Heaven In Your Eyes

33 I Dream Of Another You


Notas iniciais
ESTAMOS EM RUMO AOS 600 COMENTÁRIOOOS, acho que conseguiremos até amanhã *-* Que orgulho, falta pouquissimo para dois meses de história!!

- Mamãe? — Despertei com a voz de Emmett chamando por Amanda, abri meus olhos devagar vendo-o sentado na cama olhando assustado para mim — O que você faz aqui, titio?
Passei as mãos pelos meus olhos ainda despertando e senti o dedinho de Emm em meu rosto me cutucando. Ergui uma sobrancelha curiosamente e decidi deixar que ele falasse por conta própria.
— Você tá aqui mesmo? — Ele perguntou ainda cutucando meu rosto
— Estou, little Emmett. — Sorri segurando sua mãozinha, mas ele puxou se fazendo de bravo
— Dormiu do lado da minha mamãe? — Emm cruzou os bracinhos e havia um bico enorme em seus lábios
— Não, você que dormiu — Apontei para ele encostando meu dedo em sua barriguinha, o cutuquei da mesma maneira que fez comigo anteriormente
— Ah bom, então assim sim. — Ele pareceu acreditar — Mas por que a gente dormiu aqui?
— Todo mundo dormiu aqui, tio Los, tia Di e tio Loggie também.
— OBAAAAA! — Emmett disse um pouco alto colocando a mão na boca logo em seguida ao se dar conta que Amanda ainda dormia — Mas e o tio bababa?
— O Kendall? — Perguntei tentando compreender
— Isso, por que ele não veio?
— Porque o tio Kendall estava ocupado.
— Não gostei. — Ele parecia emburrado e mais uma vez colocou um biquinho em sua boca
— Mas você vai vê-lo ainda hoje, tá?
— Jura juradinho?
— Juro juradinho — Sorri ao ver a forma como meu filho falava — Hey, o que acha de acordar a mamãe?
— Ela vai brigar — Comentou encarando os lençóis, coitado.
— Não vai não, eu que estou deixando e além do mais, eu também vou acordá-la — O incentivei
— Como, titio?
— Por que não pula em cima dela?
— Vai fazer dodóizinho.
— Não vai, você é leve.
— Ainda acho que a mamãe vai brigar — Emmett confessou inseguro, mas o brilho em seus olhos denunciava o contrário. Ele foi escalando o corpo de Amanda que dormia tranquilamente de bruços e jogou-se sobre a mesma a abraçando bem apertado. Mandy se assustou de imediato, mas logo abriu um sorriso enorme e virou o filho sobre a cama dedicando-lhe algumas cócegas.
— Quem é esse menino levado que está me acordando, heim? — Ela dizia durante as cosquinhas e a risada gostosa do nosso pequeno ecoava pelo cômodo
— Para, mamãe, para! — Ele pediu e Amanda parou aos poucos, dando-lhe antes alguns beijos molhados pelo rosto
— Bom dia, senhorita Connelly — Falei alegremente brindando-a com um olhar desejoso. Eu queria poder beijá-la, toma-la em meus braços e dizer que estava encantado pela forma como mesmo de manhã acordava com bom humor, entretanto não podia fazê-lo.
— Bom dia, James — Eu a vi dizer de maneira sonora, quase que cantada. Amanda se aproximou e depositou um beijo em minha bochecha, minha mão por impulso se ergueu para tocá-la, mas tive que recuar.
— Sai, sai, sai! — Emmett entrou no meio de nós dois a empurrando — Você é do meu pai, só dele.
— Garoto, deixa de ser ciumento.
— Ele está certo, uma mulher bonita como você não pode ficar perto de homem nenhum que não seja o pai do Emmett, dou muita razão a isso. — Ironizei monopolizando-a só para mim. Mandy percebeu o que eu deixei óbvio nas entrelinhas e apenas me mostrou a lingua
— Tio Jay! — Emm me chamou
— Fala, campeão.
— Cadê a minha capa? Ficou aqui a semana toda.
— Emmett, vai descer com a capa?
— Eu sou um super herói, mamãe, não posso andar sem capa.
— Amo... Amanda — Corrigi antes de chamá-la de forma carinhosa — Deixa ele.
Levantei ainda um pouco sonolento e procurei pela capa de Emmett que estava junto com alguns de seus pertences que — milagrosamente — ganharam território pela minha casa. A entreguei ao meu filho e Mandy fez o favor de vesti-la sobre ele.
— Por que não vai dar um beijo babado de bom dia nos tios, heim? — Amanda se aproximou de Emmett tocando seu narizinho
— Posso gritar no ouvido do tio Los?
— Pode, mas se ele ficar surdo é o James que paga o aparelho auditivo.
— Paga o que, mamãe?
— Nada, nada. Vai lá e cuidado com as escadas! — Ela dissera tarde demais, nosso pequeno super herói já havia saído do quarto as pressas.
— Tenho que pôr um corrimão mais seguro nessa escada. Ah, e não posso me esquecer das telas nas janelas! — Pensei alto
— O que disse? — Ela falou ainda na cama espreguiçando-se devagar enquanto eu voltava à mesma sentando-me a sua frente
— Precauções para que Emmett não se machuque.
— Antes de você pensar em todas essas coisas, será que posso ter um bom dia descente? — A vi sorrir envolvendo os braços em meu pescoço para me aproximar, cheguei mais perto mas a forma como era puxado fez meu corpo cair sobre o dela. Estavamos deitados um sobre o outro e apenas uma mecha de seu cabelo caída em seu rosto me impedia de beijá-la. A retirei devagar e com ternura, observando cada pequena parte que compunha sua beleza. Amanda era angelical, terna, doce e mesmo estando mais velha, nunca perdera os traços pueris.
— Bom dia, meu amor — Murmurei com minha boca tão próxima a dela que as palavras pareciam nem ter espaço para se encaixar
— Hmmm — Ela resmungou sonolenta — Bom dia, vida! — Fui recepcionado com um selinho demorado que completava deliciosamente com o carinho que recebia em minha nuca
— Dormiu bem? — Indaguei acariciando sua bochecha com meu polegar
— Mais ou menos, ainda estou com as roupas de ontem do trabalho — Ela riu de si mesma
— Você fica linda de qualquer jeito — A elogiei enquanto descia meus lábios pelo seu pescoço distribuindo alguns beijos um pouco úmidos
— E você fica mais romântico ainda pelas manhãs, bom saber.
— Tens que passar a acordar mais vezes comigo. — Respondi contra sua pele
— É o que eu pretendo fazer por um bom tempo.
— Um bom tempo? — Parei o carinho para observá-la com atenção — Isso significa que se casará comigo?
— Você pediu formalmente, Diamond?
— Não seja por isso, vou elaborar o pedido mais foda do mundo.
— Não viaja, amor — Amanda respondeu esboçando um sorriso — Primeiro vamos voltar para a nossa realidade de que hoje ainda é sábado e eu tenho que trabalhar.
— Kendall é o único cara com dinheiro que trabalha sábado — Revirei meus olhos
— Isso significa me explorar, obviamente. Será que Emmett já acordou os bêbados lá embaixo?
— Com toda a certeza. Por que não desce, tomamos um bom café da manhã e eu te deixo em casa?
— Não precisa Jay, senão você vai ter que expulsá-los daqui. — Ela disse percorrendo os dedos pelos cabelos despenteados, nos quais improvisou um coque — Até aceito o café da manhã, mas posso muito bem ir com Emmett para casa enquanto você permanece com os nossos amigos.
— Certeza? Não quer que eu fique com ele hoje?
— Não precisa amor, eu o levo para o estúdio.
— Mas mas...
— Queria ficar com ele né?
— Queria. — Respondi sinceramente já me levantando da cama, estiquei meus braços no alto me alongando e Amanda ficou um tempo olhando meu corpo — Quer um babador? — Brinquei.
— Não precisa, usarei minha boca em ocasião mais apropriada.
— Ui, gostei disso! — Entrei na pilha dela e Amanda se levantou vindo até mim. A abracei sentindo seu corpo colado ao meu e aproveitei para beijar-lhe o topo da cabeça. Tão pequena, tão minha. — Por que não o deixa comigo, heim?
— Porque eu combinei de levá-lo todos os sábados. Sempre ficavamos juntos e ele tem estranhado essa ausência.
— Você é uma boa mãe, sabia? E eu tenho muito, muito orgulho de você. — Falei mantendo meus braços ao seu redor, Amanda fixou seus olhos nos meus e eu sorri sem nem mesmo sentir. Eu a amava em todos os sentidos e amava mais ainda essa pessoa que ela havia se tornado. Devagar, fui subindo minha mão pelas suas costas trilhando sua coluna até chegar à nuca onde enlacei meus dedos em seus cabelos puxando-a para perto de mim. Dessa maneira, tomei seus lábios ternamente dando inicio a um beijo unicamente nosso, da maneira como nós dois — e apenas nós dois — eramos capaz de fazer.

