Notas iniciais
Finalmente o James viu o Emmett. Era isso que esperavam? Me respondam o que mudariam! Um beijo s2

O beijo de James fora intenso, era como se eu tivesse me encharcado em um poço de desejos e sido resgatada por um príncipe encantado em um cavalo branco. Jay havia se tornado o homem que idealizei por muito tempo e parecia impossível de acreditar. Não havia luxúria quando nossos lábios se encostaram em um encontro mais do que ansiado. Era apenas uma troca de afeto, amor, uma doação e um carinho que demoramos tempo o suficiente esperando para refazer. Anos atrás, nossos beijos eram exagerados, carnais, primitivos, suas mãos percorriam meu corpo enquanto sua língua invadia minha boca com voracidade. Agora, no entanto, seus lábios me acariciavam com ternura, afagando o céu da minha boca com a umidade de sua língua calma. Eu me sentia apreciada e a dedicação com a qual demorava a cada vez que sugava minha boca tornava a troca de carinhos mais lenta e eterna, tão eterna que ficou em minha cabeça como um filme cujo botão de replay tinha sido emperrado no controle remoto. A cena se repetia diante de mim e dormir era uma certeza de sonhar mais uma vez com seus olhos fitando-me, com sua boca e com seu hálito delicioso. Parecia surreal que tudo aquilo tivesse acontecido comigo, que realmente havia gerado uma mudança no homem que um dia me feriu e como consequência aos poucos pude ver os muros sendo quebrados e minhas barreiras caírem uma a uma até que eu ficasse exposta. A verdade é que eu vim para Nova York preparada para uma guerra, eu vim para a luta e eu vim brigar com um James que já não existia mais. Fora como receber um tapa com luva de pelica, eu esperava encontrar alguém arrogante, caindo de bêbado e transando com uma mulher na esquina da minha casa, mas encontrei um verdadeiro cavalheiro, um homem disposto a me dar o amor que pedi tempos atrás. Por isso, talvez fosse a hora de deixar a máscara de uma mulher dura e forte, talvez fosse o momento certo para tirar minha armadura e deixar o campo de batalha. Jay merecia uma mulher que fosse capaz de receber o que ele queria oferecer e enquanto eu me mantivesse na defensiva, não conseguiria fazê-lo com pureza. E daí se todas as evidências passadas apontassem para que eu sentisse desprezo? Esse amor era e ainda é mais forte que o meu rancor.

JAMES POV:

Eu havia acordado aquela manhã realmente me sentindo novo. Enfim pudera provar mais uma vez os lábios de Amanda, pude tê-la em meus braços mesmo que momentaneamente, já que logo Carlos chegou para levá-la para casa. Insisti que eu mesmo poderia fazê-lo, mas depois de tudo que havia acontecido, decidi que o melhor seria deixá-la tranquila essa noite. Até porque, nada garantia que não aconteceria mais um beijo ou que algo mais pudesse suceder. Eu estava me transformando em um mariquinha apaixonado, daqueles que querem fazer declarações, escalar as paredes da casa, cantar embaixo da janela ou alugar um carro de som e gritar a plenos pulmões que estou disposto a tudo para tê-la mais uma vez. Termos esclarecido tudo e finalmente saber toda a verdade era como um aval de que agora poderíamos recomeçar, que havia um futuro reservado para nós dois. "Deus!" — pensei enquanto passava as mãos nos olhos assim que caminhava para o banheiro — "Eu estou mesmo ficando caído por ela e esse era o tipo de coisa que eu jamais pensaria acontecer comigo". Gargalhei sozinho quando fitei meu reflexo no espelho: seis anos mais velho, mais maduro e com a consciência que antes não possuía.
- É, James, você está fodido! — Disse para mim mesmo, mas logo abri um sorriso. Eu não estava tão ferrado assim, talvez estivesse pronto para pertencer a ela e fazê-la ser minha.
Alegre, fiz minha higiene e tomei um banho. Coloquei um jeans, uma camisa e um óculos de sol. O calor estava começando a ficar mais forte e seria uma ideia perfeita pegá-la para levar a qualquer lugar. Sabe? Sem desculpas, sem motivo! Só passar pela casa de Amanda e vê-la me atender na janela com os cabelos despenteados e os olhos brilhando, cronometrar sua pressa para jogar um vestido qualquer no corpo e descer pelo fato de eu estar a sua espera, sentir seu abraço apertado, seu beijo de bom dia e caminhar por ai apenas desfrutando da sua companhia e dos sorrisos iluminados pelos raios solares. Infelizmente, eu não poderia fazê-lo. Não quero parecer o cara chato que fica procurando um motivo idiota toda hora e muito menos criar um problema maior com Kendall. Aliás, se as coisas tomassem o rumo que pretendo que tomem, eu teria que encará-lo e pedir perdão por todo o mal que fiz.

