Heaven In Your Eyes
57 The shadows gone away
Notas iniciais
Novinhos safadinhos da tia, quem ai é Heavenator grita "eu"! HSUAHSHUAUS Como vocês estão, heim? *-* Poxa, fiquei muito feliz com a recepção calorosa de todos vocês lá na página do face. Aos poucos, adicionarei todos e vou puxar assunto (amo conhecer meus leitores, nhac! rs). Mas posso ser chata? Vocês não estão comentando aqui, o que está acontecendo? A história tá ruim? Pode reclamar povão, eu aceito de coração haha Amo vocês e comentem, por favor :(
Entrei em casa procurando por qualquer suspeita de qual seria o presente de Mehmet, mas tudo parecia estar em seu devido lugar, sem qualquer aparência diferente. Continuei percorrendo os cômodos até que avistei a luz acesa na sala de jantar. Sem exitar, caminhei até a mesma até ver a cadeira puxada e sentado nea estava o homem com o qual discuti não havia muito tempo. Sua expressão não era tão carrancuda como sempre e até mesmo o terno que agora parecia ser habitual não estava em seu corpo.
— Pai? — Murmurei baixo, tão baixo que pensei que Kent não tivesse escutado — Olá, Amanda. Quer se sentar? — Não, eu estou bem de pé. — Eu não sabia se era medo ou orgulho, mas não conseguia dar um passo que nos tornasse mais perto um do outro.
— Acho que precisamos conversar.
— Conversamos da última vez. Ou melhor, você sequer deu chance para que isso acontecesse. — Tentei me manter forte, imóvel, presa em meus próprios pensamentos e em uma barreira invisível que me mantinha atarrachada ao chão.
— Mehmet conversou comigo — Ele se levantou prostando seu corpo atrás da cadeira de madeira. A postura ereta, as mãos apoiadas no encosto, os cabelos um pouco grisalhos, o ar de superioridade ainda presente.
— Mehmet? — Franzi o cenho
— Ele me ligou há um pouco mais de uma semana e pediu que eu viesse novamente a Nova York. Devo admitir que de início neguei a hipótese de ter um novo embate contigo ou com o pai do seu filho — "Seu filho", ele não era mesmo capaz de dizer neto? — No entanto, o estrangeiro tem uma capacidade absurda de ser convincente.
— Convincente? Mehmet? — Ergui uma sobrancelha aplicando-me a digerir tudo aquilo
— Esse ar de bom samaritano dele ... — Deixou em aberto
— Entendo perfeitamente — Sorri ao me lembrar do meu ex. Sempre tão doce, tão terno e autruísta.
— A questão é: Mehmet mostrou pontos que até então eu havia me recusado a enxergar.
— Que pontos são esses?
— Eu e seu... — Meu pai parecia procurar palavras adequadas, mas não as encontrou — Eu e Mehmet nos encontramos ontem a noite e ele me entregou algumas coisas que pertenceram a você quando morou no Libano com ele.
— Que tipo de coisas?
— Videos caseiros nos quais cuida do seu filho e poemas que escrevia para o bebê.
— Met adorava me filmar, dizia que um dia o mundo presenciaria o quanto Emmett é amado.
— Eu presenciei — Kent afirmou, mas eu ainda podia sentir que ele recuava — Você se tornou uma boa mãe, Amanda.
— Tenho tentado te dizer isso há muito tempo. Cometi um erro ao engravidar jovem o bastante, mas isso não diminuiu meu amor ou cuidado com meu filho.
— Eu sei disso.
— Não, você não sabe! Nunca esteve perto, não sabe sequer o nome do seu neto.
— Emmett, você acabou de dizer.
— Apenas por isso. O que pretende, afinal? Chegar aqui do nada com o rabo entre as patas enquanto espera que eu esqueça que me chamou de vagabunda, que bateu no meu namorado e me renegou por todos esses anos? - Explodi inutilmente
— Não tenho expectativas alguma. — Ele manteve a calma diante do meu descontrole — Mehmet, o homem que acredito estar te colocando em um bom caminho, me fez um convite de trégua e aqui estou.
