Heaven In Your Eyes
35 Straight
Notas iniciais
– James! — Bati na porta de sua casa diversas vezes sem me importar se estava sendo irritante ou não, eu precisava dele e precisava como jamais precisei. Tudo que eu necessitava era do homem que amava, do seu corpo envolvendo-me como uma armadura, dos seus braços que me transmitiam tanta segurança de forma que eu poderia me sentir como uma criança em meio a um pesadelo que acorda e busca por consolo em seus pais. James era assim para mim: a fortaleza para qual eu corria quando era atacada, aquele que era capaz de esticar o braço para me puxar quando meu castelo de cartas estivesse caindo. Por muito tempo o julguei e de fato fui empurrada para um buraco negro por todos os erros cometidos anteriormente, todavia, quem poderia dizer que ele seria minha salvação? — James! — Continuei batendo em sua porta temendo que ele tivesse saído
– Calma, Mandy! — Ele abriu a porta com um sorriso enorme que logo se desfez ao me ver aos prantos — Amor, o que aconteceu? — Não havia preocupação em esconder de Emmett a maneira como nos referiamos um ao outro, soltei a mão do meu filho entrando na casa e o abracei com uma necessidade fora do comum, uma demanda até então desconhecida. Apenas desviei o olhar para Emm indicando que não gostaria de tratar desse assunto em sua frente. — Hey, little boy, por que não sobe para assistir um desenho animado enquanto o tio conversa com sua mãe?
– Não quero, quero prestar atenção! — Ele disse firmemente
– Por favor, campeão, o titio tá pedindo — James se abaixou diante dele pedindo com carinho
– Não vou deixar minha mamãe chorando sozinha — Eu sorri ao vê-lo cruzar os braços na tentativa de me defender e parecer forte — O moço malvado fez muito mal pra ela!
– Moço malvado? — Jay ergueu a sobrancelha para mim pedindo explicações
– Por favor, meu amorzinho, a mamãe quer contar pro tio James — Pedi encarecidamente torcendo para que ele entendesse
– Vai cuidar da minha mamãe? — Ele perguntou ao pai
– Vou, eu prometo.
– Então eu vou ver desenho. Você me chama se precisar né? — Agora ele falava comigo
– Com certeza, meu super herói — Respondi dando-lhe um beijo no rosto — Eu te amo, viu?
– Também te amo, mãezinha.
Esperamos um momento até Emmett subir as escadas, agora estavamos sozinhos na sala e James se aproveitou para se aproximar com carinho, pegando meu rosto entre suas mãos enquanto meu corpo e seu estavam juntos, colados, quase que adesivados. Deixei algumas lágrimas escorrerem e tenho certeza que isso o deixou incomodado, afinal, quem gostaria de ver a pessoa que ama sofrer?
– Shhh, calma meu amor. Me conte calmamente o que aconteceu. — Seus olhos estavam nos meus e eu tinha noção de que estava completamente horrivel, com o nariz avermelhado e o rosto inchado. Mas e dai? Ele me amava e eu tinha certeza que estaria ao meu lado em qualquer situação. Agora sim, eu sabia disso. Fomos andando até o sofá onde ele tomou minhas mãos com ternura afagando-as para me tranquilizar — Quer que te faça um chá?
– Não, tudo que preciso é de você perto de mim.
– E eu estou aqui, minha rainha — Ele murmurou e agora os carinhos eram dedicados aos meus cabelos. Cheguei mais perto apoiando minha cabeça em seu ombro sem dizer uma única palavra, seu cheiro já era o suficiente para eu me embriagar e fazer com que eu alcançasse minha espécie particular de nirvana. — Quando estiver pronta estarei aqui.
– Eu estou pronta, só preciso respirar um pouco — Proferi ainda atordoada e desencostei de seu ombro — Não vai acreditar em quem eu vi, ou melhor, quem tive o desprazer de encarar.
– Está me assustando. De quem estamos falando? — Sua expressão era séria
– Do meu pai, James, meu pai veio diretamente para me expulsar da empresa.
– O que? Como Kendall permitiu isso?
– Ele provavelmente já tinha ido trabalhar, nem deve saber a respeito disso tudo. Me senti tão humilhada, você precisava ver as coisas que ele me disse!
– Como assim as coisas que ele te disse? O que esse cara fez?
– Me colocou de vagabunda para baixo, deixou claro que não tem uma filha e sabe o que é pior? Não quis saber de Emmett! Nosso filho estava lá, tremendo, nervoso, preocupado com os gritos que ouvia e ele sequer foi capaz de se compadecer com isso tudo. Ele não perguntou nem mesmo o nome do neto!
– Como Kent pode ser capaz de algo tão baixo? Quer dizer, vocês tem o sangue dele porra! — James estava visivelmente irritado, eu poderia pressentir que ele explodiria a qualquer momento.
– Segundo ele, eu sou apenas uma vagabunda de quem ele quer distância.
