Heaven In Your Eyes
30 To Be With You
Os dias seguinte foram bem mais calmos, o que me deu a oportunidade de observar tudo que acontecia ao meu redor com mais clareza. Eu jamais poderia acreditar que James teria tamanha sensibilidade e apego quando se tratava de Emmett. Para começar, meu ex insistiu para que o filho pudesse ficar em casa nos dias após o afogamento, negando veemente que frequentasse a escola nesse período. Como eu tinha que trabalhar e Kendall também não tinha condições de cuida-lo, Emmett passou a ficar durante todo o dia na casa do pai por uma semana e isso fez com que eu tivesse mais tempo para vê-los juntos e também visse James repetidamente. Preciso dizer o quanto isso acelerava meu coração? De maneira alguma. Apenas olhá-lo já era algo que me causava arrepios, observar seu rosto e cada pequena parte que o compunha fazia meu coração acelerar. E seus lábios... Ah aquela boca só conseguia uma coisa de mim: desejo. A cada dia em que ia buscar Emm em sua casa e tinhamos que nos despedir, acabava ansiando por seus beijos que nunca mais vieram a ser tentados. Não sei se James estava tentando se controlar ou se de fato eu havia perdido uma oportunidade de ouro. Ainda assim, o acordo feito entre nós era que eu iria pensar e é justamente isso que tenho feito, até mais do que deveria. Dizem que pensar demais pode atrapalhar, mas e se quanto mais pensasse mais tivesse certeza de que estava me reapaixonando por James? Talvez seja a hora de encarar os fatos ver que algumas coisas simplesmente devem acontecer. Eu não posso mais evitar de envolver-me com ele, não posso mais controlar minha vontade de tocá-lo, de envolver seu corpo em meus braços, de ter sua boca consumindo a minha. Estar parada diante do homem que me desestabiliza é como pedir que o chão trema sob meus pés e ele treme, me fazendo cair diretamente sobre este de quem por tanto tempo fugi.
- Tem certeza que não quer nada? Comprei um vinho ótimo. — James oferecia pela segunda vez enquanto eu estava sentada em seu sofá com as pernas cruzadas. A ponta do meu pé balançava nervosamente para cima e para baixo, o que denunciava meu estado.
— Absoluta, Jay — Garanti encarando o relógio — Onde está Emmett? Que demora. Tem certeza que o tal programa que ele estava assistindo terminava as 19h30?
— Tenho, Mandy, ele tem assistido todos os dias e eu vejo junto com ele.
— Você? Assistindo programas infantis? — Perguntei incrédula
— Duvida? Sei até cantar as musiquinhas. Veja só... — Ele disse já entonando a voz para começar a cantar
— Não, não cante! — Falei de forma divertida pondo a mão sobre sua boca. James apenas ergueu uma das sobrancelhas e deu uma mordidinha em meus dedos, o que me fez soltá-lo. — Ai, cacete! — Xinguei sacudindo a mão frenéticamente — Isso dói sabia?
— Sabia! — Ele disse convencido — Ninguém mandou impedir meus dotes como cantor.
— Você como cantor certamente é apenas um bom compositor. — Comentei ainda esfregando a palma da minha mão
— Não mesmo, tem muito tempo que não me escuta cantar e eu melhorei absurdamente. — Jay respondeu prestando atenção em meus movimentos
— Você nunca quis cantar exclusivamente para mim e não seria agora que eu pediria para ouvir. Sendo assim, não tenho como comparar! — Rebati finalmente parando de pressionar o local antes dolorido. James pegou minha mão com carinho virando a palma para cima e aproximou seus lábios da mesma roçando-os devagar pelos meus dedos. A lentidão com a qual sua boca a explorava fez com que pequenas borboletas povoassem meu estômago até que por fim um beijo foi depositado.
— Desculpe por isso — Se referiu a mordida — E por nunca ter cantado também.
— Você sente falta? — Perguntei
— Do que exatamente?
— De cantar com os rapazes. Vocês quatro estavam se dando tão bem com isso de banda.
— Claro que sinto falta, mas as coisas tomaram outros rumos e minha voz se calou. Por isso que só componho, minhas palavras dizem coisas que meu silêncio é incapaz de expôr.
— Sempre quis achar alguma composição sua gravada por aí, acho que no fundo sempre ansiei por notícias de você. — Confessei — Mas estando do outro lado do mundo fica difícil conseguir. Por que não me mostra uma?
— Ah não, não mesmo. — James respondeu sem jeito levantando-se do sofá
— Por que não? Apenas uma.
— Não Amanda, isso é pessoal demais.
— Como pode ser pessoal se milhões de pessoas as escutam quando gravadas?
— Passa a ser quando são meus sentimentos.
