Heaven In Your Eyes
74 We Need Talk
Notas iniciais
– Por que me interrompeu quando tentei contar a verdade? — Perguntei baixo a James.
Tinhamos decidido levar Emmett para brincar em uma praça e ele, empolgado, corria por todos os lados enquanto nós estávamos sentados em um banco.
– Porque Emmett não merece saber assim de uma hora para outra. Acho que finalmente entendo o que quis me dizer durante todo esse tempo. Tenho que preparar terreno para jogar uma bomba desse tipo, sabe? Não quero que meu filho se sinta rejeitado por mim ou pense que durante esses anos eu não o procurei ou não o amava, assim como também não quero que ele questione sua atitude de levá-lo embora sem meu consentimento.
– Fico muito contente que tenha entendido, amor — Murmurei pegando sua mão e entrelaçando nossos dedos — Emmett é uma criança muito especial e feri-lo assim não é justo ou sequer humano.
– Eu sei. Como acha que ele vai reagir? — Seus olhos se perderam na figura de Emmett que descia de pé em um escorrega.
– Emmett, desça dai agora. — Gritei um pouco mais alto desviando minha atenção momentaneamente — Realmente não sei, Jay. Espero que seja da melhor maneira possível, afinal, ele tem apenas cinco aninhos.
– Cinco anos... — Repetiu minha fala — Quero surpreendê-lo em seu próximo aniversário.
– Ah é? Me conta como! — Virei-me para meu noivo onservando-o com curiosidade e um sorriso bobo estampado no rosto
– O que acha de o levarmos para a Disney. Ele nunca foi, não é mesmo?
– Não. Nós sempre vivemos no Líbano e, bem, poderia ser. Ele provavelmente se perderia em meio a tantos brinquedos — Ri imaginando a cena
– Então passaremos a data lá. Nossa, eu mal posso imaginar para preparar tudo!
– Amor, calma. É apenas no ano que vem! — Gargalhei mexendo em seus cabelos
– Eu sei, mas acabo ficando ansioso — Ele confessou envolvendo o braço em minha cintura — Você não tem noção de como está sendo bom passar o dia com vocês, com a minha família.
– Está sendo ótimo para todos nós. Veja como Emmett está se divertindo!
– E você?
– O que tem eu? — Ergui uma sobrancelha
– Está feliz?
– Mas é claro que sim. Que pergunta é essa, hun? — Questionei descendo meus dedos pelo seu rosto tão bem desenhado.
– É só que as vezes parece irreal, entende? Tenho medo de acordar desse sonho e você não estar aqui.
– E se eu te provar que não é um sonho?
– Vai ter que me beijar para provar isso — Ele sorriu marotamente curvando os lábios no lado direito de sua boca. Seus dedos firmes e longos subiram por baixo da minha blusa acariciando minha lombar com tamanha destreza que poderia ser imperceptivel. Meus olhos encontraram os seus de maneira impactante até hipnótica. Aproximei-me devagar já trazendo seu rosto para perto do meu quando...
– MÃE! — Emm vinha correndo completamente suado interrompendo o clima entre nós dois. Nos afastamos rapidamente evitando mais uma cena como a que ocorreu mais cedo.
– O que foi, meu amor?
– Eu quero ir embora, to cansado.
– Mas já? — James protestou
– Eu brinquei muito, titio. E também já vai começar o Bob Esponja e eu quero assistir.
– Ah, explicado. Tudo culpa do Bob, não é? — Sorri levantando-me e ajeitando seus cabelos que estavam desgrenhados
– Nesse caso, só me resta levar o super herói Emmett para casa. — Jay disse
– Não, tio James, eu não estou com minha capinha de super herói. Fala baixo que podem me reconhecer! — Nosso pequeno chamou a atenção do pai
– Claro, como eu pude esquecer disso? Não vou revelar seu segredo, tá? — Meu noivo concordou apertando de leve a barriguinha do filho, o que o fez resmungar.
– Vamos logo, cambada — Brinquei enquanto nos dirigiamos ao carro
**
Emmett desceu apressado resmungando que tinhamos atrasado dez minutos, o que implicava em perder o início do episódio de um dos seus desenhos animados preferidos. Eu ainda havia tentado ordenar que não corresse, mas ele sequer ouvira devida a pressa.
