Heaven In Your Eyes
26 Don\'t Say It\'s Too Late
Notas iniciais
- Bem... — Ela exitou — Precisamos conversar sobre isso, não é mesmo?
- Passou da hora, Mandy.
- Aqui? Não parece o lugar ideal.
- Só estamos nós dois aqui. — Insisti — Por favor, não adie mais.
Amanda permaneceu em silêncio e aos poucos chegou mais perto, apesar dos seus olhos encararem nossos calçados. Me atrevi a segurar sua mão e ela não rechaçou meu toque, muito pelo contrário, atou-se aos meus dedos como se fosse a corda que lhe puxava do fundo de um poço. Deixei que meu polegar deslizasse sobre sua macia pele e com minha mão esquerda ergui seu queixo até nossos olhos se encontrarem.
- Olhe para mim. — Pedi com tranquilidade
- Não sei se sou capaz — Ela confessou, apesar de suas pupilas mirarem as minhas
- Eu que não deveria ser, errei contigo e fui um completo babaca do início ao fim. Mas apesar de tudo, sou um babaca que precisa da verdade e a única pessoa no mundo que pode concede-la para mim é você.
- Achei que teria raiva de mim quando soubesse.
- Não nego ter sentido algo ruim quando me dei conta da situação, no entanto, fui eu quem procurei por isso, não é mesmo?
- Acredito que sim, James. — Ela concordou e não me senti envergonhado ou humilhado, Amanda sabia dos meus erros tanto quanto eu.
- Por que não começa do início então?- Uhum — Ela assentiu e ficou em silêncio por um tempo — Você lembra do que havia me pedido?
- O que? — Tentei recordar
- Você sabe... Sobre transar contigo como prova de amor. — Amanda mencionou sem jeito e suas bochechas coraram envergonhadamente. Ela parecia uma adolescente e isso a tornava mais doce.
- Ah sim... — Admiti tão envergonhado quanto. Não pelo ato, mas sim pela culpa. — Me perdoe por isso.
- Tudo bem, eu queria também. — Suas mãos recuaram um pouco e eu as puxei novamente apertando de leve para lhe transmitir segurança — O que acontece é que você não gostava de usar camisinha e em alguma das vezes em que transamos rolou de eu engravidar.
- Quando você soube?
- No dia em que flagrei você e a piranha loira. — Dessa vez suas mãos soltaram as minhas e decidi não insistir para as manter perto. Amanda deu alguns passos para longe de mim e continuei a respeitando, não forçaria uma aproximação se ela não quisesse.
- Então você... — Minha voz falhou e forcei a garganta tentando mantê-la firme — Você estava indo me contar?
Meus olhos ficaram marejados de repente. Eu era incapaz de sentir a dor que provoquei em Amanda anos atrás. Ela estava indo me dizer que teríamos um filho e ao invés de recebê-la com amor, a humilhei traindo-a deliberadamente.
- Estava. Eu tinha acabado de receber a confirmação do exame e estava com tanto medo. — Seus olhos também ganharam umidade, mas ao contrário dos meus ela não conseguiu contê-las. Por impulso, a tomei em meus braços envolvendo seu corpo como se fosse o bem mais precioso que poderia ter e, na verdade, Amanda o era. Puxei sua cabeça contra meu ombro e ela a apoiou no mesmo molhando a manga da minha camisa enquanto eu acariciava seus cabelos com cuidado. — Eu precisava tanto que estivesse do meu lado. MAS VOCÊ NÃO ESTAVA JAMES! — Ela gritou contra minha roupa e o som de sua voz saiu abafado — Você nunca esteve!
Aos poucos, Amanda ergueu o rosto olhando para mim com fúria. Eu estava sentindo-me o pior dos homens e a mágoa em meu peito era tão latente quanto se tivessem arrancado minha alma.
- Tem noção do que senti? Como eu iria voltar para casa? Como iria dizer aos meus pais que estava grávida de um homem que sequer me amou, que me usou e que não era capaz de sentir nada além de amor próprio? Eu me senti tão suja! — O tom de desgosto foi usado ao proferir a última palavra, as lágrimas de Amanda se tornavam mais intensas e seu punho se fechou.
Eu não era capaz de dizer uma única palavra. Abaixei a cabeça sentindo as quentes lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Eu tinha feito Amanda chorar, no entanto, desde sua partida — e principalmente após sua volta — chorei por todos os anos em que a fiz sofrer e não me sentia menos homem por isso. Simplesmente estou cansado de ser forte, cansado de me esconder em uma armadura de ouro, cansado de tanta dor.
