Heaven In Your Eyes
23 Ours
Notas iniciais
TWITCAM COM A AUTORA. PERGUNTE O QUE QUISER, SAIBA COMO AS HISTÓRIAS SÃO FEITAS, SOBRE OS PERSONAGENS E MATE SUAS CURIOSIDADES.
– O garoto lá dentro... é seu filho, James. O Emmett é seu filho com a Amanda!
Demorei um tempo para assimilar o que ele disse. Tempo esse que pareceu uma eternidade! Foi como se todo meu corpo tivesse se congelado enquanto as palavras de Logan ecoavam em minha mente. Era brincadeira, não é? Talvez realmente fosse. Pisquei uma ou duas vezes ainda sentindo um frio atravessar minha espinha e tudo parecer girar. Era como se estivesse sendo transportado para uma outra dimensão irreal que até então só estava em meus sonhos, uma na qual eu e Amanda realmente havíamos formado uma família. Aos poucos, as batidas do meu coração foram ganhando uma proporção maior, eu estava estático, incapaz de separar meus lábios secos pelo nervosismo para proferir qualquer palavra.
– James, James! — Ingrid me chamava, mas meu olhar fixo em um ponto do chão foi ficando úmido o bastante. Reergui meu rosto para olhá-la e um enorme sorriso estampava minhas feições. Logo, uma salgada lágrima escorreu pela minha bochecha tocando meu lábio inferior ainda entreaberto por um esboço de felicidade.
– Isso é verdade? — Perguntei sentindo minha face cada vez mais molhada pelas incessantes lágrimas que caiam
– Sim, meu amigo, ele é seu filho! — Logan disse abraçando-me agora aliviado. Minha boca se abriu um pouco mais agora demonstrando espanto e levei minha mão direita à mesma ainda incrédulo.
– Mas co-co-mo? Quando? — Gaguejei
– Não sabemos direito, Jay. Amanda nunca me explicou toda a história e eu só descobri porque o Emmett lembra muito você.
– Lembra? — Estreitei meu olhar tentando lembrar seu rostinho, os olhos verdes e as pequenas manias. Quando dei por mim já estava criando características que sequer sabia se ele possuía. Eu apenas queria me apegar a ideia de ter uma miniatura de mim andando por ai, uma miniatura a qual eu poderia dar amor.
– Lembra. — Continuou — Ela me pediu para não contar ao Logan, mas quando sugeriu que Emm passasse o final de semana conosco, não pude esconder, ele perceberia.
– Como ninguém percebeu isso? Como EU não percebi? — Falei notando o quanto minhas mãos tremiam e como estava em um nível de adrenalina acelerado. Sentei na cadeira deixando-me encostar na parede e fiquei sendo observado pelos olhos atentos dos meus amigos. — Eu estive diante do meu filho o tempo todo. — Pronunciei ainda incrédulo — Meu filho. — Sussurrei. Então isso explicava o enorme lado paternal que havia aguçado dentro de mim, a forma como Emmett estava interligado de alguma maneira aos meus afetos, como eu o queria por perto mesmo acreditando que ele era fruto de uma relação na qual Amanda havia me trocado.
– Não está com raiva? — Ingrid sentou-se ao meu lado pegando minha mão com afeto
– Estou surpreso. Eu... Eu não sei o que sentir. — Admiti ainda tendo o nó na garganta — Eu estou me sentindo tão... Tão único. Eu tenho um filho, consegue entender? Eu gerei uma vida. O que quer que tenha acontecido com Amanda precisa ser conversado, mas por enquanto o que mais necessito é que Emmett saia daquela sala, preciso dele bem, preciso cuidá-lo e protegê-lo como ele merece ser.
– Eu sei, Jay — Logan disse se aproximando e dando um pequeno tapinha em meu ombro confortando-me. — Ele vai estar. O que aconteceu foi um acidente.
– Eu sei, eu sei que Emm estava em boas mãos. — Conclui — A Amanda já está sabendo?
– Eu não tive coragem, James. — Logan disse cabisbaixo e desviei meu olhar para o teto tentando conter uma lágrima fujona que se formava no canto dos meus olhos.
– Ela precisa voltar, temos que informá-la do que está acontecendo. Você tem o número?
– Jay, você... — Ingrid tentou argumentar
– Sim, eu que vou falar com ela. Me dá o número. — Ingrid relutou um pouco, mas buscou na agenda do celular e logo murmurou cada um dos dígitos.
Afastei-me de ambos tomando coragem para enfrentar a voz de Amanda. Como ela reagiria se eu soubesse que conheço a verdade? Caminhei pelo corredor imaginando quantas vezes ela pode ter tentado me dizer, o quanto a magoei com a traição e como a re-traumatizei ao julgá-la e acusá-la de ter tido um filho com outro alguém. Céus, a havia ofendido, xingado e rechaçado. A havia expulsado de minha vida por ciúmes, por cegueira, por fantasias e ilusões criadas pela minha própria mente. Para piorar, tínhamos a verdade diante de nós em uma situação de sofrimento que não desejaria ao meu maior inimigo. Se para mim já estava sendo doloroso, que dirá para ela que o cuidou por tanto tempo. Tomei coragem para discar os números e o celular deu o primeiro toque, o segundo... Finalmente no terceiro ouvi sua doce voz ecoar.
– Alô. — Amanda atendeu em um tom questionador, provavelmente não tinha meu número salvo.
– Mandy. — Minha voz travou, como dizê-la?
– Oi James. Por que está me ligando?
Não consegui me controlar e comecei a chorar como uma criança ao perder os pais. Todos dizem que a dor de perder um filho é inúmeras vezes maior que a de enterrar uma mãe e eu, definitivamente, não estava preparado para perder Emmett. Se no momento meu coração estava alegre por saber mesmo depois de anos que tinha um filho, outra parte estava muito mais ferida por tê-lo tão perto da perda, por saber que estava em risco e que nada pude fazer para evitar a situação. Apoiei uma mão na parede escorando-me enquanto as lágrimas caiam pelo meu rosto e respirei fundo tentando me controlar. Eu não iria perdê-lo, eu não podia perdê-lo.
– James? Está tudo bem? — Ela perguntou e mais uma vez fui incapaz de dizer — Você está me deixando nervosa!
– Você precisa voltar, Mandy. — Insisti
– Jay, eu não posso. Estou num evento com Kendall e é muito importante que ele permaneça aqui. Espere! Você nunca me liga e muito menos depois de tudo. — Ela disse e eu permaneci em silêncio novamente — Olha James, eu não tenho tempo para suas crises de consciência.
Consciência. Se a minha ainda existisse, estaria pesando toneladas. Meu silêncio era constrangedor, covarde, envergonhado. Deixei que um soluço escapasse como consequência do choro.
– Está tudo bem? Você... Você está chorando? — Amanda perguntou evidentemente nervosa.
– Amanda, você precisa voltar — Repeti sentindo minha voz embargar
– Pelo amor de Deus, o que está havendo?
– É o Emmett, Amanda. O nosso filho precisa de você!
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