Heaven In Your Eyes

82 Second Chance, Again.


– Kendall? — Estou vendo miragem ou que?
– Minha irmã está ai? — Seu semblante era sério
– Não, não está.
– Que bom, porque eu vim esclarecer de uma vez por todas o motivo de estar brincando de casinha enquanto está pretendendo ter a guarda de Emmett.
– O que? — Minha ficha custara a cair, o chão parecia tremer sob meus pés e todas minhas ações de um tempo atrás voltaram como as lavas do Vesúvio devastando a Pompéia.
– Não venha com "o que" ou com desculpas esfarrapadas — Kendall empurrou a porta ganhando espaço para entrar em minha casa. Não relutei e ele parou atrás de mim com os braços cruzados. Fechei a porta e virei-me para meu antigo melhor amigo. — Quero a verdade, James. Você realmente pediu a guarda do Emmett?
– Pedi. — Assumi respirando fundo para logo em seguida encarar o chão
– VOCÊ POR ACASO PERDEU A NOÇÃO DAS COISAS? — Ele gritou dando passos apressados à frente e segurando-me pela camisa. Mantive minhas mãos ao alto, afinal, o que eu poderia fazer?
– Me bate, eu errei.
– Eu não tenho que fazer porra nenhuma. Você é mesmo um filho da puta! — Disse soltando-me — Cara, eu... Eu sabia que isso ia dar merda. Eu sabia que ia dar problema, mas ainda assim confiei que depois de tanto tempo você poderia estar se esforçando. Porra, a minha irmã está acreditando em você! — Ele parecia decepcionado e saber que causei isso incomodava-me. Pode parecer gay da minha parte, mas tenho carinho por Kendall e não gostaria de quebrar mais ainda a confiança que ele já não tem em mim.
– Ela pode e deve continuar confiando em mim.
– Deve? Você quer arrancar dos braços dela a única coisa que ela tem na vida.
– A Amanda o tirou dos meus braços também e por seis anos, caso tenha se esquecido. — Rebati
– Então esse é o motivo?
– Era, não é mais.
– Eu não vou acreditar em caralho nenhum, James. Você pode contar a mentira que quiser, pois nada irá me convencer. A Amanda irá saber a verdade.
– O que? Não, você não pode fazer isso. Você precisa entender o meu lado.
– Eu não vou entender lado algum. Você sacaneou a minha irmã há seis anos atrás e continua sacaneando! Quer saber, eu te meti a porrada há muito tempo e não me arrependo.
– Nem eu acho errado que tenha feito, eu faria o mesmo para defender meu filho se fosse preciso. Eu mereci toda a sua raiva, Kendall, mas você precisa acreditar que não vou tirar o Emmett da minha mulher.
– Ah então agora não vai mais?
– Cacete, você pode me ouvir? — Estressei-me e aumentei em uma oitava a minha voz — Anos atrás você não deixou que eu explicasse e realmente não havia o que explicar, mas agora há e eu espero que você me dê o direito de fazê-lo.
– Já falei que não quero saber.
– A questão é: você está na minha casa e, a não ser que me espanque e passe por cima de mim, eu não deixarei que abra essa porta até que saiba porque eu fiz isso.
Kendall retesou o queixo. Os braços ainda cruzados apertaram-se ainda mais contra seu corpo, ele estava devidamente irritado e parecia não querer escutar qualquer uma das razões que me levaram até onde estou. Eu já podia prever uma tragédia grega vindo em minha direção e, caso Amanda viesse a saber a verdade, tudo estaria perdido entre nós para sempre.
– Está bem, é sua última chance. — Ele murmurou em um tom baixo
– O que disse?
– Você pode tentar me dizer o que aconteceu, apesar de eu saber que você realmente pediu a guarda. — Kendall virou as costas para mim e andou pela minha casa procurando pelo sofá. Sentou-se, apoiou as costas no sofá e manteve o ar inquisidor. Eu me senti acoado em um interrogatório, sabendo que tudo que eu dissesse poderia e seria usado contra mim. Merda!
