Notas iniciais
Amores, desculpa ter demorado tanto para postar. Viajei e acabei ficando toda enrolada. Juro que tentei escrever no caminho, mas da última vez que escrevi no carro o texto saiu texto de erros :( KKKKKK Bom, cá está o capítulo e até grande para que me perdoem kkk Como vocês estão? To com saudades s2

Concordei um pouco a contra gosto e sai do quarto aguardando Amanda do lado de fora. Eu não perderia a oportunidade de conversar sobre tudo ainda hoje e esclarecer essa história de uma vez por todas.

— FLASHBACK -
– Amanda, eu estou mandando voltar aqui ou está tudo acabado! — Gritei irritado vendo-a virar as costas para mim. Quão petulante essa garota era capaz de ser?
– Novidades, James: Está mesmo tudo acabado!

Amanda estava decidida. Eu a vi seguir uma reta até o portão e cruzá-lo, mas se estava esperando que eu a seguisse, estava completamente enganada. Nosso relacionamento sempre fora tão superficial, carnal e cheio de altos e baixos. Eu não estava apaixonado, apesar de estar completamente interessado em tudo que ela poderia me oferecer e, principalmente, em ser aquele que despertaria sua sexualidade. Amava poder saborear seu corpo, ser seu instrutor e aquele que a faria descobrir os maiores prazeres que poderia ter. Estava encantado com sua ingenuidade, vontade de aprender e sua ganância em me satisfazer. Mas amor? Desculpe, essa não era a palavra exata. Não sou capaz de aguentar suas crises infantis de ciúmes, seus apelidos idiotas, suas cartinhas e muito menos os suspiros de apaixonada. Não me entenda mal, mas atrelar amor e sexo em uma única pessoa é se limitar demais. Amanda não é a mulher que quero me casar, não desejo nada além dessa troca calorosa que temos e definitivamente não estou interessado em ser o príncipe do conto de fadas imbecil que ela planejou para nós dois. Aliás, isso tende a me irritar. Por mais que sua mistura entre doçura e sensualidade seja tão excitante, quando a parte doce se sobressai, algo dentro de mim pede, implora e necessita de uma mulher mais intensa, picante e sexual. Fazer o que? Sou um homem! Um homem com necessidades, desejos e uma pulsão louca que precisa ser satisfeita. É claro que diante de um irmão ciumento como Kendall e pais como os de Mandy, se torna praticamente impossível tê-la a meu dispor. Esse é o ponto ruim de namorar a irmã de um dos seus melhores amigos: ele nunca vai estar pronto para encarar o fato de que ela fode e com certeza vai evitar ao máximo possível que o cara que a coma seja você. Entende o por que preciso de uma amante? Não uma "amante", até porque não sou casado com Amanda, mas casos corriqueiros são muito bem vindos, assim como Halston. Por falar nela, deve estar desesperada. Pobre coitada, não tem culpa das loucuras de Amanda! Revirei os olhos irritado e voltei para dentro de casa até alcançar meu quarto, a loira estava recolocando suas peças de roupa e pareceu assustada assim que a porta fechou atrás de mim.
- Te assustei? — Perguntei me escorando em uma cômoda enquanto olhava seu corpo
- Não, quem me assustou foi sua namorada — Ela bufou irritada — Cadê a corna?
- Pouco me importa — Dei de ombros — Depois resolvo isso.
- Me poupe! Vai mesmo querer algo com ela? É uma pirralha! — Halston disse irritada pegando sua blusa no chão e colocando. Devo admitir que a visão de tê-la se abaixando diante de mim foi bastante sedutora.
— O que posso fazer? Ela fode bem. — Falei já me aproximando
- E eu não? — Halston se pronunciou aproximando-se tanto quanto eu havia feito
- Claro que sim, você é a melhor. — Sussurrei puxando-a pela cintura, o que fez nossos corpos colarem
- Então por que precisa dela? — A vi dizer encarando minha boca
- Por que? — Sorri de lado deixando nossos lábios quase colados a ponto de roçá-los devagar — Porque eu gosto de quantidade.
- Você é um puto, não é? — Halston falou escorregando as mãos pelo meu peitoral
- E você gosta! — Respondi pegando-a em meu colo e guiando-a a cama. Eu não estava interessado em ir atrás de Amanda, ouvir suas reclamações, seu choro desesperador, aguentar Kendall vir tirar satisfações e ter que mimá-la de maneiras insuportáveis em troca de um bom sexo. Resolveria tudo no jantar e se possível, comeria a sobremesa-Halston agora mesmo.

