He Doesn't Like The Lights
48 #48 - Carta do Thomas
Notas iniciais
#48
Carta do Thomas
— Preciso? – Kurt perguntou confuso, dando espaço para Quinn entrar, mas a mesma negou com a cabeça. – Se quer conversar, é melhor entrar, não?
— Na verdade, eu preciso te entregar essa carta. Thomas que escreveu. – Quinn disse, dando o envelope para o Hummel. – Sei que a raiva que você sente dele é bem forte, mas meu irmão se arrepende das coisas que fez e resolveu esclarecer tudo isso nessa carta que estou te entregando. Leia com calma e longe do Blaine, ele pode se irritar e rasgar, ok? Eu preciso voltar para o hospital...
— Tudo bem... – Kurt ainda estava um pouco incerto, mas assentiu e se despediu de Quinn.
Um pouco trêmulo e nervoso, Kurt tirou algumas folhas provavelmente retiradas de uma agenda de dentro de um envelope. A caligrafia era muito bela e legível e Kurt sentou-se no sofá, aproveitando que Blaine não se encontrava, e se botou a ler a tal carta do Thomas.
“Kurt, eu já vou começar essa carta te pedindo desculpas. O motivo? Eu só fiz você sofrer nesse meio tempo em que nos conhecemos e não há só um segundo em que eu não me arrependa da besteira que eu fiz com você, pois me arrependo quase mais do que com aquilo que fiz durante o ensino médio.
Eu vou te contar tudo desde o início, ok? Vamos fingir que somos amigos há muito tempo e que estou te contando meus segredos, porque tirando a parte da amizade essa é justamente a verdade. São os segredos que apenas minha irmã sabia. Durante o ensino médio eu conheci Blaine. Me encantei por ele na hora, confesso.
O jeito dele era tão amável. Seus cachos sempre rebeldes ou cheios de gel, suas roupas meio coloridas, seu jeito tímido e seu sorriso encantador, tudo isso era um pacote incrível, não? Ainda é, aliás. Quando eu o vi pela primeira vez foi como se milhares de peixinhos estivessem percorrendo minha corrente sanguínea. Ele era tão... simplesmente ele.
Seu jeito tímido aflorou em mim todos os sentimentos que eu fingia que não era capaz de sentir, porque minha popularidade fazia eu me prender no armário e o preconceito dos meus pais também ajudava muito nisso. Eu sentia vergonha de ser apaixonado por Blaine, mesmo que ele me fizesse feliz apenas por existir. Eu não tinha vergonha por ele ser ele, eu tinha vergonha por eu ser eu.
Quando nos beijamos, foi como se toda a alegria do mundo caísse sobre mim. Foi provavelmente um dos melhores momentos da minha vida, eu sabia que gostava demais dele e é óbvio que esse sentimento acabou me assustando. Eu era desejado por praticamente todas as garotas do colégio e eu tinha que justamente me apaixonar por um menino?
Eu fui muito julgado só pelo fato de ser amigo dele, já que ele não era muito do popular não... mas então ele fez sua fama e tudo mudou, não é? E foi logo depois da besteira que eu fiz, portanto que suas primeiras músicas são de coração partido ou amor não correspondido.
Ele disse que me amava e eu fui capaz de dizer que o que aconteceu foi apenas sexo, ainda mandei ele crescer e entender. Eu também amava ele, por que eu não fui capaz de demonstrar, não é? Assim que ele fez sua carreira começar, eu fui chamado para um concurso de moda e como sempre quis ser modelo, eu aceitei participar. Eu não esperava que isso me deixasse na França por tantos anos, mas isso não vem em questão.
Durante todos os anos que eu permaneci lá, tive relacionamentos de uma só noite com mitos homens, mas eu nunca consegui gostar mesmo de algum. Eu nunca esqueci Blaine, muito menos o que eu sentia por ele. Quando vi ele casado, senti vontade de morrer, mas ao invés disso eu voltei para cá para New York e estraguei a maior alegria dele.
Blaine te ama, Kurt, ele te ama mais do que me amou. Ele te ama demais e, por mais que isso me machuque, eu quero ver ele feliz, não importa com quem. Por isso essa carta é para você e não para ele, porque eu devo muitas desculpas a você.
