Heaven In Your Eyes
24 Resolution
Notas iniciais
AMANDA POV:
— O que? Do que você está falando? — Senti meu coração palpitar em um ritmo absurdo
— Eu sei a verdade, Mandy. — Ele disse fungando devagar, provavelmente pelas lágrimas.
Em mim havia um misto de medo e insegurança. James estava chorando porque descobrira a verdade? Como ele poderia reagir? Me culparia por tudo? Acaso tiraria Emmett de mim? Me escorei na parede do quarto do hotel apoiando a cabeça contra a mesma e fechando meus olhos.
- Como sabe? — Perguntei temendo a pergunta
- Isso não importa agora, só preciso que volte.
- Eu estou viajando James, podemos conversar o que quer que seja amanhã.
- Mandy, eu não quero apenas conversar. Será que não entendeu o que estou querendo dizer? Nosso filho precisa de você aqui.
- Eu sei, mas...
- Aconteceu um acidente! — Ele me interrompeu e meu coração por um momento parou, se é que isso é possível. Senti tudo ao meu redor girar e um calafrio enorme percorrer-me, como se estivesse retirando todos meus sentidos. — Emmett afogou-se na piscina de Logan.
- O QUE? — Gritei desesperadamente e não pude conter as lágrimas que já escorriam pelos meus olhos — ME DIZ QUE ELE ESTÁ BEM, ME DIZ! — Gritei mais alto ainda sentindo o chão sumir sob meus pés. Se algo acontecesse ao meu pequeno, eu jamais me perdoaria. Escorreguei devagar pela parede agachando próxima ao chão. Sentei-me envolvendo meus joelhos com um dos meus braços enquanto o outro mantinha a respiração acelerada ao som do telefone. — Me responde, Jay, não fique em silêncio. — Supliquei temendo uma verdade cruel
- Logan o encontrou a tempo. Por favor, não culpe a ambos. Foi um acidente! Ele estava procurando por um brinquedo, Logan o estava ajudando e quando foi até ele o viu caído. Parece que chegou a tempo do pior acontecer e agora está sendo atendido, mas tudo ficará bem.
- Repete. — Pedi descrente
- O que? — Ele pareceu não entender
- Que tudo ficará bem.
- Vai ficar, Amanda, eu prometo.
- Você não tem como prometer, não é Deus para saber sobre a vida dos outros.
- Mas eu sei que encontrei meu filho agora e não o perderei nunca mais. — James disse taxativo, o que fez meu coração acelerar- Eu vou até ai — Falei secando minhas lágrimas e levantando-me. Havia um buraco em meu coração que só seria preenchido com a presença de Emmett e a certeza de que estava a salvo. Eu não descansaria até olhar seus meigos olhos e saber que não o deixei partir.
- Venha, por favor. Eu... Eu... — Ele recomeçou a chorar, me deixando apreensiva — Eu não sei o que fazer.
Desliguei o telefone as pressas e sai sem rumo pelos corredores. Precisava encontrar Kendall e voltar o mais depressa possível. Meu filho precisava de mim assim como precisei todos esses anos de sua doçura e afeto para me manter de pé. Eu havia sobrevivido por todo esse tempo porque o tinha perto de mim, porque precisava ser forte e me reconstruir diariamente por Emmett. Agora, no entanto, o tinha longe de mim, em perigo e precisando da mãe mais do que nunca. Eu deveria estar com ele, deveria segurar sua mãozinha, eu deveria tê-lo tirado das águas — aliás, deveria ter impedido que tivesse caído. Meu filho se afogou não apenas em uma piscina, mas também em todas as mentiras que criei. E se James tivesse descoberto a verdade desde o início? Se tivéssemos sido uma família? Simplesmente não posso imaginar que minhas ações passadas ocasionaram nisso, não posso imaginar uma vida na qual meu pequeno príncipe não esteja presente. Bati na porta da suite do meu irmão em desespero, as lágrimas insistentes ainda molhavam meu rosto e eu não me importava que as pessoas me encarassem assustadas. Era meu filho, porra! Eu só precisava tê-lo em meus braços o protegendo e sendo suficientemente boa até que esse momento ruim passasse.
