He Doesn't Like The Lights

47 #47 - Conversa de irmãos


Notas iniciais
Oiii, eu sei que eu demorei, peço desculpas, apenas saibam que essa semana teremos 3 capítulos. Um hoje, um quarta ou quinta e um no domingo ♥ Boa leitura! ♥

#47

Conversa de irmãos

— Thomas. – Quinn disse afoita, levantando apressadamente e fitando os olhos abertos do irmão. – Ah, meu Deus, você acordou. Eu vou chamar a enfermeira.

Thomas nem teve tempo de dizer alguma coisa, pois no momento em que tentou, sua voz pareceu falhar e logo em seguida vários médicos e enfermeiros cercaram sua maca e logo ele já estava dormindo novamente, porém consciente dessa vez.

Acordou-se só três horas mais tarde, um pouco mais calmo, mais tranquilo e até mais sociável. Quinn permanecia ao seu lado, profundas olheiras eram bem visíveis em seus olhos.

— Precisamos conversar, meu irmão. – Começou Quinn. – Sei que deve estar se sentindo cansado por ter ficado muito tempo na mesma posição e tudo o mais, mas preciso mesmo te perguntar uma coisa.

— Pergunta. – Thomas deu de ombros, tentando inutilmente se ajeitar sozinho na cama.

— O que você tinha ido fazer naquele dia na casa de Kurt e Blaine?

— Eu tinha ido contar a eles a verdade. – Confessou ele. – Eu ia mesmo falar a verdade, mas Blaine não deixou e ainda me bateu, então Kurt apareceu, agarrou Blaine e eu me irritei. Eu só... eu fiquei irritado, eu perdi o homem que eu amo por ter sido um idiota e agora estou pagando por ter sido um grande imbecil.

— Pelo menos você se arrepende. – Ponderou a Fabray.

— É óbvio que sim. – Confirmou Thomas. – Mas eu não consegui falar a verdade. Nada aconteceu, Quinn. Eu estraguei o relacionamento deles para nada.

— Então você precisa contar a verdade. Olha, eles já estão novamente se falando e estão juntos de novo, Blaine até veio te ver, mas eles merecem saber a verdade.

— Você me consegue uma folha e uma caneta? Eu vou escrever uma carta para Kurt.

— Não é melhor que escreva para Blaine? – Quinn perguntou enquanto já procurava uma folha em sua agenda e uma caneta, ambas dentro de sua bolsa.

— Blaine sente tanta raiva de mim que é capaz de rasgar a carta antes de dar uma chance e ler. Kurt não vai fazer isso.

Quinn apenas assentiu, entregando a folha e a caneta para o irmão. Thomas se botou a escrever, dizendo ali seus verdadeiros sentimentos e contando o que aconteceu naquela noite e, na verdade, não aconteceu nada e era justamente sobre isso que ele estava escrevendo.

— Sabe, Quinn... – Começou Thomas depois de um tempo. – Eu quero ver eles felizes... eu não esperava que fosse querer isso, mas eu quero. Eu amo Blaine há muito tempo e sei que vou continuar amando, mas eu preciso seguir em frente e o começo disso é essa carta que vai mudar tudo, ou pelo menos vai tirar de mim a culpa que eu sinto. Eu só quero ver ele bem e feliz, só isso...

— Eu faço questão de entregar essa carta, meu amor, não se preocupa.

[...]

— Como estão os bebês mais amores desse mundo? – Sebastian chegou na casa de Kurt e Blaine e se deparou com a mais bela cena possível.

Kurt estava agachado no chão e Blaine estava alguns passos de distância dele. Kurt segurava Alice pela cintura e a mesma tentava a todo custo dar seus primeiros passinhos. Obviamente não conseguia sozinha ainda, mas com a ajuda dos pais estava rindo sem parar enquanto colocava uma perna na frente da outra e dava seus resmungos que no futuro seriam palavras decifráveis.

— Ah, que cena mais linda. – Sebastian quase teve um ataque ao ver os afilhados, que estavam tão perto do seu primeiro aninho, daquela maneira. Theodore estava nos braços de Blaine e também estava tentando dar seus passinhos.

Acabou que as duas crianças foram para o chão tentar engatinhar, mas sob a proteção de seus pais, claro. Gabriela e John estavam sentados no pequeno sofá azul claro do quarto. Nos braços de Gabriela se encontrava Melody e nos de John estava Raphael.

Kurt e Blaine possuíam lágrimas em seus olhos vendo os filhos daquela maneira, assim como Sebastian que mais parecia o pai de todos eles e se sentia orgulhoso, sem nem saber direito o motivo.

— Cadê o Elli? – Perguntou Blaine. – E as crianças?

— Digamos que eles foram dar uma volta... – Sebastian disse cabisbaixo. – Eu e ele estamos dando um tempo.

— Por que? – Perguntou Blaine mais uma vez.