— Agora você acredita que ele me faz bem?
— Eu estou disposto a ver que a garota que criei ainda está ai dentro.
— Pena que ela não esteja disposta a ver que o pai ainda existe por baixo dessa carcaça de crueldade.
— Você chama de crueldade o que eu chamo de decepção.
— Eu sei que te decepcionei, mas isso aconteceu há tantos anos e você poderia ter perdoado.
— EU QUIS PERDOAR! — Meu pai gritou perdendo pela primeira vez o ar de soberano que possuia. Por milésimos de segundo, pude enxergar o mesmo homem que passava horas sentado em sua poltrona lendo algo cultural no jornal, o homem que eu desejava que James fosse em algum momento: o pai e marido exemplar. — Eu tentei, só não poderia.
Seus ombros se curvaram como se a culpa que carregasse fosse pesada o bastante. Sua cabeça ficou baixa mirando a madeira que dera origem à cadeira e observando-o bem pude perceber suas mãos apertando o encosto com firmeza.
— Não, Kent, você nunca quis me perdoar de verdade.
— Eu quis, Amanda. No entanto, eu ainda estava tentando superar o seu primeiro erro e me deparei com minha filha saindo do país para estar com um outro homem. Dois homens em um curto espaço de tempo!
— Este homem era Mehmet.
— Agora eu sei, agora eu entendo.
— Você agiu precipitadamente. Sabe quantas vezes anciei por uma ligação sua? Por um pedido de desculpas? Pela oportunidade de esclarecer tudo?
— Nós não podemos esclarecer, o meu coração ainda pesa — Ele assumiu e haviam lágrimas em seus olhos
— E o meu não pesa? Eu precisei de você, eu ainda preciso de você pai.
Mordi o canto da minha boca respirando fundo, mas eu já sabia que meu nariz provavelmente estava avermelhado. Meus olhos arderam suavemente pelas lágrimas salgadas que o inundavam e decidi que não passaria mais um minuto sequer explicando minhas razões ou motivos. Corri até meu pai abraçando-o sem me importar se aquele era o senhor frio que me humilhara ou o amoroso que me protegia dos monstros de madrugada. Eu o abracei porque era a minha necessidade, porque envolver seu corpo de maneira bem apertada era como entrar no maior dos abrigos, porque sentir aquele cheiro do seu perfume era como estar em casa e porque eu precisava chorar nos seus braços... Os braços do meu pai.
— Me desculpe! Me desculpe por ter ido embora! — Choraminguei sentindo meu rosto molhar sua roupa. Eu não era a Amanda Connelly, era a mesma menininha que chorava quando caia correndo e lhe pedia um beijo no joelho ralado
— Amanda, pare. — Ele pediu soltando-me aos poucos. Eu não havia me dado conta de em que momento meu pai havia correspondido ao meu abraço, só sabia que estava segura — Por favor, olhe para mim. — Pediu-me segurando meu rosto entre suas mãos. Ergui meu olhar e o observei bem de perto reparando cada detalhe antes não visto: as pequenas rugas ao lado dos olhos, a pele mais desgastada e a ausência do sorriso que tanto amava. — Eu sinto muito. Sinto muito por ter estado ausente, por ter te desmerecido e facilitado para que passasse por dificuldades. Quero que me perdoe pela minha atitude, pelas ofensas e erros. Eu não deveria ter batido em James, te xingado daquela forma, depreciado seu sofrimento. Eu mereço que se afaste de mim, eu mereci que tenha partido.
— Não diz assim! — O abracei mais uma vez enterrando meu rosto em sua roupa até que aquele cheiro familiar invadisse meus poros. Devagar senti outros braços ao meu redor e quando olhei se tratavam de minha mãe e irmão. Mamãe chorava como uma criança, chegava até mesmo a soluçar, e Kendall piscou repetidamente disfarçando a emoção. Eu não queria que aquele momento se desfizesse, eu não queria nunca mais afastá-los da minha vida, queria que fossemos nós quatro para sempre.