— E o que você sente? — Perguntei levantando e indo de encontro a ele, estavamos um diante do outro, mas parecia que ainda permaneciamos separados por continentes
— Eu só comecei a compôr quando você se foi, acho que não espantaria se fosse o tema de todas elas.
— Espera, está dizendo que... Que todas suas composições foram para mim?
— Estou te dizendo que eu precisava dizer a você tudo que sentia e de alguma forma tinha que fazer com que minhas palavras chegassem a você. Se não fosse por mim, que fosse pela voz de outro alguém. Eu me iludi que um dia escutaria a música e saberia que era minha, que veria a letra e entenderia que era um pedido desesperado meu para te ter outra vez. Só que você estava longe demais...
— Eu nunca estive longe o bastante, meus pensamentos estavam em ti — Assumi encarando o chão e James deu um passo a diante segurando minha cintura
— Não esteve perto o bastante para eu dizer o quanto te amo. — Meu olhar encontrou o seu e apoiei as pontas dos meus dedos em seu rosto contornando-o devagar, o que fez com que eu sentisse sua barba recém crescida
— Então diz agora — Supliquei em um sussurro
— Dizer agora? — Ele respondeu em uma pergunta e deslizou seu nariz devagarzinho no meu, tocando-o com sutileza — Que eu te amo? — Sua respiração estava próxima a minha, eu até mesmo podia sentir seu hálito refrescante sobre mim
— Sim. Você me ama? — Perguntei encarando seus lábios e pude ver um enorme sorriso brindá-los.
— Eu te amo, Amanda Connelly. Te amo desde o dia em que partiu da minha casa, te amo por cada momento em que meu coração se partiu esperando por seus beijos, te amo por ter ficado desesperado quando voltou e te amo por ter me dado o maior presente de todos: um filho.
Isso foi o suficiente para que nossos lábios se unissem. James os encaixou com suavidade, beijando-me com uma ternura indescritível tornando o momento cada vez mais longo e prazeroso. Eu sentia seus lábios acariciarem os meus, os apreciar e sua língua quente afagava a minha de forma branda fazendo com que eu praticamente implorasse para que o tempo congelasse apenas para perpetuar o contato. Nós não possuíamos necessidade de ar, seu beijo era tão bem conduzido e compassado que nossas bocas eram incapazes de se separar e sequer precisava disso. Estavamos interligados pelo prazer de proporcionar um ao outro o melhor dos beijos, de ceder e ao mesmo tempo se doar, de entrega. Jay sugou meu lábio inferior soltando-o tão tênuamente que fez com que eu sentisse falta de sua boca mesmo que por poucos segundos e foi diminuindo o ritmo até separar-nos lentamente com alguns selinhos.
— Eu quero te mostrar uma coisa! — Ele disse com um enorme sorriso e puxou-me pela mão. Eu ainda estava boba e me deixei guiar enquanto apoiava minha mão esquerda em meus lábios tocando-os para perceber se de fato aquilo era real ou uma produção do meu inconsciente. Fomos andando até um cômodo que mais parecia um escritório e percebi uma pequena desorganização sobre a mesa, o que me fez rir. — Acho que está na hora de ver uma coisa.
James me soltou e caminhou até uma das gavetas da mesa de madeira. De dentro dela tirou uma pasta cheia de papéis e pegou um antigo, até um pouco amassado e com aparência envelhecida. Ele veio até mim encarando-me um pouco sem jeito e proferiu:
— Não há melhor momento para lhe entregar isso do que agora. Nunca permiti que ninguém a cantasse, talvez porque no fundo acreditei que eu mesma a entregaria a você.
Segurei a folha tremendo e Jay apoiou suas mãos sobre as minhas passando-me tranquilidade. Percorri os olhos pela caligrafia bem feita e comecei a ler em voz alta:
— "Eu tenho estado sozinho por muitas noites e tenho esperado que as estrelas caiam. Eu continuo esperando pelo o que eu não sei para estar com você, só para estar com você. Então aqui estou eu olhando a lua esta noite, me perguntando como você fica nas estrelas e que talvez, em algum lugar, você pense em mim também. Para estar com você, não há nada que eu não faria. Eu não posso imaginar dois mundos separados que se juntam de vez em quando e quando nós finalmente nos encontrarmos eu saberei que é certo. Eu estarei no fim dessa estrada cansativa, mas valeu a pena para estar com você. Somente estar te abraçando e nunca te deixando ir. E quando você estiver parada na minha frente será quando eu saberei que Deus existe, por que ele responderia cada oração minha para eu estar com você, apenas estar com você."
Meus olhos já não conseguiam mais corresponder a tudo que estava diante de mim. Lágrimas que eu não sabia descrever se eram de tristeza ou alegria começaram a escorrer pelo meu rosto e eu deixei a folha cair no chão apenas o abraçando com toda a força que eu poderia ter. Eu não precisava de muito, só precisava de James e de seu amor.
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