Notas iniciais
Cadê as minhas gostosas? Cadê os meus gostosos? KKKKKKK Me senti Ivete Sangalo. MEUS AMOOORES, estou tão feliz pela situação do nosso país, tenho que admitir que chorei assistindo as manifestações. Estamos passando por uma mudança linda e isso me deixa muito orgulhosa *-* Até me inspirei para escrever rs Boa leitura e vamos mudar esse país!

– FIM DO FLASHBACK -

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As horas de vôo eram entediantes o bastante. Emmett dormia com a cabeça apoiada em meu colo enquanto meus dedos dedilhavam um carinho gostoso sobre seus cabelos, cabelos estes que me faziam lembrar de James a todo instante. Meu filho era uma cópia exata do homem que passei boa parte da vida tentando esquecer e no auge dos seus cinco aninhos era como uma xerox autenticada do pai. Seus olhos no mesmo tom de verde profundo, o tom da pele, as bochechas levemente rosadas e o cabelo castanho claro entregavam com perfeição a maneira como fora concebido. Admito que nunca foi fácil encarar meu pequeno e lembrar-se da dor que fora trazê-lo ao mundo, das dificuldades que passei e do quanto James colaborou para que essa sequência de dramas ocorresse, mas no fundo tudo que eu precisava era ouvir um "mamãe" escapar de seus lábios para me sentir inteira novamente. Por sorte, tive uma família incrível com a qual pude contar mesmo que parcialmente. Assim que descobri sobre a gravidez, Kendall ajudou-me levando-me para o interior de Oklahoma e escondendo-me até que estivesse perto de ter o bebê. Volta e meia recebia ligações suas insistindo que nossos pais estavam desesperados, que me procuravam em todo o canto e isso angustiava-me de uma maneira sobre-humana. Até que finalmente decidi contar a verdade aos dois. Minha mãe foi ver-me dentro de meses, esteve comigo no parto e concordou em guardar meu segredo. Meu pai — que eu julgava ser bem mais compreensivo — mostrou-se rancoroso e magoado. Ele não aceitava minha escolha, não admitia a fuga e sentia-se envergonhado em ter uma "filha vagabunda", nas palavras dele, é claro. No entanto, isso não me abalou. Reconheço que o feri emocionalmente de uma forma que talvez nunca consiga reparar, mas se um dia o conseguir será porque chegou o tempo para ambos perdoarem e serem perdoados. Felizmente, durante a gravidez tive o prazer de conhecer Mehmet, um músico libanês que estava nos Estados Unidos de férias da faculdade. Ao que parece eu estava mesmo destinada a permanecer entre notas musicais e partituras. Ainda assim, ele era realmente um fofo, carinhoso e um amigo especial que apareceu em minha vida como um anjo que resgatou-me do mais escuro e profundo inferno. Seu tratamento comigo e com meu filho era único, como se fossemos sua família, seu epicentro e seu objeto de dedicação. Ele nos dava todo o suporte que precisávamos, fosse emocional ou financeiramente — sempre insisti para que não o fizesse, mas ser uma mãe solteira cujo ensino médio sequer havia sido concluído não facilitava minha colocação no mercado de trabalho — além de tratar a Emmett como um verdadeiro filho. Mehmet vibrava com cada novidade do meu rapazinho, sempre vinha com presentinhos e nos mimava o máximo que podia. Quando completei dezessete anos ele — que, por azar ou não, possuía a mesma idade de James — decidiu surpreender-me com um pedido de namoro. Não, eu não queria uma relação, não queria envolver-me em algo sério e tinha a definitiva certeza de que todos os homens objetivavam apenas uma coisa: sexo. No entanto, Mehmet mostrava-se tão solicito e devoto que não consegui negar o pedido e nos envolvemos em um relacionamento saudável com uma pitada enorme de amizade. Assim que suas férias acabaram, conversei abertamente com minha mãe que providenciou a papelada para que eu fosse para o Líbano com meu namorado e assim foi feito. Permaneci todos esses anos ao seu lado e, tenho que admitir, não houve escolha melhor. Emmett cresceu tendo uma figura masculina que lhe dedicava todo o afeto possível e eu tive comigo um companheiro que me apoiava no que fosse necessário. No entanto, após seis anos de relação, não fui capaz de corresponder às expectativas de casamento ostentadas por meu noivo e sua família. Sim, eu aceitei o noivado, mas quem disse que eu estava pronta para casar, para entregar meu coração e alma mais uma vez? As cicatrizes de James ainda estavam recentes e talvez não fossem curar mesmo depois que meu corpo se desintegrasse a sete palmos. Por isso, depois de dizer o pouco de sentimento que minha boca permitiu confessar, eu e Mehmet chegamos à conclusão de por um fim no que tínhamos e voltei para Nova York. Não, eu não estava fugindo mais uma vez. Meu ex tem total conhecimento do que estou fazendo e, como sempre, me apoia na empreitada de enfrentar os antigos demônios que me impedem de seguir a diante. Por ele? Bem, por ele guardo todo o carinho do mundo e a ternura de alguém que tem em seu coração um eterno protetor. Já pelo futuro, carrego uma incerteza que me impede de dar o próximo passo, mas que me fez voar milhas e milhas em busca da absolvição.

