Heaven In Your Eyes

14 I can't help falling in love


Notas iniciais
Postei o capítulo aqui porque o Nyah está cortando na postagem anterior. Prestem atenção na leitura meninas, se estiver com a sensação de que alguma parte falta ME AVISEM! AMOOOOOOOORES, preparem para um ataque cardíaco nesse capítulo. Estou desde meio dia escrevendo e já são quase 21h30, então foi uma trabalheira para tentar dar um rumo que achei ideal. Quero reviews com ideias, dicas, sugestões e reclamações. Por favor, não se limitem a dizer pouca coisa, a contribuição de vocês vale muuuuuuito. Um beijão!

JAMES POV:

Amanda estava definitivamente linda. O vestido vermelho realçava todo seu corpo e a forma como seus cabelos caiam em ondas sobre suas costas contornando a linha da sua cintura era como um envoltório perfeito para a sua beleza. Eu continuava a observando de longe segurando em minha mão um copo de licor qualquer. Ela estava sentada na mesa com Kendall, gargalhando sobre alguma coisa e vagarosamente tombou a cabeça para trás. Seus lábios tonalizados com batom também vermelho chamavam minha atenção e sua postura elegante dava todo um ar de mulher que ela não tinha tempos atrás. Distraída, logo seus olhos percorreram o salão e ela me encontrou, mas suas bochechas coraram e a vi movê-los para outra direção. Eu estava hipnotizado por observá-la, quase como um caçador diante de sua melhor presa, tanto que sequer pude perceber a presença de um dos meus melhores amigos.
– WAAAAAZA! — Carlos gritou perto de mim, o que fez com que eu me assustasse e parasse de encará-la.
– Está tentando me matar? — Questionei terminando o resto do licor
– Na verdade só imaginando quando você vai até aquela mesa arrancá-la do irmão e dar um beijo de cinema. — Ele disse apontando para a direção de Amanda
– Andou lendo Shakespeare, não é mesmo? — Ergui uma sobrancelha
– Qual é, meninas gostam! — Los defendeu suas próprias teorias de conquista, eu apenas revirei os olhos. — Me conta, carregou a Amanda lá pra fora, não é? Aposto que jogou no vértice e ...
– E nada! — O interrompi — Eu sequer a beijei. Ficamos conversando e acho que finalmente consegui fazer com que ela perceba que não a quero mal.
– Ela esteve magoada por muito tempo, tente entender.
– Eu entendo, assim como acho que ela entendeu que mudei. — Coloquei as mãos nos bolsos do blazer e encostei-me em uma das pilastras ainda mirando-a.
– Se o Kendall perceber que ficaram juntos mesmo que por um tempo e sem rolar nada, ele te arrebenta.
– Quer saber? Eu não me importo. Minha única preocupação está ali sentada como um imã diante de mim.
– Eu escutei isso mesmo? Está preocupado com a Amanda? Mano, você está mesmo gostando dela novamente.
– Não, eu só... eu só...
– Senhoras e senhores — O pai de Logan interrompeu a todos nós e eu agradeci mentalmente por ter sido salvo no último minuto — eu gostaria de dar início aos brindes do noivado do meu filho com Ingrid.

Assim que Jeffrey começou a discursar, vi que os convidados se levantaram. Não foi diferente na mesa que eu mantive meus olhos boa parte da noite. Amanda levantou-se e parecia uma bailarina, sua coluna estava esticada, os ombros para trás, o quadril encaixado e um sorriso enorme moldava nos lábios. Ela segurava uma taça de champanhe rosado e ergueu-a inclinando para mim em um cumprimento distante. Apenas assenti com a cabeça em resposta e vi uma expressão carinhosa ser lançada para mim. Pensar que uma situação dessas poderia ser compartilhada por nós dois, que se eu não tivesse falhado permaneceríamos juntos e poderíamos estar casados, fez com que eu me sentisse um completo canalha. Era para ser eu naquele lugar pondo um anel com uma pedra extravagante em seu dedo, vendo meus sogros se emocionarem e minha mulher chorando de alegria. Amanda deveria ser minha mulher, só minha. Acredito que por isso tenha permanecido solteiro por muito tempo, congelado emocionalmente. Eu não podia me apaixonar por outro alguém e sequer conseguiria fazê-lo. Tudo em mim clamou por Mandy todos esses anos como se eu estivesse predestinado a um dia realizar todos os sonhos que alimentei em minha ex e não cumpri. Os sonhos de um dia nos casarmos, termos um apartamento bagunçado — mas que seria a nossa bagunça — , da lua de mel em uma praia na qual pudéssemos fazer amor ao pôr do sol e quem sabe até mesmo um filho. Um filho que pareceria com ela, com sua doçura e herdaria todas as qualidades que transbordam naquela mulher que amei. Um que eu ensinaria a ser justo, a não usar as garotas da maneira como usei sua mãe, um ao qual me doaria por completo. Eu estive morto, frio e indiferente a qualquer sentimento desde que perdi Amanda e hoje reconheço que todas as transas com outras não passaram de ocasionais, porque no fundo estava buscando uma sensação maior, a sensação de um amor especial que me resgataria. Esse amor está nela e talvez estivesse em uma família que formaríamos lado a lado. Como pude ser tão idiota assim? Tê-la em minha frente seis anos depois, linda, com o mesmo coração puro que antes e mais forte do que nunca me instigava a planejar, a sonhar muito mais e agora eu parecia o tolo encantado enquanto ela estava segura de si cochichando ao ouvido do irmão e exalando sensualidade.