— Fantasmas do passado que estão muito presentes. – Nesse momento a campainha começou a tocar.

— Eu abro. – Kurt levantou sorridente e saiu do quarto dos filhos.

Desceu as escadas quase saltitando, sorrindo ainda. Até que abriu a porta e se deparou justamente com alguém que definitivamente não esperava encontrar depois de tantos anos.

— Daniel?! – Kurt praticamente gritou, vendo um sorriso surgir nos lábios dele. – O que está fazendo aqui?

— Dando uma volta... já que meu namorado, noivo, marido, sei lá o que ele é meu, veio visitar também seu antigo amor, resolvi fazer o mesmo. – Sorriu mais abertamente. – Não vai me convidar para entrar, Kurt?

Kurt apenas abriu mais a porta, dando passagem para Daniel. Sua cabeça estava confusa, mas agora fazia sentido Sebastian ter dito que fantasmas do passado que estão muito presentes. Guiou Daniel para o andar de cima e o levou para o quarto com os filhos, amigos e afilhados. Não queria ficar sozinho com aquele homem.

— O que faz aqui? – Sebastian perguntou, tão atordoado quanto Kurt. – Não bastava Nicolas aparecer, agora você também?

— Quem é você? – Blaine levantou e encarou bem o homem, já não gostou dele só pela feição do marido.

— Ah, eu sou o grande amor de Kurt. – Sorriu mais ainda. – E você?

— Marido dele. – Blaine estava se segurando para não socar a cara de Daniel, pois a raiva que sentiu ao vê-lo foi enorme. – O que está fazendo aqui?

— Nicolas veio ver Sebastian, talvez matar a saudade, não sei e eu vim ver Kurt. – Explicou. – Aliás, Sebastian, Nicolas fala tanto de você que eu me canso.

— Vocês não estão juntos, afinal? Qual a de vocês? – Inquiriu o Smythe.

— Bom, ele fica com quem quiser, assim como eu e, no fim do dia e para a sociedade, somos um casal. Já nos apresentamos como namorados, como noivos, como maridos, até como amantes. Não ligamos muito para isso. – Deu de ombros. – O que importa é que ele veio aqui falar com Sebastian e eu vim ver Kurt para saber como ele está. Não vou fazer nada, não se preocupem. Minha fase por crianças já passou.

— Você olha como você fala do meu marido. – Se alterou Blaine. – Ainda mais perto de nossos filhos.

— Daniel. – Chamou Kurt, fazendo o garoto de cabelo loiro o encarar com um sorriso sarcástico nos lábios. – Já viu como eu estou, não viu? Agora vá embora, por favor. Estávamos tendo um dia muito bom antes de você aparecer.

— Tudo bem, já vou indo. Amanhã pela manhã estaremos voltando para a Irlanda, só passei para te ver mesmo. – Daniel se deu por vencido, saindo em seguida do quarto. – Só antes, Sebastian... Nic me pediu para te entregar isso.

Daniel entregou um pequeno envelope para Sebastian, se despedindo dele logo após isso e se despedindo também dos outros, indo embora em seguida. Kurt fechou a porta e se escorou nela, vendo Blaine o encarar de braços cruzados como se esperasse por uma boa explicação.

— Não me olha com essa cara. Não sei nem como ele descobriu onde eu moro. – Kurt deu de ombros, se aproximando do marido. – Eu já falei mil vezes que não sinto nada por ele, não precisa fazer esse biquinho enciumado, por mais fofo que isso seja.

— Eu odeio o quanto eu te amo, Kurt Hummel. – Brincou o moreno, puxando Kurt para mais perto ainda e o beijando. – Mentira... eu amo te amar.

— Eu também amo te amar, B.

Enquanto Blaine e Kurt trocavam beijos e palavras românticas, Sebastian pegava o bilhete com as mãos tremendo. Não queria ter visto Nicolas novamente, não queria ter se encontrado com ele e nem queria ter brigado com Elliot por ciúmes, mas não teve jeito. O destino deu um jeito de interferir no caminho deles e agora Sebastian precisava tomar uma decisão.

Abriu o pequeno envelope e viu o bilhete, que dizia o seguinte:

Vou te esperar no lugar que comentei com você. Venha bem arrumado e perfumado, vou te dar a melhor noite de sua vida. – Nicolas.”

E o castanho respirou fundo umas três vezes, além de suspirar alto. Deveria ir ou não? Não sabia dizer.

Kurt voltou ao quarto junto com Blaine, vendo o estado em que Sebastian se encontrava e acabou o arrastando dali. Esses eram os momentos onde ambos percebiam o motivo de serem melhores amigos: sempre sabiam o que havia de errado um com o outro. Os dois sentaram-se na sala, afastados das crianças e dos outros amigos.

— Vai, fala tudo o que está sentindo. – Kurt disse em tom ameno, puxando Sebastian para seu colo e já fazendo cafuné em sua cabeça.

