dia seguinte seria turbulento ou não. Foi dessa maneira que ele conseguiu cativar meu afeto durante o tempo em que me mantive afastada do homem que sei que amo, foi dessa forma que prometi para mim que tudo ficaria bem. Mas ficaria?

Ainda assim, em seis anos algo em mim ainda pedia desesperadamente pela adrenalina que meu ex trazia em minha vida. Eu continuava sentindo falta de tudo e tenho medo de que essa saudade fique cada vez maior agora depois de tudo estar esclarecido e ainda assim arruinado. Só que eu fiz uma escolha, não é mesmo? Optei por seguir o que minha consciência mandava, optei pela tranquilidade e sinto que cometi uma injustiça com meu coração. Mehmet e James são completos opostos. Um era como a calmaria de uma fazenda, outro agitado como uma grande cidade; o primeiro era tranquilo e o segundo capaz de me tirar do sério; Met era um protetor e James fazia meu coração palpitar cada vez mais forte. E palpitava, como palpitava!

As vezes eu gostaria que ao menos por um minuto todas as barreiras de Jay caíssem para que eu pudesse saber o que se passa naquela cabeça ora tão confusa e ora tão decidida, mas quando age dessa maneira defensiva culpando-me e julgando parece que no lugar de um cérebro possui uma pedra de gelo inquebrável. Eu só queria que ele soubesse que nunca consegui afasta-lo do meu peito, da minha vida e de tudo que sinto, mas meu orgulho era grande o bastante para admitir todos os efeitos que ainda possui sobre mim e o dele enorme o suficiente para entender que não está pronto para me ver com outro alguém. Nós não estamos, nenhum de nós e ainda assim estamos fadados a conviver um com o outro por Emmett. Acaso o destino estava o empurrando doentiamente para mim? De qualquer maneira, nada é saudável quando se trata de nós dois e nunca vai ser.