Heaven In Your Eyes
59 He belongs to me
Notas iniciais
Meus bebês devoradores de fanfics, como estão? Eu estou aos prantos! Acabei de ler o melhor livro da minha vida (e olha que já li tudo que possam imaginar em vinte anos rs). Juro, passei cerca de quatro capítulos seguidos chorando, em prantos mesmo, ao ponto de soluçar e assustar a família! Aconselho que leiam "Perdida" da Carina Ricci, que livro excelente! MEU DEUS, se alguém tem o dom é essa maravilhosa brasileira *-* As deixo com mais um capítulo e peço que compreendam a necessidade do James em tomar essa atitude. Os amo muitíssimo ♥
JAMES POV:
Vão se foder! Por que eu não consigo me controlar como uma pessoa normal? Ter Emmett diante de mim entregando seu amor tão inocentemente foi a gota que faltava para que meu balde transbordasse — não apenas ele, como meus olhos. Me senti indefeso, pequeno e desarmado, todas as minhas fraquezas de repente ficaram expostas assim como meu orgulho que se recusava a impor-se, fazendo de mim um homem fragilizado. Dizem que o tempo cura todas as feridas, mas a verdade é que quanto mais esse tempo passa, mais a dor parece queimar latente dentro do meu peito. É como se a falta que Emm faz em minha vida — e que eu também fiz na sua indiretamente — nunca desaparecesse. Naquele instante, me questionei se seria capaz de apertar seu pequeno corpo contra o meu e contar-lhe a verdade, se conseguiria olhar em seus olhos tão profundos e puros para assumir que sou seu pai biológico. Mas não, não conseguiria. Em meu âmago imaginei que Emmett já conhecia toda a minha história de amor com sua mãe, que ele dissera aquelas palavras ciente do nosso parentesco e que aquela fora uma maneira de dizer o quanto me amava. Para mim, essa utopia era o necessário para que naquele momento pudesse entregar-me de corpo e alma a aquele pequeno que me pedia candidamente que fosse seu pai. No entanto, bem no fundo, eu tinha completa certeza que esse "quase" ainda não era o suficiente para meu coração que pedia por mais, que necessitava desesperadamente chamá-lo de filho e ouvir sua voz infantil chamando-me de papai. Era pedir muito? Certamente não era. Não quero ser o "titio" para sempre e tenho o direito de participar da educação e criação de Emmett assim como a mãe se sentiu no direito de fugir com nosso pequeno em seu ventre. Merda, deve existir uma lei na qual deva contar pra alguem, não é? Quero dizer, já pensou a quantidade de pais com filhos perdidos por ai? No meu caso as coisas se tornam ainda piores e incoerentes, visto que foram extraviados de mim o meu filho e a mulher que amo. E acaso esteja se perguntando, eu realmente quis dizer extraviado. Como alguém que tem a mala extraviada em um aeroporto e dada a um outro destino — preciso dizer qual foi o "destino"? Exatamente!
Nesse dia, acompanhado pelas lembranças ainda tão presentes e também pelas que nunca conseguirei reconstruir, mais uma vez me vi sentado diante da minha mesa de trabalho. Ao meu lado, havia uma caneca com café forte — o suficiente para me manter acordado uma noite inteira até quando minha imaginação permitisse — e as folhas sempre tão fiéis estavam diante de mim. Não sei se sou antiquado o bastante para alguém nascido na década de oitenta, mas prefiro o contato com as palavras, escrevê-las de fato, sentir a caneta deslizar pelo papel sob meu comando. As vezes tenho a sensação que minha mão não consegue acompanhar a velocidade dos meus pensamentos, mas não perderia por nada a sensação de sentir que de fato estou produzindo cada letra que no final formará uma linda canção. Exausto, percebi que havia perdido outra noite de sono em vão e reabasteci minha caneca com café um pouco mais fraco. Passei o dedo pela borda e imediatamente me recordei de uma lenda absurda na qual algumas pessoas conseguem ver o futuro na borra do café. E o meu? O que revelaria? Gostaria apenas de ter Emmett ao meu lado, isso seria o suficiente. De repente veio uma vontade de chorar, acho que muitos homens reprimiriam essa sensação, mas não consigo ver um motivo para não fazê-lo. Tenho vivido um período de perdas inestimáveis, de danos irreparáveis e dores que não cicatrizarão tão depressa. Deixarei de ser menos homem por assumir que sofro? Não. Eu não sabia porque estava me sentindo assim, afinal, havia recebido das mãos do meu filho uma grande prova de amor. No entanto, não havia nada que tivesse desengatilhado esse sentimento, não havia nada que pudesse comprovar para aquela criança que esse amor é muito mais que apego. "Eu sou seu pai", quero gritar, mas para quem ouvir? Esperei até que o relógio marcasse oito da manhã e, agoniado, desviei o olhar para o celular procurando por qualquer sinal de que Amanda estava viva mesmo que sem lembrar de mim. Apertei os botões como se isso acelerasse respostas que jamais chegariam e por mais dolorido que fosse, entendi: "Eu não era importante o suficiente, não mais.” Que se dane, ela não viria com uma mensagem do tipo "decidi contar a verdade ao Emmett", claro que não. Ciente de que o horário não incomodaria, disquei sem receio mais uma vez para Benjamin Morgan.