Na noite da festa ele não parava de falar de você e quando ele subiu as escadas eu vi ali a perfeita oportunidade de seduzi-lo. Ele disse que não me queria, tentou se soltar e não permitiu que eu o beijasse. Ele estava morrendo de sono, literalmente quase caindo e então ele desmaiou de sono. Eu ia só colocar ele na cama, mas aquela era a minha chance de o deixar solteiro de novo.
Eu armei a foto, Kurt. Blaine nunca te traiu. Ele nunca faria isso. Me perdoa por ter sido um idiota, me perdoa por ter feito tudo isso, me perdoa até por eu ter nascido. Eu não sou nem nunca fui uma boa pessoa, sempre me preocupei mais comigo mesmo do que com qualquer outra pessoa, mesmo que isso magoasse todos em minha volta.
Só peço que cuide bem dele, porque o meu amor não vai passar nunca, eu só decidi que não vou mais me meter, porque ele merece ser feliz. Vocês merecem ser felizes.
Passar bem, Kurt.
Com carinho... Thomas.”
Kurt possuía lágrimas nos olhos, não sabia definir se eram de alegria ou tristeza. Se sentiu feliz por saber que Blaine não o traiu, mas também se sentiu triste por saber dos sentimentos de Thomas. O Fabray fez o que fez por amor e só por amor, mas se arrependeu e agora está tentando consertar as coisas.
— Amor, cheguei! – Blaine disse, largando suas chaves e documentos em cima d mesa de canto.
— Oi, amor. – Kurt disse sorrindo, se aproximando do marido e o beijando como se não fizesse isso há tempos. – Eu te amo.
— Eu também te amo. – Sorriu o moreno, beijando Kurt mais uma vez.
[...]
Kurt mal se continha sentado na sala de espera do hospital. Saiu cedo de casa, dizendo para Blaine que não demoraria para voltar, mas sem mostrar para onde exatamente iria. Ele não queria dizer que estava indo visitar Thomas, pois isso provavelmente geraria uma bela briga entre os dois e isso era o que Kurt menos queria.
Quando Quinn saiu do quarto e liberou a visita para Kurt, o castanho sorriu suavemente e entrou no quarto, encontrando logo os olhos claros de Thomas, que o fitavam totalmente surpresos.
— Kurt?! – Thomas parecia mesmo surpreso. – O que faz aqui?
— Eu vim conversar com você... posso? – Kurt ficou um pouco tímido, mas Thomas assentiu e apontou na direção da poltrona ao seu lado. – Obrigado pela carta.
— Já leu?
— Sim. – Afirmou o castanho. – Só não vim ontem porque já estava tarde, então resolvi vir hoje. Eu entendo seus motivos...
— Meus motivos não são o suficiente para compensar o que fiz. Meus atos foram ridículos, Kurt. Eu fui um idiota. – O Fabray encarava Kurt sentindo raiva de si mesmo. – Eu amo Blaine, mas isso não me dá o direito de interferir na vida dele. Olha o que eu fiz vocês dois passarem.
— Se ajuda em algo, eu já tinha perdoado ele. – Kurt sorriu fraco. – Thomas, eu queria que você soubesse que eu não te odeio. Até tentei odiar, mas não consegui. Eu entendo o que é amar alguém que não te ama e sentir raiva disso. Passei duas vezes por isso, mas na segunda ele amava e não tinha coragem de admitir. Blaine passou muito tempo tentando superar o que sentia por você e eu sei que ele ainda fica balançado, porém ele pende mais para o meu lado porque eu não o fiz sofrer, foi ao contrário. O que eu quero dizer... é que se ele tivesse optado por ficar com você, eu teria sofrido, mas seguiria minha vida desejando a felicidade de vocês dois.
— O que você está querendo dizer exatamente? – Thomas ainda estava confuso. – Não sente raiva de mim? Nem um pouco?
— Meu marido era Blaine, não você. Quem me “traiu” foi ele e não você.
— Mas agora você sabe da verdade. Sabe que foi culpa minha. Mesmo assim não sente raiva?
