Notas iniciais
Amadinhos da titia, completamos três meses de história hoje *-* Pena que não conseguimos chegar aos mil comentários, mas .. rs Eu gostaria de pedir que deixassem um comentário sincero sobre a história e o que mudariam (ou não) nela. Estamos cada vez mais perto do final (não tão perto, mas.. kk) e quero saber o que estão sentindo. Não, eu NÃO estou enrolando a fic :) Saibam ser pacientes, ok? kkk

AMANDA POV:

— Obrigada pela peça teatral, Met, foi maravilhosa — Agradeci gentilmente enquanto saíamos de um teatro no centro.

— Não precisa agradecer, você sabe muito bem que não gosto que esteja triste. — Ele desviou o olhar para mim e pude ver um sorriso de canto bricar em seus lábios. Quando ele deixaria de ser tão encantador?

— Isso vai passar. Acredito que em algum momento James perceberá o que está jogando fora e que está me perdendo.

— A conversa de manhã fora tão ruim assim? — Disse concentrando-se na rua e pude ver sua mão desviar até o câmbio de marcha

— Pior do que possa imaginar.

— Bem que algo me dizia que você não deveria ter passado a noite na porta dele esperando por uma absolvição da qual não precisa.

— Ele já fez isso por mim no passado. — Rebati

— Sim, quando ele errou. Você estava errada dessa vez? Nós só estavamos chegando do aeroporto e Allah sabe que não houve nada.

— Mas Jay estava sendo ciumento e acredito que isso seja natural.

— O que há, Amanda? Por que acredita que ele estava tão certo?

— Porque... Bem, você é meu ex noivo. — Minha frase pareceu um pouco fora de contexto

— Sim, eu sou. E apesar de não estar preparado, já assumi que o lugar que ocupo pertence a James e que em algum momento ele terá que reavê-lo.

— Odeio como ambos me pressionam como se estivessem usurpando um ao outro.

— E não estamos?

— Por favor, não quero discutir sobre isso.

— O que exatamente ele te disse que fez com que estivesse tão distante durante todo o dia? — Questionou quando o carro passou em um quebra molas mais alto fazendo com que eu sentisse frio na barriga. Coisa tola, mas fez com que eu me lembrasse da minha infância e como minha mãe costumava dizer que, conforme eu crescesse, esses calafrios desapareceriam. Lembro que não queria que aquela sensação fosse perdida por nada, eu não poderia imaginar a vida sem as surpresas da gravidade que me fariam cócegas, não poderia imaginar-me sem a alegria que vinha seguida por aquele tiquinho de felicidade que se remexia no meu estômago me fazendo rir. E eu ria, eu era feliz. No entanto, será que eu ainda sabia como sê-lo? Acho que uma boa parte de mim tem se questionado se James não era essa ação da gravidade que me arrancava singelos sorrisos e arrepios, que me levava às alturas e fazia com que eu jamais quisesse descer. O pior era chegar à conclusão que esse distanciamento extinguia minha felicidade como uma torneira aberta pingando sem parar.

— Mehmet, eu já te pedi para não falarmos sobre o que aconteceu. Não consegue enxergar o quanto estou magoada com tudo isso? — Cruzei os braços irritadiça

— Pelo contrário Amanda, a única coisa que enxergo é você triste desde que cheguei. Tenho passado a considerar o quanto minha presença te faz mal.

— Nunca. — Amoleci e deixei que meus braços caíssem ao meu lado — Anjos não fazem mal aos seus protegidos e você sempre me protegeu. — Apoiei minha mão sobre uma das suas no volante e acariciei as costas da mesma

— É, acho que sim — Ele murmurou para si mesmo e fez a curva entrando em uma rua com casas luxuosas

— Você pegou o caminho errado — Apontei assim que viramos

— Ah, droga! Onde tem um retorno por aqui?

— Não sei mesmo, já tem muito tempo que não venho nessa direção. Por que não pede informação a alguém?

— Certo, vamos continuar até acharmos alguém ou uma placa. — Concordou seguindo devagar pela larga rua. Seu pulso direito estava apoiado no volante e ele tamborilhou devagar no mesmo como se estivesse tocando derbake. "Uma vez músico, sempre músico!" , sorri com o pensamento. — Olhe, tem algumas pessoas ali. — Ele apontou para o canto esquerdo

— Espere — Pedi levando minha visão até o outro lado da rua. Forcei meus olhos para enxergar na escuridão, mas minha miopia não facilitava nada — Mehmet, espere.

— O que foi? — Ele perguntou sem entender

— Pare o carro.

— Amanda, o que foi?

— Pare o carro agora.

Pedi soltando imediatamente meu cinto de segurança. Mehmet o parou de pronto sem qualquer noção do que havia despertado meu interesse além de pedirmos informação e eu saí do veículo em disparada. O que meu ex não havia visto — ou percebido — era que James estava sentado no meio-fio e um homem estava a sua frente tentando reanimá-lo.

