Heaven In Your Eyes
64 Advice
Notas iniciais
JAMES POV:
Logan estava mais do que nervoso balançando-se de forma inquieta antes de entrarmos na Igreja, ele estava perguntando repetidamente se Ingrid já havia chegado, se a cerimonialista tinha tudo preparado e se o local estava lotado. Eu poderia jurar que ele teria um AVC a qualquer momento, mas Carlos insistiu em apostarmos que ele desmaiaria quando a marcha nupcial começasse a tocar. Ao menos essa fora sua aposta, eu apostei que ele desmaiaria apenas quando Ingrid entrasse. Vamos ver quem ganha, afinal!
Olhei para o meu relógio de pulso conferindo, faltavam vinte minutos ainda para o casamento começar e não havia nenhum sinal da família Conelly. Os únicos padrinhos presentes até então eramos eu, Los e Jessie que faria par com ele. Eu soube que ela era uma conhecida de longa data de Ingrid, uma espécie de amiga de infância que mudou-se para outro país e agora viera exclusivamente para o casamento. Tenho que admitir que admiro esse tipo de amizade que supera barreiras de espaço e tempo para manter o contato e o afeto existente. De alguma forma, acho que sempre mantive dentro de mim o remorso por não ter sido capaz de fazer o mesmo com Kendall, de não ter reavido seu perdão e tentado insistentemente com ele como fiz com Amanda. Ele era meu melhor amigo, estávamos sempre juntos e desde que engatei um relacionamento com sua irmã sabia que estava correndo o risco de destruir tudo, só não me importei que de fato isso acontecesse. Sim, eu era um babaca e tenho isso escrito na minha testa, mas seria gay demais da minha parte assumir que me arrependo e gostaria de reaver o tempo perdido? Que diabos estou falando, afinal? Como se minha mente atraísse sua presença, pude ver meu antigo amigo aproximando-se com uma mulher esguia e extremamente magra ao seu lado. Ela estava com o braço enganchado no dele, ambos caminhavam juntos e eu jamais o havia visto tão feliz. Queria poder chegar mais perto e cumprimentá-lo, saber quem era a responsável por tanta alegria e dar os parabéns caso fosse alguém especial em sua vida, mas permaneci quieto observando a cena. Um pouco atrás estavam o senhor e a senhora Conelly, Kathy deu alguns passos a frente perguntando algo para a mulher de cabelos negros que envergonhada assentiu suavemente com a cabeça. Junto com a avó estava Emmett, os cabelos penteados de maneira alinhada, uma gravatinha amarela combinava com a fita que eu já tinha visto no vestido da daminha e um smoking tão pequeno que faria dele um mini Gentleman.
Assim que me viu, meu filho largou a mão de Kathy e correu ao meu encontro tão rápido que eu fiquei surpreso com sua agilidade. Já era típico esperá-lo de braços abertos para tê-lo em meu colo e eu sabia que ele também já estava habituado a isso. Realizei nosso ritual e assim que o tive junto a mim pude abraçá-lo bem apertado.
— Tio grandão, tio grandão! — Ele disse euforicamente, tão empolgado que eu poderia sentir seu coração explodindo dentro do peito se isso fosse possivel
— Oi, herói — Cumprimentei balançando-o um pouco em meu colo — Eu estava com muita saudade de você, sabia? — Murmurei roubando-lhe um beijo na bochecha
— Eca, titio, não me baba — Vi meu filho passar a mãozinha no rosto limpando-o enquanto uma expressão de nojo ficava nitida em sua face
— Ah está com nojo de mim? Tá com nojo, é? Então eu vou te morder!
Comecei a abrir e fechar minha boca simulando mordidas perto do seu rostinho. Emmett tampou os olhos ao mesmo tempo em que resmungava uma espécie de "sem dodói, sem dodói" em meio a algumas gargalhadas.
