Notas iniciais
Olá meninas, há um tempo tive essa ideia antes de dormir e decidi desenvolvê-la transformando na fic a seguir. Espero que gostem! Lembrem-se de comentar, criticar, me xingar e o que for preciso, ok? rs Beijão!

"Mudaram as estações, nada mudou. Mas eu sei que alguma coisa aconteceu, está tudo assim tão diferente. Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era para sempre sem saber que o "para sempre" sempre acaba? Mas nada vai conseguir mudar o que ficou. Quando penso em alguém, só penso em você e ai então estamos bem. Mesmo com tantos motivos para deixar tudo como está, nem desistir e nem tentar, agora tanto faz. Estamos indo de volta para casa."

Voltar para Nova York certamente não era um plano fixo, esperado ou muito menos uma idia corriqueira que se passou automaticamente em minha cabeça. Admito que nos últimos anos a saudade dos meus pais e de Kendall estavam se tornando maiores, no entanto, eu não poderia simplesmente aparecer do nada depois de todo o ocorrido e, por isso, tentei afastar ao máximo essa força que me impulsionava a retornar à minha terra natal. Até que finalmente estou aqui: no aeroporto do Líbano, admirando a janela enquanto espero que o avião decole. Tenho que admitir que para alguém que foge do próprio passado, a frase "o bom filho volta à casa" parece um tanto quanto irônica, mas o que havia de ser feito? Depois do final do meu noivado com Mehmet — o libanês que me acolheu por anos quando tudo parecia perdido — o mais correto era voltar a origem de tudo e me perguntar o por quê. Senti meu coração acelerar assim que a aeronave ganhou velocidade para atingir aos céus. Segurei as minúsculas mãos de Emmett, meu pequeno e maior tesouro, pronta para rasgar as páginas mal escritas da minha história assim como o avião rasgaria as nuvens. Respirei fundo prendendo não apenas o ar como também deixando trancadas dentro de mim todas as mágoas que um dia existiram. Eu estava voltando para casa, voltando para o meu lar.

SEIS ANOS ATRÁS

Minhas mãos tremiam em desespero segurando o teste de gravidez positivo. Céus, isso não poderia acontecer. Meu coração batia em um compasso acelerado e senti um enorme frio atravessar minha espinha notificando o nervosismo pré existente. Merda, a ânsia de vômito voltava mais uma vez agora apoiada pelas borboletas em meu estômago. Tampei a boca em desespero enquanto meus pés percorriam o banheiro da minha suite. "Meus pais vão me matar!", ecoava pela minha cabeça como uma premonição e isso fez com que eu entrasse em parafuso. Como eu poderia contar a James a respeito disso? Sei que fomos um tanto quanto imaturos ao transarmos sem usar proteção, mas eu estava — e estou — tão apaixonada por ele, que me submeteria a qualquer coisa. Sai do banheiro massageando minhas têmporas enquanto tentava encontrar uma solução para o problema. Não que ter um filho fosse um problema, definitivamente ter uma vida dentro de mim era algo que eu não considerava ruim. Toda a questão era ser uma adolescente de dezesseis anos cujo namorado é um mauricinho despreocupado com o futuro, cujos pais são conservadores e o irmão mais velho é extremamente ciumento. AI DEUS! O que Kendall vai fazer? Tenho certeza que vai acabar com a vida de Jay e não posso permitir que o faça. Ouvi algumas batidas na porta e tratei de limpar as lágrimas que molhavam meu rosto um pouco avermelhado. Caminhei até a gaveta mais próxima escondendo o teste e me dirigi à porta abrindo-a. Era meu irmão, ótimo!
– Oi, Ken. — Minha voz demonstrava o embargo evidente
– O que houve? — Ele disse já devidamente preocupado e puxando-me para um abraço assim que adentrou meu quarto. Isso fez com que lágrimas mais persistentes escorressem pela minha pele. — Não me diga que aquele canalha te magoou ou eu...
– Não. — O interrompi — Só estou com ciúme, você sabe como sou. — Menti me desvencilhando dos braços protetores do meu irmão antes que a fraqueza fosse maior que meu sigilo.
– Ciúmes daquele galinha? Eu já te disse que o James não presta. — Vi Kendall bufar enquanto sentava na minha cama apoiando seus Vans imundos sobre minha coberta colorida
– Achei que eram amigos. — Rebati sentando-me ao lado do meu irmão e dando tapas em seus tênis para que os tirasse de cima da minha cama. Ele desceu os pés apoiando-os no chão fazendo antes uma careta para mim.
– E somos! Justamente por isso que não gosto que namorem. Já o vi destruir uma porrada de corações e não quero mesmo que o seu seja o próximo. — Seus olhos castanhos me encaravam de maneira inquietante. — Sem contar que a diferença de idade é enorme, um puto daqueles só procura por sexo.
Engoli a seco desviando meu olhar para qualquer lugar que não fosse os olhos de Kendall.
– Francamente, você tem uma visão tão boa de um dos seus melhores amigos. — Ironizei
– Acredite, eu o conheço melhor que muita gente. Qual é, Amanda, ele tem vinte e um anos!
– E você vinte e três. E daí? Por acaso comeu todas as suas namoradas?
– SIIIIM!- Ele falou dando ênfase e logo em seguida gargalhou divertidamente. Seu braço esquerdo envolveu-me enquanto seus lábios beijavam o topo da minha cabeça. — Promete que não vai deixar aquele viado te fazer mal, Mandy.
– Não me chama assim! — Resmunguei fazendo biquinho e Ken riu anasalando.
– Certo, não chamarei, senhorita Amanda. — Suas mãos despentearam meu cabelo e me permiti sorrir, eu estava em território seguro. — Mas ainda me deve uma promessa!
Eu simplesmente não poderia mentir mais e talvez — quem sabe em um universo paralelo — meu irmão pudesse me ajudar a tornar essa gravidez mais aceitável. Respirei fundo uma, duas, três vezes e tentei proferir o que estava preso em minha garganta:
– Ken, eu...
– Até que enfim achei vocês! — Minha mãe entrou do nada no quarto fazendo-me pular de susto. Acho que o fato de estar temerosa em relação à contar a verdade fez com que eu me sobressaltasse com coisas pequenas. — Amanda, você ainda não se arrumou?
– Já vou mãe, eu estava apenas organizando umas coisas antes de me trocar.
Kendall olhou para mim erguendo uma das sobrancelhas. Meu irmão havia me encontrado chorando e não arrumando algo, sabia que eu estava mentindo, mas pelo menos não sabia em relação a que.
– E você, Kendall? Será que eu tenho que repreender vocês dois várias vezes? Esse jantar é importante para mim! — Mamãe se lamentava como sempre tornando a situação mais dramática do que costumava ser.
– Ok mãe, ok. — Vi meu irmão responder e revirar os olhos assim que se levantou — Nos falamos mais tarde, tá Mandy? — Ele repetiu o apelido que eu tinha quando criança só para provocar e me deu seu melhor sorriso. Eu o amava e não poderia imaginar quão decepcionado ele e meus pais ficariam ao saber das novidades, no entanto, o que também me deixava nervosa era a reação de James.

