Notas iniciais
Capítulo extra de hoje porque a Helena me pediu muuuuito para postar e ai não resisti rs Não se acostumem heim, dois capítulos no mesmo dia é raridade kkk Boa leitura a todas s2
Desci as escadas de casa com cuidado, afinal eu tinha que me preocupar com o ser que estava dentro de mim e tomar um tombo era a última coisa que queria. A mala pesada era arrastada causando um barulho irritante a cada vez que se chocava com o próximo degrau e mesmo assim eu tentava evitar o máximo de sonido possível. Fui surpreendida, no entanto, por Kendall que abria a porta de entrada e logo parou assustado ao me ver. Seus olhos percorriam meu corpo, minhas malas e meu rosto como se buscassem por resposta, o que de imediato me fez gelar. Engoli a seco sentindo cada batida do meu coração ser intensa o suficiente como se o mesmo fosse sair pela minha garganta. De pronto algo dentro de mim gelou e se espalhou por minhas veias até atingir minha nuca fazendo-me ficar tonta. Desequilibrei no último degrau e meu irmão mais velho correu até mim apoiando-me em seus braços.
— Mandy, Mandy! — Sua mão livre abanava meu rosto enquanto eu tentava recuperar o ar que me faltou — Sente-se aqui!
Ken guiou-me até o degrau acima e sentei-me escorando a cabeça no corrimão. Permaneci dessa forma por alguns minutos sentindo que a cor do meu rosto havia se esvaído. Meu irmão encarava-me com cautela — sem saber o que fazer tanto quanto eu — até que por fim tomou a iniciativa.
— O que... O que significam essas coisas?
— Ken, eu... — Não queria encará-lo e já começava a sentir a umidade em minhas pupilas antes mesmo de concluir a frase
— Onde pensa que ia assim? Ia viajar escondido com James?
— Não Kendall, eu...
— Bom mesmo. — Meu irmão interrompeu minha frase — Porque se fosse, eu teria que ir tirar satisfações com ele.
— Kendall... — Chamei mais uma vez na tentativa de impedir sua crise de ciúme prematura e suas sobrancelhas grossas uniram-se em um olhar curioso quando calei-me
— Vai me dizer coisa pior, não é mesmo? — Assenti com a cabeça positivamente e ele finalmente sentou-se ao meu lado, mantendo o minimo de contato fisico possível. A maneira como me olhava indicava que não haviam coisas boas no caminho, mas eu estava farta de mentir e ser pega em flagrante piorava tudo. — Pelo amor de Deus, Amanda, o que quer dizer? Onde está indo com essas coisas?
— Eu estou indo embora! — Despejei de uma vez sobre ele
— TÁ LOUCA? — O vi se alterar de imediato, mas ainda tentando controlar a raiva — Onde pensa que vai? Por acaso nosso pai sabe disso?
— Não e nem pode saber. Eu preciso da sua ajuda, Ken! — Joguei-me sobre ele abraçando-o com força enquanto meu rosto se enterrava na curva entre seu pescoço e clavícula. — Eu... Eu não consigo mais. Me tira daqui, por favor!
— Como te tirar daqui? Eu não posso fazer isso. O que aconteceu? — Suas mãos grandes e delineadas acariciavam meus cabelos ao mesmo tempo em que eu molhava sua polo azul clara com minhas lágrimas
— Tenho que te contar uma coisa. — Tomei coragem desenterrando minha cabeça de seu esconderijo. Limpei as lágrimas com meus indicadores enquanto os poucos segundos que antecipavam a revelação deixam-me mais nervosa.
— Amanda, você está me angustiando.
— Preciso saber que vai confiar em mim antes que te diga porque estou indo embora. Você tem que ser meu irmão agora acima de tudo e respeitar o que te pedir.
— Não vou respeitar se for errado.
— Respeite pelo amor que tem por mim.
— Por Deus, o que há? — Sua mão atravessou seu cabelo e eu podia perceber quão nervoso estava
— Eu estou grávida, Ken.
— QUE PORRA É ESSA? — Meu irmão levantou-se de imediato ficando de pé em frente a mim, encolhi-me no canto da escada esperando qualquer reação e de pronto olhei o chão covarde o suficiente para ver a decepção em seus olhos — Você só pode estar brincando.
— Não estou! — Um fio de voz saiu de mim
— Caralho garota! Eu não acredito que você deu pra aquele viado. Porra, Amanda! — Kendall estava ficando vermelho, eu poderia vê-lo explodir a qualquer momento — Você sabia que ele só queria sexo!
— Ken, deixa eu te contar.
