Heaven In Your Eyes
12 What?
Notas iniciais
É inegável que James me magoou anos atrás, é impossível esconder as consequências dos seus erros e o quanto isso veio a afetar minha vida. Qualquer mulher no mundo se negaria a vê-lo de novo ou sequer teria cogitado a hipótese de voltar a Nova York e essa certamente foi a posição que adotei desde o início. Eu tinha um ódio de James que parecia não curar, ódio este que estava lado a lado com um amor adormecido dentro de mim. Era como se eu tivesse disfarçado todo esse sentimento enganando a mim mesma, tentando pôr máscaras de uma mulher ressentida que na realidade carregava a dor de uma traição. Jay me traiu de todas as formas, não apenas quando transou com Halston, mas também quando me deixou iludir de que teríamos um futuro quando estava claro em sua mente que isso jamais aconteceria. Não, eu não posso culpá-lo pela gravidez, fui tão responsável pelo ato quanto ele. Não fui obrigada a fazê-lo e foi uma demonstração de amor da qual não me arrependo, apesar de todas as dificuldades que vieram. Eu poderia simplesmente ter contado e deixado a bomba cair sobre a cabeça daquele que me despedaçou, mas que tipo de mãe eu haveria sido se permitisse um homem cruel, cujo coração havia sido congelado, se aproximar do meu filho? James rejeitaria a criança, me culparia por tentar prendê-lo, ignoraria a existência de Emmett e meu filho cresceria com um déficit paterno. Por sorte, Mehmet nos salvou de um destino pior e é claro que por um tempo isso foi o suficiente, mas como poderia seguir em frente se volta e meia era acordada de madrugada com pesadelos nos quais era encarada por esses viciantes olhos esverdeados? Como poderia me casar se no fundo tinha a certeza de que não confiaria novamente, que não saberia amar mais uma vez ou deixar alguém entrar em minha vida tão deliberadamente como ele entrou. Ele. Este que apareceu de repente, que chegou de uma maneira inusitada gritando meu nome, que veio com promessas que me desestabilizaram. No momento afirmo que sou um carro desgovernado que não sabe para onde ir. Eu sei o que vocês devem estar pensando e, acreditem, eu pensei o mesmo por alguns minutos. Não vou negar que brevemente tive culpa pela maneira como me comportei com James há duas semanas atrás. Céus, como eu tive coragem de ir até ele, de — indiretamente — procurá-lo, de dar a entender que nos veríamos de novo? Mas quando amamos uma pessoa, não importa quanto tempo passe ou quanta dor exista, se esse sentimento for verídico vamos sempre estar perdoando, re-amando, dando chances a mais. Não, eu certamente não iria dar uma nova chance a Jay e tenho a certeza de que entre nós não pode haver mais nada, sei que esse passado não pode se repetir. Ainda assim, se ele aparece diante de mim dizendo que mudou e todos ao meu redor afirmam o mesmo, como posso me manter fria e indiferente a isso? Por Deus, foi o primeiro homem que amei, o primeiro ao qual me entreguei e seria inútil fingir que nunca pensei nele durante todo esse tempo ou que não fiquei abalada com a sua presença. Simplesmente cheguei a conclusão de que não posso continuar fugindo. Fugi tempos demais, amargurei tempos demais e hoje não consigo reconhecer mais aquela garota que saiu daqui fugindo para Oklahoma. Eu morri um pouquinho a cada dia porque tinha internalizado James dentro de mim e agora que finalmente tenho a oportunidade de tê-lo frente a frente, não seria certo continuar a fugir. Eu vim aqui para enfrentar meus demônios, não é mesmo? Então tenho que fazê-lo. Se James estiver por perto, o tratarei bem; se ele falar comigo, falarei também; e dentro do possível me manterei firme para não dar esperanças de um futuro que não existirá. Eu tenho que me controlar, eu preciso me controlar e a oportunidade agora é perfeita.
\n\nIngrid e Logan decidiram dar uma festa para oficializar o noivado com toda a família e amigos, o que é claro que incluía a presença inusitada do meu ex. Kendall havia pestanejado diversas vezes, afirmado que não queria ir, que não teria santo que o fizesse sair de casa e até chantageou dizendo que cuidaria de Emmett, mas por sorte os pais de um garotinho da casa ao lado que havia se aproximado muito do meu filho haviam decidido levá-los a um parquinho de diversões, o que acabou com qualquer desculpa esfarrapada que meu irmão pudesse ainda ter. Assim que os vizinhos levaram Emm para o passeio — depois de quinhentas recomendações, números do meu telefone anotados e ter dado pelo menos uns trinta abraços antes de deixá-lo ir — fui obrigada a me arrumar. Eu não fazia noção do que usar ou de como me portar, parecia mais uma vez uma adolescente que tira todas as roupas do armário na esperança de usar uma que vá conquistar o bonitão do colégio. Nesse caso, eu já havia o conquistado anos atrás e não sei por que diabos ainda fazia questão de surpreendê-lo. Era como se uma parte de mim precisasse mostrar que eu estava bem sem ele e principalmente: que era capaz de atrair seus olhares mesmo depois de ter sido trocada. Como a ocasião era um pouco mais formal, optei por um Dolce and Gabbana vermelho que destacava as curvas que ganhei após a gravidez e meus cabelos decidi deixar soltos, dando mais mobilidade.