– Eu não ia pedir a guarda de Emmett. Tentei ter uma família comum com Amanda e ela renegou qualquer aproximação minha em relação ao menino. Quando, infelizmente, viemos a nos separar por estupidez minha, eu tive o desprazer de ser excluído da vida do meu filho por completo. Nunca fui capaz de conversar com ela sobre isso porque ainda dói, mas eu compareci no dia dos pais da escola e pude vê-lo realizar com aquele cara tudo que deveria ser feito comigo. Vi o meu filho homenagear e amar um homem que cuidou dele porque eu errei e também porque fui impedido de fazê-lo. Ninguém me avisou sobre a festa na escola e eu havia visto Emmett poucas horas antes. Eu fui enxotado como um cachorro, Kendall. A raiva que senti foi tão grande que me desesperei, liguei para o meu padrinho que você sabe que é advogado e pedi que entrasse com o processo de reconhecimento de paternidade e guarda. Ele tentou me convencer do contrário, mas eu estava focado. No entanto, as coisas mudaram no casamento de Logan. Carlos conversou comigo e mostrou-me que eu deveria insistir na minha história com Amanda mais uma vez.
– Carlos sabia disso?
– Sabia.
– Logan também?
– Não. — Garanti — Mas os rapazes não estão envolvidos em nada disso. Los me convenceu a respeito de mostrar à Amanda o que eu sentia e, surpreendentemente, ela estava disposta a receber meus sentimentos de bom grado. Eu e sua irmã estamos construindo uma família, Kendall. Eu estou tão feliz! Estamos vivendo um conto de fadas e olha que eu achei essa ideia sempre gay e ridícula demais para ser real. Está vendo a bagunça na minha casa? — Apontei para o chão — Emmett sujou tudo fazendo o café da manhã para mim e para a mãe. Acredite, nunca me senti tão bem por ter que limpar uma cagada dessas! E hoje? Nossa, hoje ele me pediu que o ensinasse a fazer a barba. Eu me senti um pai de verdade, me senti fazendo algo útil pelo meu filho mesmo sabendo que ele vai se esquecer disso tudo. Eu estou apaixonado pela ideia de ser marido e pai, de ter uma família e de assumi-los como meus. Não me tire isso, Kendall, não de novo. Você já ocultou a Amanda de mim por anos, não tire a mulher que eu amo de mim novamente.
– Eu não estou tirando, é você quem está.
– Não estou. Não quero porra de guarda nenhuma, só os quero aqui comigo o máximo que puder.
– Então cancela isso tudo. — Kendall disse entregando-me um envelope que estava dobrado em suas costas preso no cós da sua calça — Entregaram isso lá em casa ontem. Eu recebi, escondi e decidi tirar a limpo toda essa história. — Meu antigo amigo ergueu o papel branco diante dos nossos rostos e rasgou-o ao meio
– O que você está fazendo? — Arregalei meus olhos não crendo no que testemunhava
– Estou rasgando toda essa palhaçada e acreditando em você. Se quer mesmo fazer a minha irmã feliz, entre em contato com o seu advogado e desista dessa ideia.
– Você está mesmo me dando crédito?
– Estou. — Ele respondeu secamente logo levantando-se
– Por que? — Apressei-me em obter uma resposta
– Você era meu amigo, não é mesmo? Eu sei em que momento isso se rompeu, só não sei em que momento você se corrompeu. Talvez ainda exista um bom James ai e se ele existir, você vai mostrá-lo agora.

Kendall passou por mim e abriu a porta saindo da minha casa. Eu poderia tê-lo interrompido, continuado a conversa e dito diversas coisas que ainda estavam presas dentro de mim, mas aquele era o máximo que ele poderia ceder no momento e eu teria que respeitar. Sei que um dia ele ainda vai me abraçar e chamar de irmão de novo, só espero que não demore demais.