– VOCÊ O QUE? — Nossos corpos se separaram e pude ver Jay levantar-se de supetão — Eu vou atrás desse filho da puta agora.
– James, não! — Levantei também — Você não vai a lugar nenhum. Kent se tornou tão frio que seria incapaz de entender e, além do mais, não quero que as coisas sobrem pra ti também.
– Ele sabe que estamos juntos?
– Não.
– Mas ele tem que saber. Você não está sozinha Amanda, você tem a mim e eu irei defendê-la, ainda mais por um erro que eu provoquei.
– Amor, eu estou te pedindo para que deixe eu mesma resolver isso.
– Resolver? Como?
– Eu não sei, só sei que no momento não posso ir para o trabalho ou para a minha própria casa.
– Quem disse que não pode ir ao trabalho?
– Não posso, fui demitida caramba! — Me irritei
– Negativo. A senhorita vai pegar sua bolsa e vai trabalhar! Você prometeu a Emmett que passariam o dia juntos e é isso que vai fazer. Nos dias que passamos juntos, Emm disse diversas vezes o quanto ama o estúdio e como gosta de estar lá. Vai deixar que o Kent tire essa alegria do nosso filho? Vai deixar que ele tire o seu emprego depois de anos sem ter tido tal experiência? Eu não vou permitir e a mulher maravilhosa de quem tanto me orgulho também não vai aceitar tal subordinação.
– Mas amor...
– Sem mais nem menos. Kendall confiou em você e te deu esse emprego pela sua capacidade, você não pode desistir agora,
– E se as coisas se complicarem para o meu irmão?
– Kent não vai abrir mão de seu melhor produtor musical. Acredite em mim, minha pequena. — Ele pediu gentilmente
– Tem certeza que devo ir? — Me senti indefesa
– Sim e se precisar estarei com o telefone junto de mim. Quer que eu te leve até lá para que tenha mais coragem?
– Não. Acho que de alguma maneira preciso fazer isso sozinha.
– Eu confio em você, Mandy e sei que é capaz de qualquer coisa. Você foi capaz de gerar um filho lindo e criá-lo sem mim, será capaz de enfrentar um pai rancoroso também.
– Eu sou capaz de enfrentá-lo, só não sei se suportaria mexer nas feridas que ele me causou!
– As feridas que eu causei, não é?
– Todos causamos, o problema é perpetuá-las. — Admiti respirando fundo — Bom, acho que você está certo, eu vou trabalhar custe o que custar.
– É assim que se fala, meu amor — Senti seus braços enlaçarem meu corpo e aproveitei para roubar-lhe um selinho, dessa vez sentindo meu coração mais sereno. — Você pode ir me pegar mais tarde? — Pedi como uma criança chorona
– Claro que sim, vou estar te esperando e se precisar levo os rapazes como guarda costas! — Ele brincou mostrando a ponta da lingua
– Deixe de ser bobo! — Correspondi à brincadeira me permitindo sorrir — Eu te amo!
– Também te amo, Mandy. Agora vá até lá e chute as bolas daquele velho ranzinza! Mas antes você está esquecendo uma coisa crucial! — A expressão brincalhona em seu rosto já me fazia imaginar que provavelmente seria mais uma forma de me fazer rir
– E posso saber o que foi que sua Mandy-esquecida deixou de fazer?
– Esqueceu meu beijo! — Ele fez um bico engraçado e apontou para os próprios lábios, eu ri e James pareceu orgulhoso por conseguir me arrancar mais uma risada
– Seu beijo, é? — Murmurei o puxando pela nuca antes de unir nossos lábios devagar. Jay sabia como transformar minha tempestade em calmaria e essa forma de equilibrar-me trazia uma paz, uma sensação de conforto que eu precisava tanto quanto respirar. Sua lingua sempre tão gentil envolveu a minha com habilidade transformando uma pequena troca de afeto em algo um pouco mais romântico e duradouro. Eu sugava seus lábios com ternura sentindo as mãos em minha cintura me apertarem devagar com posse, cuidado e proteção. Era curioso como James sempre comparava o filho a um super herói, todavia, agora estava claro para mim que o único herói ali era ele que sempre me resgatava dos piores infernos: sejam os meus ou os que me colocaram.
**
JAMES POV:
– O que você quer aqui? — A voz de Kent vacilou ao me ver, o pavor estava um pouco nítido em seu olhar, mas a postura de onipotência logo se fez presente.
– Vim conversar sobre algo que temos em comum: Amanda. — Vociferei com grosseria, aproveitando o mínimo espaço da porta para empurrá-la e entrar na casa onde minha namorada mora.
– Quem te deixou entrar aqui? Eu vou chamar a polícia agora mesmo. — Sua mão alcançou o bolso da calça social de seu terno
– Chame, estou morrendo de medo de um velho covarde como você. — Minhas palavras eram firmes e de fato eu não temia a nada e nem ninguém — Já passou da hora de resolvermos isso de homem para homem!
– Homem para homem? Deixe-me ver se entendi: está vindo aqui defender a mulher que humilhou? Fascinante.