Tratei de me arrumar o mais depressa possível. Meus pais eram produtores musicais e meu irmão possuía as mesmas aspirações artísticas, mas por enquanto só tirava o tempo livre para ensaiar com meu namorado e dois amigos: Carlos e Logan. Hoje, ao que parece, minha mãe seria convidada importante em um jantar oferecido pelos pais de Carlos. Eles estavam tentando fechar negócio e jamais desperçariam uma oportunidade de bebericar vinhos internacionais para iludirem ambas as partes de que o acordo seria vantajoso. Por isso, todos nós estaríamos reunidos tendo que suportar os mesmos assuntos de sempre, as mesmas conversas sem nexo e esperaríamos ansiosos pela oportunidade de fugir para a casa da piscina e encher a cara com vodka barata. Coloquei um vestido um pouco folgado — eu estava paranóica que percebessem uma barriga que obviamente não existia devido ao fato da descoberta tão recente — e sandálias de salto para alongar minha postura. Fiz uma trança lateral deixando meus cabelos castanhos e extremamente longos caírem como um véu sobre meu corpo. Dei uma última olhada no espelho checando se estava tudo certo e decidi ligar para Jay. Tínhamos combinado que ele viria me buscar por volta das 21h, mas eu precisava conversar pessoalmente com ele antes disso. Insisti algumas vezes e em todas seu celular dava desligado. Perfeito, era só o que me faltava! Peguei a bolsa sobre a cômoda e me certifiquei de que as chaves do carro — que ganhei recentemente — estavam lá dentro. Desci as escadas como um furacão sendo repreendida por meu pai que estava sentado confortavelmente na sala de estar ouvindo Blues e bebendo um Whisky de doze anos.
– Onde vai com tanta pressa? — Seus olhos se desviaram do rádio para mim e fui obrigada a parar poucos metros antes de alcançar a porta, girando em meus calcanhares para observá-lo
– Vou na casa do Jay e de lá vou direto para o jantar, prometo! — Fiz figa com o dedo e dei uma piscadinha tentando ser convincente
– Por favor, Amanda, não se atrase. Sua mãe não vai gostar de ter que participar disso sem todos nós lá!
– Eu sei, pai, não se preocupe. Estarei na casa do Carlos no horário certinho. — Sorri verdadeiramente e mandei-lhe um beijo no ar antes de sair. Talvez tenha sido até bom não ter falado com James pelo telefone, essa conversa precisava mesmo ser tida cara a cara.