Heartbeats

12 Bom e velho conforto


— E corta. – A voz grossa de Brad foi ouvida nos auto-falantes dizendo claramente que as gravações do ultimo episódio da 1° temporada de Glee haviam finalmente acabado. – Dianna, parabéns, você foi incrível, nunca vi alguém interpretar ter um filho tão bem quanto você fez. – Sorriu orgulhoso se direcionando a loira que se levantava da cama de hospital onde passara os últimos 40 minutos.

— Obrigada, achei que não fosse conseguir, definitivamente foi a coisa mais difícil que já tive de fazer. – Sorriu enquanto Brad lhe abraçava fortemente.

— Pois conseguiu e foi brilhante, agora vá descansar, aposto que está cansada, dê graças por gravarmos o ultimo momento do capitulo antes e a cena do nascimento da filha de Quinn ter sido a ultima. – Riu enquanto abanava ao longe indo de encontro onde um dos câmeras o chamava.

— Hey Barbie, precisa de carona? – Amber que também fazia parte da cena se aproximou juntamente com Mark.

— Acho que não vou precisar não, Naya ainda está aqui não está? – Amber assentiu. – Eu vou com ela então, não se preocupe.

— Tudo bem, então já vou indo, eu só vou trocar de roupa e agente vai ok? – Se direcionou a Mark que assentiu em seguida.

— Di. – Mark começou voltando seu olhar a garota loira ainda com vestes de hospital. – Acho que Naya já te falou o que aconteceu. – Comentou coçando a nuca muito com o semblante envergonhado. – Ela te disse algo? Ela voltou estranha, toda vez que tento falar com ela, ela se esquiva, não saiu do lado da Jenna hoje e preferiu vir com o próprio carro hoje do que aceitar carona da Amber, ela te falou algo? – A esperança brilhava em seus olhos, brilho que pouco a pouco foi ficando fosco ao olhar a expressão que Dianna fazia.

— Mark eu te adoro mais não me peça pra te dizer nada. Eu sei sim que vocês bem....ficaram juntos la no sitio, apenas isso, ainda não tive como falar com ela, por isso mesmo é que vou pedir carona, pra que ela me conte o que está acontecendo mais da um tempo pra ela, ela vai te procurar ok. – A loira terminou de falar dando um abraço no amigo que despejou um obrigado em seu ouvido se afastando indo de encontro a Amber, os dois antes de saírem ainda lhe desejaram um “Parabéns pela cena” logo indo embora enquanto ela mesma se encaminhava para um camarim improvisado pra que pudesse se trocar.

— Hey, estou pronta, vamos? – Dianna anunciou assim que abriu a porta do Vectra de Naya, a latina tinha a cabeça abaixada contra o volante, porem logo a reergueu ao notar a presença da amiga e dando partida no carro. – Mark veio me procurar agora a pouco, queria saber se você tinha me dito algo, o porque de estar o ignorando. – A fala era cautelosa e Dianna escolhia com cuidado as palavras para usar, a latina lhe olhou com culpa. – Sabe que não pode ficar fugindo dele e nem da HeMo.

— Eu sei, mais o que eu faço? E eu não estou fugindo da Heather Dianna, ontem depois que agente chegou liguei pra ela varias vezes, ela que recusou todas as minhas chamadas. Hoje de manhã ela mal olhou na minha cara.

— Nem na minha. – Naya a olhou questionadora e ela explicou. – Como você disse aquele dia no café eu e você somos muito amigas, Heather sabe que eu a adoro mais ficaria do seu lado fosse o que fosse, e eu realmente fico, mais entender é algo que eu já desisti.

— Ela é incrível, e desde que começamos a ter algo a mais eu disse que não queria compromisso e ela aceitou, ficou tudo bem até o Mark aparecer, tem quase 1 mês que ele fica me provocando, eu meio que senti vontade de ficar com ele, principalmente depois que a Heather cantou aquela musica na festa da cidade, só o fato de que ela possa sentir coisas mais fortes por mim me apavora. – A ultima parte foi dita num murmuro e Dianna não hesitou em apertar a mão da amiga, um sutil sorriso aparecendo nos lábios da latina.