— Já disse que não. Já disse que te entendo. – Kurt permanecia sorrindo. O castanho colocou sua mão sobre a do Fabray, vendo ele encarar atentamente esse gesto. – Eu ainda não mostrei a carta para ele... preferi vir te ver antes.
— Por que? Kurt, você está me assustando. Com esse sorriso no rosto e essas palavras gentis... está planejando minha morte?
— Claro que sim, roubei até uns equipamentos das enfermeiras. – Kurt disse irônico, começando a rir em seguida. – Eu quero saber se você quer que eu mostre a carta para ele.
— S-sim. – Thomas pareceu hesitar, mas logo sorriu. – Me consegue uma caneta?
Kurt começou a procurar uma caneta pelo quarto, até que encontrou e a entregou na mão de Thomas, que sorriu triste e, com os olhos cheios de lágrimas, sussurrou para Kurt:
— Agora eu posso descansar em paz...
E, dito isso, ele enfiou com toda a sua força e caneta em seu pescoço, mas antes que ele pudesse a puxar para fora Kurt segurou e começou a gritar por ajuda. Ele não podia acreditar que Thomas tinha mesmo tentado se matar em sua frente.
O desespero dele só aumentou ao ver que Thomas ainda tentava se debater para tirar a caneta ali, que era a única coisa a estancar o sangue de algum modo. As enfermeiras se assustaram com a cena e mais ainda com o desespero de Kurt e começaram a ajuda, chamando os médicos para os procedimentos necessários.
Kurt foi levado para uma outra sala, onde sentou-se com Quinn após lavar suas mãos, as quais tinham um pouco de sangue. Os dois estavam desesperados. Kurt foi obrigado a avisar Blaine, que chegou ao hospital já esperando que algo ruim tivesse acontecido com o marido.
— Ele perdeu muito sangue... – Kurt ouviu o médico falar para Quinn e se aproximou dela, junto com Blaine. – Precisamos fazer uma transfusão.
— Eu posso doar. – Quinn se prontificou na hora.
— Você já tentou ser doadora, mas o sangue de vocês não é compatível. – O médico parecia tão triste quanto ela.
— Meu sangue é compatível com todo mundo. – Anunciou Kurt. – Eu posso ajudar.
— Não. Você não vai fazer isso. – Blaine se alterou.
— Você quer que eu deixe ele morrer? Não posso fazer isso. – O Hummel também se alterou.
— Não posso permitir que você acabe em uma cama de hospital de novo. Eu não vou sobreviver a mais um coma seu, Kurt. Um já foi demais. – Os olhos d Blaine se encheram de lágrimas. – Meu sangue também é compatível... não posso ajudar também?
— Claro que sim. – Afirmou o doutor. – Vamos para a sala que vou preparar vocês.
E os dois foram de mãos dadas atrás do médico, prometendo a Quinn que tudo ficaria bem com o irmão dela.
[...]
Cinco horas se passaram. Os três passavam bem, todos os procedimentos correram perfeitamente e agora mais uma vez estava Kurt e Thomas no quarto do Fabray no hospital.
— Então você e Blaine salvaram minha vida? – Perguntou após Kurt explicar tudo para ele. – Por que?
— Porque eu não queria ver você morrendo, Thomas. Quase que a Quinn também veio para uma maca. Sei que essa provavelmente era a sua vontade, se matar, no caso... mas eu não consegui deixar isso acontecer. Desculpa por ter sido egoísta e ter imaginado que você não queria morrer, mesmo sem saber o que você realmente queria.
— Obrigado, Kurt. – Thomas sorriu. – Obrigado de verdade.
— Eu tenho um convite a te fazer. – Kurt também sorriu, entregando um pequeno envelope que tinha levado consigo para Thomas. – Espero que você vá!
Thomas abriu o envelope já com um certo medo do que poderia ser, mas mesmo assim abriu o pequeno e delicado envelope e pegou o que tinha dentro. Era literalmente um convite.
“A família Hummel-Anderson convida você para o aniversário de Theodore Hummel-Anderson & Alice Hummel-Anderson...”
— E então, Sr. Thomas Fabray... você vai? – Kurt tinha um pequeno sorriso nos lábios, assim como Thomas.
— Se Blaine não se importar... eu adoraria!
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