– Não brigue com ele, amor, eu fazia exatamente a mesma coisa. — James disse tentando acalmar-me
– Mas se esse menino cai, ia ser um trabalho maior ainda levá-lo ao hospital.
– Ele não caiu e aposto que já está no sofá — Ele disse acariciando minha perna devagar
– Tem razão — Respirei fundo e tratei de abrir um sorriso. Me estressar com as traquinagens de Emmett não seria uma forma de terminar uma data tão especial — Obrigada pelo dia.
– Você sabe que o mais agradecido sou eu. Emmett esteve tão feliz ao meu lado que pude me sentir um pai de verdade!
– Você é um pai de verdade, James.
– Eu sei, a ficha está caindo e eu estou me sentindo nas nuvens. — Confessou segurando meu queixo — Você está fazendo de mim um homem muito realizado.
Desci o olhar envergonhada pelo comentário. Eu poderia jurar que minhas bochechas estavam avermelhadas assim como tinha certeza que aquele sorriso bobo de adolescente apaixonada estava em meus lábios. Logo procurei por suas pupilas e encontrei nelas a serenidade que precisava.
– Eu amo você, Jay. — Sussurrei enquanto movia meu rosto para mais perto do dele. — É você que está me transformando em uma mulher amada e feliz, é graças a ti que eu estou reaprendendo a amar.
Ele guiou suas mãos segurando meu rosto entre as mesmas com tamanha delicadeza que eu me senti um item raro de colecionador. Seus olhos, sempre mais expressivos do que deveriam, falaram em um silêncio profundo sentimentos que sua boca jamais conseguiria expressar em milênios. Estavamos caminhando para a felicidade juntos e eu mal podia crer que os primeiros passos foram dados pelo homem diante de mim, pelo mesmo que anos atrás fora tão descompromissado. Devagar, tão lento que eu poderia congelar o tempo, levei meus lábios aos dele tocando-os com tamanha lentidão que era como provar paulatinamente o mais doce pecado. Era como tomar dose a dose do meu veneno preferido e ainda assim exigir por mais, mesmo sabendo que saboreá-lo seria minha redenção. Seu beijo era lento e combinava com as batidas desaceleradas do meu coração que, finalmente, sentia-se em casa e acolhido genuinamente. Quando nos separamos, o ar poderia até mesmo faltar-nos, mas nossa alma estava repleta de um sentimento novo que eu ainda não sabia descrever ou conceituar. Podia ser amor, podia ser paixão, podia ser uma mistura de ambos, todavia, o que quer que fosse, era bom demais para ser verdade. James deu-me mais alguns selinhos e finalizou com um beijo na maçã do meu rosto. Eu sorri encantada com o gesto amoroso de sua parte e retribui beijando-lhe o canto da boca.
– Tenho que entrar — Lamentei envolvendo meus braços em seu pescoço atando-me desesperadamente a ele
– Então não sai, fica aqui no carro comigo até ficarmos bem velhinhos — Brincou
– E nosso filho morre de fome, sede e frio por anos?
– Nunca, ele cabe no porta malas — Gargalhou seguido de uma careta divertida
– Bobo — Proferi apertando-lhe o nariz de leve — Te ligo depois, tudo bem?
– Claro. Cuida do nosso pequeno, hun!
– Sempre!
Desci do carro ouvindo uma buzinada rapida do meu noivo antes de fechar o portão atrás de mim. Entrei em casa e procurei por Emmett, mas o alto som da televisão no andar de cima indicava que Bob Esponja já estava contagiando-lhe o espírito infantil. Coloquei a bolsa sobre o sofá e sentei no mesmo fechando meus olhos ao mesmo tempo em que apoiava minha cabeça no encosto. Respirei fundo descansando e o sorriso voltou aos meus lábios somente por recordar os minutos anteriores.
– James... — Sussurrei seu nome tendo a imagem de seu rosto em minha imaginação
– Amanda — Não, não era James. Abri os olhos arregalando-os e Mehmet estava diante de mim — Precisamos conversar.
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