— Você devia ter falado com ela sobre isso Nay, HeMo é forte até certo ponto, de algum jeito você é o ponto fraco dela, durante todo o caminho ela se manteve quieta.

— Eu sei, o clima tava péssimo, não desviei o olhar da Lea nem por um segundo, arrumava qualquer assunto pra que eu não tivesse que olhar pra cara do Mark. – Naya comentou sem propósito mais não deixou de notar a sobrancelha arqueada da loira. – E você e a Sarfati?

— Desde quando o assunto virou eu e Lea?

— Desde que eu notei sua sobrancelha arqueada quando eu toquei no nome dela, e não pense que me esqueci do que eu vi não, Lea buscando bebida e você olhando as horas? Juntas do jeito que estavam, ela tava branca que nem um papel e você quase matou a mim e ao Cory com aquele seu olhar gélido, ele que nem desconfia e não percebeu nada. – Gesticulava enquanto falava, um sorrisinho crescendo na boca ao ver Dianna corada.

— Ok, eu te conto, eu preciso mesmo desabafar com alguém.

— Você tem 5 minutos. – Apontando para a rua, já quase chegavam no apartamento da loira.

— Agente se beijou, íamos nos beijar de novo quando você e Cory chegaram atrapalhando tudo e quando agente chegou no quarto, eu e ela transamos, fim. – Soltou com uma naturalidade fingida.

Naya freou tão bruscamente que o carro quase rodopiou, sorte foi Dianna quem pegou no volante já esperando uma reação daquelas.

— COMO É? – A latina perguntou de olhos arregalados enquanto dirigia mais vagarosamente ainda.

— Ainda estou nova pra morrer, obrigada. – Uma careta ganhou a face de Dianna seguido do eco de um suspiro que a loira soltou ao ver Naya arqueando uma sobrancelha. – A história é muito longa, eu nem sequer tive tempo pra pensar que eu fiz sexo com uma garota, então agente pode falar sobre isso amanhã, por favor? – A loira a olhou suplicante e a latina só fez assentir.

— Hm....Di, você não acha que pega pesado ao falar sexo ou simplesmente falar que você e Lea transaram, assim, nessa frieza toda? Vocês são amigas, esperava que ao menos você falasse palavras mais sutis como dormimos juntas, passei a noite com ela ou fizemos...

— Amor? – Dianna perguntou seca e Naya engoliu em seco com a frieza nos olhos da amiga. – Amor agente só se faz com quem agente ama, eu não amo a Lea, pelo menos não desse jeito. – A conversa estacou assim como o carro que parava enfrente a um luxuoso prédio, ficaram caladas por alguns segundos até Dianna voltar a falar desprendendo o cinto de segurança. – Você ama a Heather Naya? – A garota a olhou e quando havia formulado a resposta Dianna se adiantou. – Não trate sexo por amor se não existe. – E em seguida abriu a porta do carro e antes que se dirigisse a portaria Naya a chamou de volta. – Hm?

— Como foi a cena hoje? – Perguntou assim que a loira apareceu na janela.

— No momento eu quero matar o Ryan, portanto se quando você sair daqui ele estiver passando na rua me faça esse favor. Nos vemos amanhã, beijos gata. – Dianna sorriu antes de lhe soprar um beijo indo direto a portaria, Naya também sorriu com o que Dianna disse e saiu cantando pneu em direção a própria casa.

— Dianna, é você? – Uma voz inconfundível soou alto dentro do apartamento e logo a cabeleira castanha se materializou na sala.

— Sim, acabei de chegar. – O sobre-tudo que a agasalhava foi parar de qualquer jeito em cima de uma sofá, e Dianna do mesmo jeito foi parar deitada no outro.

— O que houve? Ta abatida e....Di, ta chorando? O que aconteceu? – Lea se preocupou ao ouvir um soluço escapado do fundo da garganta da loira e logo se preocupou se sentando no chão ao lado do sofá, os olhos de Dianna estavam cheios de lágrima e Lea viu que ela lutava bravamente pra conter todas elas.