— FIM DO FLASHBACK —

Como eu havia sido um completo babaca! Estava traçando meu destino, o de Amanda e de nosso filho quando deixei que saísse pelo portão pensando apenas em satisfazer minhas próprias vontades de maneira egoísta. Depois daquele dia nunca mais voltei a vê-la, mesmo que tenha tentado de todas as formas encontrá-la para conversar e pôr os pingos em todos os is do nosso relacionamento. Passei seis anos de desespero e pânico que nunca pensei poder passar. Sempre me gabei de ser indestrutível, de agir apenas com meus impulsos e jamais com meu coração, acreditava plenamente ser inquebrável e, no entanto, ninguém poderia adivinhar — sequer eu mesmo diante de minha onipotência — que eu deixaria minha mente vagar perdida e solitária em busca de seu coração. Passei tempo demais em minha cama com pensamentos voltados a ela, tempo demais buscando-a em qualquer rosto que encarava nas ruas, tempos demais preso em um alguém que eu não saberia se iria voltar, se estava viva e se me perdoaria em futuro imprevisto. Vivi dias desesperados tentando suprir sua falta, transando com mulheres baratas, preenchendo o vazio com álcool e cigarros de má qualidade, até que todas as tentativas se tornaram em vão e a realidade me atingiu impunemente. Foi como saltar de um trem em alta velocidade... E eu saltei, mas ninguém me avisou que eu estava saltando tarde demais.

— FLASHBACK —
— Você não vai até lá! — Logan insistiu me segurando pelo braço
— Eu preciso tentar. — Balbuciei ainda afetado pela bebida
— James, eu não aguento mais. Você está bêbado todo santo dia e tem tornado tudo um inferno! Estragou a banda, está perdendo suas amizades e o que pretende agora? Levar mais uma surra do Kendall?
- Você não pode me impedir de querer saber da Amanda. — Tentei andar até a casa a minha frente, a mesma em que ela costumava morar
- São duas da manhã, quer que te chamem a polícia por perturbá-los?
- Eu só quero saber dela. Preciso do perdão da Mandy antes que seja tarde demais!
- Tarde? Já é tarde! Ela foi embora há meses, Jay e você precisa deixá-la ir.
- Eu não consigo. — Falei me dando por vencido ao sentar no meio-fio, tudo ao meu redor estava girando e por alguma razão chamada tequila eu estava emotivo demais — Só preciso saber onde ela está, preciso ouvir a voz dela, entende? Eu não quero acordar por mais um dia sabendo que me esquivei da verdade, que não me redimir e que ela pode estar por ai sofrendo tanto quanto eu.
- E se não estiver? — Logan me olhava de cima reprovando minha atitude — Ela pode estar feliz, estudando alguma coisa importante, sendo alguém na vida. E você, hun? Está ai cada dia mais perto da entrada de uma clínica de reabilitação.
- Não fala merda! — Rosnei irritadamente tentando acender um cigarro que havia acabado de pegar
- É isso que eu estou falando! Você só vai de um vicio para outro e não consegue focar em algo bom para a sua vida. Desde que ela foi embora é assim: sexo, bebida, farra e noitada.
- Meu único vício é ela. Ela é uma droga para mim, não vê?
- Só vejo você caindo no fundo do poço por uma mulher que te abandonou.
- Porque eu mereci.
- E você merece se destruir? Sinto muito, mas discordo. Cadê seu amor próprio, hun? Cadê o James que não se abatia por ninguém?
- Ela o levou — Gritei ficando de pé, mas cambaleei sendo aparado por Logan.
- Olha, eu não vou ficar aqui para ver isso. Quer falar com Kendall? Fale, mas ao menos tenha a decência de esperar estar sóbrio.

