Heaven In Your Eyes
73 Now I have a family and it's you.
Notas iniciais
O carro parado em frente ao meu endereço só significava uma coisa: James. Emmett deu um pulo do sofá e correu em direção a porta gritando-me.
— Vem, mãe. Anda logo!
— Emm, espere. Eu tenho que pegar minha bolsa ainda.
— Você é mole, eu quero ver meu tio. — Cruzou os braços indignado — Por que o papai não vai?
"Obrigada filhote, sempre trazendo inocentemente a discórdia", pensei.
— Eu vou estar ocupado, Emmett, não poderei acompanhá-los. — Mehmet respondeu mau humorado escorado sobre a bancada que dividia a cozinha e a sala.
— Ocupado com o que?
— Ele vai me ajudar com algumas coisas — Kendall, o super herói da vez, veio em minha defesa.
— Não gostei — Emm pareceu emburrar-se
— Mas você vai se divertir com o James, tenho certeza. — Mehmet se pronunciou e eu não sabia se era ironia ou não. Talvez fosse, afinal, o verdadeiro pai estava por fim tomando seu lugar de direito.
James buzinou mais uma vez apressando-nos e Emmett começou a pular diante da porta, tamanha sua ansiedade.
— Vamos mãe, vamos vamos vamos!
Meu filho abrira a porta e saiu correndo pelo jardim até alcançar o portão. Eu ainda estava na sala sentindo o peso de ter colocado Met em uma situação tão complicada. Além disso haviam meus pais, que apesar de estarem começando a dar o suporte, talvez ficassem inseguros em relação a ter Jay novamente por perto.
— Fica de olho em como as coisas vão ficar por aqui — Pedi a Kendall baixinho enquanto fingia procurar algo em minha bolsa
— Não se preocupe. Vou levar o pai e a mãe até o aeroporto e logo estarei de volta tomando conta do libanês — Ele riu tentando fazer uma piada
— Ah eu gostaria tanto de levá-los. — Murmurei sentindo-me culpada também por não me despedir. As vezes eram tantas culpas sobre mim que eu só conseguia pensar em o quanto minha mente agia como um algoz carrasco quando se tratava de me punir.
— Não precisa ficar com pesar. Você está levando Emmett para passar um dia com o pai e isso é bom de alguma maneira.
— Você está aceitando né, Ken? Você sabe... Que eu e James estejamos voltando.
— Aceitar eu nunca irei, Mandy, mas sei que você precisa estruturar essa família e não serei aquele que vai colocar empecilhos. Agora vai lá, seu namorado está te esperando e eu não quero que briguem pela centésima vez. — Ele riu apertando-me a bochecha de leve
Abracei meu irmão despedindo-me brevemente e murmurei em seu ouvido:"não é apenas namorado". Pude percebê-lo arregalar os olhos surpreso e logo sua expressão mudou para uma curiosidade infinita.
— Você vai me explicar isso, mocinha.
— Irei, mas não agora — Gargalhei pelo efeito que causei com minhas poucas palavras- Tchau rapazes, amo vocês.
Joguei um beijo no ar e corri para o lado de fora até o carro. Eu não queria perder nenhum momento do meu dia com James e estava até mesmo ansiosa por esse momento em família. Acho que, afinal de contas, tenho esperado por isso toda minha vida desde que aquele exame positivo caiu em minhas mãos.
— Bom dia senhorita Amanda — Meu noivo debochou prendendo o riso assim que sentei-me ao seu lado.
— Bom dia, Jay. Dormiu bem? — Decidi cair em seu jogo sedutoramente
— Melhor impossível. Sonhei com uma mulher linda, sabia?
— Que mulher, tio? — Emmett pendurou-se entre os dois bancos da frente interessado no assunto.
— Uma com o cabelos escuros, olhos expressivos, a pele clara como o brilho da lua e um sorriso que faria meu mundo girar rapidamente — Confessou olhando em meus olhos e o clima entre nós dois poderia ser evidente para qualquer um. Bem, talvez não para uma criança.
— Ela parece ser bem bonita. — Nosso pequeno respondeu
— Linda, Emmett. Quando crescer e uma mulher assim aparecer na sua vida, case-se com ela.
— Pode deixar titio.
— E ai, animado para o passeio? — Jay desconversou já começando a dirigir em direção à lanchonete que iríamos.
— Muito. A mamãe disse que eu vou comer uma coisa gostosa.
— E vai mesmo! Deu um trabalho convencê-la, sabia?
— Ah não seja maldoso, James — O repreendi com doçura
— Mas é verdade. Ela sempre te faz comer coisas saudáveis?
— Sempre, tio — Emmett jogou-se no banco de traz como se estivesse exausto da minha insistência
— Nós iremos mudar isso — Jay piscou para ele pelo retrovisor
— Não mesmo — Me impus
— Desculpa mamãe, eu te amo, mas você é chata com as comidinhas.
— É a segunda vez que esse menino me chama de chata
— E é a segunda vez que eu concordo — James disse arrancando-me uma risada
— Besta! — Bati de leve em sua perna e ele desviou o olhar rapidamente para mim mordendo o próprio lábio em uma tentativa de seduzir-me- Pare com isso — Sussurrei
— Por que? — Ele respondeu no mesmo tom
— Você sabe o por quê.