- Olhe para mim — Ela ordenou em um tom rancoroso e apenas ergui minha face observando-a ainda quieto — Se quer a verdade, ao menos seja digno de ouvi-la e de saber toda a desgraça que provocou. Porque, quer saber James, as coisas só pioraram quando voltei. Eu tive que fugir de casa e nunca mais fui capaz de encarar meu pai e nunca, NUNCA mais obtive seu perdão ou vi seu olhar carinhoso para mim. A minha vida se tornou um verdadeiro inferno desde que pisei em Oklahoma. Eu era uma adolescente de dezesseis anos com um filho no ventre, uma mala com poucas peças de roupa e alguns dólares na carteira. Apenas isso! Por sorte, um amigo de Kendall tinha um apartamento vazio e foi lá que consegui ficar, mas não pense que as coisas foram simples. Eu não tinha emprego e dentro de meses meu dinheiro começou a se extinguir. — Seu olhar voltou-se para baixo com pesar — Não julgue a solidariedade da minha família por suas posses, porque definitivamente meu pai tentou impedir ao máximo que qualquer dinheiro chegasse em minhas mãos. Kendall me ajudou como podia, sempre tirando parte das suas economias para me auxiliar e minha mãe, coitada, assim que conseguia uma folga viajava por horas para ver-me juntamente com peças para o enxoval e alguns kilos de alimentos. Eu vivi de favor, eu dependia da solidariedade alheia e em todo o momento me perguntava se você estava ao menos pensando em mim, se sabia que eu estava precisando de ajuda, se quando chegava de noite chorava pelos mesmos motivos que eu. Só que você não se importou James! Eu não sei como foram esses seis anos para você e prefiro realmente não saber porque acredito que permaneceu fazendo a mesma série de merdas que fazia e acho que a melhor coisa que fiz foi realmente ter ido embora porque o MEU filho não merecia um pai que fosse o renegar, que o humilhasse e o fizesse sofrer como fez a mim.
- Por favor, não diga assim. — Dei um passo a frente e ela deu mais um para trás — Eu... Eu pensei em você, eu procurei por você.
- E se eu não quisesse ser encontrada? Você sabe que eu lutaria por você em qualquer circunstância, mas como eu poderia lutar por alguém que nem mesmo estaria lá por mim? Alguém que me trocaria assim que virasse as costas?
- Eu sei que por mais que eu fale, nada vai poder apagar o que aconteceu. — Exitei — Você me desestabilizou, Amanda. Você e sua parte mulher junto com sua outra parte tão menina, perdida entre perfumes e maquiagens, tentando colocar suas asas para fora nesse grandioso mundo e eu... Eu o diabo que lhe atentava o juízo em uma trama carnal, cheia de desejo e paixão. Fui um completo cafajeste por ter te usado daquela maneira, mas ainda assim fui o idiota que se apaixonou perdidamente por ti nos anos em que não a tive.
– E o que? Vai se desculpar e dizer que descobriu me amar quando não me teve ao seu lado? – Ela ironizou e riu debochadamente, mas eu podia ver mais algumas lágrimas se formarem em seus arredondados olhos. – Eu descobri da forma mais dolorosa possível que o amor talvez não exista e que homens como você apenas usam mulheres ingenuas como eu era. Não existia mágica, não existia o felizes para sempre.
- EXISTE SIM E EU ESTOU AQUI PARA TE PROVAR ISSO! — Dei mais um passo em sua direção e Amanda não pode mais recuar pois a parede se encontrava atrás de seu corpo. Ergui minha mão ainda temendo que ela me empurrasse e segurei em sua nuca acariciando-a com as pontas dos meus dedos. Meus olhos em seus olhos, promessas não ditas diante de nós dois.
- Não venha dizer que me ama agora — Ela murmurou tão baixo que mal pude ouvir
- Venho tentando te dizer isso desde que voltou para Nova York.
- Eu voltei para Nova York depois de partir um coração porque você quebrou o meu em tantos pedaços que me tornei incapaz de amar. Eu neguei o pedido de casamento do único homem que me estendeu a mão em todos esses anos, daquele que cuidou de mim e de Emmett, que deu um nome ao meu filho e que esteve ao meu lado.
- Ele esteve porque você me privou de estar. Você não sabe como eu renunciaria a tudo para formar uma família com vocês! Se eu pudesse voltar no tempo, te colocaria em primeiro lugar na minha vida.
- Mas não fez isso naquela época, você não poderia mesmo renunciar às farras por uma vida estável ao meu lado. Mehmet fez isso e eu sequer fui capaz de amá-lo da maneira como te amei.
- Eu sei que ele esteve lá todas as noites em que eu a deixei só e não sabe o quanto me arrependo disso tudo. Não é segredo que eu errei, mas não sou quem eu costumava ser. Quando você disse adeus e me afastou de tudo o que tínhamos... — Respirei fundo — Eu simplesmente me perdi. Eu nunca soube que eu precisava tanto de você como quando te procurei e não te encontrei junto de mim. Eu chorei calado, eu chorei dentro de mim, eu chorei desamparado e tudo porque acreditava que eu nunca mais sentiria seu amor de novo. Qualquer um pode ver a diferença em mim, Amanda. Você mesma viu algum tempo atrás, você se permitiu sentir meus lábios mais uma vez!
- James, para ... — Amanda sussurrou, mas eu estava tão perdido em minhas próprias lágrimas que não conseguia impedir minha boca de proferir o que meu coração guardava.
- Essa diferença em mim é você, Mandy. Eu sinto falta do som da sua voz, do toque da sua pele, de tudo o que nós vivemos. Não posso simplesmente passar outro dia sem seu sorriso!