— Eu acho que eu quero ser mãe. – As lagrimas não mais se prendiam na garganta da loira. Estava claro, ela só precisava dizer para que por fim as gotículas salgadas, amargas, descessem lhe cortando a face. – Aquela cena foi insuportável....quando começaram a insinuar que retirariam o bebê de mim eu pensei que não fosse agüentar.

— Di...vem aqui, vem. – Lea pediu com a boca e com os olhos, logo o corpo de Dianna estava tremulo nos braços da morena, Dianna chorava tão compulsivamente que a mente da morena trabalhava a todo vapor pensando em algo que a confortaria.

Mama who bore me
Mama who gave me
Mama, the angels
Who made me so sad

A canção saia apenas num sussurro da boca de Lea, cada vibração do corpo da garota fazia com que os tremores de Dianna diminuíssem pouco a pouco.

Mama, the weeping
Mama, the angels
No sleep in Heaven, or Bethlehem

Some pray that one day
Christ will come a'-callin'
They light a candle
And hope that it glows
And some just lie there
Crying for him to come and find them
But when he comes they don't know how to go

As lagrimas que antes banhavam o rosto de Dianna haviam parado de cair deixando somente um rastro de fogo pelas bochechas de marfim. Os soluços aos poucos eram enfraquecidos a medida que Lea sussurrava as ultimas palavras da musica, assim como devagar ia cessando os movimentos dos dedos pelas mexas loiras da amiga.

Mama, the weeping
Mama, the angels
No sleep in Heaven, or Bethlehem

— Sabe qual é o melhor cheiro do mundo? – Dianna não esperava que viesse resposta, e ela realmente não veio. – Quando eu era pequena e meu tio estava na cidade, eu, Jason, mamãe e ele saímos pra jantar, o papai não foi porque estava no hotel. Meu tio levou agente pra comer fora, comemos, conversamos, e enquanto meu tio pagava a conta, quando saímos pra fora do restaurante eu...simplesmente abracei minha mãe, e ela me abraçou de volta. – Lea quase podia ver os olhos da loira brilharem, parecia lembrar exatamente daquele momento. – E então eu senti o cheiro dela, me deu uma sensação de paz incrível, como se eu pudesse passar o resto da minha vida nos braços dela, só sentindo aquele cheiro. Não durou mais que dois minutos, Jason resolveu estragar meu momento com a minha mãe e me tiro dos braços dela, fiquei 2 meses sem falar com ele.

— 2 meses? Jura? – Lea perguntou com um sorriso divertido nos olhos, Dianna levantou do colo da amiga e lhe olhou com divertimento.

— Ninguém sabia porque eu não falava mais com ele, ele não podia nem olhar pra mim que nós começávamos a brigar. Depois de um tempo agente fez as pazes, mais até hoje eu não o perdôo. – Dianna riu com a lembrança, a nostalgia apertava forte dentro dela, e de novo o brilho foi se apagando.

— Melhor? – A morena perguntou com uma leve caricia na bochecha.

— Sim, a cena foi pesada pra mim, mais logo isso passa.- Sorriu fracamente desfrutando do carinho.

— Ok, vem. – Pediu batendo nas próprias pernas ao sentar-se no sofá, Dianna sorriu doce deitando com a cabeça no colo de Lea. – Ta passando um daqueles filmes de terror que você gosta. – Murmurou com uma das mãos fazendo um delicioso cafuné nos cabelos loiros e a outra tinha o controle da televisão, colocando no canal onde passaria o filme.

— Você detesta esses filmes.

— Quero te fazer companhia, se lembre disso porque quando eu cobrar o favor não adianta reclamar. – Um riso baixo escapou da boca de ambas e a morena ganhou uma mordida leve na barriga.

A noite no apartamento acabou como outra qualquer, duas amigas assistindo um filme na sala, chocolate quente na mesinha de centro, mãos, cafunés, risadas, gritos de pavor, sustos e brincadeiras, no final da noite enquanto se despediam indo para seus quartos o típico abraço de todas as noites estava ali, meio desconcertado, meio tímido, mais estava, menta e chocolate foram as ultimas coisas que cada uma viu antes de se perderem num mar de sonhos.