Heaven In Your Eyes
58 A little more of my father in me
Notas iniciais
AMORES DA MINHA VIDA *.* Minhas aulas voltaram hoje, estou tão emocionada /mentira HSUHAUHS Nem posso imaginar estudar até fevereiro #malditagreve Quanto ao capítulo, acho que vão gostar bastante, foi o que eu dei spoiler na página. Preparem-se pra chorar porque a titia aqui se emocionou escrevendo rs Quero dar as boas vindas para as leitoras novas e informar que sou lerda pra responder os comentários, mas logo o farei KKK Vamos recomendar a história? Vamos? haha Amo vocês ♥
— Ainda não acredito que me perdoou — Meu pai sentou ao meu lado no banco de madeira que tínhamos no quintal. Havíamos acabado de almoçar e comemorar o dia dos pais com um bom vinho e conversas nas quais atualizamos seis anos de distância.
— Eu sabia que o momento certo viria. Posso te fazer uma pergunta? — Todas, você tem o direito disso. — Por que quando veio a Nova York pela primeira vez estava com uma postura tão dura e cruel? — Era mais fácil guardar mágoa do que assumir o quanto estava magoado. — Acho que entendo exatamente o que está sentindo. — Por que? — Prefiro não falar, pai. — Eu quero que diga — Sua voz era doce e me inspirava confiança
— Estou me referindo a James, não sei mais o quanto sou capaz de amá-lo e perdoá-lo. — Suspirei focando o olhar no chão e no esforço que uma formiguinha fazia desafiando o vento para carregar um fragmento de folha em suas costas. Acredito que sempre fui assim relacionada a Jay: nadava contra a corrente.
— O que aconteceu dessa vez?
— Bem, ele sabe sobre Emmett e tudo estava correndo bem. Só que James insiste que o menino saiba a verdade, quer uma família e planejou pedir-me em casamento, mas Mehmet apareceu e isso foi o bastante para que ele colocasse em cheque tudo que eu sinto.
— Ele acredita que vocês tem um caso?
— Acredita e tem cometido uma série de erros, está voltando a agir como o mesmo e insiste em participar da vida de Emm.
— Um homem não deve ser proibido de ter os filhos perto, Amanda. Posso dizer isso por experiência própria.
— Eu tenho medo de magoar meu filho, pai, tenho medo de que Emmett tenha sua vida arruinada e renegue Mehmet que tanto lhe deu amor.
— Tem medo da reação do meu neto ou tem medo de se entregar de bandeja para James e se magoar?
— Acredito que ambos — Admiti
— Sabe Amanda, James me procurou como você bem sabe...
— Sim, eu sei. — O interrompi
— Ele os defendeu com unhas e dentes e quando... — Meu pai exitou — Quando me referi de uma maneira ruim ao filho de vocês... — Sua fala trazia um ar envergonhado — Ele se transtornou. James agiu como um verdadeiro filho da puta anos atrás, mas é irrefutável o amor que sente por vocês dois.
— Um amor sem confiança?
— Um amor receoso.
— Eu sou apaixonada por ele pai, sempre fui e você sabe disso, mas não sei se estou disposta a continuar com isso. É como esperar pela briga do dia seguinte, é muita instabilidade e me deparo com Mehmet que é sempre tão doce, centrado e gentil... Consegue entender?
— Consigo — Seus lábios se curvaram em um sorriso — Mehmet é o homem que eu sempre quis que construisse uma família, pena não tê-lo conhecido antes. Você o ama?
— Amo, só que de uma maneira mais fraternal. Sei que ele me faz bem e isso me estimula a talvez tentar, mas...
— Mas James tem seu coração — Fui interrompida
— Exato.
— Eu daria uma chance a Mehmet, se fosse você.
— Não sei mesmo, pai, não sei.
— O que é aquilo?
Kent apontou para o portão e o carro que estacionava diante do mesmo. De dentro do veículo saiu o homem de corpo bem definido que tanto reconheço. Um óculos de sol enfeitava seu rosto e os cabelos semi bagunçados davam a ele um ar mais sensual do que o costumeiro. James trajava um jeans um pouco surrado e uma polo preta que — puta que pariu — parecia ter sido moldada com perfeição para ele. Impacientemente tocou a campainha ignorando o fato de que eu poderia vê-lo.
— Quer que eu vá até lá? — Meu pai se ofereceu
— Não, eu sei exatamente o motivo dele estar aqui.