AMANDA POV:

James estava do outro lado da festa e seus olhos caíam sobre mim a cada minuto. Volta e meia o pegava sorrindo para mim e pude perceber a forma como me encarava durante o discurso do pai de Logan e dos familiares. Por sorte, não fomos convidados para "dar uma palavrinha", até porque não sei se seria adequado que eu o fizesse já que passei boa parte do relacionamento deles afastada daqui. Assim que as homenagens ao casal acabaram, sentei-me novamente, aqueles saltos estavam me matando!
– Mandy! — Kendall me chamou
– Hm? — Desviei o olhar de James para Ken
– Meu celular está tocando na sua bolsa.
– Certeza?
– Sim.
– Mas eu não estou ouvindo nada.
Meu irmão apenas estreitou os olhos provavelmente xingando-me mentalmente pela minha teimosia e tratei de procurar pelo aparelho. Realmente estava tocando e o entreguei com pressa a ele. Ken sinalizou para mim com o dedo pedindo-me para esperar um minuto e assim o fiz. Ele se levantou e fiquei tamborilando com os dedos na mesa de vidro para passar o tempo. Jay me olhou mais uma vez e apontou para a mesa onde eu estava como se questionasse se deveria se aproximar. Neguei o pedido, tendo a certeza de que Kendall voltaria em breve e momentaneamente me senti uma adolescente namorando escondido dos pais. Pelo amor de Deus, Jay já tinha me engravidado, tem como algo pior acontecer? Logo meu irmão retornou, sua expressão estava séria e ele permaneceu de pé diante de mim ao invés de sentar-se.
– O que houve?
– Eu tenho que ir. Parece que houve um desfalque na empresa do papai e ele está pedindo que eu vá pra casa, teremos uma video-conferência.
– Papai? — Havia séculos que eu não escutava falar nele. Apesar do raro contato com minha mãe, nenhum deles havia me procurado desde que cheguei à Nova York — Ele... Ele sabe que estou aqui? — Me atrevi a perguntar
– Sabe sim, Amanda. — Kendall pareceu tão desconfortável quanto eu
– Bom, então vai ser ótimo revê-lo. Poderei participar da conferência, né?
– Mandy, olha... — Ken pareceu estar com receio de me dizer algo e sentou-se na cadeira me olhando com ternura
– Ele não quer me ver, não é mesmo?
– Não, Mandy. — Meu irmão abaixou a cabeça
– Não entendo essa reação dele. Tudo bem que eu fiz a maior besteira que uma filha poderia fazer, mas ele vai me renegar por quanto tempo? Ele... Ele sequer conheceu o Emmett. — Meus olhos já estavam marejados e eu mordi o canto da boca tentando controlar
– Oh minha magrela, não fique assim! — Kendall me abraçou e deu um beijo demorado no topo da minha cabeça — Eu te amo viu?
– Também te amo, muito muito. — Abracei meu irmão com força e ficamos assim por alguns segundos até que ele me soltou
– Por que não fica e aproveita a festa da Ingrid e do Logan, heim? Tem alguns drinks ótimos lá no bar e você deveria beber algum deles, dançar, se distrair.
– Está induzindo sua irmã a beber?
– Apenas hoje porque a deixei triste — Ele apertou meu nariz e sorriu
– Pedirei ao Carlos para te levar para casa, está bem?
– Sim, senhor! — Bati continência o fazendo rir
– Hey, Amanda.
– O que?
– Longe do James.
– Tá, "pai" — Ironizei e ele saiu me deixando sozinha

