Heaven In Your Eyes
48 Jack Daniels
Notas iniciais
— Alguém pode me dizer por que ela tem que ser desse jeito? — Gritei e bati com força a porta do apartamento de Carlos entrando no mesmo. Meu amigo estava deitado no sofá e com minha chegada acabou caindo no chão.
- Porra, James! Como você entra assim? — Ele reclamou passando a mão pela cabeça, acho que tinha batido com ela quando caiu.
- Tenho culpa se você larga uma cópia da chave embaixo do tapete? Até meu filho não faria isso. — Rodei a chave em meu indicador e a joguei para ele que rapidamente pegou no ar.
- Que horas são, heim? — Seus olhos ainda estavam semi cerrados
- Sete e meia da manhã.
- Cacete, você fumou o que para aparecer aqui essa hora? Achei que estava fodendo até agora com a Amanda.
- Não. Olha, eu não dormi a noite inteira.
- OH MANO! — Ele me interrompeu — O que mantém o jovem James acordado essa hora? Espere, deixe-me adivinhar. Você ficou memorizando o Cinquenta Tons de Cinza para agradar a noiva? Não, não, não. Ficou trabalhando em novas músicas? Não, já sei, já sei, já sei. Assistindo pornô da Kim Kardashian, não é? — Gargalhou
- Pode deixar de ser idiota um minuto?
- Desculpe, não tinha como não implicar. Sério, como encontrou a Amanda ontem? Porque obviamente, ela é o motivo da insônia.
- Ai que tá, eu não sei se deveria ter encontrado — Falei pesarosamente e sentei no sofá enquanto ele ainda estava de pé passando as mãos pelo pouco cabelo na tentativa de parecer menos sonâmbulo.
- Do que você está falando, brow? — Ele arregalou os olhos
- Que tal uma cerveja antes e ai a gente conversa?
- Cerveja? Essa hora?
- Esquece! — Me levantei indo até o bar de vidro no canto da sua sala de estar — Acho que whisky é melhor. Onde tem gelo aqui?
- Em lugar nenhum. — Sua voz fora firme como se estivesse me proibindo — Dá pra dizer o que aconteceu? — Carlos perguntou enquanto eu pegava um de seus copos e colocava uma quantidade média da bebida.
- Acontece que eu sou corno, olha que bacana! — Sorri ironicamente dando um gole longo.
- O que? Amanda te traindo? Impossível. — A expressão de incredibilidade estava no rosto do meu amigo, mas ao perceber que eu não desmenti e continuava sério, suas feições foram ficando um pouco mais perplexas. — Você está falando sério?
- Sim. — Terminei de virar o copo — Ela estava com o ex noivo dela, um libanês que a comeu esses anos todos.
- Wow, calma ai. Você tem certeza?
- Do que exatamente? Que estavam juntos ou que estiveram?
- Que estavam, óbvio — Los revirou os olhos
- Eu os vi, Carlos. Os vi quando estava indo até a casa dela para tirar satisfações. Ele estava descendo do carro da minha mulher, se abraçavam, riam, estavam divertidíssimos enquanto o babaca aqui estava esperando por ela.
- Porra, James. — Agora foi a vez dele sentar-se parecendo sem graça o bastante — Eu não sei nem o que te dizer. Certeza que não são só amigos?
- Amigos? E ele vai ficar na casa dela? Por favor, né? — Coloquei o copo sobre a mesa de centro me negando a beber mais — Se me lembro bem, lá não tem quartos o bastante para que ele seja apenas um hóspede.
— Está insinuando que vão dormir juntos?
— E sabe-se o que mais. — Retruquei — Nesse momento ele deve estar lá ocupando meu lugar, paparicando o meu filho e beijando a minha ex namorada.
- Ex? Vocês terminaram?
- Sem dúvidas. Ela esteve lá em casa hoje de manhã, ao que parece deve ter ficado por lá toda a noite ou parte dela, não me interessa. A questão é: eu tirei o meu da reta!
- É isso mesmo? Você passou seis anos se lamentando por ela e agora vai simplesmente sair de cena e deixar que o cara fique no seu lugar?
- Quer que eu faça o que? Participe de um triângulo amoroso e fique sofrendo até que ela escolha quem ama? Não, obrigado.
— Ela te ama e você sabe disso.
— Ama o cacete, ela não sabe o que sente e por quem sente.
- James, eu quero que você tome vergonha nessa cara de bunda e lute pela sua mulher, nem que seja quebrando a cara dele. Pare de dizer a si mesmo que ela não te ama!
- Eu não vou brigar com ninguém.
- Isso é o que todo mundo diz até achar o corpo no porão. — Ele brincou e eu permaneci calado — Desculpe, estou tentando te distrair. Sério, acho que já passou da hora de vocês se assumirem como uma família.
- Carlos, ela já tem uma família e eu não faço parte disso. Só te garanto que se ela está pensando que vou largar meu filho, ela está redondamente enganada.
- E nem tem porque fazer isso. Vocês terminaram, mas não existe ex-filho.
- Não, Los, você não entendeu. Não vou deixar que Emmett trate aquele filho da puta como pai, ele saberá a verdade.
- E como acha que vai reagir?
- Eu não sei, não tenho a menor ideia. Só espero que Amanda não o coloque contra mim.
- Ela não faria isso.
- Assim como você disse que ela não me trairia? Sabe, a única coisa que preciso é me distanciar dela. Definitivamente não quero estar olhando a cara dela sempre e ainda mais encontrar com ele.
- Acho que foi assim que a Mandy se sentiu anos atrás.
- Até você? — Perguntei grosseiramente
- Mais alguém te disse isso?
- Eu mesmo.
- Interessante, não? — Carlos sorriu de lado indo até a cozinha, eu o segui e observei o passo a passo enquanto ele fazia o café.
- Estou cansado de sentir que a vida é uma grande roda gigante e que o que vai, literalmente, volta.
- Acho que no fundo você está com medo. Digo, não de uma forma covarde, mas sim temendo perder tudo que ama.
- Tudo que amo? Eu posso deixar de amá-la.
- Pode? — Ele ergueu uma sobrancelha e a cafeteira deu o alarme
- Sim. Eu estou a seis anos sofrendo e não sofrerei mais ainda! O que acha de sairmos hoje, hun? Tem alguns bares legais no centro.
- Ah claro, onde mais poderíamos estar em uma noite de sábado? Não é como se tivéssemos vida ou qualquer coisa. Desculpe, mano, marquei com uma gata, aquela da joalheria onde comprou a anel de noivado.
- Você cantou a vendedora?
- Digamos que estou planejando fazer um pouco mais que cantar — Ele deu uma piscada e colocou dois copos de café — Tome isso, você com certeza bebeu aquele whisky de estômago vazio.
Dei um gole no café e de pronto fiz uma careta.
- Porra, isso tá muito ruim.
- Extra forte, antes que você tenha uma ressaca.
- Como se eu tivesse enchido a cara... — Ironizei
- Mas vai encher, te conheço.
- Eu não sou o mesmo, você sabe disso.
- Espero que não! — Respondeu bebendo tranquilamente aquela coisa que ele intitulava de café. — Espero mesmo que não.
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