Notas iniciais
AMOOOOOOOOOORES, CHEGAMOS A DOIS MESES DE HISTÓRIA COM 600 COMENTÁRIOS! Só tenho uma única coisa a dizer: VOCÊS SÃO FODA *-* Obrigada de todo coração por estarem aqui, por me ajudarem a bater recordes e por fazerem com que eu me sinta tão amada. Sem vocês não sou absolutamente nada! Capitulo mais que especial que coincidiu com o dia dos pais haha Ainda hoje posto o bônus, não percam!

- Pai, é-é... É você? — Balbuciei ainda sem chão e senti meu corpo tremer conforme ele se aproximava. Eu queria correr até aquele que costumava ser meu herói e abraçá-lo, mas a forma que me olhava como se eu fosse desprezível só fazia meu coração doer dentro do meu peito. — O que faz aqui?

- Fui informado de que havia uma nova funcionaria em minha empresa e vim pessoalmente demiti-la. — Seu olhar tão frio e calculista contrastava com a maneira carinhosa com a que eu estava acostumada a ser tratada em um passado distante.

- Você o que? — Perguntei já sentindo as lágrimas se formarem em meus olhos, eu não seria fraca de chorar diante de alguém que me renegou quando precisei que estendesse a mão — Veio aqui depois de seis anos sem me ver apenas para demitir a sua filha?

- Filha? Me desculpe, eu tenho apenas uma funcionária. — Ele respondeu tão friamente que praticamente pude sentir minha pele queimar como quando o gelo a encostava

- Você é realmente desprezível — Virei as costas para meu pai voltando à sala em busca de Emmett

- Onde você vai? Eu estou falando com você! — Sua voz ecoou de maneira rude e voltei a me virar para ele

- Uau, depois de anos você resolveu se dirigir a mim! Quer que eu me curve diante de sua onipotência, oh senhor dos senhores? — Ironizei ainda no corredor

- Cale a boca — Ele gritou diante de mim, mas não exitei

- Ou o que? Vai passar mais seis anos sem falar comigo?

- E se o fizesse? Posso permanecer muito mais tempo longe de uma vagabunda como você.

- Vagabunda? — Mordi meu lábio inferior com força não permitindo o choro — É isso que acha da garota que você contribuiu para nascer? Você me considera mesmo tão baixa?

- A garota que eu criei era digna de respeito.

- EU SOU DIGNA! — Gritei pouco me importando se seria desrespeito ou se os vizinhos escutariam — Eu saí daqui para proteger vocês, para que não se envergonhassem e, acredite, eu comi o pão que o diabo amassou e ainda assim me mantive de pé. Meu filho foi privado de uma série de coisas que teria se tivesse um pai, nós dois estavamos precisando de uma família e, no entanto, tudo que encontrei foi sua falta de amor diante de mim. Ainda assim, me tornei uma boa mãe e estou fazendo do meu filho alguém de respeito. Você deveria ter orgulho de ter uma filha guerreira como eu sou.

- Guerreira? Você apenas assumiu com as consequências dos seus erros.

- Disse muito bem, Kent: erros! Erros esses pelos quais pago até hoje. Eu estava na transição entre criança e mulher, eu não sabia o que fazer e mesmo em uma situação tão complicada fui capaz de me tornar uma merecedora. O que você queria, heim? Um homem do meu lado? Eu tinha um e ele era alguém maravilhoso! Mehmet esteve comigo por anos e toda a "aparência" — Fiz aspas com os dedos — que você queria manter permanecia sendo mantida. Qual era o problema então? — Cuspi as palavras que estavam dentro de mim

- Você jamais entenderia — Respondeu com pesar e pela primeira vez consegui enxergar traços de humanidade nele

- Eu não tenho mais o que conversar contigo. — Murmurei entristecida voltando à sala, mas os passos atrás de mim denunciavam que eu estava sendo seguida. Logo que alcancei o cômodo fui até Emmett que estava encolhido no canto do sofá com uma almofadinha no rosto. A tirei delicadamente vendo a forma assustada como ele me encarava — Shhh, calma meu amor, a mamãe está aqui. — Falei baixinho pegando-o em meu colo

- Eu estou com medo dos gritos, mamãe. — Ele assumiu tremendo um pouco

- Não se preocupe, tá? — Deslizei meus dedos sobre seu rosto — A mamãe não vai mais gritar.