— Cabe mais um no abraço? — O sotaque forte soou desde a porta da cozinha. Mehmet estava com Emmett no colo e se aproximou devagar. Sequei mais algumas lágrimas e me separei da minha família com dificuldade.
— Mehmet! — Deixei o grito eufórico escapar por entre meus lábios e corri até aquele que sempre me fizera bem. Envolvi meus braços nele e em meu filho apertando-os tão desesperadamente como fizera com meu pai. — Muito obrigada por isso!
O braço livre de Met envolvia minha cintura e eu senti sua mão subir devagar até minha nuca segurando-a suavemente. Nossos olhares se cruzaram, eu podia sentir minha bochecha corar e meu coração acelerar em uma expectativa que não deveria existir. Ainda assim, ao contrário do que seria óbvio, Mehmet levou seus lábios ao meu rosto beijando-o com simplicidade um pouco perto do canto dos meus lábios.
— Não há o que agradecer — Seus lábios pronunciaram em um tom carinhoso e ele deslizou as costas da mão em meu rosto enquanto suas pupilas castanhas semicerravam-se
— Pode me dar Emmett um minuto?
— Mais colo, mamãe? Pareço um bebê — Emm protestou quando o peguei
— Venha cá, rabugentinho — Mordisquei sua bochecha levando-o até meus pais e irmão que até então nos observavam derretidos — Quero que conheça alguém.
Emmett se encolheu em meu colo e fechou os olhinhos
— O que foi, Emm? — Kendall perguntou
— É o moço malvado que fez mal pra mamãe — O pequeno respondeu apontando em direção ao meu pai
— Não, meu amor. Abra os olhinhos. — Pedi e meu filho obedeceu — A mamãe brigou com ele, mas agora está tudo bem e eu quero que se conheçam.
— Ele não vai mais te fazer chorar?
— Não, nunca mais — Kent respondeu antes de mim
— Então aceito te conhecer, tio — Ele disse ainda se fazendo de bravo
— Na verdade, filhote, esse senhor é seu avô.
— Meu vovô?
— Uhum — Alisei seu cabelinho e constatei sua expressão confusa
— Casado com a vovó? — Fora sua vez se apontar para minha mãe. Apesar da pouca presnça, minha mãe e Emm nunca se desgrudaram e ele sempre guardava uma foto da avó em sua cabeceira.
— É, casado comigo. — Mamãe respondeu gentilmente
— Olá, Emmett — Meu pai arriscou sem graça o bastante, o coloquei no chão para que pudesse interagir com o avô.
— Pode me chamar de Emm. Você é meu vô mesmo?
— Sou.
— Então por que nunca te conheci? — Meu filho o interrogava e eu senti Met envolver os braços em mim abraçando-me por trás para observar a cena
— Porque eu não falava com a sua mamãe.
— E agora fala?
— Sim, seu pai ajudou a gente.
— Ele é o melhor pai do mundo, não é? — Meu pai apenas concordou — Você tambem é?
Kent abaixou a cabeça novamente.
— Não, eu não sou, mas pretendo ser.
— Sabe uma coisa legal para ser o melhor pai do mundo? Saber brincar. Você sabe, vô?
— Não muito, eu estou velho.
— Não tá não. Vamos jogar futebol, o tio Jay me ensinou.
Emmett estendeu a mão para cima esperando que meu pai a segurasse e surpreendentemente ele o fez. Meu filho saiu o puxando para fora de casa passando por todos nós que continuavamos boquiabertos com a facilidade que possuia e a maneira como Kent se rendeu. Minha mãe, ainda chorona, limpou outra lágrima.
— Isso tudo se deve a você, Mehmet.
— A mim? Kathy, não é assim.
— Claro que é, você não apenas ajudou minha filha a trilhar quando estava na escuridão como também reuniu minha família de volta.
— Eu amo a Amanda, senhora. Tudo o que mais quero é fazê-la feliz! — Ele apertou-me um pouco mais e me peguei considerando o que seria certo, mas haviam sido emoções o suficiente para um dia.
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