- Kendall, abre essa merda! — Bati mais algumas vezes
- Você tem noção de que horas são? — Ele abriu a porta ainda com a calça do pijama e passando as mãos nos olhos, mas quando me viu assustou-se. — O que houve?
Meu irmão abriu um pouco mais a porta me permitindo passar e corri para seus braços envolvendo-o com força. Comecei a chorar como uma criança sentindo em mim já a possível perda de Emmett. Eu não poderia passar por essa dor, não posso estar aqui quando a vida do meu filho está em risco. Eu preciso trazê-lo para meus braços assim como a primeira vez em que o segurei, preciso manter minha fé de que ele se continuará bem até que eu chegue. Emm não pode partir e muito menos sem me ter ao seu lado. Só de imaginar o quanto meu pequenino pode estar assustado, fui mais inundada pela tristeza e lágrimas mais grossas escaparam.
- Mandy, Mandy. O que houve dessa vez? — Kendall perguntou assustado
- O Emmett! Emmett está no hospital e precisa de mim.
**
JAMES POV:
O som da sirene me despertou mais uma vez de pensamentos. Junto com ela, lá estava Carlos chegando afobado tanto quanto cheguei horas atrás.
- James! — Ele disse avistando-me — Oh mano, o que houve? — Meu amigo me consolou abraçando-me meio sem jeito
- Meu filho, Los. Meu filho está correndo perigo.
- Como assim filho, o que está dizendo? — O vi perguntar incrédulo e o guiei para a sala de espera onde poderíamos ter mais privacidade. Logan e Ingrid haviam ido na lanchonete tomar ao menos um café, mas eu me mantive firme caso o médico aparecesse com novidades. Assim que adentramos a sala, fiz questão de sentar para explicar toda a história, demandaria de tempo mesmo.
- Ao que parece, Amanda estava grávida de mim quando foi embora. Não sei se ela já sabia ao partir, não sei de descobriu depois. Sei apenas que fui um completo canalha com a mulher que amo! Eu a julguei, Carlos. Consegue compreender isso? A julguei, ofendi e humilhei quando na verdade o garoto a qual chamei de bastardo possuía o meu sangue.
- Tem certeza?
- Sim, amigo. Ele é meu filho e eu estou morrendo de medo de ter descoberto tarde demais! — Passei a mão pelos meus olhos disfarçadamente e baixei meu rosto devagar sentindo minha voz embargar.
- Você não descobriu tarde demais, não diga uma bobagem dessas!
- Eu estou tentando não pensar a respeito, cara, mas... mas a culpa está aqui, entende? Está sob meus ombros da mesma maneira que Emmett esteve diante de mim! Eu to tentando mano, eu juro que não quero pensar mais nisso ou me sentir assim. Eu to tentando ficar cem porcento, tenho que dar o exemplo para o meu filho, tenho... tenho que estar forte e ser seu herói, não é? — Perguntei mantendo um discurso não-coeso.
- Sim, James. — Carlos assentiu com pena — E, se quer saber, você é o super herói de Emmett antes mesmo de saber a verdade. Emm te idolatrava, lembra?
- Não fale no passado. MEU FILHO ESTÁ VIVO!
- Eu sei, irmão, eu sei.
- Responsáveis por Emmett Connelly El-Haddad? — O médico perguntou e me levantei prontamente.
"El-Haddad"? Então o libanês havia registrado o MEU filho?
- Sou eu, eu sou o pai dele.
- Você é o senhor El-Haddad, eu suponho.
- Não, não sou. Podemos falar sobre o meu filho, por favor? — Perguntei desconfortável com o questionamento.