— Só não mordo se me contar um segredo — Chantageei
— Segredo? — Ele sussurrou entrando no clima
— Uhum — Aproximei meus lábios do seu ouvido sussurrando com uma mão na frente, Emm parecia entusiasmado com a ideia de termos um segredo — Cadê sua mamãe?
— Pra que quer saber dela? — Cruzou os braços já deixando claro o quanto é ciumento
— Porque ela é madrinha comigo — Me safei!
— Ah bom — Ele esboçou um sorriso aliviado — Ela está com a titia Di, mamãe disse que ela tá maluca, tá doidona! — Seus olhos se arregalaram
— Doidona? — Eu ri ao ouvir seu sotaque forte tentando pronunciar uma gíria — Ela está nervosa porque vai casar com o tio Logan.
— Eu quero casar também, titio.
— Mas você ainda vai namorar muito antes de casar.
— Não quero namorar muito, quero uma marida bem bonita que nem a mamãe.
— Não é marida, é esposa — Corrigi carinhosamente
— Esposa? Mas é feio, o certo é marida.
— Não é não — Retruquei
— A minha é marida — Balançou os ombrinhos
— E se fosse uma bem bonita que nem a daminha? — Joguei um verde e as bochechas do meu filho coraram como dois tomates — Acertei? — Seu rosto foi ficando ainda mais vermelho — BOOOOA GARANHÃO, você quer pegar a daminha! — Falei mais alto cutucando sua barriga
— Para titio — Emmett emburrou-se mais uma vez
— Tudo bem, então não vou mais te ajudar — Assoviei
— Você ia ajudar?
— Eu ia, sabe? — Me fiz de difícil
— Mas como se você não tem namorada?
— Eu tive muitas, mais do que deveria.
— Muitas muitas? — Ele ergueu uma sobrancelha assim como eu fazia. Oh criança para ter os mesmos trejeitos, heim!
— Muitas, mas isso não era bonito. Só que eu posso te ensinar a ter essa!
— Eu não sei — Emmett fez uma carinha séria e colocou a mão no queixo como se estivesse pensando — Mamãe diz que sou um rapazinho muito novo
— Mas pode paquerar um pouquinho. Por que não pega na mão dela quando estiverem entrando?
Emmett franziu a testa curioso, mas logo fomos interrompidos pela presença de Kent.
— Emmett, vamos nos sentar? Sua mãe logo vai chegar. — Ele realizou uma pausa — Boa noite, James.
Sua voz não era cruel como for outrora e isso causou-me estranhamento. Que diabos estava acontecendo?
— Não quero me sentar, tio Jay ta me ajudando. — Emm teimou
— Emmett...
— Que foi vovô?
— Por que chama o James de tio?
— Porque ele é meu titio.
— Olha Kent, eu não me importo — Tentei argumentar já sabendo onde queria chegar
— Mas eu sim e nós dois sabemos o por que. — Ele pegou seu neto do meu colo e eu permaneci incomodado com a maneira que estava... Estava... Me defendendo? — Eu acho que deveria chama-lo apenas de Jay.
— Tá vovô — Um beicinho formou-se em seus lábios
— Ei, Emm, não se preocupe. Você pode me chamar como quiser, está bem?
— Tá bom — Sua voz estava entristecida
— Vamos Emmett, seu tio já vai entrar. Dê tchau para o James.
— Tchau, titio — Ele continuou chamando-me como antes e, quer saber, isso não me incomodava tanto quanto costumava.
— Tchau, Emm.
Esperei que Kent se virasse com Emmett em seu colo e acenei para ele obtendo sua atenção.
— Não esquece da mão! — Falei pausamente e sem som movendo meus lábios devagar para lembra-lo do meu conselho de pai. Meu filho sorriu envergonhado e percebi que ele entendera. Eu não estava incentivando-o a nada errado, mas sim agindo como o pai companheiro que ele sempre precisou ter e isso era gratificante o bastante.
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