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"Atenção senhores passageiros do vôo com destino a Nova York, apertem os cintos e permaneçam em seus acentos, pois dentro de instantes estaremos pousando no aeroporto Kennedy JFK."

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\n– MINHA MAGREEEELA! — Kendall correu até mim quando avistou-me, deixei as malas caírem abraçando meu irmão com força depois de tendo se passado quase dois anos desde a última vez que o vi. Ficamos por longos minutos escutando apenas nossas respirações e competindo quem apertava mais. Céus, como era bom estar em casa! — Deixe-me olhar para você! — Ele completou afastando-me um pouco para me analisar. Sorri envergonhada dando um pequeno giro conduzido por ele.
\n– Ah pare, por favor. Você está me constrangendo, loiro. — Ri baixinho tomando um pouco mais de distância
\n– NÃÃÃO, não sai. Deixa eu grudar você mais um pouco antes que você saia correndo mais uma vez! — Ken disse puxando-me mais uma vez e apertando-me de uma forma na qual o ar me faltava
\n– Tio Ken... tio Ken... — Eu tentava me soltar quando ouvi a voz de Emmett. Ele estava nas pernas de Kendall puxando sua calça com as mãos minusculas.
\n– GAROTÃO! — Meu irmão gritou mais uma vez e eu juro que adoraria cavar um buraco a cada vez que todos a nossa volta nos olhavam incomodados pelos seus escândalos. Ele abaixou pegando meu filho no colo e jogando-o para cima. Emmett deixava gargalhas estridentes e infantis ecoarem no ar pesado de despedidas que aeroportos possuem e isso fazia com que eu sentisse mais orgulho de sua ingenuidade.
\n– Anda, Ken, coloque-o no chão. Esse menino comeu muitos doces durante o vôo e daqui a pouco vai passar mal.
\n– Por que não me surpreende nem um pouco que você seja uma mãe chata e super protetora? — Ele ergueu uma sobrancelha implicando comigo
\n– Porque o MEU filho — Dei ênfase ao pronome possessivo — é tão enjoado com comida como o frouxo do tio dele! — Sorri vitoriosamente pegando Emmett no meu colo e dando-lhe um beijinho em seus cabelos agora desarrumados
\n– O tio Kendall não é frouxo! — Ele defendeu
\n– Ah não, pingo de gente?
\n– Isso mesmo, campeão, me defende.
\n– Parem vocês dois. Eu sou a princesa da família e meus dois heróis tem que me defender! — Fiz drama conquistando o carisma do meu pequeno
\n– Eu te defendo, mamãe! — Emmett disse enlaçando os braços em meu pescoço e apertando.
\n– Arg, vamos acabar com a melação. — Kendall resmungou pondo a língua para fora enquanto pegava minhas malas caídas — Você vai transformar esse garoto em um almofadinha!
\n– Só por mimá-lo, não significa que vou fazer dele um playboy. — Rebati — Além do mais, esse pequeno aqui vale por três de tão atentado.
\n– Ele precisa é aprender algumas coisas comigo e os garotos.
\n– NÃO MESMO! — Protestei enquanto cruzávamos a entrada principal a caminho do carro — Você sabe que o Emmett não vai se aproximar daquele crápula.
\n– Daquele o que, mamãe?
\n– Nada, meu amor. — O tranquilizei, mas meus olhos encaravam meu irmão com aborrecimento.
\nKendall colocou as malas no bagageiro e eu aproveitei para deixar Emmett no banco traseiro, me certificando de que o cinto estava bem preso ao redor do seu corpinho. Eu estava pronta para entrar no carro quando meu irmão segurou-me pelo pulso delicadamente. Girei em meus calcanhares e sua expressão era piedosa.
\n– O que houve? — Perguntei diante do seu silêncio
\n– Você sabe que James vai vê-lo uma hora ou outra e a semelhança entre eles é inegável. — As mãos de Ken encontraram o bolso de seus jeans, ele estava tão apreensivo quanto eu.
\n– Emmett é filho de Mehmet El-Haddad e isso sim é inegável.
\n– Mandy... — Ele falou em um tom repreensivo, quase como uma mãe dizendo "ai ai ai" aos seus filhos.
\n– Vamos, Kendall? — Cortei o assunto — Eu apenas acabei de chegar em Nova York e ainda tem muita história para acontecer.