– Não venha tentar jogar contra mim meus próprios erros. Eu e minha namorada já conversamos a respeito e tudo foi resolvido, se é que é do seu interesse saber sobre nossa vida amorosa.
– Namorada? Definitivamente eu sabia que Amanda era burra, só não esperei que fosse tanto.
– O QUE DISSE? — Voei sobre ele agarrando-o pelo maldito colarinho branco — Se ousar humilhar minha mulher mais uma vez, eu vou me esquecer que tem idade para ser meu pai e te enfio a porrada.
– Humilhar a sua mulher? — Ele me olhava do alto, duvidando que eu fosse lhe agredir e no fundo eu também duvidava — Achei que você tinha feito isso primeiro que eu. Tão estúpido, tão covarde, tão mulherengo e tão mesquinho. Foi fácil foder minha filha, não é mesmo?
– Assim como foi fácil descobrir que eu era apaixonado por ela. Vocês não deram uma chance para que eu a reencontrasse e construíssemos uma família, assim como você mesmo não está se dando a oportunidade de salvar a sua.
– Eu não tenho mais uma família, você a destruiu quando enfiou esse teu pau pequeno nela.
– Quanta bobagem junta! — Desisti o soltando — Você está tão cheio de rancor que não tem espaço para se deixar amar. A mulher a quem tanto despreza me ensinou que não importa a dor que tenham lhe infligido, sempre somos capazes de recomeçar.
– Você idolatra alguém que viveu por seis anos com outro homem, que passou de mão em mão como uma prostituta barata.
– Já falei para não a ofender! — Apontei meu indicador diante de seu rosto — Se você não a ama, eu a amo!
– Ama o cacete! Amanda voltou há pouquissimo tempo com uma criança que você sequer conhece e acha que pode chamar isso de amor?
– Você não sabe mesmo o que é amar.
– O que eu sei é que aquela vagabunda não merece um centavo do meu dinheiro.
– ELA NÃO QUER DINHEIRO, CARALHO! — Gritei contra seu rosto — Você é tão idiota quanto eu um dia fui, só espero que não seja tarde para voltar atrás.
– Ao invés de me dar conselhos sentimentais, vá arrumar outra piranha para trair a Amanda. Quebre o coração dela para que ela vá embora novamente.
– Como ousa me pedir isso? — Perguntei enojado
– Da mesma maneira que você ousa vir aqui. Se não for embora agora, eu juro pela minha honra que te expulso.
– Pois pode me expulsar, me tire daqui a força. Eu não vou embora até que saiba tudo que deve sobre sua filha. Amanda Connelly é uma mulher maravilhosa a quem tenho a honra de amar. Ela é batalhadora, superou milhões de adversidades, está estudando, trabalhando e é a melhor mãe que já tive o prazer de conhecer. Você não tem direito ou culhões para tratá-la dessa forma por causa de uma moral tão arcaica!
– EU ESTOU TE MANDANDO SAIR!
– Eu não vou sair e já te falei. — Proferi em um tom lento e seguro
– Você vai sair não apenas dessa casa como da vida de Amanda.
– Está se preocupando com ela, então?
– Não tenho que te explicar absolutamente nada. Eu não tenho que ficar parado esperando a próxima merda que você vai fazer. É como dizem: tal pai, tal filho. Aquele pirralho vai se tornar tão covarde como você!
– Você pode falar o que quiser de mim, pode até ofender a minha mulher, mas do meu filho você não fala! — Fechei minha mão em punho para atingi-lo, mas o rosto de Amanda veio em minha mente como um alerta para me controlar.
– E ai, garotão? Não ia me bater.
– Eu não tenho que comprar a sua briga ou acreditar nas tolices que diz.
Virei as costas abrindo mão de qualquer motivo que me trouxera aqui. Mandy estava certa, Kent seria incapaz de acreditar em mim ou se permitir amá-la mais uma vez. No entanto, assim que dei as costas e me direcionei até a porta, senti meu braço ser puxado violentamente para trás causando-me espanto. Kent acertou-me no rosto próximo o suficiente da boca e eu dei um passo para trás atordoado. A abertura que dei foi o suficiente para que ele me acertasse mais uma vez. Me abaixei tentando focar meus olhos em um ponto fixo sentindo minha face dolorida e assim que investiu mais uma vez pude empurrá-lo para ganhar espaço.
– A única coisa que eu precisava era dar o soco que você mereceu a muito tempo. Pode correr, filhinho de papai.
– Não vou correr, se é o que está pensando, só não preciso me rebaixar ao seu nível. Monstros são reais, Kent, só não devemos deixar que eles vivam dentro de nós e, principalmente, que vençam. Você já está consumido pelos seus e eu não vou entrar nessa mesma vibração ruim. Eu tenho muito amor para dar e tenho uma mulher digna de mim e um filho que me esperam em casa. Só espero e vou repetir mais uma vez que os trate com dignidade. Caso contrário eu voltarei aqui e você vai sair muito pior do que eu!
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