- Claro. Seu filho já está sendo encaminhado para o quarto. Por sorte, não houve nenhuma complicação. Veja bem, um processo de afogamento dura de 20 a 60 segundos e Emmett alcançou o nível 2 de 6 dos quais podem existir, o que significa que não ficou muito tempo na água. Seu amigo o resgatou depressa, talvez seu filho tenha permanecido poucos minutos lá dentro. Já lhe demos oxigênio nasal, agora tudo que precisamos é mantê-lo aquecido e em repouso aqui no hospital. Só iremos observá-lo por pelo menos 24h para garantir que não haverá nenhuma dificuldade respiratória.
- Então meu filho está bem? — Perguntei já enchendo-me de esperança
- Sim, senhor. Deveria agradecer ao seu amigo, ele salvou uma vida hoje.
- Eu farei, tenha certeza. Quando posso vê-lo?
- Agora mesmo, se quiser. Venha por aqui.
Sinalizei para Carlos que seguiria com o médico e ele concordou com um acenar. Acompanhei seus passos até um corredor colorido que dava acesso a uma sala decorada e infantil cheia de portas brancas. O ambiente tentava trazer um pouco de ingenuidade e infantilidade às crianças internadas. O doutor me deixou diante da porta do quarto de meu filho e respirei fundo antes de girar a maçaneta. Emmett estava deitado na cama e seu pequeno corpo parecia fragilizado diante de todos os equipamentos ao seu redor, apesar de não estar cheio de fios conectados à sua veia ou dependendo de aparelhos. Me aproximei mais devagar sentindo o maldito nó em minha garganta mais uma vez. Ele mantinha seus olhos fechados, dormindo como um perfeito anjinho que tinha sido enviado por Deus para mudar minha vida e me trazer sabedoria. Dei mais dois passos e pude finalmente alcança-lo. Minha mão exitou antes de tocar seus cabelos que estava sob seu rostinho, os tirei devagar de sua testa observando cada pequena parte que o compunha. As bochechas rosadas, o nariz como de Amanda, o formato da boca, as sobrancelhas como as minhas... Emmett era uma mistura tão fidedigna que parecia impossível não ter notado. Fiquei por um tempo observando meu pequeno respirar devagar e seu tórax se inflar a cada vez que o ar passava com dificuldade buscando acessar seus pulmões. Meu filho estava diante de mim tão frágil que fazia meu coração se apertar doloridamente. Fiquei acariciando seu rostinho e por um momento era estranho tê-lo tão quieto diante de mim. Estava acostumado a sua correria, seu pique e a forma como sempre estava disposto a me deixar cansado. "Titio grandão", ri ao lembrar a forma como me chamava. Titio. Eu não era seu tio, era muito mais que isso e estava agora diante de tudo que tenho de mais precioso sabendo que estive longe por tempo demais. Desperdicei tantos anos, estive distante em tantos momentos. Não pude dizer a Emmett o quanto o amava, não pude vê-lo nascer, crescer e tropeçar ao dar seus primeiros passos. Não o acolhi em alguma madrugada que acordou chorando por fome, não o ensinei nada de útil ou sequer lhe eduquei. Eu havia sido expulso da vida do meu filho sem ter sido questionado a respeito e agora sei que daria a minha própria vida para ter tido a oportunidade de dizer sim para tudo que estaria por vir. Mas a pergunta é: eu teria dito? Eu teria o recebido de braços abertos?
- Hey garotão! — Falei sabendo que ele não me escutaria devido ao sono — Eu mal posso acreditar no que descobri e acho que você também não acreditaria! Sabe, Emm, demorei tanto tempo para te encontrar que não estou pronto para te perder. Eu não estou pronto para te deixar ir! — Falei sentindo-me choroso mais uma vez — Ainda bem que você está a salvo, eu não me perdoaria se não tivesse sido seu herói e na verdade eu não fui, não é mesmo? Não fiz parte de nada especial na sua vida, mas só de pensar no tempo que temos pela frente me encho de esperanças porque sei que ainda poderei te dar orgulho. — Fiz uma pequena pausa e abaixei-me segurando na pequena mãozinha do meu filho, estava fria e isso fez com que uma pequena lágrima escorresse dos meus olhos — Eu sou seu pai Emmett e eu já te perdi por tempo demais para deixar que algo de ruim te aconteça mais uma vez. Então, por favor, seja o menino forte que me encantou e continue respirando. Continue por mim, meu pequeno, porque eu nunca mais vou te deixar.