**
Peguei o maço de cigarros na bolsa e o esqueiro com capa de oncinha. Acendi mais um e quando estava prestes a colocá-lo nos lábios James chegou até mim. Estávamos do lado de fora da casa de Logan e o clima estava realmente ficando frio, o que não me ajudava em nada já que meu vestido era um pouco decotado.
– Boa noite. — Ele me cumprimentou como se não tivesse me visto antes, eu ri.
– Boa noite James. Quer um? — Inclinei o cigarro para ele oferecendo
– Não, obrigado, e preferia que você também não fumasse.
– Sério? — Coloquei uma mão na cintura sarcástica
– Daqui a pouco vai estar viciada.
– Concordo. — Falei jogando o cigarro no chão e pisando com a ponta do meu scarpin
– Eu achei que em países do Oriente Médio as mulheres andassem cobertas, fossem recatadas, sem vícios e submissas. — Ele encostou na parede e seus olhos me examinavam de cima a baixo
– Não sou islâmica, não nasci lá e já vivi sob regras demais. Mehmet entendia minha situação.
– Mehmet. — Ele repetiu com desdém — Como ele está?
– Você sequer o conhece — Ri baixinho
– Ué, me fala dele.
– Não Jay, isso é estranho. — Fiz uma careta — Você é meu ex.
– Quero saber sobre quem cuidou de você, posso?
Movi a cabeça de um lado para outro em negação, mas logo respirei fundo decidindo falar.
– Bem, ele... Ele é um amor de pessoa. Me acolheu logo que saí daqui, me cuidou, me protegeu e eu tenho um enorme carinho por ele. — Resumi
– Estão juntos desde que saiu daqui?
– Uhum, alguns meses depois. — Assumi
James ficou visivelmente incomodado e começou a dar pequenos passos chutando uma pedrinha que estava em sua frente.
– Ele pelo menos te fez feliz?
– É difícil ser feliz quando tenho uma pedra de gelo incômoda instalada no meu peito.
– Nossa.
Ele se limitou e o clima ficou estranho entre nós dois. Esfreguei uma mão na outra e decidi pegar outro cigarro. Dessa vez James não protestou, estava realmente frio, tanto o clima quanto entre nós.
– Quer o casaco?
– Não precisa.
– Não, eu insisto. — Ele disse já retirando o blazer e colocando sobre meu corpo. Me senti aquecida assim que suas mãos tocaram meus lábios, mas o contato fora breve.
– Obrigada. — Agradeci continuando nosso diálogo tão monossilábico. Respirei devagar e senti o cheiro de sua roupa se adesivar à minha pele. De pronto imaginei o cheiro que seu corpo deixaria no meu se estivéssemos nus e nos amando, mas tentei ignorar esse pensamento.
– No que pensa? — Jay parecia tentar entrar na minha cabeça, enquanto minhas pernas trêmulas imploravam para que ele chegasse mais perto.
– Em nada específico — Menti levando o cigarro aos lábios
– Me empresta? — Ele disse e chegou mais perto, perto demais. Seu corpo estava próximo o suficiente do meu e logo sua mão tocou minha cintura puxando-me. Seu rosto ficou a centímetros do meu e gradativamente vi aqueles olhos verdes ganharem zoom diante dos meus. Sua boca estava tão perto da minha que eu poderia jurar que ele me beijaria, se não fosse pelo cigarro. Ao contrário da minha fantasia — ou desejo — , James apenas pegou o cigarro com sua própria boca e afastou-se. Ele deu uma longa tragada segurando-o em seus dedos em seguida e sorriu para mim vitorioso. Eu? Ainda estava embasbacada com a maneira sensual com a qual me envolveu apenas para tirá-lo da minha boca.
– Não podia ter pedido um? — Perguntei
– Não, queria sentir seu gosto. — Ele foi honesto e uma quentura desceu pela minha garganta escorrendo diretamente para um ponto específico entre minhas pernas. Porra, eu o queria dentro de mim!
– Consegue pensar em alguma coisa que não seja sexo?
– Sim, mas sabia que sexo é uma ligação e essa é a única coisa que falta entre nós? — Ele se aproximou mais uma vez e meu coração acelerou, maldito efeito-James que sempre abalou minhas estribeiras.
– Está sugerindo que faria sexo comigo?
– Eu poderia sugerir muitas coisas, sobre seu corpo vontades não me faltam. — Agora fora a vez dele assoprar toda a fumaça perto de mim e em um instante eu me senti levada por ela para um outro nível no qual apenas eu e James estávamos.
– Quais vontades? — Cheguei mais perto e o blazer que estava apenas escorado em mim escorreu pelas minhas costas atingindo o chão
– Essa...

Ele puxou-me pela nuca sem dar tempo de que eu respondesse. James tocou meus lábios com os seus vagarosamente sugando devagar, com uma lentidão como se aquele momento fosse inteiramente dedicado à nós dois. Apoiei minhas mãos em seu rosto sentindo espetar pela barba recém feita e ele escorregou uma das mãos dele pela linha da minha coluna envolvendo o braço no inicio do meu quadril. Escorreguei minha língua no mesmo ritmo tântrico entre seus lábios pedindo uma passagem que ele concedeu. Logo nossas línguas dançavam coreografadamente entrelaçando-se e brincando uma com a outra em sincronia. Eu estava ligada a 220 volts, todos meus sentidos estavam a flor da pele. Meu olfato sentia seu perfume invadir meus poros, meu tato sentia a suavidade de sua boca, a umidade de sua língua e a força dos seus braços. James aos poucos foi diminuindo a frequência do nosso beijo transformando em pequenos selinhos até que nos separássemos.