**

AMANDA POV:
— Pegou tudo, Emm? — Perguntei ao meu filho que descia do carro com sua mochilinha
— Peguei, mamãe.
— Não esqueceu seu casaco na casa do tio Jay, né?
— Juro juradinho que não.
— Com quem pegou essa mania de "juro juradinho", heim? — Questionei enquanto pegava sua mãozinha guiando-o até nossa casa. Ele pulava de um piso para outro, tocando os pés apenas nos de cores mais escuras.
— Vendo filme com o titio grandão, é do Meu Malvado Favorito. Você tinha que ver, mamãe!
— Prometo que vamos assistir, tá bem? — Passei as mãos em seus cabelos arrumando-os com cuidado e continuei guiando-o até a porta de entrada que estava estranhamente encostada.
— Kendall?! — Chamei pelo meu irmão, mas todos os cômodos pareciam silenciosos demais.
— Meu amor, fique aqui. — Pedi a Emmett colocando-o sentado no sofá.

Caminhei devagar dando mais um ou dois passos insegura. Logo minha mão direita já procurava pelo meu celular em algum dos meus bolsos, mas não fora preciso. Não havia nenhuma espécie de assaltante em minha casa, pelo menos não se estivermos nos referindo à aqueles que tiram de nós nossos pertences. O que estava ali havia roubado de mim algo muito maior: o carinho que eu precisava. Aos poucos vi sua anatomia aparecer diante de mim: magro, alto, os cabelos um pouco mais calvos e grisalhos do que anteriormente, as mãos dentro dos bolsos de um terno acinzentado, os olhos queimando de raiva ao me encontrar diante de si. Também pudera, quem gostaria de presenciar a terceira guerra mundial? Eu certamente não estaria nesse grupo seleto, no entanto, aqui estava eu como um dos oponentes e ele me aniquilaria facilmente pelo simples fato de ter de mim todo o amor que eu poderia oferecer. Fraca, sentindo-me magoada e ao mesmo tempo repleta de saudades, meus lábios só conseguiram proferir de forma gaga a frase que sonhei dizer em todos esses anos:
— Pai, é-é... É você?