Levantei-me caminhando até as grades do portão que nos separavam. Antes de alcançá-lo apertei o botão na parede que o destrancava e sai em direção ao mal humorado que mantinha os braços cruzados. Acaso mencionei que quando ele os cruza os biceps ficam maiores?
— Boa tarde — Ele disse formal o bastante para meu espanto. Não conseguia enxergar seus olhos sob as lentes para ver suas expressões, mas certamente não eram as melhores.
— Oi James — Insisti na informalidade, que diabos ele estava pensando? Que estava falando com um rei?
— Vim ver o meu filho — Proferiu secamente mantendo a rigidez em sua face, as pernas estavam afastadas, os braços cada vez mais apertados contra o corpo, parecia querer me intimidar.
— Eu imaginei que fosse isso. Emmett está brincando com minha mãe, mas posso chamá-lo.
— Seus pais estão aqui? — Pareceu demonstrar interesse pela primeira vez
— Sim, eu e meu pai estamos tentando mais uma vez.
— Isso é ótimo, todo pai merece o amor do filho no dia dos pais. — Seus lábios ainda fechados curvaram-se em um sorriso fingido e eu percebi o sarcasmo
— Não vamos começar, está bem? — Cerrei meu rosto mantendo a mesma expressão séria que James trazia
— Não estou começando com nada, quero ao menos ver o Emmett nesse dia, até porque acredito que ele deve estar comemorando com o "pai".
James ergueu as mãos fazendo aspas e fui obrigada a revirar os olhos em desdém. Seus lábios estavam esticados e apenas um dos lados estava levantado deixando claro seu desprezo. Era isso mesmo?
— Sim, Emmett está aproveitando o dia com Mehmet. Para todos os efeitos eles ainda são pai e filho.
— Não por muito tempo — Insistiu respirando pesadamente. Não sei se era impressão minha, mas o ar parecia denso o suficiente entre nós. — Você sabe que eu tenho o direito de vê-lo
— Em momento algum te neguei isso.
— Ah é mesmo? — Ele respondera secamente. Seu maxilar estava rígido e projetado para frente, a tensão em torno da boca também evidenciava seu estado de humor. James levou a mão aos óculos de sol retirando-os e pendurando em sua camisa. Nesse momento percebi o quanto seus olhos estavam frios, as pupilas estavam contraídas e não passavam uma mensagem muito amigável. — Você realmente não me negou participar de nada relacionado ao dia dos pais de Emmett, não é?
— O que está querendo dizer? — Recuei cruzando meus braços, tendendo a colocar uma barreira entre nós
— Me diga você, fui excluído de alguma coisa?
— Não que eu saiba. — Menti baixinho, sentindo minha voz mais fina e fraca. Ele por acaso saberia?
— Que bom — James sorriu ironicamente sem a menor pretensão de disfarçar que não era uma expressão verdadeira.
— Olha, eu não sei onde quer chegar — Me esquivei novamente — Vou chamar meu filho, espere aqui.
Girei em meus calcanhares voltando para a casa, passei por meu pai como um furacão bufando com a atitude idiota de James e poderia jurar que ele percebera. Aliás, quem não notaria? Assim que adentrei, chamei por Emm que logo apareceu correndo e suado. Quando lhe informei que James estava ali — poupando, obviamente, as razões dele ter vindo — seus olhos encolheram-se genuinamente conforme seus lábios se alargavam mais e ganharam um brilho que só aparecia quando via o pai biológico. Será que meu filho ao menos desconfiava em seu íntimo sobre isso? Em disparada, ele correu até o quarto e desceu depois de muita insistência minha. Em suas mãozinhas trazia uma folha de papel enrolada que não deixou que eu visse em nenhuma hipótese.
— O que é isso, afinal? — Perguntei enquanto caminhávamos até o portão. Emmett pulava em uma perna só apenas nos pisos escuros quase como um obsessivo compulsivo e eu ri quando as opções diferentes acabaram, o obrigando a andar normalmente.
— Não é nada — Respondeu e logo correu para um abraço que eu sabia que seria longo — TIO JAAAAAAAAY!
Meu filho pulou sobre o pai com tamanha força que eu me questionei em que momento aquele menino ganhara mais agilidade do que já possui. A expressão carrancuda de James se desfez e um sorriso aberto o iluminou. Ele rodou o nosso pequeno e o jogou momentaneamente no ar. Admito que dei um passo a frente me preocupando em segurá-lo, mas a força e agilidade de Jay já haviam contribuído para que ele o pegasse novamente.