— Não sei não. Me conta?
— James... — Revirei os olhos no mesmo instante em que o carro parou em um dos sinais de trânsito. Emmett estava distraído encarando a paisagem pela janela enquanto nós dois mantinhamos o foco nas pupilas um do outro.
— Eu queria beijar você.
— Não aqui e não agora.
— Eu sei disso. O pequeno espião ali atrás me mataria, não é?
— Provavelmente — Sorri observando-o voltar a guiar-nos pelas ruas Nova Yorkinas.
— Eu te amo, emburradinha- Ele disse ainda mais baixo
— Eu não sou emburrada, só não quero dar motivo para o Emmett implicar.
— O que estão cochichando?
— Nada, meu pequeno fofoqueiro. — O acalmei
— Ouvi meu nome.
— Não ouviu nada. — Rebati como uma criança
— Tá chegando, tio?
— Está sim.
— Oba!
— Olha ali ...
Meu noivo apontou para a Go Burger na 2nd Avenue e a decoração iluminada atravessava os vidros que faziam parte da fachada preta e vermelha. Estacionamos em uma rua próxima e quando finalmente ficamos diante do estabelecimento, os olhos de Emmett pareciam desenhados por um cartunista japonês tamanho brilho e vida que receberam.
— Nossa, quanta comida gostosa! — Comentou olhando as outras mesas e os pedidos sobre elas
— Você pode pedir o que quiser. — Jay comentou
— O que eu quiser?
— Uhum.
— Emmett, pare de agir como se tivesse chegado diretamente da Etiópia. Você não está com tanta fome assim!
— Eu estou sim, olha o meu buchinho — Ele disse erguento a própria camisa e encolhendo a barriga, o que nos fez rir.
— Vamos matar a fome dessa criança
Jay disse pegando-o no colo e erguendo-o um pouco enquanto caminhávamos até uma das mesas. Emmett parecia ter caído de paraquedas na fantástica fábrica de chocolate e tudo ao seu redor era festa. Nos sentamos em um local um pouco mais vazio e James fez questão de comprar todas as guloseimas para o filho, desde o milkshake com batatas fritas até hamburgueres de tamanhos inimagináveis. Eu fui um pouco mais modesta e aproveitei que estavamos perto do horário do almoço para pedir umas batatas e um sanduiche não tão grande assim. Já meu noivo, com sua fome as vezes fora do normal, acompanhou tudo que pediu para Emmett em um formato ainda maior.
— Está gostoso? — Questionou enquanto nossa cria se atracava com o hamburguer deixando o molho sujar seu rostinho
— O melhor do mundo todo, tio Jay. — Respondeu rápido pegando o milkshake e sugando
— Emm, você está ficando imundo. — Lamentei
— Deixa ele amor, criança se suja mesmo. — Meu noivo defendeu o filho e por baixo da mesa acariciou minha coxa devagar
— Chamou minha mamãe de que?
Emm colocou o copo sobre a mesa bruscamente. Sua expressão era brava, os olhos estavam estreitos e os lábios unidos. Pronto, eu já podia prever que isso não ia prestar.
— Eu? — Jayparecia estar tão perdido quanto eu
— Você mesmo, James- Ele tentou pareceu um homemzinho chamando o pai pelo nome — Por que chamou minha mamãe assim?
Nos entreolhamos e respirei fundo já temendo o que o destino tinha como inadiável.
— Meu amor, a mamãe precisa conversar uma coisa com você.
— Não parece ser bom, mãe. — Seus braços cruzaram-se e ele me encarou com a mesma expressão que o pai fizera tantas vezes
— Eu quero te contar algo. É que...
— Que eu chamei assim porque gosto de ser carinhoso com você e a sua mãe. — James interrompeu-me. Arregalei os olhos sem entender sua atitude e ele apenas baixou a cabeça encarando a mesa.
— Tem certeza, titio?
— Emmett, pare com isso. — Levantei o tom da minha voz
— Mas mamãe...
— Você é um rapazinho ou não? É muito feio que tenha ciúmes assim. Peça desculpas ao James agora mesmo.
— Mas...
— Emmett, peça desculpas.
— Desculpa, tio Jay. Eu te amo, tá?
Emm desceu da sua cadeirinha e andou cabisbaixo até seu próprio pai. James o pegou no colo e colocou-o sentado sobre si abraçando-o um pouco apertado.
— Não precisa se desculpar, está bem? — Murmurou beijando a cabeça do filho.
— Senhor, gostaria de uma foto em família? -Um rapaz com uma câmera nas mãos havia entrado no estabelecimento e se aproximou denossa mesa interrompendo a discussão instalada.
— Em família? — Jay sussurrou mais para si mesmo do que para qualquer um de nós talvez assimilando a ideia de que finalmente haviamos nos tornado uma.
— Claro. Seria ótimo, não é mesmo? — Me pronunciei puxando-o para um abraço.
James ainda estava abobado o bastante e Emmett, em seu colo, tentava se ajeitar em meio a tanta comida. Por fim, meu noivo passou o braço ao redor do meu corpo e eu beijei-lhe a face enquanto o flash era disparado. Teríamos nossa primeira foto em família no nosso primeiro dia como tale eu parecia estar em um sonho do qual não quero acordar.
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