Caminhei até a cozinha cantarolando, fazia tempo que não me permitia cantar. Passei todos esses anos compondo e dando minhas letras inspiradas na mulher perdida para que outros cantores as gravassem. Quem sabe seria a oportunidade perfeita para escrever por tê-la reencontrado e até retomar a carreira interrompida?! "Bah, deixa disso James!" , me repreendi. Eu já tinha que me preocupar em como ter Mandy por perto e definitivamente não perderia meu tempo com música no momento. Peguei uma barra de cereais e dei uma mordida grande, isso de morar sozinho sempre prejudicou meu lado alimentar.
Me certifiquei de que estava com a carteira e as chaves do carro no bolso, então abri a porta e me deparei com um menino parado diante de mim. Seus olhos esverdeados me encaravam com curiosidade, os cabelos estavam despenteados e o rosto estava vermelho de tanto correr. Sua respiração estava ofegante, mas ele não dizia uma única palavra, parecia envergonhado por ter sido flagrado ali.
- Oi campeão, o que está fazendo aqui? — Perguntei ainda o olhando de cima, mas ele não respondeu. Fechei a porta de casa e me sentei no degrau de entrada, quem sabe ficando à sua altura a comunicação facilitaria. — Então...
- A minha bola caiu aqui. — Ele disse com um sotaque arrastado
- Certeza?
- Uhum — O pequeno disse apontando para o meu quintal
Sorri e me levantei com dificuldade. Caramba, eu estava mesmo ficando velho! Peguei a bola colorida que estava a alguns metros de distância e a entreguei para o menino. Seus lábios esboçaram um sorriso grande e momentaneamente me lembrei da minha infância e de como me divertia jogando futebol, mesmo não sendo o esporte mais famoso por aqui.
- Shukran — Ele disse, mas logo levou a mãozinha à nuca e corou — Obrigado — Corrigiu
- De nada! — Falei bagunçando seu cabelo — Qual seu nome?
- Emmett e o seu?
- Meu nome é James.
- Você é grande, James. — Ele disse olhando para cima
- Você um dia vai ser grande assim.
- Mamãe diz que vou ser grande igual meu papai. — Ele deu de ombros — Então vou ser maior que você.
- Aposto que sim! — Sorri verdadeiramente ainda estranhando algo naquele menino — Você é daqui?
- Não, não. — O menino disse sentando-se diante de mim sem se importar se eu estava saindo ou não. Sua inocência era tão bonita de ver que me derreti, fiquei parado diante daquele pingo de gente sendo encarado por seus olhos mais uma vez. — Mamãe que é daqui, papai não.
- Ah é? E sua mãe sabe que está aqui?
- Não. Eu estava brincando com o tio e vim pegar a bolinha.
- Então seu tio sabe que está aqui?
- Tio "bababa" sabe não.
- Tio o que? — Gargalhei
- Bababa, mamãe chama o titio assim. — Ele disse e jogou a bolinha para mim. A peguei e joguei de volta.
- Ela deve estar preocupada. Vou te levar de volta! Não quero seu pai achando que te sequestrei por ai.
- Meu pai é legal, ele não vai brigar.
- Ah é? — Falei vendo-o jogar a bolinha de uma mão para outra
- Aham, ele é o melhor pai do mundo e vive me ensinando a ser bonzinho.
- E você é bonzinho? — Ergui uma sobrancelha
- Não muito, a mamãe diz que eu sou... sou... — Ele esqueceu a palavra
- Levado?
- Isso, eu sou levado.
- Pois se você fosse meu filho, eu ia adorar isso! — Gargalhei ao me imaginar sendo pai, eu certamente faria muita bagunça com um pequeno como aquele.
- Você pode ser meu titio também.
- Mas eu não conheço sua mãe e nem seu pai.
- A minha mãe é a mais linda do muuuundo! — Ele disse encantado olhando para o nada — O cabelo dela parece de princesa.
- É mesmo? Aposto que não tão bonita quanto a minha namorada — Brinquei com ele
- NÃO MESMO, A MINHA MÃE É MAIS BONITA. — Emmett pareceu decidido
- Que tal disputarmos isso no futebol, hm?
- Gostei! — Seus olhos brilharam e ele se levantou rapidamente
- Vamos jogando no sentido da sua casa tá? Assim eu te levo de volta.

Dei um pequeno toque na bola e Emmett tentou me alcançar correndo depressa. Seus pézinhos tocaram a bola para mim e seguimos com esse processo por um tempo. Em certo momento, fiz uma embaixadinha sendo agraciado com um "oh" surpreso da boca do pequeno.
— Me ensina? Me ensina? — Ele disse curioso
— Ensino, aprendi isso com um amigo brasileiro. Veja bem, você vai fazer assim... — Mas fui interrompido por um grito feminino
— Emmett, onde você se meteu?
Assim que me virei, lá estava Amanda. Ela estava brava, com as mãos na cintura, um olhar sério e encarava o menino como se fosse lhe dar uma boa bronca. Emmett se escondeu atras de mim encolhendo-se perto da minha perna e eu apenas arregalei os olhos. Assim que se deparou comigo, Amanda também ficou estática. Estavamos distantes um do outro, mas um mar de palavras estava diante de nós nos separando. Percebi seus olhos se encherem de lágrimas, todavia, ela desviou seu olhar de mim e voltou ao menino.
— Emmett — Sua voz estava embargada — venha aqui!
— Mas mamãe... — O menino respondeu e um punhal atravessou meu peito. Mamãe? Meu coração acelerou descompassadamente, ora parecia uma taquicardia, ora parecia que iria atingir sua potência máxima e parar. Então Amanda havia sido mãe?