Heartbeats
11 Agridoce
Uma luz forte e um pouco quente transpassava as cortinas finas do quarto branco e vermelho de Dianna, do modo em que estava deitada, o sol batia e diretamente em seu rosto causando uma sensação desconfortável de queimadura. A tentativa de se mover fora inútil, ela parecia estar presa e realmente estava, tomando consciência rápido demais do que havia se passado a algumas horas as mãos cautelosas voaram para o braço de Lea em torno da própria cintura, um sorriso fraco e sonolento pareceu brotar em seus lábios enquanto levava as mãos aos olhos esfregando pra tentar ter uma visão melhor.
Lea se mantinha em posição de conchinha, o rosto enterrado na curvatura do pescoço da loira e um dos braços circundados na cintura da mesma; Dianna suspirou com a sensação e logo se viu tentando se soltar dos braços da morena, era ótimo estar entre os braços da diva mais a bexiga estava latejando, a ultima coisa que pretendia era acordar Lea, porem quando pressentiu que se demorasse mais um minuto na cama ela estaria fazendo xixi ali mesmo deu um pulo indo correndo para o banheiro, deixando uma Lea atônita, confusa e sonolenta na cama.
Dez minutos depois e a loira continuava na banheiro, Lea já estava desperta o suficiente e agora estava deitada de barriga pra cima com os braços cruzados frente a barriga, ela não pensava em nada importante, os olhos fixados no teto branco com padrões aleatórios em vermelho, só foi realmente desperta pelo som de água no banheiro. Não demorou a se levantar, até porque a dor de cabeça infernal lhe dava tonturas, cair sentada no chão não era uma opção; Se deteve ante a porta do banheiro se dando conta da própria nudez, um sorriso se abriu imediatamente com as lembranças que lhe assaltavam a mente, procurou num baú frente a cama uma camisola, não tinha, ao contrário havia um robe de seda branco, o pegou o vestindo em seguida indo direto ao banheiro, a porta estava destrancada e antes mesmo de entrar pode ouvir um som distinto vindo de dentro, entrou no maior cuidado, sorriu levemente com a visão de Dianna submersa do pescoço pra baixo no meio de muita espuma deitada confortavelmente em uma banheira gigante e com fones de ouvido, cantarolando uma canção bem baixinho, decidiu não interferir por hora, a voz da loira era uma dádiva que poucos desfrutavam, tomaria nota mais tarde de falar com Ryan para que desse mais musicas a Dianna.
Sem fazer muito barulho Lea pegou a escova de dentes vermelha – que ela julgou ser de Dianna pois ainda estava molhada – pôs a pasta e começou a escovar os dentes, ela não se importava de usar a escova da amiga, e preferiu não pensar qual seria o comentário da garota quanto ao gesto intimo.
— “You’d know how the time flies, Only yesterday was the time of our lives” – Dianna abriu os olhos imediatamente ao escutar uma voz por trás da cantora Adele, e ela sabia exatamente que a voz não viera do iPod. – Lee, me assustou. – Repreendeu com a mão no coração olhando a morena que tinha um sorriso divertido no rosto.
— Desculpe, vi você tão concentrada que eu não resisti. – O sorriso continuou presente nos lábios e Dianna não se privou de retribuir, um silencio confortável recaiu sobre elas antes de ser cortado por Lea. – Tudo bem? – A pergunta tinha vários significados e a loira não soube exatamente a qual a garota se referia até ver um brilho ingênuo nos olhos cor de chocolate.
— Uhun...hm, quer entrar? – A loira perguntou subitamente envergonhada, a morena pareceu não perceber e assentiu tirando o robe e entrando na banheira pela outra ponta, instantaneamente Dianna sentiu o coração apertar e a respiração ficar descompassada, mais lembranças viam a tona na cabeça e pela expressão constrangida da amiga, sabia que lhe passava o mesmo. – Vem aqui. – Pediu abrindo as pernas e a morena deu um sorriso genuíno enquanto engatinhava até a loira se acomodando entre as pernas da mesma, um arrepio correu por toda sua espinha ao sentir os seios e o sexo da loira em suas costas e abaixo do quadril respectivamente.
