Heaven In Your Eyes
2 It's illegal to deceive a woman's heart
Notas iniciais
A casa de James estava silenciosa. Se não fosse pelo seu carro estacionado na garagem, acreditaria que não havia uma alma viva sequer dentro da enorme mansão. Passei pelos seguranças e ambos me informaram que meu namorado estava em casa, apesar de seus pais terem saído. Menos mal, não teria que encarar meus sogros diante do turbilhão de atribulações que me perseguem no momento. Caminhei devagar até a porta principal e hesitei algumas vezes antes de girar a maçaneta, mas não poderia evitar de contar-lhe a verdade. Assim que atingi o hall de entrada, corri até as escadas subindo-as com uma pressa que subitamente me invadiu. Meu coração batia no mesmo compasso de quando tive a confirmação de que havia uma vida dentro de mim, o maldito nó na garganta já ameaçava que lágrimas viriam, todavia, eu esperava ansiosa por contar-lhe que seria pai. Jay era um pouco irresponsável sim, mas tenho certeza de que se derreteria com a hipótese de ter um pequenino em seus braços. Sorri ao imaginar a cena e isso me trouxe mais conforto, era a hora de contar-lhe a verdade. Andei até seu quarto determinada, contei mentalmente até três e abri a porta, mas a cena que vi não poderia ser pior. Uma vadia loira e com seios siliconizados — só poderiam ser devido ao tamanho — estava em cima do meu namorado cavalgando elegantemente no seu pau. O estrondo da porta sendo aberta os interrompeu em meio a um gemido que ela deixava escapar pela boca e pude ver Jay arregalar os olhos diante de mim.
– Amanda! — Ele gritou, mas eu havia sido mais rápida e saído de seu quarto batendo a porta com uma força que até então desconhecia. Desci as escadas com velocidade, tropeçando por vezes em meus próprios pés. Corri até a saída e agradeci a Deus quando atingi a porta de entrada. Lágrimas de desespero saiam dos meus olhos enquanto meu coração se encolhia em um cantinho do meu peito, pronto para se isolar e padecer de dor. Com os olhos embassados, apressei mais o passo até ser interrompida por James que puxava meu pulso me fazendo parar.
– ME SOLTA! — Gritei puxando meu braço, mas ele o segurou de novo fazendo-me virar para encará-lo
– Amanda, por favor, eu posso explicar. — Seus cabelos estavam despenteados e o jeans que usava era exatamente um Calvin Klein que havia lhe dado no último aniversário. Seu abdômen estava descoberto, o que teria causado calafrios em mim em outra ocasião, mas no momento eu só conseguia pensar quão filho da puta ele era.
– Explicar o que, hun? — Seu olhos nitidamente verdes foram penetrados pelos meus avermelhados devido ao choro — VOCÊ ESTAVA ME TRAINDO! — As palavras saíram da minha boca com desprezo e momentaneamente tive nojo de suas mãos sujas tocando minha pele.
– Ela não significa nada, eu... eu prometo.
– Você é nojento! — Proferi decepcionada e tentei puxar meu braço mais uma vez. Senti seus dedos apertarem-me com mais força, impedindo a saída. — ME SOLTA! — Gritei novamente
– Ou o que? Eu não vou te deixar ir sem conversarmos. — Jay desviou o olhar bufando ao demonstrar impaciência. Quem ele pensava que era para se sentir irritado? Eu é quem deveria me ofender com isso tudo!
– EU JÁ MANDEI ME SOLTAR! — Puxei novamente meu braço e dessa vez o empurrei com a mão esquerda que estava livre — Por que não volta para a sua vadia e termina de meter esse teu pau pequeno nela? — Saí batendo os pés até o portão me dando conta de que os seguranças observavam a cena perplexos.
– Amanda, eu estou mandando voltar aqui ou está tudo acabado!
– Novidades, James: Está mesmo tudo acabado! — Ajeitei minha bolsa sobre o ombro e passei de cabeça erguida pelos enormes portões dourados da mansão, apesar dos meus olhos encararem o chão por diversas vezes. James não me seguiu como achei — ou esperei — que fizesse, mas por precaução acelerei meus pequenos passos até chegar ao carro.