— Jay? — Questionei correndo até sua direção. — James, o que está fazendo aqui? — Perguntei sem obter respostas. Assim que me aproximei um pouco mais, percebi que o rapaz segurava seu rosto firmemente com uma das mãos e com a outra balançava seu braço chamando-o repetidamente. — Meu Deus, quem é você? O que está fazendo com ele?

— Ele.. Mano, eu não sei. O cara bebeu pra cacete e desmaiou, eu to tentando segurá-lo, mas...

O homem soltou o rosto de James por um momento e sua cabeça pendeu para trás amolecidamente como se estivesse dopado. Os olhos do meu ex namorado estavam fechados e ele parecia não responder a quaisquer sinais.

— James, fala comigo! — Me ajoelhei diante do mesmo segurando seus braços e o sacudindo — Você precisa falar comigo.

— Não vai rolar, viu? Eu perguntei agora pouco o nome dele e ele sequer soube me dizer.

— Jay, abre os olhos! — Pedi desesperadamente e tomei sua cabeça em minhas mãos como o homem fizera minutos atrás — JAMES! — Gritei novamente, mas seu rosto continuou tombando de um lado para outro como se fosse um boneco inanimado. — O que aconteceu com ele? — Indaguei o rapaz que não parecia muito cooperativo.

— Ele estava na festa do Chuck, estava conversando numa boa reclamando de uma mina que o largou ai do nada começou a vomitar e, mano, ele vomitou praticamente a bilis, sabe? — Narrava com criatividade — Eu tentei ajudar, mas ele desmaiou e, puta que pariu, ele é pesado. Não sei o que fazer, ele não acorda!

— Cadê o filho da puta do Chuck? — Me irritei. Por que esse descaso não me surpreendia?

— Tá chapado na piscina.

— Amanda, o que houve? — Mehmet vinha atrás de mim perguntando de maneira exaltada — Allah, é o James?

— É sim. — Mordi minha boca tentando respirar fundo para não me descontrolar — Eu não sei o que fazer, Mehmet. Há quanto tempo ele está desacordado? — Perguntei ao rapaz cujos olhos estavam extremamente avermelhados

— Não sei, tem mais de uma hora.

— E VOCÊ NÃO PENSOU EM LEVÁ-LO A UMA EMERGÊNCIA?

— Oh dona, se eu pegar o carro no estado que eu to, a gente sofre um acidente.

— Puta que pariu! — Xinguei nervosa passando as mãos pelos cabelos desesperada. James moveu-se virando para o lado e cuspiu alguma coisa no chão, acho que ainda estava enjoado. — Jay, Jay, você está acordado?

— Não está não, moça, toda hora ele cospe assim, mas não tem o que vomitar mais. Por que não o leva pra sua casa e cuida dele?

— ELE ESTÁ SEM OS SENTIDOS, COMO VOU LEVÁ-LO PRA MINHA CASA?

— Amanda, vamos levá-lo a um hospital. — Mehmet se pronunciou

— Acha melhor? Eu to perdida, eu... Eu...

— Calma. Vamos levá-lo à emergência mais próxima.

— Certo.

— Acha que consegue colocá-lo de pé? — Meu ex noivo perguntou ao rapaz

— Acredito que sim.

James fora escorado a se levantar enquanto os dois homens o ajudavam a dar pequenos passos. Ele estava descalso, a roupa estava imunda de vômito e sua camisa estava um pouco rasgada na manga. Abri a porta do carro e Mehmet o colocou sentado no banco de trás, mas logo seu corpo tombara deitando-se.

— Eu vou atrás com ele. — Me ofereci sentando-me ao lado do meu ex. Apoiei sua cabeça em meu corpo e devagar passei meus dedos em seu rosto acariciando-o. Merda, James, por que fez isso?

Mehmet seguiu o mais depressa possível para o hospital. Assim que adentramos à emergência, Jay fora colocado em uma cadeira de rodas. Continuei apoiando sua cabeça — que não conseguia ficar parada — enquanto o empurrava pelos corredores até o atendimento inicial. Quando paramos, Met vasculheou seus bolsos em busca da carteira e documentos, por sorte ele não fora furtado. Enquanto o libanês adiantava a ficha, segui com James para a triagem. Sua pressão e taxa de glicose foram medidos, a enfermeira o forçou a falar, mas cada palavra que saía de sua boca era arrastada o bastante. Assim que o médico apareceu, o atendimento fora realizado de maneira completa. Ele me informou que teríamos que mantê-lo tomando soro na veia e que sua glicose havia subido — misteriosamente, já que a quantidade excessiva de álcool pode abaixá-la — chegando a quase 200. Fui questionada se ele era diabético e afirmei veemente que não, Jay sempre tiverá a saúde impecável apesar de todas as merdas que cometeu. Nesse instante o vi tremer e isso me assustou.