O silencio confortável voltou a recair sobre as duas garotas, era estranho que se sentissem tão confortáveis uma perto da outra depois da noite que tiveram, as mãos de Dianna se encontravam na cintura de Lea fazendo uma leve caricia, os lábios pregados ao pescoço apenas estavam encostados na pele bronzeada, já a morena traçava padrões aleatórios na coxa esbranquiçada, vez ou outra ela dava um suspiro de prazer ao sentir a respiração quente da loira em seu pescoço. Dianna também soltava vez ou outra um suspiro pesado, se sentia feliz e excitada por proporcionar prazer a garota apenas com sutis movimentos, apesar de não ser hora nem momento para que pudesse se “animar”, nada a impedia de brincar, com os pensamentos sujos foi traçando beijos do lóbulo da orelha até a clavícula ouvindo baixos gemidos em seguida, sorriu satisfeita com o feitio.
— Você não deveria me provocar assim, não acha? – Murmurou rouca inclinando a cabeça para a esquerda para que Dianna tivesse melhor acessibilidade na área do pescoço.
— Você fala como se não gostasse e eu sei que isso não tem um pingo de verdade.
— Ainda me sinto bêbada e eu sei que você também está, posso mentir e você irá acreditar, então tome cuidado. – Lea deu um risinho acompanhado por um leve tapa no braço e um riso mais baixo.
— Eu ainda posso estar bêbada mais não tenho amnésia, até porque duas horas não são suficientes pra eu me ver sem memória.
— Nisso sou obrigada a concordar, as lembranças dessa noite ainda estão vivas, amnésia dessa vez não vai ser problema.
Pela terceira vez o silencio recaiu sobre as garotas, seria perturbador se não fosse por Dianna deixar que alguma melodia qualquer ecoasse pelo banheiro do iPod, não tinham mais o que falar, apenas se permitiram ter aquele momento juntas. O sabonete brincava na mão de Dianna que fazia uma espécie de camada de espuma pastosa na mão, logo o sabonete deslizava na pele da amiga, do começo do pescoço, descendo pelos seios, chegando na barriga e passando pela coxa, não havia malicia, era apenas Dianna ensaboando Lea, ainda que o gesto lhe trouxesse arrepios, a morena gostava de sentir a mão da amiga lhe acariciando os seios. Quase quarenta minutos depois Lea deixou o banheiro com um breve beijo no canto da boca da loira, avisando que já estava com frio e procuraria algo para se cobrir. Nem cinco minutos depois Dianna também saia do banheiro enrolada num roupão vermelho se deparando com Lea que tinha os cabelos molhados e estava coberta pelo mesmo robe que estava a minutos atrás com um cara pensativa.
— Em que pensa? – Dianna perguntou parada enfrente a Lea.
— Em nós, eu sei que esse tipo de conversa não é nem um pouco agradável, mais eu realmente preciso saber o que vai acontecer daqui pra frente.
Dianna respirou muito fundo esfregando a testa, sinal de nervosismo, os olhos viajavam por todo o quarto e quando por fim recaíram sobre a morena, pronta pra começar a falar, um som conhecido ecoou pelo quarto, Dianna se apressou a procurar o celular atendendo antes que Summer Love entrasse na segunda estrofe.
— “Alo?” – Atendeu ofegante, fazendo um sinal para que Lea esperasse.
— “Tava correndo uma maratona as 6:45 da manhã baby?”
— “Alex? Porque ta me ligando?” – Os olhos de Dianna estavam levemente arregalados olhando uma Lea que bufava impaciente.
— “Porque eu não ligaria? Ontem não falei com você, e onde você está afinal? Liguei no apartamento e ninguém atendeu.”
— “Por favor pare de responder com outras perguntas.”
— “Acordou de mau humor? Onde você está Dianna? Responda.”
— “Na casa dos meus pais.”
— “O que? Porque não me avisou? Eu queria ter ido e não diga que pensou que eu estava ocupado porque eu te falei que estaria livre, e você deveria estar gravando.”
— “Ryan nos liberou, volto ainda hoje.” – Dianna andava de um lado pro outro praguejando algumas palavras mudas.
— “Porque não me levou junto Dianna?”