Assim que adentrei no veículo desabei em um pranto inconsolável. Kendall tinha razão, Jay era um devorador de corações e fez do meu o seu brinquedo preferido. Deitei a cabeça sobre o volante deixando que minhas lágrimas salgadas e amargas escorressem deliberadamente molhando a capa de oncinha que o cobria. Lembro de ter permanecido minutos que pareceram longos o suficiente até que elas cessassem aos poucos. Olhei no retrovisor e meu rosto estava inchado, vermelho e toda a maquiagem estava borrada. Encostei minha cabeça no banco e voltei a fechar meus olhos relembrando a cena. Era como se uma adaga invadisse meu peito, atravessasse meu coração e o arrancasse sem piedade. Definitivamente, Jay brincou comigo. Brincou comigo, com meus sonhos, com os planos que fiz para nós dois e... E com nosso bebê. Meu Deus, o bebê! Pus as mãos na barriga acariciando meu filho que provavelmente era uma pequena sementinha dentro de mim. Uma sementinha que era nossa, que pertencia a ambos, mas que James jamais saberia da existência. Eu não permitiria em hipótese nenhuma que nosso príncipe ou princesa fosse magoado pelo pai como ele fez comigo. Além do mais, o que esse canalha poderia oferecer, hun? Absolutamente nada! James certamente não assumiria o filho e, se assumisse, não seria o tipo de pai exemplar que vai às festinhas na escola, troca fraldas e acorda de madrugada para me ajudar quando o neném chorar. Jay sequer estaria presente! Uma onda de terror se tornou presente — tão presente que poderia ser palpável — e temi pelo futuro. Se antes já era impossível contar aos meus pais a respeito da gravidez, agora seria extremamente pior.
**
Por mais que acelerasse, parecia que não conseguia chegar em casa tão depressa quanto desejava. No rádio, Blake Shelton embalava minha dor enquanto eu decidia o meu destino. Não havia possibilidade alguma de encarar os olhos inquisidores do meu pai e ter que dizê-lo: "Olha, estou grávida, mas meu namorado não sabe disso e sequer saberá já que quando fui contar ele estava fodendo outra. Aliás, como se sente sabendo que ele me fodia?". Sério, simplesmente não dá. Sou de uma família extremamente conservadora e contar a verdade seria assinar uma sentença de morte. Ao mesmo tempo meu coração estava desolado, caído em pequenos pedaços dentro desse corpo oco e vazio. James havia me usado e eu estava me sentindo suja, humilhada, desvalorizada. De repente é como se toda a máscara tivesse caído e pudesse enxergar claramente após anos na escuridão. Nossa relação havia sido física, carnal e nada mais. Jay não conseguia dizer-me palavras bonitas, demonstrar o quanto me amava e muito menos fingir que se importava. Era sempre assim! Não precisava de muito, não precisava de "eu te amo" e muito menos de ternura. Seus olhos verdes e hipnóticos me envolviam em uma trama sedutora e quando dava por mim estávamos em sua casa fazendo um sexo gostoso que eu denominava de "fazer amor" e, por incrível que pareça, esse toque bastava. Apenas a migalha me alimentava! Tola, estúpida e inútil. Como pude me iludir e fantasiar a respeito de um James idealizado, de um príncipe encantado que na verdade era apenas um lobo canibal e faminto louco pelo meu corpo e pelas loucuras que eu oferecia em consequência de uma paixão avassaladora? Como pude julgar que nos casaríamos em uma casa de campo, moraríamos distante da cidade e viveríamos até os noventa um ao lado do outro?
– BURRA! — Gritei escutando minha voz ecoar no carro todo fechado e tirei a chave da ignição avistando minha casa de frente para mim. Sai apressadamente e as minhas mãos tremiam enquanto tentava acertar a chave na porta de entrada. — Merda, merda! — Eu xingava amaldiçoando todas as gerações dos Diamond.
Por fim consegui abrir e subi para o meu quarto de supetão. Peguei a mala cor de rosa que ficava no alto do meu armário e coloquei sobre a cama pegando algumas peças e jogando dentro da mesma. Eu tinha que ser rápida antes que James aparecesse aqui, ou pior, meus pais. Fechei a mala me certificando de que boa parte do que precisava estava sendo levado comigo, inclusive itens pessoais, e finalizei abrindo o cofre dentro do closet, pegando todas minhas economias. Olhei por alto calculando o valor pelo montante e, bem, isso deve durar o necessário para sobreviver esse mês ou o próximo. Embalei as notas entre uma blusa escondendo na bolsa de mão que carregava e de repente uma onda de choro me invadiu. Eu estava fugindo, deixando o lar onde cresci e tudo que mais amava. Dei uma última olhada no meu quarto fixando os olhos no quadro de fotos onde avistei algumas com minha família, com Kendall e com... com James. Senti meus olhos ficarem mais úmidos e passei as costas das mãos por baixo limpando-os. Eu tinha que ser forte, esse não era o momento para me permitir fraquezas. Se Jay era canalha o bastante para me trair estando grávida de um filho seu, eu seria uma guerreira por essa criança que viria ao mundo. Deixei meu celular sobre a escrivaninha impedindo que tentassem me localizar pelo mesmo e ao seu lado coloquei um pequeno bilhete que dizia: "Hey, imagino que estejam se perguntando onde estou, mas acreditem: eu estou bem. Por favor, não tentem me encontrar, estou fazendo isso pelo bem de todos. Os amo, Mandy". Fechei a porta deixando lá dentro um pedaço de mim e levando comigo o pedaço mais precioso: meu filho.
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