— Está tudo bem? — Perguntei receosa

— Sim, ele apenas está com frio. Agora tudo que temos que fazer é esperar que o álcool saia do corpo.

— Vai ficar tudo bem, então?

— Sim, ficará. Leve-o para a sala de medicação e fique com ele, só pode um acompanhante — Ele disse olhando para Mehmet na porta. Meu ex noivo não deixou de acompanhar-me em momento algum.

Seguimos para essa sala e um novo enfermeiro apareceu. Ele tomou o braço de Jay e amarrou com uma borracha para que a veia ficasse mais evidente.

— A senhora pode segurar o outro braço, por favor?

— EU? — Questionei assustada

— Sim. Ele pode se assustar com a dor e tentar puxar a agulha, ajude a segurá-lo.

Concordei e segurei o braço direito de James enquanto o esquerdo fora perfurado. Não tive coragem de vê-lo sofrer qualquer machucado — mesmo que para o seu bem — e apenas o senti mexer-se sutilmente junto à mim relutando contra a dor. O enfermeiro o auxiliou a deitar-se em uma cadeira de repolso na qual permaneceu enquanto o soro fazia efeito. Fora colocado o primeiro, o segundo, o terceiro e ainda assim James não recobrava a consciência. Em meu íntimo, comecei a temer que o pior acontecesse e ao mesmo tempo estava frustrada diante de sua estupidez. Eu confiei em sua mudança e ganho em troca uma noite de bebedeiras e quase um coma alcóolico?

— Jay, mantenha o braço esticado. — Murmurei puxando seu antibraço delicadamente quanto ele o curvou

— Senhora? — O enfermeiro me chamou

— Sim?

— Vamos aplicar mais duas bolsas de soro.

— Mas serão cinco!

— É o melhor que podemos fazer. Se tivesse sido antes, poderia ter sido feita uma lavagem intestinal, mas por enquanto não há outra opção.

— Está bem.

Foram mais alguns minutos agoniantes enquanto a quarta e quinta bolsa se esvaiam até as veias do homem que amava. Nó na garganta, olhos enchendo de águas que não pedi para aparecerem, sentimento de fuga. "Não chora, não chora mesmo, olha pra cima, pro lado, faz essas lágrimas voltarem para o lugar de onde vieram. Engole, engole todo o sentimento e aproveita para fazer esse nó descer de onde está.", ordenei a mim mesma enquanto o olhava acomodar-se na poltrona como um bebê indefeso em posição fetal. "É a primeira vez que não vai chorar, por mais que tenha o maior motivo do mundo" , me aconselhei observando-o. Ele tremeu um pouco mais e eu tirei meu casaco cobrindo-o com carinho, ele poderia não merecer um terço dos meus cuidados, mas ainda assim eu o amava.

— Amanda? — Mehmet apareceu na porta chamando-me e isso tirou-me dos meus devaneios. Me ausentei do quarto indo vê-lo e ele abraçou-me com ternura — Como ele está?

— Apagado, tremendo de frio. Eu estou um pouco assustada, acho que no fundo desacostumei dessa essa versão tão ruim de James.

— Ele só está magoado, tente não levar o dia de hoje tão a sério.

— Mehmet, ele bebeu quantidade o bastante para quase morrer. Se não estivessemos passando por ali, ele provavelmente estaria jogado naquele meio fio sem ninguém para socorrê-lo!

— Mas o que vale é que ajudamos e ele está se recuperando. Eu tomei a liberdade de mexer no telefone dele e encontrei uma ligação perdida de Carlos, retornei e avisei que estavamos no hospital. Ele já estar chegando aqui.

— Ótimo, ele e Los são bem próximos mesmo. Por favor, não vamos alardar Ingrid e Logan, eles já estão ocupados demais com coisas do casamento.

— Não se preocupe, eu nem sei quem são — Ele tentou descontrair e deu-me um beijo no rosto — Se acalme.

— Que horas são? Eu estou perdida.

— Quatro da manhã.

— Kendall deve estar desesperado.

— O avisei que tivemos um imprevisto, acho que ele está pensando algo impuro, mas não quis entrar em detalhes porque sei o quanto sua família não o suporta.

— Obrigada Met, não só por isso, mas também por ter ajudado o James. Qualquer homem teria sido orgulhoso o bastante e o deixado na rua, mas você agiu como o perfeito cavalheiro que sempre foi.

— Jay é um ser humano, Amanda, eu o ajudaria mesmo que fosse meu maior inimigo.

Eu o abracei com força e aproveitei para beijar-lhe a face em gratidão. James poderia surpreender-me das maneiras mais tristes possíveis, mas Mehmet parecia estar sempre presente para fazer o sol se pôr após a tempestade.