— “O pessoal do elenco está aqui comigo e você sabe que meus pais não vão com a sua cara, porque eu iria te chamar? Da ultima vez você aprontou um escândalo." – Murmurou irritada, Lea arqueou a sobrancelha caindo de costas no colchão.
— “Tudo bem...tudo bem, eu te perdôo.” – Dianna quase podia ver Alex com o sorrisinho presunçoso que ele carregava 24 horas por dia no rosto. – “Te vejo amanhã então?”
— “Não sei Alex, depende de como irão as gravações.....farei o possível pra te ver amanhã.” – Se apressou em acrescentar antes de ouvir mais reclamações.
— “Tudo bem baby, então até amanhã, amo você docinho”. – A voz saíra melosa e Dianna precisou de controle-auto-respiração para que a sensação de vomito não viesse.
— Ééé, eu também, até. – E desligou jogando o aparelho em qualquer canto. – Desculpe por isso. – Murmurou constrangida olhando a morena que tinha o braço por cima dos olhos.
— Tudo bem. – murmurou sem vontade, se levantando em seguida encarando a loira.
— Ainda que conversar?
— Sim.
— Ok....eu..na verdade eu não sei por onde começar. – Dianna murmurou sem graça sem olhar a morena. – Le..eu também não sei o que acontecerá dessa porta pra fora, mais eu sei que não me arrependo de nada do que fiz e senti essa noite, mais da porta pra fora eu não sei o que acontecerá.
— E o que somos da porta pra dentro? – Lea perguntou arqueando a sobrancelha, tanto tempo com Dianna e ambas já partilhavam de alguns gestos, a loira sorriu se aproximando e ficando entre as pernas da morena para em seguida colocar os cabelos escuros ainda molhados para trás da orelha.
— Que te parece de...amigas com direitos? – Um sorriso genuíno brotou nos lábios de Lea, a morena pegou numa das mão de Dianna e plantou um doce beijo na palma da mesma.
— Me parece uma solução pacifica para ambas as partes. – Respondeu zombeteira caindo na risada juntamente com a loira. – Apenas da porta pra dentro?........ É que não nos resta muito tempo, não vamos passar o resto das horas enfurnadas no quarto. – Se apressou em acrescentar antes que Dianna pensasse outra coisa, mais o nervosismo só pareceu piorar ao que ela se viu baixando a cabeça muito sem graça.
— Tudo bem, depois do que passamos seria tortura não ficarmos pelo menos um pouquinho juntas. – Sorriu doce, o sorriso preferido de Lea. – Só tomaremos cuidado para que não nos pegue, não quero nem pensar o que meus pais pensariam se me vissem de agarramentos com você, eles são do tempo em que esse tipo de coisa é pecado, por isso coloquei Naya e Heather separadas, só não pude acobertar o Chris, mais minha mãe também não perguntou.
— Tudo bem, não me importo com isso, só quero poder ficar mais um tempinho com você....hm, e por falar nas duas, o que ta rolando? – A pergunta soou desconfiada, Dianna e Naya eram muito amigas e a loira provavelmente sabia de algo.
— Naya tem alguns problemas, mais ela vai resolver, agora será que minha amiga com direitos pode entrar em ação? – Piscou sorrindo divertida.
— Claro, até porque daqui a pouco não será direito e sim dever. – A risada fora calada pelo beijo suave de Dianna, um beijo que ainda não haviam trocado, agora era o momento em que podiam se provar, experimentar cada canto da boca uma da outra, e a sensação era terrivelmente viciante, como um ciclo que vicia, um ciclo que parecia não acabar.
— Lise? Ta acordada filha? – Uma voz familiar transpassou pela porta de mogno escura fazendo as duas garotas – que agora estavam deitadas na cama trocando carinhos – saltarem de um pulo, se olhavam horrorizadas. – Dianna, já acordou meu bem?
— Já sim mamãe, eu já abro, um minuto. – Dianna falou mais alto e as batidas na porta cessaram. – Vai pro banheiro e finge que ta tomando banho. – Falou baixinho para que apenas a morena escutasse; Lea fez o que Dianna pediu e se fechou no banheiro colando o ouvido na porta. – Oi mãe, hm...bom dia.