Me reergui devagar dando um pequeno beijo em sua cabeça e assim que me virei percebi Amanda encostada no portal. Ela estava enxugando o rosto com as costas das mãos e deixou escapar um soluço assim que se deu conta de que eu a havia visto.
- Hey... — Falei baixo e sem jeito
- Você não tem noção de quanto tempo esperei e sonhei em te ouvir dizer isso. — Ela sussurrou deixando as lágrimas dominarem seu belo rosto. Puxei-a pela cintura com carinho em um abraço cheio de afeto e Amanda apoiou a cabeça em meu ombro. Fiquei acariciando suas costas devagar e dei-lhe um beijo na testa tentando tranquiliza-la.
- Shhhh... Calma, Mandy, ele está bem.
- Eu estou com medo. — Ela admitiu com a voz tremula
- Não precisa ter, eu estou aqui. — A apertei um pouco mais, no entanto, Amanda me soltou aos poucos e foi até Emmett olhando-o com uma expressão abatida no rosto.
- Ele está tão pálido.
- Mas está bem, o médico me informou a respeito de tudo. — Me aproximei também ficando próximo a ela, mas sem contato físico
- Quanto tempo ele terá que ficar aqui?
- Vinte e quatro horas.
- Graças a Deus — Ela disse unindo as mãos e fechando os olhos rapidamente como se falasse com uma divindade
- Já conversou com Logan e Ingrid?
- Sim, eles me explicaram o que houve e na verdade nem pude me magoar, apesar de ter tido uma sensação ruim.
- O médico me explicou que se não fosse Logan salvá-lo rapidamente, as coisas poderiam ter tomado outro rumo. Logan salvou nosso filho, Amanda.
- Nosso?
- Sim, nosso. — Conclui seguramente e a vi esboçar um sorriso
Emmett abriu os olhos aos poucos diante de nós e Amanda segurou sua mão um pouco afobada.
- Meu amor, você acordou!
- Oi mamãe, oi titio.
"Titio", senti algo queimar dentro de mim como as chamas diante de uma floresta. Passei o braço ao redor de Mandy com afeto, mas não soube dizer qual fora sua reação.
- Como você está? — Perguntei me percebendo tão ansioso quanto ela
- Acho que eu to legal, titio. — Ele respirou fundo fazendo biquinho
- Oh coisa linda da mamãe, você me deu um susto — Amanda falou apertando as bochechas do filho e dando-lhe um beijinho no rosto
- Desculpa mamãe. O titio Logan disse para eu não ir pra piscina, mas eu queria ver se o bonequinho tinha caído lá.
- Não deveria, você tem que obedecer. — Ela reclamou
- Amanda, sem bronca agora, ele está no hospital — Repreendi
- Ora, vejo que esse pequeno mergulhador acordou! — O médico entrou brincando com Emmett — Como está, heim? Vamos examinar?
- Não gosto de médico. — Emm fez birra
- Mas eu sou um doutor legal. — Insistiu — A senhora fica, por favor? — Ele se referiu a Amanda — E o senhor pode esperar lá fora.
- Mas eu.. Mas eu... — Tentei argumentar
- Senhor, vamos manter apenas um acompanhante no quarto. Vocês podem revezar entre si depois, tudo bem?
Concordei um pouco a contra gosto e sai do quarto aguardando Amanda do lado de fora. Eu não perderia a oportunidade de conversar sobre tudo ainda hoje e esclarecer essa história de uma vez por todas.
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