— Bom dia, James — Meu padrinho atendeu-me com seu bom humor costumeiro. Como conseguia dar um sorriso de manhã cedo? Eu provavelmente estaria esmurrando o primeiro que me ligasse.
— Oi, Benj. Está podendo falar?
— Estou sim, apenas lendo o jornal pela manhã. Acredito que seja sobre seu filho, não é mesmo?
— Sim, com o dia dos pais tendo passado parece que meu sentimento de tê-lo comigo ficou cada vez maior.
— Ah, James, não acho que esteja tomando a atitude certa — Ele lamentou em um longo suspiro. Procurá-lo dias atrás foi um impulso que tomei e ainda não arrependo. Benjamin, ou Dr. Morgan como é conhecido nos tribunais de NY, além de ser um parente e extremamente confiável, é um excelente advogado da vara de família e sei que conseguiria alcançar meus objetivos em relação a Emmett.
— Você precisaria conhecê-lo para entender, padrinho. — Murmurei encarando o nada — Emmett é doce, apesar de peralta, é esperto, inteligente, carinhoso e tem as melhores tiradas que poderia ver. É o tipo de criança que quebraria o vidro da sua janela jogando bola, usaria o melhor argumento para te convencer a não castigá-lo e ainda assim você gostaria apenas de protegê-lo. Consegue entender?
— Me parece um menino que conheci.
— Está se referindo a mim? — Sorri e meu padrinho apenas acentiu do outro lado da linha — Dizem que ele se parece comigo, mas estive tanto tempo cego que não percebi. Os olhos! Nossa, os olhos são exatamente como os meus, sabia? E as bochechas! Ele sempre as mantem um pouco rosadas, ainda mais quando corre demais.
— Você ama o seu filho, não é mesmo?
— Mais do que tudo nessa vida. As vezes me puno por ter errado com Amanda e em outros momentos me sinto injustiçado por terem arrancado Emmett dos meus braços dessa forma.
— Você tem raiva da Amanda? — Ele questionou em um tom analítico
— Não sei, padrinho, não sei. Acho que estou magoado por ter outro homem em meu lugar! Eu não quero e não vou permitir que Emm continue sendo iludido assim, ele merece a verdade e merece que eu compense todos os anos que nos foram furtados.
— Ainda assim, Jay... — Exitou — Pedir a guarda é um pouco cruel.
— Fiquei sem meu filho por cinco anos, Benj, CINCO ANOS. Amanda merece perdê-lo também!
— Bom, isso é uma decisão sua — Eu o ouvi desistir do outro lado da linha — Já vou entrar com o pedido de reconhecimento de paternidade e assim que conseguirmos, pedirei a guarda.
— Unilateral — Reforcei.
— James, nenhum juíz tem motivos para te dar uma guarda unilateral. Por que diabos quer tanto tirar essa criança da mãe assim?
— O que espera? Que eu aceite uma guarda compartilhada para que ele continue sendo criado pelo libanês?! — Me irritei
— Vamos dar tempo ao tempo, primeiro faremos o DNA e confirmaremos a paternidade. Amanda não se negará a isso.
— E depois?
— Depois seu filho será seu, isso te garanto.
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