Logan virou-se de costas para mim e saiu. Eu decidi não insistir e permaneci na calçada de Kendall pelo tempo que pareceu uma eternidade. Os doze graus marcados estavam congelando-me, os inúmeros cigarros pareciam não me aquecer e volta e meia cochilava sentado até que fui acordado com um chute razoavelmente forte em meu corpo. Abri os olhos alarmado pronto para comprar briga, mas ao ver de quem se tratava recuei, ficando prontamente de pé.
- O que quer aqui? — Kendall falou de maneira grosseira, seus olhos queimavam diante de mim e eu podia jurar que ele me bateria de novo
- Eu passei a noite aqui esperando para falar contigo.
- Nota-se, está deplorável. Outra noite bêbado? — Ironizou
- Outra noite pensando nela. — Corrigi — Por favor, Kendall, preciso só de um número. Eu só quero ligar para Amanda, me desculpar, pedir que ela possa um dia esquecer todo mal que a fiz.
- Você é realmente patético, minha irmã jamais vai poder perdoar.
- Ela não precisa fazê-lo. Não quero que perdoe minha ofensa, apenas quero poder ser digno de pedir pelo seu perdão.
- Olha James, eu vou dizer pela última vez: não a procure mais. Amanda está bem e continuará assim desde que se mantenha distante.
- Então por que sinto aqui dentro — apontei para o meu peito — que ela precisa de mim?
- Talvez seja sua consciência, se é que tem uma. Você se aproveitou dela!
- Eu sei. — Assumi envergonhado o bastante — Mas...
- Você usou a minha irmã, você sequer a amou — Ele interrompeu-me como se todas essas palavras estivessem entaladas em sua garganta
- Eu a amei, só não sabia que amava.
- Você não sentia NADA!
- Não saber o que sente não é o mesmo que não sentir nada. Eu desconhecia meu amor por Amanda e foi preciso perdê-la para me dar conta de tudo que ela significa em minha vida. Você não precisa me dizer onde ela está, só preciso de uma chance para tentar.
- Tentar iludi-la mais uma vez? Eu quero que você fique no inferno de onde saiu e não volte a nos importunar.
- O QUE ESSE FILHO DA PUTA FAZ AQUI? — Olhei além de Kendall e Kent, pai de ambos, estava vindo até nós dois com passos pesados. Seu rosto estava vermelho de raiva e se não fosse por seu bom estado de saúde, apostaria um bom dinheiro que ele infartaria.
- Pode deixar pai, eu estou resolvendo.
- Quem vai resolver isso agora mesmo sou eu! — Kent veio em minha direção para agredir-me e eu dei um passo para trás
- Wow, calma! Eu vim apenas conversar, eu quero me redimir com a sua filha.
- REDIMIR? Como você tem cara de pau de vir até aqui depois de tudo? VOCÊ ACABOU COM A VIDA DA MINHA FILHA, DESTRUIU ESSA FAMÍLIA. SE ELA FOI EMBORA AGRADEÇA A VOCÊ!
- Eu sei e preciso dizer a ela o quanto sinto muito por tudo isso. Eu não posso voltar atrás, mas posso tentar de alguma forma mostrar que mudei.
- VÁ EMBORA DAQUI ANTES QUE EU TE DÊ UMA SURRA!
- Pode me bater, eu não ligo! — Aumentei o tom de minha voz abrindo meus braços a espera de sua agressão
- Pai, para! — Kendall se intrometeu parando entre nós dois — Eu já fiz o suficiente, não acha? Deixe-o ir embora.
- Escuta aqui, playboyzinho! — Kent estendeu o indicador para mim e me mantive atento a suas palavras — Se voltar aqui mais uma vez ou sequer tentar encontrar minha filha, vou denunciá-lo a polícia, entendeu bem? O que você fez foi um crime!

- FIM DO FLASHBACK —

Nunca havia compreendido aquelas palavras, nunca havia entendido que tipo de crime eu poderia ter cometido. No entanto, agora parece claro o suficiente que talvez Kent estivesse se referindo a engravidar Amanda quando ela ainda era menor e eu, obviamente, mais velho que ela e maior de idade. Desde então, decidi que não iria importuná-los em troca de uma oportunidade para me redimir. De nada adiantaria levar com a porta na cara ou simplesmente ter o nariz quebrado por todos os Connelly, se eu quisesse ter a chance de provar para Amanda que mudei — caso tivesse a sorte de vê-la mais uma vez — teria que primeiro realmente mudar. Logan esteve certo durante todos os anos e fora meu amigo mais fiel. Eu prometi a mim mesmo que o dia seguinte seria diferente e ainda assim fiz com que o amanhã fosse, muitas vezes, uma repetição de hoje. Não iria cometer esse erro mais uma vez, não mais! Amanda merecia um homem melhor e eu me tornaria bom o suficiente apenas para merecê-la. Assim minha qualidade de vida mudou, troquei a noite pelo dia, as farras pelo trabalho, o álcool por atividade física e o cigarro... Bem, esse demorou um pouco mais. A verdade é que não havia maior tristeza para mim do que recordar com saudade de uma época em que fui tão feliz sabendo que eu mesmo fui o culpado por extingui-la. Por isso me mantive de pé e motivado. Eu acreditava que teria uma nova oportunidade para vermos tudo em uma luz diferente, acreditava que seriamos capazes de viver — ou reviver — o mesmo velho sonho que era tão dela e hoje tão meu. Sobrevivi a esses seis anos idealizando a volta de Amanda assim como ela me idealizou por tanto tempo e agora sou capaz de compreender quão canalha fui e o quanto — meu Deus, quanto! — ainda tenho que ser perdoado.
- James — Sua voz baixa ecoou atrás de mim. Eu já havia saído do corredor dos quartos e estava escorado em uma mureta olhando para a rua em frente ao hospital.
- Ah, oi! — Murmurei sem jeito. Aparentemente, a cada vez que ela se aproximava eu perdia o ar.
- Como ele está?
- Está bem, bem mesmo. Obrigada por ter se preocupado e cuidado dele enquanto não estava. — Ela disse se aproximando e ficando ao meu lado, seu olhar também encarava o tumulto de carros no asfalto
- Não há o que me agradecer, ele é meu filho e tenho que cumprir o papel que não cumpri todos esses anos, certo?
- Bem... — Ela exitou — Precisamos conversar sobre isso, não é mesmo?