— É complicado. – Suspirou o Smythe. – Eu sei que eu amo o Elliot, me apaixonei por ele muito rápido e logo passei a amá-lo, porque ele sempre fez eu me sentir especial, ele sempre fez eu me sentir amado, desejado e, o principal, feliz. Mas a questão é que por mais que Nicolas tenha me traído eu não consigo simplesmente odiar ele ou desejar não vê-lo nunca mais. Não consigo.

— Seb, isso é normal. Você sabe muito bem o tempo que levei para esquecer que gostava de Daniel e te confesso que ver ele hoje não me causou absolutamente nada. Em Blaine causou, pois ele ficou bem enciumado. – Riu o castanho. – Mas a questão é que pode até demorar, mas você ainda vai ver Nicolas da mesma maneira que eu agora vejo Daniel.

— Ele me convidou para sair. O que eu faço? – Questionou Sebastian, já vendo seu amigo levantar do sofá.

— Por mais que esse não seja o melhor conselho: siga seu coração.

[...]

Oito horas da noite Sebastian estava sentado no restaurante marcado, bem arrumado e extremamente perfumado, esperando ansiosamente sua companhia chegar. Quando viu aqueles olhos o encarando e o pequeno sorriso nos lábios que apenas crescia conforme ia se aproximando da mesa, sentiu seu coração ficar cada vez mais acelerado. Tinha certeza do que sentia como jamais teve certeza antes.

— Boa noite, Sr. Smythe. – Brincou ele, encarando Sebastian também sorrir. Sentou-se e sentiu a mão de Sebastian sobre a sua.

— Eu te amo, Elli. Eu te amo muito. – Confessou Sebastian, vendo o sorriso do marido apenas aumentar.

— Eu também te amo, Seb. Confesso que me surpreendi quando recebi sua mensagem. Não esperava que você fosse me chamar tão rápido para conversar. Afinal, estávamos dando um tempo, não? – Sebastian assentiu, ainda com a mão sobre a do marido.

— Eu realmente não quero ficar longe de você, Elli. Não quero te perder. – Sebastian encheu seus olhos de lágrimas só de pensar nessa possibilidade. – Me dói pensar nisso, me dói demais. Sabe, ele me convidou para sair com ele, mas eu não aceitei. Pelo contrário, o deixei plantado lá, eu nem cheguei a ir, combinei com você e vim te ver, porque quem eu amo e quero é você e só você.

— Eu também quero só você, meu amor. Só você.

[...]

Enquanto no restaurante era uma maravilha de amores e na casa dos Hummel-Anderson todos eram feitos de apenas risadas e brincadeiras com as crianças, no hospital agora Thomas se encontrava sozinho.

Se sentia um inútil por não ter conseguido nem mesmo se matar, porque essa era a sua vontade. Ele não queria ter acordado desse coma, não queria. Preferia mil vezes ter partido do que ter permanecido em um mundo onde ele só fez maldades com a pessoa que sempre jurou amar. Uma pessoa assim não merecia viver.

Escrevia a carta para Kurt em meio a lágrimas e mais lágrimas. Talvez o destino estivesse o dando uma chance de consertar as coisas, por isso permaneceu vivo, assim poderia dizer para Kurt e Blaine que o Anderson nunca traiu o Hummel e que eles podiam seguir suas vidas sem se preocupar com isso.

Mas sabia também que essa carta seria o seu fim. Depois disso daria um jeito de se matar. Se entupiria de remédios, enfiaria uma faca no pescoço, qualquer coisa que tirasse sua vida.

Sua carta seria seu último contato com o mundo. Poderia até mesmo deixar sua irmã feliz e sair do hospital, até se despedir dos sobrinhos, mas, depois disso, daria um fim a sua vida, não importava o quanto isso fosse lhe custar.

— Voltei. – Quinn disse animada, tinha ido para casa descansar um pouco. – Terminou a carta?

— Terminei sim. Você pode entregar ao Kurt por mim? – Thomas tentou parecer animado, vendo a irmã sorrir ainda mais e assentir, pegando a carta e a colocando em um envelope. – Eu te amo, Quinn.

— Eu também te amo, Thom. Eu vou aproveitar que ainda está cedo e vou levar a carta, depois eu volto e durmo aqui com você, tudo bem? – Perguntou a loira, vendo o irmão afirmar com a cabeça.

A loira saiu do quarto após beijar o rosto de Thomas e saiu em direção ao estacionamento, pegando o carro e dirigindo para a casa de Kurt e Blaine. Ao chegar lá, após bons minutos dirigindo, estacionou e andou até a porta, tocando a campainha em seguida. Kurt a atendeu depois de alguns segundos.

— Oh, Quinn. O que te traz aqui? – Perguntou Kurt sorrindo, vendo a loira também sorrir.

— Será que nós podemos conversar? Tem algo que você precisa saber...

Notas finais
E então? O que acharam? Espero que tenham gostado ♥ Bjo ♥