— Ei, rapaz, sabia que eu estou com saudade?
— Você sempre diz isso, tio.
— É porque eu não posso te ver todos os dias e isso me entristece.
— Eu queria que você me visse todos os dias.
— Queria, é?
— Queria, queria muitão. Tipo, um milhão de vezes! — Sempre, sempre exagerado.
— Então eu venho te ver um milhão de vezes, pode ser? — James entrou na brincadeira.
— Ah titio, não é a mesma coisa. Se eu não tivesse um papai, iria querer que você namorasse a mamãe e ai ia me ver toooodos os dias!
James o colocou no chão com cuidado e eu continuei ali apenas vendo a cena como uma telespectadora. Vagarosamente, meu ex agachou-se na altura do filho e despenteou seus cabelos, olhando assim eles estavam realmente a miniatura um do outro.
— Sua mãe é comprometida, pequeno. — Seu olhar subiu até o meu, estava distante como se enxergasse além de mim em um passado que apenas nós dois conhecíamos. Desviei minha visão da sua, encarando o chão ao meu lado sabendo que aquilo estava fazendo-me querer chorar.
— Ela é o que?
— Ela tem o seu pai, isso que eu quis dizer. — Apesar do carinho em sua voz, era claro que James não se referia a essa paternidade com bons olhos.
— Mas e se não tivesse? Você casaria com a mamãe e me daria irmãozinhos?
Fiquei corada com a pergunta do nosso filho. Jay deslizou a palma da mão pela nuca também nitidamente sem graça e voltou a encarar-me. Nossos olhares se cruzaram, mas dessa vez foi ele quem tratou de desviar.
— Isso não é pergunta para se fazer a adultos. — Ele corrigiu o filho ternamente, voltando a passar os dedos pelos seus cabelinhos. — Por que não me diz o que é isso em suas mãos, hun?
— É um presente para você.
— Um o que? — Perguntou certificando-se
— Um presente do dia dos pais, tio Jay.
James desarmou-se mais uma vez. Eu podia praticamente jurar que vi sua mão tremendo quando estendeu-a para pegar a folha que Emmett escondera de mim.
— Eu fiz um desenho bem bonito do meu super herói favorito e é você tio Jay. Eu seeeei que você não é meu papai de verdade — Emm colocou as mãos nos bolsinhos e andou de um lado para o outro como gente grande — mas quando meu papai não estava aqui, você era um tio bem legal.
Jay desenrolou a folha devagar e a abriu, ele baixou um pouco o antebraço e pude enxergar a obra de arte do nosso filho. Emmett havia desenhado James com uma capa e sob a mesma ele se encontrava, como se o pai sempre fosse protegê-lo. Adulto o suficiente, mas não o bastante para não chorar, James deixou a folha cair e curvou-se no chão ajoelhando-se em frente a seu primogênito devagar. Ele permaneceu assim por algum tempo deixando que as lágrimas salgadas escorressem pelo seu rosto com volúpia como uma cachoeira em queda livre, quase que sem pudor. Eu podia sentir seu corpo se desfalecendo quando seus joelhos encostaram no asfalto e pude enxergar diante de mim um homem frágil e indefeso. Como se sofresse um efeito dominó, as palmas de suas mãos tocaram o chão fazendo com que seu corpo se curvasse por completo. Ele estava verdadeiramente arrastando seu orgulho enquanto soluçava como um bebê que implorava desesperadamente pelo seio da mãe. Eu só havia visto tal reação em situações de luto e acho que jamais poderia entender o que se passou em seu coração naquele momento. Era algo que apenas pai e filho poderiam partilhar.
— Não chora, titio. — Emmett colocou a mãozinha no rosto de Jay enxugando as lágrimas do próprio pai sem ao menos saber — Você é meu papai de mentirinha e eu te amo como se fosse de verdade. Quer ser meu papai, tio Jay?
— É tudo que eu mais quero — James confessou abraçando o corpo frágil de Emmett com desespero apertando-o contra si como se fosse a última vez que se tocavam. Emocionada com a cena que presenciei, voltei para dentro da casa deixando os dois a sós. Corri para o meu quarto afogando-me nas mesmas lágrimas que vi meu ex derramar. Ambos possuiam uma ligação fora do comum, Emmett merecia o pai, merecia a verdade! Provavelmente essa seria uma noite sem dormir, atormentada pela minha consciência que separa uma familia e faz um homem crescido chorar curvado sobre o chão. Que espécie de mulher estou me tornando?
Notas finais
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