– Está tudo bem? — Kendall me perguntou quando entrei em casa mais branca que um papel.
– Sim, só um pouco exausta. — Menti sentindo meu estômago ainda embrulhado
– Onde estava? Você deixou Emmett aqui e saiu tão rápido.
– Ahm? O que disse? — Indaguei colocando a bolsa sobre o sofá enquanto controlava minha respiração
– Onde estava, Mandy? — Meu irmão repetiu
– Deixa de controlar minha cunhada, amor — Savannah descia as escadas ainda de camisola, mas seu cabelo estava impecável como se estivesse acabando de cair do salão. Eles caíam como uma cascata negra em seu ombro esquerdo em uma trança larga.
– Obrigada, Sav — Sorri para ela, que me salvara de um interrogatório sem nem saber.
– De nada, querida. Você está bem? Está tão pálida — Minha cunhada aproximou-se de mim e colocou a mão sobre meu rosto.
– Não muito. Passei um pouco mal, mas isso passa.
– Mal de quê? — Kendall quis saber
– Está muito quente na rua e James me fez comer algumas coisas que não caíram muito bem.
– De verdade que é só isso? Não está assim por que brigaram? — Meu irmão questionou erguendo uma sobrancelha
– Certeza absoluta — Confirmei — Onde está Emmett?
– Lá em cima desenhando.
– Vou vê-lo. Com licença.
Subi as escadas apressadamente e segui para o primeiro banheiro que vi. Abri a torneira molhando meus pulsos e aproveitei para jogar um pouco de água fria em meu rosto e nuca tentando amenizar a sensação de ter todo o corpo gelado como se estivesse prestes a desmaiar. Apoiei-me sobre a pia sentindo-me tonta e contei mentalmente até dez. Isso tem que passar, tem que passar.


JAMES POV:
Amanda havia concordado na noite anterior em morar comigo. Devo admitir que o pedido ocorreu de uma maneira bastante expontânea e que fora bastante surpreendente o fato dela aceitar. Sim, realmente houve uma certa exitação a princípio, mas acredito que isso seja uma reação natural, não é mesmo? Acho que, por fim, nosso sábado realmente valeu a pena e algo me diz que o próximo será ainda melhor. Mal posso esperar pela oportunidade de pôr as coisas em pratos limpos com Kendall e solucionar todas as pendências que temos guardadas. Talvez eu deva estar preparado com espadas e escudos — escudos principalmente — para enfrentá-lo, no entanto, algo me diz que ele estará aberto a uma tentativa e eu também estarei, mesmo que isso signifique tirar a armadura e aceitar que estarei sujeito a receber mais uma surra.
Zapeei a televisão entediado, já passava de 14h de domingo e Amanda ainda não havia dado sinal de vida. Logo de manhã cedo minha noiva havia acordado e dito que tinha que levar Emmett para casa.
– Você tem certeza que precisa ir embora justo agora? — Resmunguei e tentei implorar com uma expressão de cão caído da mudança.
– Não tente apelar, engraçadinho — Ela murmurara, visto que Emm ainda dormia entre nós dois.
– Ainda está cedo — Voltei à minha chantagem
– Eu tenho que resolver algumas coisas. Estou em época de provas no supletivo e preciso estudar!
– Por vezes esqueço que minha noiva é uma colegial — Brinquei inclinando-me em sua direção para roubar-lhe um beijo. Amanda apoiou a mão em meu ombro e eu arrastei os lábios até sua orelha, sussurrando: — Isso te deixa sexy!
– Jay! — Ela repreendeu-me batendo onde antes sua mão estava — Olha o Emmett! — Moveu os lábios quase que sem som apontando para o baixinho entre nossos corpos
– Desculpe, mãe zelosa! — Ironizei — Mas por que não estuda aqui?
– Como se você fosse deixar.
– Prometo ser um excelente noivo e ficar quietinho, não dou um pio.
– Não vai dar um pio, mas vai usar seus lábios, mãos e corpo para me convencer a largar os cadernos. — Amanda afirmou como se essa constatação fosse óbvia
– Como sabe? — Gargalhei e logo coloquei a mão na boca ciente do barulho que fiz. Emmett mexeu-se entre nós.
– Talvez porque você tenha passado minha adolescência toda fazendo isso — Ela piscou flertivamente
– Excelente argumento, srta. Connely! — Toquei a ponta do seu nariz com meu indicador e em seguida o apertei
– Eu sei disso — Mandy sorriu convencida — Aliás, preciso descansar. Você não me deixou dormir essa noite!
– Que mentira — Defendi-me — Nós fomos dormir às...
– Quase quatro da manhã — Completou minha frase
– Como se tivesse sido uma tortura para você.
– Certamente não foi — Ela garantiu dando-me um selinho
É, não havia sido mesmo. No entanto, agora estava eu vivendo uma vida ociosa e cheia de tédio por não saber preencher as infinitas horas em que minha família estava longe. Minha família. Ter aberto mão da guarda de Emmett certamente foi a melhor escolha que eu poderia ter feito. Por sorte, meu advogado estava começando a dar entrada em tudo, o que fez com que a situação pudesse ser contornada antes que os Connely precisassem contatar um advogado e o processo chegasse às mãos de um juíz. Quanto à paternidade, decidi conversar em breve com minha futura esposa a respeito para que ela tome a iniciativa por conta própria e não pareça que eu a estou apunhalando pelas costas. Ter ouvido Carlos naquele dia foi o primeiro passo para retirar um peso enorme que carregava e, principalmente, para começar a confiar em Amanda e em todos seus planos para nós dois. Planos que agora são meus também. O toque do meu celular tirou-me da viagem realizada pela minha mente e trouxe-me de volta à Terra. Olhei o visor não reconhecendo o número descrito na tela, provavelmente algum novo cliente.
– Alô — Atendi e o silêncio do outro lado permaneceu — Alô. — Voltei a saudar
– James Diamond? — O sotaque do filho da puta ecoou do outro lado da linha
– Sim. Como conseguiu meu número, Mehmet?
– Kendall. Expliquei a ele que precisava tratar um assunto de suma importância contigo, imagino que saiba a que me refiro.
– Não, não sei. Não tenho nada a falar contigo, portanto, essa ligação é desnecessária.
– Preciso conversar contigo sobre a Amanda e sei que isso é do seu interesse.
– Se está pretendendo colocar-nos um contra o outro, já vou avisando que...
– Olha, eu não estou tentando fazer nada. — Ele interrompeu-me
– Então o que quer?
– Quero ir à sua casa ou a um lugar mais reservado para termos essa conversa definitiva. Posso encontrá-lo em uma hora?
– Saiba que não vou aceitar ouvir merda de você e já deixo claro que não vou te poupar dessa vez, caso provoque a minha raiva.
– Pode ou não, James?
– Posso. Em uma hora aqui em casa?
– Estarei ai.