— Contar o que? Que você deu sem camisinha? Já entendi, cacete! — Ele andava de um lado para o outro pilhado, passava a mão na boca, no rosto e nos cabelos.
— Me desculpe. — Pedi constrangida encarando o chão e vendo seus pés seguirem o constante movimento de vai e vem pelo piso
— Não tem que pedir desculpas à mim, tem que assumir o erro.
— É o que estou tentando fazer! — O encarei pela primeira vez
Kendall respiro fundo e pude ver que junto com o ar milhares de sentimentos foram expelidos. Ele parou cruzando os braços e olhou para mim, a mágoa estava nitida e eu queria esconder-me em qualquer canto para não ser o alvo dela.
— James já sabe?
— Ken...
— O JAMES JÁ SABE? — Sua voz aumentou e percebi que a situação tendia a piorar
— Tentei contar. — Limitei-me
— E então? — Calei diante da pergunta — E então, Amanda?
— James está com outra, Kendall, descobri hoje.
— EU VOU MATAR AQUELE FILHO DA PUTA!
Meu irmão mais velho sequer esperou eu terminar a frase, o vi sair pela porta como um furacão que destrói tudo em seu caminho e em um impulso corri tentando impedir que o pior acontecesse.
— Kendall, pelo amor de Deus, volte aqui.
— Se aquele bosta tá pensando que você vai ser mãe solteira, está muito enganado. Soube colocar o pau ai dentro? Ótimo, vai saber ser pai também! — O tom de Ken era alto o suficiente para que algumas pessoas que passassem na rua ouvissem e corri até ele parando em sua frente
— Por favor, não faça nada. — Implorei
— Quem fez foi ele, ele se aproveitou de você.
— E isso não precisa ser resolvido agora, tá legal? Eu queria também e agora a merda tá feita. Você só precisa me ajudar a sair daqui!
— EU NÃO VOU FAZER ISSO.
— Ken, nossos pais vão surtar com a ideia e certamente pressionarão o James. Não posso permitir que ele se aproxime de mim e do meu bebê, não quero tê-lo por perto mais, não vê?
— E o que pretendia fazer, hun? Porque até onde eu sei, essa estava sendo uma noite maravilhosa, iamos todos jantar juntos e eu volto em casa apenas para pegar a porra do blazer e encontro a minha irmã de malas prontas, indo embora e GRÁVIDA. — Abaixei a cabeça com a fala de Kendall, mais uma vez me mostrando vulnerável — O que ia fazer? Para onde ia?
— Eu não sei. — As lágrimas foram mais fortes e escorreram pelas minhas bochechas. Em desespero, abracei o primogênito da família tendo seus braços em volta de mim em retribuição. — Por favor, Kendall, me ajuda a ir embora. Nossos pais não precisam saber, pelo menos não agora. Eu prometo que ficarei bem, prometo que não desaparecerei para sempre! Só não deixe que aquele canalha nos encontre e queira até mesmo tirar meu bebê de mim.
Kendall apertou-me com mais força e ficou por longos minutos calado. Respeitei seu momento, deixando também que eu tivesse meus próprios instantes de dor, até que por fim ele se pronunciou.
— Te ajudarei.
— Sério?
— Uhum. Sei de um lugar onde pode ficar e para todos os efeitos manterei a hipótese de fuga, mas não pense que acobertarei por muito tempo.
— Eu só preciso manter as patas imundas daquele cachorro longe desse pequeno ou pequena que está crescendo dentro de mim.
— Acredite, nem patas ele terá.
— Kendall, por favor, me promete que não vai fazer nenhuma besteira.
— Amanda, não tem como iss...
— Promete. — O interrompi
— Por você.
— E pela sua sobrinha.
— Mulher? Mais uma? — Sua pergunta tinha um tom divertido, apesar do clima entre nós
— Ok, pode ser que seja um machinho.
— Espero que sim e que não puxe em nada ao pai. Venha, temos que pôr as malas dentro do carro. — Kendall caminhou novamente para dentro de casa afim de pegar meus pertences deixados ao pé da escada. Fiquei o encarando curiosamente questionando a mim mesma a sorte que tenho em possuir alguém que me cuide tão bem, que me proteja e esteja ao meu lado. Meu irmão era tudo isso e mais um pouco, sem dúvidas. Ele terminou de pôr as malas no bagageiro do carro e calados entramos no veículo. Ken deu a partida e rapidamente olhou-me pelo canto dos olhos, eu sabia que apesar do auxilio, seu coração estava tão apertado quanto o meu.
— Hey, maninho. — Chamei carinhosamente
— O que? — Seu tom frio me fez congelar
— Obrigada... Por tudo.
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