— Bom dia querida! Tudo bem, você demorou a atender, o que fazia? – Mary a bombardeou de perguntas assim que a porta fora aberta, a loira mais velha observava a filha meticulosamente.
— Nada mãe, acabei de sair do banho, vê, cabelo úmido. – Respondeu nervosamente, pegando uma mexa de cabelo entre as mãos, Lea que escutava do banheiro sufocou uma gargalhada, sua amiga realmente era uma péssima mentirosa.
— Sei, cadê sua amiga loira? Me esqueci do nome dela. – A ultima parte Mary baixou o tom de voz, não sabia se a menina ainda dormia.
— No banheiro, deve estar tomando banho, é....o que a senhora queria mesmo?
— Óhh sim, o café da manhã já está na mesa, gostaria que acordasse seus amigos, até agora quem levantou foi apenas aquelas duas morenas, se não me engano se chamam Amber e Naya certo? – Dianna assentiu. – E aquele garoto alto, deus, me senti menos que um grão de areia perto daquele menino.
— Cory mommy, já vou indo acordá-los, só vou colocar uma roupa, logo desço pra cozinha. – Dianna sorriu sem graça, não queria chegar muito perto da mãe para que não sentisse cheiro de bebida.
— Tudo bem Lise, só não demore hein. – A loira assentiu fechando a porta em seguida, ao escutar o barulho de porta sendo fechada Lea saiu do banheiro rindo com lagrima nos olhos.
— Precisa melhorar nessas suas mentiras Lise querida. — Comentou debochada rindo em seguida dando um estalado beijo na bochecha rubra da loira.
— Não comece Sarfati. – Exclamou com um bico enorme, ganhando um selinho em compensação. – Hey, escute, eu vou trocar de roupa e sair acordando o resto dos gleeks, vou pedir pra Heather passar aqui, mamãe não sabe que você dormiu aqui e o casal HeYa deve ter passado a noite juntas, só pra evitar falação, tudo bem? – Terminou pegando algumas roupas se dirigindo ao banheiro.
— Sim, sem problemas....ah e a propósito, não há nada que você esteja escondendo que eu já não tenha visto. – Soltou um riso divertido ouvindo um “cale a boca Berry” logo em seguida.
Pouco tempo depois, devidamente vestida com um vestido floral, tiara branca na cabeça e sapatilha nos pés Dianna saiu indo acordar o resto dos amigos – não antes de um beijo decente que a morena fez questão de receber – bateu em todos os quartos recebendo reclamações de quase todos, seguindo direto para o jardim onde o café-da-manhã deveria estar sendo servido, logo após a porta da cozinha Dianna encontrou Naya escorada numa pilastra.
— Nay, ainda não foi tomar café? – Perguntou sorrindo parando frente a amiga que devolveu com um sorriso fraco. – O que foi?
— Mark e Heather. – Respondeu caminhando com a loira para outro lado da enorme propriedade.
— Pensei que estivesse tudo bem, principalmente com você e a HeMo, nem no quarto ela apareceu hoje. – A confusão pairava sobre sua cabeça, ao ver os olhos levemente inchados e vermelhos da latina, Dianna não teve outra reação ao abraçar a amiga muito forte.
— Não dormi com ela Di, passei a noite com o Mark. – Proferiu caindo em prantos nos braços da loira.
— O que? Nay eu pensei que.... – A loira se auto-interrompeu de falar sabendo que a latina só precisava de um abraço forte, mais tarde elas conversariam, teriam muito tempo.