\n\nAssim que desci, Kendall estava pronto. Não pude evitar pular sobre meu irmão e enchê-lo de apertões, ele estava realmente lindo como sempre fora. Seus olhos pareciam estar mais vivos, seus cabelos estavam tão alinhados que eu sequer poderia jurar que são do mesmo cara que deixa as roupas espalhadas sobre a cama e seu sorriso estava combinando com todo o conjunto.
– Não acredito! Desse jeito hoje eu arrumo uma cunhada hoje. — Brinquei enquanto entravamos no carro
– Por favor Mandy, você sabe que não quero me amarrar em ninguém.
– Você e Carlos não tem jeito, vão morrer como dois solteirões convictos.
– O que não quer dizer que seja ruim... — Ele fez uma careta enquanto um de seus ombros balançou em desdém
– Claro que quer dizer. Eu ainda quero ter sobrinhos, sabia?
– Emmett vale por dois! — Kendall riu — Além do mais, tenho que te ajudar a tomar conta do pirralho.
– Eu vou te dizer do que você tá precisando: sexo.
– AMANDA! — Ele freou bruscamente, o que me fez dar uma enorme gargalhada — Como você diz uma coisa dessas pro seu irmão mais velho?
– Da mesma forma que eu diria para qualquer pessoa. — Ironizei ainda prendendo algumas risadas que estavam por vir
– Só para a sua informação, eu tenho transado muito bem e obrigado.
– Ah é, senhor Kendall? Essa informação eu não conhecia. Posso saber com quem?
– Eu estava saindo com uma garota, nada sério.
– Hm, estava? Sei.
– Juro. Ela estava querendo que as coisas fossem mais sérias e eu não quero magoar ninguém, então decidi interromper.
– Você reclama do James, mas é tão idiota quanto ele. — Suspirei com pesar
– Como assim?
– Reclamou tanto que ele só queria sexo comigo, que havia me engravidado e olha como se comporta: não quer nada sério com ninguém, fica sendo o solteirão invicto.
– Não sou como o James. Não machuquei o coração de mulher alguma! — Ele disse com certeza
– Isso você nunca vai saber.
– E, para ser franco, eu não quero. — Kendall disse estacionando o carro em uma vaga apertada. Alguns outros carros também estavam estacionando e eu podia ver outros convidados descerem dos seus automóveis. Decidi deixar a conversa de lado, não valia a pena tentar fazê-lo ver que a briga entre ambos deveria ter um fim.
Logo que passamos pelos seguranças, pudemos caminhar pelo enorme jardim de Logan que estava recheado de mesas iluminadas com candelabros. O luar colaborava para dar um charme a mais e nosso casal favorito veio nos recepcionar com alegria.
– MAAAAAAANDY! — Ingrid gritou correndo até mim e se jogando sobre meu corpo
– Vou sempre ter essa recepção em grande estilo? — Ri segurando-a em meus braços por um instante, soltando aos poucos
– Certamente! A minha madrinha merece a melhor das recepções. — Ela disse com um sorriso no rosto enquanto encarava meus olhos surpresos e arregalados
– Como assim madrinha?
– Então, eu e o Loggie estávamos pensando, não é mesmo amor? — Di disse dessa vez olhando para Logan que já estava atrás da noiva envolvendo-a com carinho junto a seu corpo — E queríamos saber se gostaria de ser nossa madrinha? Você é minha melhor amiga e não posso perder a chance de tê-la juntinho de mim no altar.
– SÉRIOOO? — Eu gritei fazendo a linha escandalosa tanto quanto Ingrid — Mas é claro que eu aceito, isso vai ser maravilhoso. Poxa, obrigada!
– Mas só tem um problema... — Logan disse ainda me olhando daquela maneira curiosa com a qual eu não sabia lidar — Você sabe quem é meu melhor amigo e...
– Hey, não se preocupe. — Garanti — Eu e James nos falamos rapidamente uns dias atrás e acho que não tem mais porque evitar esse tipo de situação.
– Que bom, Mandy, fico muito contente. — Loggie disse com uma sinceridade nítida e pude sorrir para ele retribuindo-a. As vezes ele parecia com sábios de filmes de kung fu, aqueles que sabem todas as respostas das suas dúvidas antes mesmo de que faça as perguntas.
– Até porque, olhem quem acabou de chegar! — Ingrid disse com animação e fui obrigada a me virar para vê-lo.
James entrou no recinto e era como se todos os olhares tivessem se direcionado para ele, ou então eu mesma que direcionei todas minhas funções vitais ao Deus Grego que caminhava diante de mim. Ele estava com um blazer que o deixava elegante e ao mesmo tempo o jeans dava um ar mais jovial assim como o homem de vinte e sete anos que era. Seus cabelos estavam levemente para cima e ele continuava portando aquele sorriso encantador. Carlos vinha logo atrás cumprimentando a todos — sempre esbanjando simpatia e popularidade — e seguiu até onde estávamos, mas ao contrário do que pensei, James não fez o mesmo. Ele mudou o rumo para outro canto da festa, deixando-me boquiaberta por ter sido ignorada.
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