- Quem é esse velho? — Emm apontou indelicadamente para meu pai

- Velho? — O homem diante de mim pareceu se irritar

- Não é ninguém, ninguém que mereça nosso carinho — Deixei escapar de forma entristecida enquanto o segurava firme diante de mim. Eu abraçava meu filho com força, mas no fundo sabia que gostaria de estar abraçando meu próprio pai. Caminhei em direção a porta sentindo meu coração doer e pedir para que eu voltasse, até que uma voz fraca e já não tão rancorosa pairou no ar.

- Espero que não apareça na empresa hoje.

- Como é que é? — Voltei a encará-lo incrédula — Está me demitindo mesmo?

Meu pai se calou e eu agachei próxima ao chão colocando Emm de pé.

- Meu amor, você pode ir para o carro esperar a mamãe?

- Mas mamãe.. eu não vou te deixar com o moço malvado.

- Eu sei que o Jay te disse que você é um super herói, mas a mamãe tá segura.

- Promete?

- Prometo, meu tesouro — Dei-lhe um beijinho em sua bochecha rosada e meu filho antes de sair pela porta parou para encarar o avô. Ele mantinha uma expressão brava no rosto que aos poucos se dissipou e logo vi sua mãozinha se agitar no ar em um doce adeus para aquele que tanto o desprezara. Foi inevitavel as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, Emmett era tão doce que mesmo acreditando que a mãe poderia estar sob ameaça foi solidário para dar o mínimo de afeto à Kent.

- Por que choras? — Meu pai perguntou

- Não é da sua conta — Retruquei enxugando minha face com meu polegar

- Se é assim, então chore.

- Vou chorar mesmo ou por acaso quer que eu finja que está tudo bem? Quer saber, eu estou magoada demais, mas nunca esperei isso de alguém como você. Tudo bem que eu não cresci como seus planos, mas dói e dói muito quando você desaprova dessa maneira cada passo que eu dei. Se eu errei, você deveria estar ao meu lado para me segurar.

- Não era minha obrigação!

- E qual era seu papel então? Fingir que eu não existia? Você sequer perguntou o nome do seu neto e ele acredita plenamente que você é alguma espécie de monstro! — Admiti espantada — Eu precisava de um pai para me abraçar e não tenho vergonha de assumir que estou precisando desse abraço agora. Você era o mais amoroso comigo, o que me cuidava. Minha mãe não, dela eu poderia esperar essa atitude! Mas de você? Eu tenho passado esses malditos seis anos esperando por um telefonema seu, sonhando um novo você, com um diferente, um que me procuraria. — Eu já não conseguia mais conter as lágrimas — Onde está o homem que idealizei todo esse tempo?

- No mesmo lugar que foi parar a garotinha que ele viu crescer.

- ELA AINDA ESTÁ AQUI! — Gritei desesperadamente

- Não para mim. — Sua postura ainda era intacta e eu ainda me sentia atingida por suas frases tão impetuosas

- É pai, não para você.. Pelo menos não mais.

Caminhei até a porta tendo certeza que dessa vez eu não desistiria de ir, por mais que ele me pedisse para ficar — o que eu sabia que não iria acontecer. Amargurada e sentindo a realidade acertar-me como um soco no estômago, me dei conta de que meu pai havia se pintado de cinza sobre cinza, perdido sua essência e a alegria que era tão costumeira. Talvez eu mesma tenha sido a responsável por tudo isso, mas se eu estava disposta a tentar, por que ele também não? Era triste olhar para o passado e perceber que os dias que passamos juntos agora pareciam tão distantes, era doloroso me dar conta de que ele não se importava mais e de fato nunca se importou. O pior era ter a certeza dentro de mim de que nada poderia mudar tudo que foi dito e feito, que nada poderia consertar a mágoa que ambos carregávamos. Ainda ressentida, porém certa dos meus próprios sentimentos, pronunciei em voz alta a frase que meu coração pedia desesperadamente para que eu dissesse: "Eu te amo", confessei sem medo e também não me permiti olhar em seus olhos para ver sua reação. Fechei a porta atrás de mim e fui atrás do único que poderia me consolar: James.