- Embora você queira e tente, não é você quem pode me curar, James. Seria como tentar impedir a chuva de cair. Tudo que você me deixou foi o passado e um espaço em meu coração que está corroendo aos poucos. Eu não posso aceitar que estou ficando fraca e me deixando levar por esses sentimentos mais uma vez. Quando será a próxima, hun? Me iludi que tudo estava bem e você me apontou como uma vagabunda, renegou Emmett.
- Eu não sabia da verdade! — Me expliquei
- E agora que sabe, alguma coisa muda?
- Nada pode mudar tudo que eu fiz anos atrás.
- Concordo — Ela proferiu friamente
- Mas eu sei que o tempo que passamos separados vai fazer nosso amor mais forte.
- Não pode ser forte uma coisa que me enfraquece. Não consegue enxergar? — Mais lágrimas escorreram por seu lindo rosto e levei meu polegar ao mesmo limpando uma que descia lentamente — Você é como uma tempestade contra uma casa de palha, você me destrói, me persegue como uma sombra. Durante todos esses anos, eu nadei um oceano sem fim e agora que finalmente estou tentando alcançar a porra do final dessa jornada, você vem e tenta ser tudo que eu sempre sonhei.
- Eu sou o que você sempre sonhou, eu me tornei esse homem apenas para te merecer uma única vez. Tenho esperado que essa história mude há muito tempo e estou disposto a arriscar tudo por ti, para te provar que meu amor é verdadeiro.
- Para, James — Ela novamente pediu — Veja, seguir em frente não está funcionando e nunca vai funcionar. Você acendeu o fogo que eu estou queimando, você está ME queimando e tudo que eu posso fazer é proteger isso.
- Proteger? Proteger a quem? Vai partir para proteger Emmett mais uma vez ou continuar mentindo pelo bem do seu orgulho enquanto eu continuo aqui pensando que nós poderíamos ser muito mais do que uma história de amor?
- Não estou mentindo, só estou me segurando na minha fé, tentando manter uma esperança sólida.
- Esperança em que? — Indaguei já me alterando
- Esperança de que um dia vou poder olhar em seus olhos sem me tornar uma vítima do seu amor.
- Não quero te fazer uma vítima, quero te fazer minha mulher.
Minha mão ainda apoiada em sua nuca acariciou-a com ternura, meu polegar roçou em seu lábio inferior entreabrindo-o carinhosamente e deixei meu rosto mais próximo do seu sentindo sua respiração quente em meus poros. Amanda manteve-se parada diante de mim e eu não sabia se ela estava pronta para receber meu carinho como eu estava pronto a oferecê-la. Todavia, não podia simplesmente me acovardar diante da oportunidade de reconquistá-la. Lentamente, envolvi sua cintura com meu braço fazendo nossos corpos se encostarem e finalmente pude tocar sua boca com a mesma delicadeza com a qual tocaria a pétala de uma flor. Seus lábios estavam quentes, úmidos e ao se encontrarem aos meus ganharam uma textura mais aveludada e romântica. Eu os suguei com lentidão explorando cada segundo do nosso contato, sentindo sua língua na minha língua, sua pele se arrepiar sob a palma da minha mão, sua respiração tão próxima da minha. Amanda me afastou aos poucos e foi incapaz de olhar em meus olhos, mesmo que eu procurasse os seus com desespero.
- Eu preciso de distância, Jay. Nada é tão fácil assim, a tristeza é um fardo muito pesado para ser carregado.
- Não estou pedindo que esqueça o mal que lhe fiz, mas me permita carregar esse fardo com você.
- Todo mundo precisa de um tempinho afastados — Ela tentou parecer gentil — A gente precisa também.
- Nós tivemos seis anos!
- E mesmo assim você não deixou de ser o James impulsivo quando foi capaz de me xingar no meio da rua.
- Se eu admitisse isso, você me deixaria fazer as coisas direito? Eu vou recompensar você, lhe prometo.
- James! Não é questão de admitir, caramba!
- Desculpe, não insistirei. — Recuei e voltei a encarar a rua que estava diante de nós — É só que... — Murmurei — Depois de tudo que foi dito e feito, você é apenas a parte de mim que eu não posso perder.
- Você não vai perder — Ouvi sua voz atrás de mim e, surpreendentemente, Amanda me abraçou por trás. Suas pequenas mãos envolvendo-me eram como uma formiguinha abraçando um enorme gigante. Sorri com o momento terno e virei-me para olhá-la mais uma vez. Parecia como no passado, quando ela me abraçava com ternura e eu a olhava de cima reparando em nossa enorme diferença de altura.
- Como não?
- Eu apenas preciso pensar, preciso de um tempo para colocar as coisas em ordem. Agora temos uma verdade diante de nós e um filho que precisa de amor. Vamos nos focar em Emmett e deixar que as coisas aconteçam naturalmente.
- Vai contar a verdade a ele? — Perguntei erguendo uma sobrancelha e Amanda engoliu a seco.
Fale com o autor