Notas iniciais
Awn eu to tão contente com as recomendações que ganhei. Caramba meninas e meninos, três dias pro natal? Hm, que presente vão me dar? KKKKKKKKK Zoa! Amores da minha vida, não pré julguem o Mehmet no capítulo de hoje. A explicação virá no próximo capítulo, ok? Os amo muito

As batidas na porta do quarto de hotel eram repetitivas. Puxei o óculos de sol que estava em meu rosto apoiando-o em meus cabelos e esperei que Mehmet atendesse. Não demorou muito para que ele aparecesse com os cabelos revoltos, os olhos inchados pelo sono e uma calça larga caída pelos quadris.

– Mandy? — Pergunto bocejando e logo passou as mãos pelos rosto tentando enxergar-me melhor — O que faz aqui?

– Posso entrar? — Questionei apontando para dentro do cômodo

– Por favor — Ele fora cortez e abriu um pouco mais a porta.

Entrei no quarto observando cada detalhe. A organização de Mehmet permanecia a mesma e o lugar estava impecável mesmo sabendo que ele tinha acabado de acordar.

– Desculpe-me pela cama desarrumada — Insistiu — Você me pegou desprevinido.

– Na verdade, Met, eu que devo me desculpar por chegar tão cedo e de surpresa. É que precisava ver-te e também precisava conversar a respeito de algumas coisas.

– Claro, sem problemas — Respondeu agora mais desperto e fechou a porta atrás de si. — Se importa se eu jogar uma água no rosto antes?

– De maneira alguma. Pode ir lá. — Assenti observando-o pedir licença e sair.

Fiquei por alguns minutos sozinha no quarto e observei alguns porta-retratos espalhados pelas cômodas com fotos diversas minhas e de Emmett. Era tão claro quanto a água o fato de que Met sentia nossa falta e eu não podia imaginar o quão cruel da minha parte era permitir que ele passasse por tudo isso quando me ajudara no momento em que mais precisei. Não sentei na cama, permaneci andando pelo cômodo de um lado para outro sentindo-me desconfortável o bastante até que ele voltasse com os cabelos úmidos e uma toalha de mão jogada na nuca. Alguns fios deixavam gotas de água pingarem e isso o tornaria tentador para qualquer mulher.

– Desculpe a demora, eu não sou fácil de acordar pela manhã e você sabe disso — Ele riu tirando a toalha e colocando-a sobre uma cadeira qualquer.

– Ainda assim, sempre acordou primeiro que eu.

– Como um bom noivo, eu devia mimá-la e admito que fazer seu café da manhã era um dos agrados que eu mais gostava — Mehmet sorriu verdadeiramente — Aliás, me desculpe por não ter nada a oferecer, mas o café da manhã é ...

– No restaurante do hotel, eu sei. — O interrompi tratando de deixá-lo tranquilo

– Mas, então, o que te trouxe aqui? — Met perguntou sentando-se na cama

– Senti sua falta. — Menti, ao menos em partes.

– Ora Mandy, eu sei que não é só isso. Estou há uma semana fora da sua casa, sem te procurar e você não se incomodou em ligar.

– Achei que estava chateado comigo.

– E eu estava, mas não era motivo para desaparecer. Concorda?

– Hm, talvez um pouco. Quero dizer, eu deveria ter ao menos dado o braço a torcer. Mas é que essa situação toda me coloca em cima do muro, entende?

– Claro que entendo. Não esqueça que voltei a Nova York já supondo que você e James estivessem juntos. O que de alguma maneira me incomoda é que ele seja imaturo, os trate por vezes tão mal e exija que eu seja expulso de uma história que contribui para que existisse. Acredito que se houvesse mais maturidade e compreensão, poderiamos ter nos dado bem.

– Eu sei disso. Nunca entendi o que aconteceu exatamente na briga que tiveram.

– Eu tentei falar com James a respeito de como deveria se portar em relação a vocês, quais as suas expectativas e como era importante dar um bom exemplo a Emmett, mas acredito que ele não estava tão receptivo.

– E isso foi motivo para ir embora? Quero dizer, a briga.

– Eu sei muito bem quando já não sou mais bem vindo — Confessou deixando o ar sair por sua boca em um suspiro um pouco longo.

– Não é assim... — Arrisquei uma defesa e sentei-me ao seu lado ainda mantendo uma pequena distância.

– Eu sei, Mandy, não se preocupe. A propósito, quero pedir desculpas por tudo que aconteceu na sua casa e por Emmett ter descoberto dessa maneira. Vocês tiveram tanto cuidado e eu acabei estragando tudo.

– Isso está no passado, estamos em um recomeço — Assenti tocando sua mão com cuidado para não passar a ideia errada — Emm está empolgado com a novidade de ter um "novo pai", tem encarado bem toda a situação, mas certamente não esqueceu sua existência.

– E você veio aqui por isso? — Sua sobrancelha estava arqueada — Quer que eu não me afaste sendo que seu atual noivo pediu o oposto?