O dia se arrastava no sitio e logo já era hora de partirem; Ainda tiveram tempo de ir ao riacho uma ultima vez e logo voltaram terminando de arrumar as respectivas malas. Dianna acabou não vendo o pai que ainda não havia voltado de uma expedição de cavalos e com muita tristeza se despediu da mãe, o resto dos gleeks se despediram da Sra. Agron prometendo que voltariam outra vez. A viagem de volta pra casa não foi a mesma, a começar pela separação dos carros já que Heather se recusava a ir com Naya, a latina também não queria ir com Mark porem acabou cedendo desde que Lea também estivesse no mesmo carro, o que gerou mais conflitos já que a morena queria passar os últimos instantes da “amizade com benefícios” ao lado de Dianna. Depois de muita discussão a loira convenceu Lea a ir no carro de Mark com Naya e Heather ficaria no carro com Dianna, Chris e Amber. Nos dois carros o clima era pesado e conversas sobre qualquer assunto se tornou dispensável, claro que Chris, Amber e Cory perceberam, Heather de cara fechada, Naya tinha uma expressão que despertava pena em qualquer um, tinha remorso, Lea não parava com a perna quieta, ansiedade; Dianna estava severamente calada, não brincou, não riu, tampouco olhou para o lado sequer, silencio; E por fim Mark que tinha uma expressão feliz porem confusa, preocupação.
Entraram na cidade era pouco mais de 21h00min, Dianna e Mark deixaram os amigos em suas casas e por fim se encontraram na de Mark onde Lea passara para o carro da amiga. O caminho até a casa das garotas também não fora dos melhores, por conta dos problemas não voltaram a se tocar desde a hora antes do café-da-manhã e agora ambas se sentiam acuadas para falar qualquer coisa.
— Deus, eu to um caco. – Dianna comentou ao abrir a porta do apartamento e jogar a mala em qualquer canto, perfurando o silencio ao qual se encontravam.
— Ainda me sinto bêbada. – Suspirou muito fundo se sentando no menor do par de sofás na sala.
— A dor de cabeça ainda não passou?
— Não completamente, parece que um elefante correu uma maratona na minha cabeça. – Choramingou enquanto fazia uma leve massagem sobre as têmporas.
— Quer que eu faça um chá de camomila? – Dianna perguntou preocupada se aproximando de Lea.
Oh, Lea definitivamente queria algo, mais chá era a ultima coisa que ela queria.
— Não, acho que eu preciso dormir, amanhã o dia vai ser cheio. – Deu um sorriso muito fraco, o mesmo retribuído pela loira de forma mais reconfortante.
— Certo, se precisar de algo só você falar, eu vou tomar um banho e ir dormir, tudo bem?
— Sim, tudo bem, também já vou indo, boa noite. – Desejou segurando-lhe as mãos.
— Boa noite. – Sorriu outra vez se virando indo direto para o quarto, a morena que ainda estava deitada confortavelmente no sofá suspirou resignada.
É, nada seria como antes, o abraço trocado antes de dormir já não mais apareceriam ao que se podia ver. A mistura agridoce dos cheiros já não as inebriariam por mais alguns segundos e o conforto dos olhares doces talvez já não existissem; Arrependimentos também não existiam, mais cada rumo que se toma na vida tem uma conseqüência, cabe a seu ponto de vista decidir se a conseqüência é boa ou ruim, no caso das duas garotas, elas definitivamente não sabiam.
Lea acordou no meio da noite sentindo algo, ou alguém, se remexer em sua cama, abriu lentamente os olhos para que pudesse verificar o relógio azul fluorescente, os ponteios marcavam 1:30 da manhã, suspirou levemente ao sentir um cheiro especifico que nesse momento lhe lembrava a talco de bebê.
— Di? – Murmurou sonolenta se aconchegando nos braços da garota.
— Hm? Te acordei? Desculpe, volte a dormir.
— O que faz aqui? – Tornou a perguntar acariciando o braço da garota, mesmo no escuro pode senti-la se arrepiar fazendo um sorriso baixo crescer.
— Não consegui dormir. – Pela voz da loira ela também estava sonolenta....e talvez envergonhada.
— E veio parar aqui por?
— Não cumpri minha promessa. – Esclareceu se agarrando mais a morena, era como se a qualquer segundo ela simplesmente fosse desaparecer.
Nada mais precisou ser dito, Lea sabia exatamente ao que Dianna se referiu, por isso quando se virou nos braços da amiga para depositar um doce beijo em seus lábios a loira não se afastou, bem ou mal aquela noite era o ultimo momento em que lhes restava para ficar juntas, e um único beijo foi o suficiente para que pudesse por fim dormir tranquilamente, não antes de a loira pronunciar um baixo “obrigado” de forma grogue mais plausível de ser entendido.
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