Heaven In Your Eyes
47 Breaking Up
Notas iniciais
"Se tudo fosse fácil mandaria a saudade embora, estaria te odiando agora como se fosse fácil apagar você de mim (...) Mas se tiver que me deixar, vai deixando devagar. Deixa eu me acostumar com a sua ausência."
– O que você está fazendo aqui? — Perguntei assustado ao ver Amanda sentada ao lado da minha porta abraçando os joelhos enquanto sua cabeça estava baixa, enterrada nos mesmos.
– Jay! — Ela levantou rapidamente passando as mãos pelos cabelos — Eu tive medo de tocar a campainha e você não atender.
– Não sou infantil, não estou e muito menos irei fugir de você. — Vociferei fechando a porta atrás de mim e guardando as chaves em meu bolso
– Vai sair? — Sua voz pareceu um pouco falhada
– Acho que não está aqui por isso. — A ignorei caminhando até a garagem
– Eu quero conversar contigo a respeito de ontem, pode ser agora ou está muito ocupado?
– Se for possível, prefiro que nós dois não tenhamos essa conversa, Amanda. Já entendi o que aconteceu e acredito que você também, não é mesmo? Não temos por que continuar mentindo um para o outro... Nesse caso, você mentndo para mim.
– Eu não estou mentindo para você.
– É mesmo? Então o seu ex pulou de paraquedas no seu carro, na sua casa e nos seus braços?
– Eu não queria te contar que ele estava vindo porque sabia que reagiria assim.
– Ah então você realmente já sabia dessa vinda? Uau Amanda, me enganou por quanto tempo?
– James, eu não te enganei. — A vi dar alguns passos mais rápidos e parar diante de mim — Olhe dentro dos meus olhos e preste bastante atenção: o que viu ontem foram dois amigos chegando juntos, apenas.
– Uhum. — Concordei sorrindo ironicamente para ela
– Jay, meu amor... — Ela choramingou
– Amanda, eu não vou nem falar sobre a hipótese de traição porque vai ser um assunto muito mais delicado, mas ter seu ex que por sinal finge ser pai do meu filho sob o mesmo teto que você não é aceitável.
– Então é só isso?
– NÃO É SÓ ISSO, PORRA! — Gritei — Eu ia te pedir em casamento, caso sua ficha ainda não tenha caído, e você simplesmente dediciu me deixar plantado porque estava fazendo sabe-se lá o que com o seu ex noivo.
– Eu não estava fazendo nada.
– Isso eu nunca vou saber. — Balancei os ombros em desdém — E mesmo que soubesse não muda o fato de que aquele homem está no meu lugar, morando com a mulher que eu amo, ocupando um espaço na vida dela e do meu filho. Você me substitui muito bem!
– Não estou substituindo, não consegue entender que esse lugar é seu?
– Não, não entendo mesmo. Você protelou o máximo que podia para dar os passos que eu ia dar ontem e quando tentei fazer isso por nós dois o que ganhei em troca? Fui largado plantado como um babaca. Quer saber, Amanda, eu não sou um palhaço! Sei que errei e não vou admitir que use nosso passado como desculpas para tudo. Passei os últimos meses aguentando você jogá-lo na minha cara e não adianta vir com o papo de que "você me traiu antes" porque eu já entendi muito bem! Eu tenho me esforçado todo esse tempo para ser o homem ideal para você, para superar nossos problemas, para reaver o que perdemos e fui atravessado pela novidade de que tinhamos um filho. Você me privou de muitas coisas em relação a ele e ainda assim eu me mantive ao seu lado porque acreditava que poderiamos estar os três juntos, só que, ao contrário de todos meus planejamentos, você decidiu que eu não poderia fazer parte dessa família e agora pega um homem que eu nunca vi na vida e coloca no lugar que é meu por direito? Isso é ridículo!
– Seu por direito? Onde você esteve todo esse tempo, hm?
– Se você tivesse me dito que eu tinha um filho, eu...
– Você o que? — Ela me interrompeu — Você não faria nada! Mehmet foi tão pai de Emmett quanto você pode vir a ser.
– Posso e serei. Eu não estou abrindo mão do meu filho, Amanda, e só para reforçar: eu NUNCA abri mão dele, você fez essa escolha por mim quando ocultou sua gravidez. Só que de você... De você eu estou abrindo mão claramente.
– Você o que?
– É isso que você ouviu — Tentei ser frio — Sequer você mesma consegue saber o que sente. Ora me quer em sua vida e quer uma família, ora deseja que esse lugar seja ocupado pelo homem que esteve nesse espaço durante todos esses anos. Eu não vou ficar nesse jogo, não vou fazer parte de triangulo amoroso algum.