– Não sei. — Fui franca — Como disse anteriormente, fico dividida entre o que quero e o que devo fazer. De alguma maneira acabo ferindo um dos homens que mais me importo e isso me fere desesperadamente. Eu vim aqui porque preciso do meu melhor amigo e preciso saber que está tudo bem entre nós.

– Vai ficar tudo bem, Amanda. Você precisa encontrar dentro de ti — Ele apontou colocando o indicador na direção do meu coração — a resposta para as suas perguntas.

– Eu não sei se quero encontrá-las. Em alguma das alternativas você ou James vai embora e eu... — Fiz uma pausa — Eu não sei se conseguiria suportar isso.

– Você passou toda sua vida alternando entre nós dois, é razoável que não saiba conviver com ambos ao mesmo tempo.

– Não sou eu que não sei conviver, é James que não permite.

– Não desloque para ele um problema que está em você. Seus próprios valores e conceitos de vida que não permitem me deixar partir. — Respirei fundo e cerrei os olhos. Eu não responderia a isso. — Posso te fazer uma pergunta?

– Você sabe que pode. — Os abri novamente encarando-o

– O que sente por mim? — Seus dedos encontraram os meus entrelaçando-os suavemente — O que quero dizer é: por que não consegue seguir em frente com James e deixar que eu vá embora? É pena, remorso, culpa ou... — Mehmet calou-se antes de terminar a frase e soltou minha mão rapidamente passando-a pelo próprio cabelo com raiva. — Deixa para lá!

Ele levantou-se da cama e começou a caminhar pelo quarto. Seus pés descalços tocavam o chão devagar tornando seu andar um pouco mais lento e impreciso. Met parecia relutar dentro de si mesmo enquanto eu ainda processava a pergunta feita anteriormente. Por que eu não conseguia deixá-lo ir?

– É melhor você ir embora. — Seu tom de voz mudara e ele me tratou com aspereza pela primeira vez em todos esses anos.

– Por que? Eu ainda não falei o que precisava. Eu preciso da sua ajuda.

– O que quer saber? — Apesar de ter perguntado, Met parecia desinteressado

– James quer que eu vá morar com ele. — Vomitei as palavras mais rápido do que conseguiria pensá-las

– Você deveria ir. — Sua resposta foi taxativa e tão fria que eu me sentia cortada ao meio por uma espada

– Mas... Mas e você?

– O que tem eu?

– Eu não posso.. — Procurei palavras adequadas e levantei tentando ficar frente a frente com Mehmet — Não posso morar... Por sua causa.

– Amanda, vai embora. Por favor. — Insistiu e seus olhos ficaram fixos nos meus pela primeira vez em tantos minutos fugindo do nosso contato visual.

– Por que? Mehmet, eu estou falando com você. — Insisti dando um passo a frente

– E eu estou te pedindo pra ir. Eu... Eu simplesmente não posso saber que você está relutando em viver sua própria vida por minha causa e, principalmente, por pena.

– Não é pena!

– Amanda, por favor.

– Me diz uma razão. Uma única razão e eu vou embora!

Mehmet rapidamente envolveu seus braços em minha cintura puxando-me para perto. Eu senti o impacto dos nossos corpos e no momento seguinte seus lábios estavam nos meus, beijando-me com uma delicadeza tão característica sua que, por mais irritado que estivesse, isso jamais mudaria. Apoiei as mãos em seu peitoral empurrando-o com toda a força que tinha e, desesperada, diferi um tapa contra seu rosto. Met ergueu as sobrancelhas surpreso com minha atitude e logo o semblante de culpa estava em seu rosto. Ele abaixou a cabeça devagar, todavia, não fora rápido o suficiente para evitar que eu visse as lágrimas em seus olhos.

– Eu te disse para ir embora, eu te PEDI para ir embora. — Ele murmurou culpando-se

– Você não podia ter feito isso. — Dei alguns passos para trás não reconhecendo o Mehmet que estava diante de mim.

– Eu amo você, Amanda. O que quer que eu faça?!

– Eu não... — Tentei novamente

– Esquece que eu existo — Ele interrompeu-me — Vai morar com o James, faça o que quiser da sua vida e não tente me notificar nada porque eu não estou interessado.

– É isso que você quer?

– É, é isso que eu quero. Não quero que apareça nesse hotel de novo ou que me procure. Eu não sou pai do Emmett ou seu amigo e espero que entenda isso de uma vez por todas. Aliás, se tem uma coisa que eu quero é que você saia daqui agora!

– O que você fez com o Mehmet que eu conheço?

Foi a única coisa que escapou pelos meus lábios antes de eu bater a porta saindo do cômodo com pressa. Aquelas palavras foram capazes de me despedaçar e, incrivelmente, eu devia constatar o fato de que Met havia me magoado! Ele, que parecia tão incapaz, havia agido como um completo idiota e me enxotado do hotel como um cão sarnento. Eu estava confusa, desamparada e sem saber para qual direção seguir. Assim que alcancei o carro, no entanto, tudo que estava preso de mim veio à tona. Nervosa, vomitei uma boa quantidade do que estava no meu estômago e me senti tonta. Apoiei-me no carro deixando a sensação de mal estar passar. Porra, isso não pode estar acontecendo!