– EU NÃO ESTOU FORMANDO UM TRIANGULO AMOROSO! — Ela gritou
– Não? Diga isso a si mesma. Veja, eu só quero continuar perto do meu filho, então espero que não esteja pretendendo continuar com a brincadeira de casinha com o turco.
– Do que está me ameaçando?
– Eu não estou te ameaçando de coisa alguma, estou deixando claro que meu filho vai saber da real paternidade.
– Você não seria capaz disso!
– Queira você ou não, Emmett tem meu sangue.
– MAS NÃO TEM SEU AFETO!
– Não?
– Não. Você não o criou e pai é quem cria.
– Está insinuando que ele é mais pai do meu filho do que eu? — Perdi a calma e dei um passo a frente
– ESTOU! Você tem todas as oportunidades de ter o amor de Emmett, mas sabe tão bem quanto eu que ainda não o tem. Quer ir até lá e jogar uma bomba na criança? Fique a vontade, isso só fará com que ele corra mais para Mehmet.
– Escute aqui, Amanda, você não jogará meu filho contra mim.
– Eu não tenho essa intenção. Pelo contrário, to aqui tentando resolver tudo.
– Não há o que resolver enquanto você mesma não souber a quem ama, cacete. Sério, eu não tenho mais o que conversar aqui! — Destravei o carro e caminhei em direção ao mesmo. Abri a porta e entrei fechando-a com força sem pouco me importar com o estrondo causado. Recostei minha cabeça no banco respirando fundo e escutei o som de um choro baixo. Olhei para o lado e Amanda passou as mãos rapidamente pelo rosto limpando em pânico as lágrimas antes que eu as visse.
– O que está olhando, hun? — Ela perguntou e eu percebi que a suavidade de sua voz havia desaparecido.
– Você ainda está na minha casa e eu estou de saída.
– Ah, claro, apenas isso.
Amanda pareceu decepcionada e caminhou pelo jardim passando pelo pequeno portão de entrada. Não sei por que, mas de alguma forma isso me fez lembrar quando encontrei Emmett pela primeira vez. Eu e minha mania estúpida de nunca trancá-lo, acho que isso só facilita visitas surpresa. Sorri sentindo que ambos ocupavam meus sentimentos e desci do carro resmungando um "whatever".
– Hey, espere — Pedi indo até ela. Amanda permaneceu em silêncio e encarou-me sem nenhuma expressão, eu não sabia dizer se ela estava esperando que eu falasse ou se estava apenas gritando em sua própria mente. Eu a vi chorar e isso era algo que tinha prometido não fazer, eu a vi de uma maneira diferente e por um momento absurdo tive vontade de puxá-la contra meu corpo e pedir para que não derramasse mais nenhuma lágrima.
– O que quer? — Ela finalmente se pronunciou. Estavamos um de frente para o outro, nossos olhares marejados buscando respostas nas pupilas um do outro e os corações trancados pela dor.
– A gente sempre acha que pode matar uma parte de nós mesmos, mas isso não é verdade, Amanda. Você foi embora achando que me enterraria em Nova York e voltou para cá achando que conseguiria enterrar Mehmet lá no Líbano. Você pode nos enterrar e recomeçar quantas vezes for, pode fingir, pode esconder-se de si mesma e achar que quando está com um o outro simplesmente não faz mais parte da sua vida, mas isso não está certo. Acho que vai chegar um momento em que vai entender que por mais que mate essas partes, elas sempre voltarão e tudo que precisa é aprender a viver com elas e controlar o que sente. Nós dois somos partes da sua vida e você vai ter que fazer uma escolha, seja ela cedo ou tarde. — Ela me olhava seriamente — Eu sei que tem uma parte sua que me ama desesperadamente e eu poderia fazer o possível para que ela viesse a tona, mas não quero fazê-lo, pelo menos não enquanto você própria não sabe mais o que deseja para si. Eu só tenho medo, de verdade, que você sinta falta de tudo que deixou enterrado no Líbano e nós dois sabemos que você sente.
– James... — Ela apenas murmurou creio que se dando conta de que não havia o que ser dito entre nós
– Deixe-me ir, Amanda.
Ela apenas deu um passo para trás como se estivesse me dando licença e eu voltei para o carro dando partida o mais rápido possível. Ela ainda permaneceu em minha casa, mas meu ego e meu orgulho não permitiram que eu olhasse pelo retrovisor buscando seu rosto. Mantive o olhar na estrada e continuei, deixando para trás a mulher que dizia me amar.
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